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Clipping

21/10/2013 às 09:27

Telefonia fixa continua em expansão

Escrito por: Por Ediane Tiago | Para o Valor, de São Paulo
Fonte: Valor Econômico

O serviço de telefonia fixo comutado (STFC) ainda responde por boa parte da receita das operadoras instaladas no Brasil, segue em expansão e recebe vultosos investimentos para modernização tecnológica. Segundo dados publicados pela consultoria Teleco, esse segmento gerou receita de R$ 48,2 bilhões no ano passado. Somando os investimentos em banda larga, o total de aportes na infraestrutura cabeada chegou a R$ 15,6 bilhões em 2012. "Existe uma forte migração das chamadas de voz para as redes móveis. Mas isso não significa que a telefonia fixa vai acabar", afirma Eduardo Tude, presidente da Teleco.

Ele explica que é preciso separar o tráfego tradicional de voz (local e longa distância) da importância da rede fixa para expansão dos serviços de banda larga e da telefonia móvel. "Toda rede celular se conecta à rede fixa em algum momento, porque depende da capacidade de transmissão das fibras ópticas. Em todo o mundo, o que vai cair é o uso da rede para comunicação de voz". Além disso, em algumas regiões do país a banda larga só chega pelos fios de cobre que servem os telefones tradicionais.

Para falar, os brasileiros ainda gostam da linha fixa e consideram a qualidade da conexão melhor que a feita pelo celular. Entre 2008 e 2012, três milhões de novos acessos foram ativados à planta fixa, que possui capacidade para atender imediatamente a 68,3 milhões de terminais. "Ainda existe mercado a explorar. A teledensidade do serviço (número de linhas por grupo de 100 habitantes) ainda é baixa no Brasil (22,5)", afirma Marcos Lopes, diretor de marketing da GVT, operadora que está construindo rede para telefonia fixa, banda larga e TV por assinatura.

Neste ano, a GVT vai investir R$ 2,5 bilhões em infraestrutura para avançar com a oferta de serviços mais modernos. Com 8,5% de participação no mercado de STFC, a GVT viu sua base de linhas fixas crescer 24% no ano passado. "A demanda caminha para diferenciação da rede, das tarifas e dos serviços. E, é claro, a combinação entre voz, banda larga e TV impulsiona as vendas. Quem adquire o pacote recebe o telefone fixo", explica Lopes.

Virgílio Ghirardello, diretor de produtos para telefonia fixa e banda larga da Oi, explica que há uma equação de custos importante para o usuário: "Ainda é mais barato fazer uma chamada pelo fixo". Além do preço, o brasileiro é sensível a outro atributo: a conta é um comprovante de residência, muitas vezes o único da família. Essas características bem brasileiras explicam porque estamos ligando mais telefones fixos, enquanto a tendência mundial é de desconexão de terminais neste tipo de rede.

"Na cesta de serviços residenciais que oferecemos ao mercado, a instalação de telefones fixos é o que mais cresce isoladamente. Instalamos mais de 100 mil linhas por mês", conta Ghirardello. O desempenho financeiro também é importante. Segundo o diretor, a telefonia fixa responde por cerca de 70% da receita gerada pelos serviços residenciais providos pela Oi.

Na análise do setor, o impacto da migração da comunicação de voz para as redes móveis é evidente. Entre 2008 e 2012, o faturamento nacional com o STFC caiu de R$ 59 bilhões para R$ 48,2 bilhões. No mesmo período, a receita com telefonia móvel explodiu de R$ 64,4 bilhões para R$ 90,2 bilhões. Além de competir com a telefonia móvel e seus planos tarifários cada vez mais agressivos, a telefonia fixa concorre com a internet, que captura o potencial de ganhos nas ligações de longa distância.

Outro segmento que exigirá transformação e modernização é a telefonia pública. O avanço do celular sucateou os "orelhões" brasileiros. "Hoje a receita mensal por aparelho é de R$ 10, o que não remunera o serviço", conta Tude. A saída, aponta Ghirardello, será transformar os terminais públicos em pontos de comunicação com Wi-Fi e outros serviços agregados à telefonia fixa.