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Clipping

16/12/2013 às 13:32

Telefónica tenta acalmar os nervos do mercado

Escrito por: Redação
Fonte: Valor Econômico

A saída de César Alierta e Julio Linares, respectivamente, presidente e principal executivo de operações da Telefónica, do conselho da Telecom Italia, anunciada na sexta-feira, tem dois objetivos: acalmar o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e os minoritários da operadora italiana, segundo fontes que acompanham o assunto. No dia 4, o Cade determinou que a Telefónica venda metade da operadora Vivo no Brasil ou deixe sua participação acionária na Telecom Italia, dona da TIM. A Telefónica estuda se vai recorrer da decisão do Cade na Justiça Federal mas, a princípio, para mostrar que não há conflito de interesses envolvendo as estratégias de Vivo e TIM, Alierta e Linares se afastaram do conselho da operadora italiana. Existe outro motivo para a iniciativa da Telefónica, segundo fontes que acompanham o assunto: diminuir o poder de Marco Fossati, o acionista minoritário que convocou a próxima reunião do conselho da Telecom Italia para o dia 20, com o objetivo de destituir os membros da Telco do conselho. A Telco - consórcio formado por Telefónica, a seguradora Generali, os bancos Sanpaolo e Mediobanca - controla a Telecom Italia, com uma participação de 22,4%.

Fossati buscava apoio entre outros minoritários para exigir a renovação do conselho e pretendia usar a decisão do Cade para reforçar a sua posição. A Telefónica se antecipou a esse movimento e tirou seus dois representantes diretos da linha de fogo. Fossati comanda o Findim Group, dono de 5% da Telecom Italia, e acusou a operadora de discriminar os minoritários na venda de títulos conversíveis obrigatórios no mês passado, em favor da Telefónica e dos fundos BlackRock e Och-Ziff Capital, que ficaram com parte dos papéis. Mas a tele espanhola continua sendo a principal acionista da Telco, que detém 8 dos 15 conselheiros da Telecom Italia. Sem Alierta e Linares, ainda permanecem seis representantes da Telefónica.

No dia 4, o conselho do Cade considerou que a presença simultânea da Telefónica no mercado local de telefonia móvel, por meio de sua participação direta na Vivo - a líder do mercado - e indireta por meio da TIM - a segunda maior operadora, é incompatível com as normas concorrenciais brasileiras. Isso porque a Vivo e a TIM juntas controlam mais da metade do mercado brasileiro de comunicações móveis. Além disso, as autoridades brasileiras impuseram à Telefónica uma multa de R$ 15 milhões (? 4,6 milhões). A justificativa é que o aumento de sua participação no capital da Telco, pactuado com seus sócios italianos em setembro, infringe o acordo firmado pela empresa espanhola com o Cade em 2010. Pelo acordo, a Telefónica concordava em não elevar sua influência, direta ou indireta, na TIM.

Em relação a esse compromisso, a operadora espanhola afirmou em seu comunicado enviado na sexta-feira à Comisión Nacional del Mercado de Valores (CNMV), o órgão regulador do mercado de capitais espanhol, que "as medidas impostas não são razoáveis e, em consequência, (a empresa) está analisando a possibilidade de adotar as medidas legais cabíveis". Sobre a renúncia de Alierta e Linares a seus cargos de conselheiros da Telecom Italia, o grupo espanhol informou que essa decisão visa "reforçar nosso firme compromisso com as obrigações anteriormente assumidas pela Telefónica de se manter à margem dos negócios da Telecom Italia no Brasil".

Segundo declarou a Telefónica à CNMV, Linares decidiu renunciar, também em caráter imediato, à sua indicação, na lista apresentada pela Telco, para a potencial reeleição do conselho de administração da Telecom Italia na assembleia de acionistas da empresa, convocada para o dia 20. A Telefónica informou que decidiu não exercer, por enquanto, seu direito a designar ou propor dois conselheiros para a Telecom Italia. Alierta e Linares foram nomeados para o conselho da Telecom Italia pela primeira vez em novembro de 2007 e reeleitos em abril de 2008 e abril de 2011.