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Clipping

17/01/2014 às 13:31

Telecom Italia terá comitê para avaliar ofertas pela TIM

Escrito por: Redação
Fonte: ABINEE

A Telecom Italia informou ontem que vai criar um comitê especial para avaliar eventuais ofertas de compra da TIM Participações, mas reiterou que não há no momento propostas pela operadora brasileira nem negociações em curso. Em nota divulgada após reunião do seu conselho de administração, em Milão, a companhia italiana esclareceu que qualquer "operação extraordinária" envolvendo a TIM Brasil deverá ser avaliada por diretores independentes do conselho. Na prática isso pode dificultar a venda da unidade, já que significa que qualquer venda da TIM Brasil pode necessitar de aprovação de uma reunião especial de acionistas na qual a Telefónica, se identificada como parte relacionada, não teria direito a voto. Realizada em Milão, a reunião contou com a participação do presidente da TIM Brasil, Rodrigo Abreu.

No mercado brasileiro, circulam rumores de que a operação da companhia no país poderia ser desmembrada em termos estaduais ou regionais. As unidades resultantes dessa divisão geográfica seriam absorvidas pelas operadoras concorrentes. "Não existe oferta, nenhuma proposta", disse Tarak Ben Ammar, membro do conselho de administração da Telecom Italia.

Para um analista de um grande banco estrangeiro presente no Brasil faz todo sentido apostar num desmembramento da TIM por áreas geográficas. "Se acontecer, será por estados ou regiões", disse o especialista em telecomunicações, que preferiu não ter seu nome divulgado. "O principal serviço da TIM é a telefonia móvel. Não faria sentido desmembrar a empresa por serviço". Um dos obstáculos à venda "em pedaços" da operadora seriam os limites estabelecidos para a fatia do espectro de radiofrequência que cada empresa pode deter, com base nos editais dos leilões de 3G e 4G. Seria necessário alterar a regulamentação vigente para que cada tele pudesse exceder os atuais limites de utilização do espectro.

Um ex-executivo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aponta, ainda, um segundo possível obstáculo à divisão geográfica dos ativos da TIM no Brasil: continuaria a existir uma superposição de licenças. "Uma mesma empresa não pode controlar duas companhias. Se cada uma das concorrentes da TIM ficasse com os ativos da empresa numa determinada região, as licenças iriam se sobrepor", explicou ele, que preferiu não se identificar, lembrando que a licença nacional inclui outras, estaduais. Na avaliação dele, apesar de não ser impossível, um desmembramento da TIM é praticamente inviável. "Para mudar as regras seria necessária grande força política. E a mudança traria prejuízo para o consumidor, com a diminuição da concorrência. Em ano eleitoral, isso dificilmente acontecerá", argumentou.

A TIM Brasil é a principal fonte de crescimento de receita da Telecom Italia, mas está no centro de uma disputa entre acionistas sobre a estratégia do grupo para reduzir sua dívida e financiar os investimentos necessários no mercado doméstico. A espanhola Telefónica controla a Telecom Italia em conjunto com outras três instituições financeiras - Generali, Intesa Sanpaolo e Mediobanca. Por meio da Telco, holding que controla a Telecom Italia, a Telefónica detém uma participação de 22,4% no capital da companhia. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica já determinou que a Telefónica terá de optar entre vender 50% da operadora móvel Vivo ou se desfazer de sua participação na TIM, adquirida por meio da compra de papéis da holding Telco.