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Clipping

11/04/2013 às 13:38

Secretário de Cultura afirma que é preciso 'descriminalizar' o hip hop em São Paulo

Escrito por: Gisele Brito, da Rede Brasil Atual
Fonte: Rede Brasil Atual

Juca Ferreira, em nova edição do Diálogo SP, disse que preconceito e dificuldade de lidar com população da periferia motivavam discriminação em gestões anteriores

O secretário municipal de cultura de São Paulo, Juca Ferreira, se reuniu na noite de ontem (10) com membros do movimento hip hop da cidade em mais uma etapa do Existe Diálogo em SP – debates públicos organizados por setores da administração. Em sua pasta, o secretário já realizou dois encontros abertos em que fica frente a frente com cidadãos para ouvir sugestões e críticas sobre a política cultural. O objetivo das conversas é construir ações pautadas nas propostas apresentadas.

Juca afirmou que ao assumir a secretaria na gestão de Fernando Haddad (PT) notou uma “quase criminalização” das manifestações ligadas ao hip hop e que agora é preciso criar políticas públicas de descriminalização. “Há uma dificuldade da relação do poder público. Isso não é á toa. Tem todas as cargas possíveis do preconceito, da discriminação e da dificuldade de lidar com a população de periferia, com uma manifestação cultural de juventude”, avaliou.

Segundo ele, havia uma espécie de “proibição” de apresentações de rap em eventos como o aniversário de São Paulo. A presença do estilo musical e demais manifestações associadas ao hip hop quase desapareceram de grandes festas públicas na cidade desde 2007, ano da última participação dos Racionais Mcs na Virada Cultural. Na ocasião, a Força Tática da Polícia Militar usou bombas de efeito moral e balas de borracha para dispersar o público que assistia apresentação do grupo depois que alguns jovens subiram em uma banca de jornal, na praça da Sé. Diversas pessoas ficaram feridas e uma dezena foi presa.

“Tinha quase uma proibição de incorporar o hip hop no aniversário da cidade. E a gente fez questão de incorporar, já como uma sinalização de que a gente quer diálogo, quer jogo”, afirmou.

A maior parte das questões levantadas pelos rappers, grafiteiros, BBoys, Djs, dançarinos de break e produtores tratava da valorização simbólica e econômica dos membros do movimentos hip hop envolvidos em diversas atividades educativas e de combate à violência. “Dá para fazer trabalho voluntário? Dá, mas esse profissional tem de ser reconhecido também”, disse Sherlany, do Perifeminas, que também enfatizou a importância do recorte de gênero nessas políticas.

Consequência
Ainda na noite da quarta-feira, foi apresentado um documento em que esses e outros pontos foram tratados em encontros preparatórios do evento. O chefe de gabinete da secretaria sugeriu a criação de um grupo de trabalho para dar “consequência” às sugestões.

Ao final do encontro, os presentes se mostraram otimistas em relação à efetivação dos temas conversados. O rapper Emicida classificou o encontro como “histórico”. “O poder público nunca sentou com o hip hop na cidade de São Paulo.”

“Foi surpreende esse diálogo. Eu achei que seria uma coisa mal feita, porque eu não concordo com esse 'papo de diálogo', acho que muitas vezes é marketing. Mas não, o cara é muito avançado. Acho que ele acabou se comprometendo. Porque é isso, os políticos não querem dialogar com as pessoas porque não querem se comprometer com nada”, afirmou Pirata, do Fórum de Hip Hop.

“É importante o diálogo. Acho que coisas novas e ótimas poderão sair”, disse o rapper Rappin Hood.