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Clipping

25/09/2013 às 09:30

Telefónica da Espanha provoca reviravolta na telefonia

Escrito por: Redação
Fonte: ABINEE

O grupo espanhol Telefónica, que controla a operadora Vivo no Brasil, vai aumentar sua participação na Telecom Italia, que aqui controla a TIM. Com várias etapas, no final, a negociação poderá permitir que o grupo espanhol controle o conselho de administração da companhia italiana.

O acordo avalia as ações da Telecom Italia detidas por Mediobanca, Generali e Intesa Sanpaolo em ? 1,09, quase o dobro do atual preço de mercado, e encerra meses de especulações sobre o futuro da companhia italiana. Pela transação, a companhia espanhola desembolsará imediatamente ? 324 milhões (US$ 438milhões) em dinheiro para comprar ações da Telco, holding que controla a Telecom Italia, o que aumentará a sua fatia na companhia para 66%, frente a 46% antes do acordo.

Em uma segunda fase, a Telefónica planeja elevar sua participação na Telco para 70%, equivalente a quase 16% da Telecom Italia, por meio de um segundo aumento de capital. Mais adiante, a empresa poderá comprar o restante da participação de todos os sócios da Telco. Já os direitos de voto detidos pela Telefónica na Telco continuarão os mesmos inicialmente e poderão ser ampliados para 64,9% a partir de janeiro de 2014, se o acordo receber aprovações de autoridades em mercados importantes como Brasil e Argentina.

Em comunicado, a Telefónica diz que adquiriu ações preferenciais sem direito de voto, "mantendo-se inalterada a estrutura de controle da Telco, bem como preservadas todas as obrigações e restrições impostas pela Anatel e pelo Cade".Mas que "poderá, ainda, sujeitas às aprovações legais necessárias, realizar nova subscrição de ações preferenciais que, se realizada, acarretará a elevação de sua participação na Telco a 70% do capital total e a manutenção da participação de 46,18% do capital votante."

Igualmente sujeita às aprovações legais, especialmente no Brasil, a opção de compra das demais ações da Telco, a partir de 2014, foi acompanhada do direito de conversão de parte das ações preferenciais em ações ordinárias até o limite de 64,9% do capital votante da Telco, explica o comunicado da companhia.

Aquisição terá que ser aprovada pelo Cade e Anatel
A aprovação (ou não) do negócio pelas autoridades brasileiras causa dúvidas no mercado, pois, juntas, as operadoras europeias detêm 55,9% dos clientes nacionais.

Para especialistas, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) colocarão restrições à operação. Os dois órgãos informaram que ainda não foram notificados pelas empresas da transação. "Com certeza, o Cade não permitirá a fusão total das empresas, pois haveria concentração de mercado. Além disso, a agência reguladora não permitiria a sobreposição de frequências pelas operadoras", destaca Marceli Passoni, analista sênior de mercado da consultoria Informa Telecom & Media. "Aceitar a fusão, mesmo que haja devolução das frequências da TIM, também seria complicado para o Cade, pois continuaria a gerar concentração de mercado", acrescenta Luis Gustavo Pereira, da Futura Corretora.

Para os especialistas, um possível efeito da operação é a venda da operação da TIM no Brasil. "Diferente do resto do mundo, a TIM vem crescendo no Brasil e seria um bom negócio", diz Marceli. Neste caso, Claro, Vivo e Oi poderiam formar um consórcio para a compra da companhia, operação que teria mais chances de ser aprovada, pois não mudaria as fatias de mercado de cada uma. "Mas é uma opção pouco provável", completa. Outra possibilidade seria a entrada de uma nova companhia no Brasil, como a Vodafone.

Presidente da consultoria em telecomunicações Teleco, Eduardo Tude ressalta que, para evitar a venda de ativos no Brasil, a Telefónica teria que oferecer ao governo garantias de que ficará de fora da gestão da TIM no país, apesar do aumento de participação internacional. "O problema é que provar isso seria muito difícil", pondera.

Para o ex-presidente da Vésper e consultor na área de Telecomunicações ,Virgílio Freire, o movimento que está sendo feito pela Telefónica inibe a competição e é prejudicial ao consumidor. "A TIM, ainda que com suas falhas, é melhor administrada aqui. A Telefónica ganharia o poder de decisão no Brasil e o lucro tomaria o lugar do atendimento ao assinante que, no caso da TIM, é melhor". Freire aposta também no desaparecimento da marca TIM.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo chegou a dizer ontem que o grupo espanhol não poderá ter o controle das operadoras Vivo e TIM, pois iria contra a legislação do país. Segundo ele, o governo ainda aguarda a formalização da operação. "Uma empresa não pode controlar a outra. Isso significaria uma concentração muito grande nas mãos de um grupo e eliminaria um concorrente no mercado, o que para nós é um negativo".

Ainda segundo ministro, a Telefónica terá um prazo para vender o controle de uma das empresas para outro grupo.