Receba no seu e-mail

Voltar

Clipping

04/11/2013 às 13:32

Roaming pode ser extinto no bloco europeu até 2016

Escrito por: Redação
Fonte: Valor Econômico

A Comissão Europeia (UE) propôs aos 28 países-membros uma ampla reforma no setor de telecomunicações, que será examinada no Parlamento. Pelo plano, a partir de julho de 2014 as operadoras serão proibidas de cobrar taxas extras dos clientes quando eles receberem uma chamada no celular em outro país do bloco europeu. Todas as taxas de roaming serão eliminadas até 2016. Em todo o mundo, as operadoras hoje cobram taxa de roaming de usuários em viagem nacional e internacional. Até a eliminação da taxa, as operadoras de telefonia móvel deverão propor aos seus clientes o mesmo preço por chamada telefônica em todos os 28 países-membros, ou deixá-los mudar de provedor pelo período em que estiverem no exterior, sem cobrança adicional.

Assim, o europeu poderá viajar por outro país com seu celular, recebendo e fazendo chamadas, escrevendo textos, surfando na internet e baixando conteúdos sem os custos considerados excessivos por esses serviços atualmente. O preço da chamada telefônica internacional será limitado a ? 0,19 (mais a taxa de valor agregado, VAT). A comissária europeia da área digital, Neelie Kroes, diz que o objetivo da reforma é proporcionar aos clientes o mesmo preço, indiferentemente de onde eles estiverem na Europa. Neelie descreveu as taxas de roaming como "cash cow" (vacas de dinheiro) para as teles. Grandes operadoras, porém, continuaram reagindo. Vodafone, Orange e outras insistem que perderão ao menos ? 7 bilhões ao serem forçadas a oferecer a mesma taxa dentro e fora do país, e conexões pela web em todo o bloco europeu.

Há alguns dias, operadoras da União Europeia insistiram que a proposta da Comissão Europeia para reforçar a regulação no setor é um começo para estimular investimentos, mas que são necessárias outras iniciativas. O presidente da Associação Europeia de Operadoras de Telecom (Etno), Luigi Gambardella, pediu mudanças no plano para "apoiar os investimentos custosos em novas infraestruturas de alta capacidade, estabelecendo clara agenda de desregulação, diante do alto grau de concorrência já alcançado na Europa". A mensagem das operadoras é que isso deve vir também com contribuição dos chamados "over-the-top" (OTT), gigantes da internet como Google, Apple, Facebook, eBay, Amazon e outros, que competem com empresas de telecomunicações tradicionais para serviços, tais como mensagens e chamadas de voz, e ficaram fora da regulacão europeia.

"Como poderemos ter um mercado onde o enorme aumento em consumo de dados vem sempre com a queda de preços? Que tipo de efeitos isso terá na capacidade das companhias para investir em desenvolvimento de infraestrutura como fibra e redes 4G?", indagou Gambardella, sublinhando um problema que tende a se propagar por outras regiões. Para o executivo, esse cenário deve conduzir a um déficit de ? 110 bilhões a ? 170 bilhões na UE, e esses recursos seriam necessários para o bloco alcançar os objetivos fixados para cobertura e penetração de banda larga até 2020. A situação é dramática também, diz Gambardella, ao se considerar que a Europa foi líder em tecnologias da economia digital, mas perdeu a posição para a Ásia e a América do Norte, que têm penetração de fibras 20 vezes maior e de quarta geração 35 vezes maior.