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Clipping

03/12/2013 às 09:32

SAP reforça atenção à área governamental

Escrito por: Redação
Fonte: ABINEE

Maior fornecedora de softwares de gestão para grandes empresas no Brasil, a alemã SAP decidiu apostar no desenvolvimento de sistemas destinados ao governo - nas esferas municipal, estadual e federal - para multiplicar a participação do setor sobre as vendas no país. O objetivo é alcançar um volume de "dois dígitos" em relação à receita local, em dois a três anos, disse o presidente da companhia para o Sul da América Latina, Diego Dzodan. A SAP vem tentando aproximar-se de pequenas e médias empresas, que já representam 70% dos seus 4,5 mil clientes no Brasil, e também vê como estratégicos os setores financeiro e de varejo. A expectativa, porém, é que a área de governo vai apresentar o maior crescimento no "futuro próximo", afirmou Dzodan, que ontem participou da inauguração do segundo prédio do laboratório de desenvolvimento de software em São Leopoldo (RS), o SAP Labs Latin America.

Segundo o executivo, o governo do Rio de Janeiro já utiliza uma ferramenta da SAP para monitorar e responder com mais eficiência à variação dos níveis de criminalidade. O Estado também está prestes a lançar aplicativos para dispositivos móveis destinados à prestação de serviços públicos e outro governo estadual já aderiu ao sistema, sobre o qual a companhia não pode dar detalhes porque o contrato ainda não foi assinado.

Para atrair novos clientes governamentais, a companhia oferece sistemas para aumentar os controles e a produtividade dos processos administrativos, facilitar a vida dos cidadãos por meio do desenvolvimento de serviços via internet e colaborar com a "construção de capital político" para os governantes graças ao aumento da transparência da gestão pública, disse Dzodan. A área tributária é outra aposta, tanto pelo lado dos governos quanto pelo dos contribuintes. "O Brasil tem um sistema fiscal complexo e nós temos ferramentas sofisticadas na área de arrecadação", afirmou o executivo. É o caso de softwares para processamento da nota fiscal eletrônica e apuração de tributos como o PIS e Cofins, que operam sob a tecnologia Hana, para análise de grandes volumes de dados em tempo real.

A SAP também vê um forte potencial de expansão entre pequenos e médios negócios. De um universo estimado de 400 mil empresas desses portes no país, apenas 50 mil utilizariam algum sistema tecnológico, afirmou Dzodan. Segundo ele, a SAP está reforçando as operações fora dos grandes centros, além de fortalecer as parcerias com canais de distribuição para alcançar esse mercado. Outro filão é o segmento de softwares de gestão para clubes de futebol, como o que foi recentemente vendido para o Palmeiras.

A empresa não divulga resultados por país, mas em nove meses neste ano as receitas com softwares cresceram 48% no Brasil em moeda constante (sem considerar os efeitos da desvalorização do real) ante igual período de 2012, disse Dzodan. Além da venda de licenças, o desempenho inclui a oferta de sistemas na "nuvem", que no Brasil já tem um peso "proporcional" à participação do modelo de negócio no faturamento global, afirmou o executivo. Segundo o anuário "Valor 1000", a SAP apurou receita líquida de R$ 1,252 bilhão no Brasil em 2012. Segundo o presidente do SAP Labs Latin America, Stefan Wagner, a segunda fase do laboratório de São Leopoldo exigiu investimentos de R$ 60 milhões, que se somaram aos R$ 41 milhões aplicados na construção do primeiro prédio, inaugurado há pouco mais de dois anos. Com a nova estrutura, o número de profissionais no local passará dos atuais 570 (incluindo 100 estagiários) para 750 no fim de 2014 e cerca de 800 em 2015.

Em setembro, o laboratório foi incluído no programa TI Maior, lançado no ano passado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia para estimular o desenvolvimento e as exportações de softwares. Segundo o diretor de relações governamentais da SAP, Diogo Brunacci, a expectativa é que até janeiro seja definido o modelo de incentivo para as empresas que aderiram ao programa, com linhas de financiamento mais baratas, benefícios fiscais e ampliação da desoneração da folha de pagamento, originalmente prevista para vigorar até o fim de 2014. Além da SAP, as americanas EMC, Intel e Microsoft já haviam aderido ao TI Maior.