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Clipping

09/11/2012 às 09:38

Opinião Correio: 'Visão do Correio :: Alfabetização é só o começo'

Escrito por: Redação
Fonte: Correio Braziliense

Qualquer esforço para afastar o Brasil do lamentável atraso em que se encontra no campo da educação em todos os níveis merece apoio e aplauso. É o caso do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, que a presidente Dilma Rousseff lançou ontem. Trata-se de programa a ser desenvolvido em parceria com estados e municípios e que pretende garantir que todas as crianças de até 8 anos saibam escrever, ler e interpretar textos simples e dominar operações matemáticas elementares.

Hoje, segundo dados oficiais, nada menos do que 15% das crianças brasileiras chegam a essa idade sem esses conhecimentos. Para a presidente, a desconfortável realidade determina a urgência do programa. Ela reforça o discurso com a afirmação de que a educação é o mais perene dos caminhos para assegurar às pessoas a igualdade no acesso às oportunidades.

A adesão imediata de todos os estados, do Distrito Federal e de 5.560 municípios dá boa ideia de quanto tem avançado a convicção entre os administradores públicos brasileiros, não importa a coloração partidária, da importância que se deve dar à educação básica e do quanto é depreciativo ostentar percentual elevado de analfabetos na área sob sua responsabilidade.

Para estimular escolas e professores a participar do programa, o governo federal promete distribuir, já no próximo ano, R$ 500 milhões em prêmios às instituições de ensino que tiverem os melhores desempenhos na alfabetização de crianças até 8 anos. Esse desempenho será monitorado pelo Ministério da Educação (MEC), que, a partir de 2013, vai aplicar um teste nos alunos do 3º ano do ensino fundamental para verificar o grau de alfabetização e o percentual de estudantes que aprenderam a ler, escrever e fazer contas básicas.

Não é este o propósito do programa, mas, se bem executado, a divulgação do teste e a premiação das melhores escolas poderão dar inestimável contribuição para o fim da malograda experiência da progressão automática adotada no ensino fundamental em muitos municípios. Por esse sistema — ultimamente abandonado por bom número de prefeitos em todo o país —, os alunos foram dispensados do "constrangimento" das provas para passar de ano, com a lamentável consequência da geração de milhares de analfabetos funcionais que ainda hoje marcam passo ou já desistiram de concluir o ensino médio.

É, aliás, a esse gargalo — o ensino médio — que a presidente e seu governo precisam conceder prioridade e urgência em medida pelo menos igual à da alfabetização na idade certa. Entre as razões que levaram o governo a bancar o polêmico sistema de cotas sociais, nenhuma é maior do que a baixa qualidade dos ensinos fundamental e médio ministrados pelo setor público. E essa prioridade requer a participação mais intensa da orientação e dos recursos da União, já que é ela que fica com mais da metade de tudo que se arrecada no país. A alfabetização, portanto, é só o começo.