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Clipping

29/11/2013 às 13:32

Provedoras de acesso em banda larga exploram nichos distantes

Escrito por: Redação
Fonte: ABINEE

Contratar um acesso em banda larga fixa costuma ser muito simples para quem mora numa capital ou numa das outras grandes cidades brasileiras: há uma variedade tão grande de velocidades, conexões (via cabo, fibra óptica, cobre, rádio), planos combinados (com TV de alta definição e telefonia) e preços que é difícil escolher. Muito diferente de contratar internet em Novo Progresso, no Sul do Pará, onde a melhor conexão possível é feita via rádio digital, com 512 K de velocidade, pela única provedora do município, a NovaNet, ao preço de R$ 373 mensais. Novo Progresso é um exemplo dos nichos pelos quais as grandes operadoras não se interessam, e que se transformaram em oportunidade para centenas de pequenas empresas provedoras de acesso em banda larga, inclusive em cidades como São Paulo, onde certas regiões são atendidas apenas por empresas de pequeno e médio porte. Hoje, provedores competitivos estão indo a locais onde as grandes operadoras não vão, levando serviços de qualidade que de outro modo não seriam prestados, confirma Basílio Perez, presidente da Abrint, a Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações. Em muitos casos essas são também melhores alternativas para atendimento às pequenas e médias empresas.

Os provedores desse tipo já são mais de 4 mil em todo o Brasil, conta ele: "São todos licenciados pela Anatel para SCM (serviço de comunicação multimídia), a grande maioria prestando serviços via rádio, mas neste momento migrando para serviços via fibra óptica, porque o cliente está pedindo velocidades maiores do que o rádio permite", relata Basílio Perez (nesse caso, o rádio dos provedores opera a 1 ou 2 Mbps).

Segundo ele, em sua última reunião na Furukawa, o presidente da empresa, Foad Shaikhzadeh, contou que 50% da produção (perto de um milhão de quilômetros por ano) está sendo vendida para pequenos provedores. Por causa dessa demanda a Furukawa criou uma divisão para atender a esse tipo de cliente. A Transit Telecom é uma das empresas que estão ampliando sua rede para atender à demanda de serviços de telecomunicações das pequenas e médias empresas do interior do Brasil, conta Fábio Tironi, diretor de TI. "Estamos expandindo para não depender mais de acordos com empresas maiores e assim poder prestar serviços melhores e a preços mais baixos", afirma.

Nos dois últimos anos, a Transit investiu perto de R$ 200 milhões na expansão de sua rede própria de fibra óptica: "Até o final do ano passado, tínhamos mais ou menos seis mil quilômetros de rede e em dezembro deste ano estaremos com 999 mil quilômetros, graças a investimentos e parcerias", diz Tironi. Com cerca de cem mil clientes em mais de 800 municípios, a Transit está mais preocupada agora com banda larga do que com serviços de voz, conta seu diretor, embora voz continue representando 60% da receita. Dos clientes da empresa, ele calcula que 60% sejam pequenas e médias empresas.

Um dos fatos que favorecem a expansão de todos esses provedores de serviço é a criação das chamadas redes neutras, que empresas especializadas implantam para alugar justamente às empresas de telecomunicações de qualquer tamanho. "Estas empresas estão também dando passo adicional e agregando a essas redes alguns data centers. Assim, além de transporte de dados elas oferecem armazenamento. Isso também está no rol de uma Telefonica ou de uma Embratel, mas existem empresas novas, especializadas entrando nesse nicho", conta João Moura, presidente da Telcomp. "Elas desenvolvem uma rede para uso de várias operadoras, e além do gerenciamento dessa rede oferecem o data center. É um modelo alternativo, porque foca em segmentos de mercados específicos".

Serviços com essa organização, embora em escala menor, também são oferecidos pelos pequenos provedores, revela o presidente da Abrint: "Espalhadas pelo Brasil, essas são empresas que têm de 500 a 30 mil usuários, portanto nenhuma é muito grande. Além do serviço de banda larga que todos conhecem, elas também fornecem "banda cheia", para ligações ponto a ponto e algumas já oferecem também serviços de data center", conta Perez. Segundo ele, são instalações pequenas, em geral não ultrapassando 200 m2 de área construída, "o que é pequeno dentro dos padrões normais dos data centers, mas com todos os recursos como no-break, gerador e serviço de lan-to-lan em fibra, ligando as empresas a esses data centers. São serviços mais caros, mas já estão disponíveis também em lugares distantes dos grandes centros", explica. Alguns desses provedores já conseguiram licença para operar TV a cabo, diz Perez.

Muitas dessas empresas, com redes próprias ou de terceiros, conseguem organizar uma convergência de serviços e os oferecem ao mercado, lembra Moura: "Elas juntam a banda larga e a telefonia, mas aí aproveitam e agregam ao serviço um PABX virtual para o cliente, fazem um billing mais detalhado, oferecem funcionalidades diferentes e até entram no universo das comunicações unificadas, o que significa instalar uma interface bem feita entre a telefonia e o seu desktop, iPad ou celular, de modo que você pode estar trabalhando e se alguém liga no seu telefone fixo a ligação é desviada para o seu computador". É uma funcionalidade capaz também de transferir automaticamente essa ligação para o telefone móvel.