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Clipping

24/09/2013 às 00:31

Portugal Telecom nega intenção de fazer aporte na Oi

Escrito por: Redação
Fonte: Valor Econômico - Online

Zeinal Bava, da Oi: plano de ampliar dois centros de dados em Brasília

A Portugal Telecom, maior acionista individual da Oi, não pretende, no momento, fazer um novo aporte de capital na companhia, disse ao Valor, o diretor financeiro da empresa portuguesa, Luis Pacheco de Melo. A Oi passa por dificuldades financeiras, principalmente devido à alavancagem, que fechou o segundo trimestre em quase R$ 30 bilhões. O executivo disse que a Portugal Telecom também tem um nível de alavancagem importante e que não pode se prejudicar para ajudar a Oi. "(A ideia é) conseguir suportar mais ou menos a agressividade da nossa economia (de Portugal) aqui, para termos flexibilidade para apoiarmos as nossas empresas internacionais", afirmou.

Melo disse que o presidente da Oi, Zeinal Bava, tem dado prioridade à melhora da eficiência da companhia para a geração de caixa. Para isso, disse, a estratégia é manter investimentos, para a expansão e crescimento dos serviços que geram receita, e reduzir os custos. Entretanto, o diretor evita estimar um prazo para um cenário melhor para a relação entre a geração de receita e o endividamento. Segundo ele, é necessário gerar caixa suficiente para sustentar a dívida da empresa. Melo se disse "confiante" em um "plano ambicioso" que está sendo desenvolvido por Bava no Brasil. Se o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) crescer, será possível manter o nível de alavancagem sem piora, afirmou.

Enquanto isso, de acordo com o diretor, a estratégia da Portugal Telecom, nesse contexto, será apoiar a Oi em seu plano para a geração de receita, por meio de estratégias. O caminho para isso tem sido o mapeamento de sinergias entre as duas empresas para que a Oi possa se beneficiar de atividades já adotadas pela sócia portuguesa.

O diretor corporativo da Oi, Maurício Vergani, afirmou que foram destacados seis pontos de sinergia entre a Portugal Telecom e a Oi. Um deles seria o armazenamento de dados, com a construção e expansão de centros de dados em Portugal e no Brasil, com negócios em comum. Nessa estratégia se considera também parcerias com fornecedores, redução de custos operacionais e melhorias da tecnologia na interligação dos clientes empresariais.

O aprimoramento da conexão dos clientes empresariais trará resultados imediatos na redução de custos, disse Vergani. Ele cita como exemplo que para conectar um cliente empresarial com fibra óptica, hoje, o investimento médio é de R$ 25 mil. A partir de 2014, esse custo cairá para R$ 2,5 mil.

Na área empresarial, os maiores clientes da tele, segundo Vergani, são os bancos brasileiros e, em segundo lugar, o segmento de serviços. Desde julho de 2011, a Portugal Telecom e a Oi vêm mapeando os pontos de sinergia. Ontem, as duas operadoras anunciaram a adoção de uma estratégia conjunta para o fornecimento de serviços para esses clientes. A ideia é investir na construção e expansão de centros de dados no Brasil e em Portugal. As empresas atuarão em parceria no mercado internacional no armazenamento de dados de negócios de todos os portes.

Ao destacar que o foco da Oi no Brasil é a ampliação da conectividade, Bava disse que o objetivo é investir na ampliação dos dois centros de armazenagem de dados da Oi em Brasília. Em três anos, as duas estruturas terão 12 mil servidores, mais de quatro vezes a atual capacidade, de 2,5 mil. A empresa tem outros três centros de dados em São Paulo, Fortaleza e Belo Horizonte.

O segmento não é um dos mais explorados pelas teles, que dominam hoje menos de 10% do mercado mundial de armazenamento de dados em nuvem - modelo que permite o processamento de informações pela internet, sem necessidade de ter os sistemas ou até equipamentos no ambiente dio cliente. "Nosso feijão com arroz no Brasil ainda é vender conectividade", disse Bava. A expressão tipicamente brasileira foi empenhada pelo executivo português em Covilhã, durante a apresentação do novo centro de dados da Portugal Telecom, o sexto maior do mundo.

"Computação em nuvem é periférico na cadeia (de valores) de telecomunicações", reconheceu Bava. Entretanto, o executivo afirma que o negócio é promissor para as duas empresas, já que apresenta a oportunidade de oferecer serviços de valor adicionado aos seus clientes. Para ele, a necessidade de armazenamento de dados em nuvem é crescente.

A premissa é o que sustenta a ideia da construção do novo centro de dados da Portugal Telecom, que demandou investimentos de ? 90 milhões até o fim do ano. A nova estrutura já nasce com contratos assinados com pelo menos sete clientes da Oi: Atento, Serasa, Call Tecnologia, CTIS, Pague Menos, Suzano e Estácio de Sá.

Com uma crise econômica que se arrasta há anos, a cidade portuguesa que recebeu o centro de dados, com cerca de 35 mil habitantes, já sente os efeitos do investimento. Estima-se que o centro vai gerar 1,4 mil postos de trabalho. Uma parceria também foi feita com a universidade da cidade, que criou cursos especializados em computação em nuvem.

O centro de dados ocupa uma área total de 75,5 mil metros quadrados e será modular, composto por quatro blocos e um total de 50 mil servidores.

A Portugal Telecom chegou a falar em investimentos totais de ? 350 milhões até o fim do projeto. Bava, porém, evitou citar um número final, já que a condução do empreendimento dependerá da conquista de clientes.

Apesar de o centro de dados refletir a arquitetura de uma pequena cidade do interior, esse negócio vai permitir à Portugal Telecom se posicionar em escala global, por meio de uma estratégia da expansão dos negócios no chamado "triângulo de continentes", região que compreende a Europa, América Latina e África, onde a companhia tem uma presença mais forte.

A repórter viajou a convite da Portugal Telecom

Por Marta Nogueira | De Covilhã (Portugal)