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05/01/2016 às 16:48

Um ano após ataques, Paris homenageia vítimas do Charlie Hebdo

Escrito por: Redação
Fonte: Agência Lusa

Esta semana, Paris vai ser palco de várias cerimônias de homenagem às vítimas dos atentados de 7 a 9 de janeiro do ano passado.
 
Nesta terça-feira, 5, vão ser inauguradas placas de homenagem na rua Nicolas-Appert, em frente à antiga sede do jornal satírico Charlie Hebdo, onde em 7 de janeiro foram assassinadas 12 pessoas; em Montrouge, onde em 8 de janeiro foi assassinada um policial municipal; e na Porte de Vincennes diante da mercearia judaica, onde quatro pessoas também morreram em 9 de janeiro.
 
Na quinta-feira, 7, exatamente um ano após o ataque que dizimou a redação do Charlie Hebdo, o presidente francês, François Hollande, prestará homenagem às forças policiais, na sede da polícia em Paris.
 
Para o sábado, 9, a previsão é de que Hollande vá até a mercearia judaica Hyper Cacher, para uma cerimônia organizada pelo Conselho representativo das instituições judaicas na França.
 
No domingo, 10, a estátua da Praça da República vai ficar iluminada com as cores da bandeira francesa no final do dia, depois de a praça voltar a ser palco de uma homenagem às vítimas dos atentados, um ano após a marcha republicana que começou neste local e que reuniu milhares de pessoas.
 
Por outro lado, para hoje é esperada uma corrida às bancas de jornal, para comprar a edição especial do Charlie Hebdo que assinala o primeiro aniversário do ataque jihadista e para a qual foram editados quase um milhão de exemplares, dezenas de milhares destinados ao exterior.
 
Um ano após o atentado que matou as principais figuras da caricatura francesa, o jornal escolheu para a capa um desenho do cartoonista Riss que apresenta um Deus assassino, com barba e armado com uma metralhadora AK-47, sob o título "Um ano depois, o assassino continua à solta".
 
A edição de 32 páginas – em vez das habituais 16 – conta com um caderno especial de desenhos dos cartunistas assassinados há um ano - Cabu, Wolinski, Charb, Tignous e Honoré -, cartoons dos atuais colaboradores, assim como textos da ministra francesa da Cultura, Fleur Pellerin, das atrizes Isabelle Adjani, Charlotte Gainsbourg e Juliette Binoche, do músico Ibrahim Maalouf, entre outras personalidades.
 
No editorial, o diretor do jornal e cartunista sobrevivente do atentado, denuncia "os fanáticos embrutecidos pelo Corão" e outros religiosos que tinham desejado a morte do jornal por "ousar rir da religião", garantindo que "as convições dos ateus e dos laicos fazem mover mais montanhas que a fé dos crentes".
 
Antes do ataque, o jornal enfrentava graves dificuldades financeiras e tinha uma tiragem semanal média de 30 mil exemplares. Atualmente, vende atualmente cerca de cem mil exemplares nas bancas – dez mil no exterior – e tendo 183 mil assinantes.
 
Em 2006, o jornal publicou caricaturas do profeta Maomé e alguns dos cartunistas passaram a ter proteção policial desde então, o que não impediu que o semanário tivesse sido alvo de um primeiro ataque com coquetéis molotov, em 2011.
 
Dez meses após os atentados de janeiro de 2015, Paris voltou a ser alvo de novos ataques jiadistas, em 13 de novembro que fizeram 130 mortos, a maioria dos quais na sala de espetáculos Bataclan.