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Clipping

18/06/2014 às 12:01

Serviços de inteligência do Reino Unido rastreiam Google e redes sociais

Escrito por: Redação
Fonte: Folha de São Paulo - Impressa

O governo do Reino Unido admitiu a interceptação de buscas no Google e o uso das redes sociais pelos seus serviços de inteligência. Segundo um documento divulgado na terça-feira (17) pela imprensa britânica, o governo ainda considerou a prática legal porque se tratam de "comunicações externas".

O relatório, elaborado pelo diretor-geral do Escritório para a Segurança e Contraterrorismo do Reino Unido, Charles Farr, detalha a doutrina legal que rege os serviços de informação britânicos para rastrear dados na rede.

Segundo esse documento, a interpretação britânica é que não é necessária uma ordem judicial para vigiar o uso de buscadores como o Google e redes sociais on-line como Facebook e Twitter.

"Uma busca feita no Google por um indivíduo no Reino Unido implica em uma comunicação a partir do computador de quem realiza essa busca com o servidor do Google, que será recebida fora das ilhas britânicas", argumentou Farr.

"A outra comunicação, do Google até esse computador, é enviada de fora das ilhas britânicas", por isso tratam-se de duas "comunicações externas", concluiu o diretor-geral da agência, vinculada ao Ministério do Interior do Reino Unido.

O documento foi divulgado depois de ser tornado público pela organização Privacy International, que junto com outras ONGs, como Liberty e Anistia Internacional (AI), entraram com uma ação no Tribunal de Poderes de Investigação Britânico, o órgão que atende queixas sobre a conduta dos serviços secretos.

As reivindicações sobre a espionagem na rede do governo britânico começaram por causa das revelações de Edward Snowden, ex-agente da NSA (Agência de Segurança Nacional americana).

No ano passado, Snowden revelou o alcance dos programas dos Estados Unidos e do Reino Unido em acessar e-mails e comunicações de milhões de pessoas.

Diante da polêmica gerada no Reino Unido, o chamado centro de escutas britânico, GCHQ, garantiu em comunicado que as atuações "se desenvolvem de acordo com um restrito marco legal e normativo que garante que todas as ações estão autorizadas, são necessárias e proporcionadas".

O vice-diretor da Privacy International, Eric King, afirmou que a doutrina dos serviços de informação divulgada no documento de Farr "vai contra os direitos humanos fundamentais e inalienáveis" e que os britânicos "não aceitarão essas desculpas fajutas diante da perda de suas liberdades civis".