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Clipping

17/04/2006 às 08:37

Uma diva para Wagner

Escrito por: João Luiz Sampaio
Fonte: Estado de São Paulo

Ela arregala os belos olhos azuis. Abre os braços, gesticula. Mas preserva no olhar um pouco da timidez da adolescente para quem, um dia, "subir no palco e encarar a platéia parecia uma possibilidade muito distante". Aos 45 anos, a soprano lituana Violeta Urmana é a nova estrela ascendente do canto lírico internacional. Nos anos 90, despontou como a meio-soprano do momento em papéis como a Eboli do Don Carlo. Uma década depois, a voz a levou para o repertório de soprano. De uma hora para outra, passou a encarnar grandes e temidas heroínas como Tosca, Norma, Isolda, Gioconda. Um triunfo atrás do outro.

Violeta desembarcou esta semana em São Paulo onde, de hoje a segunda, faz parte do elenco que vai interpretar com a Sinfônica do Estado na Sala São Paulo o primeiro ato da Valquíria, de Wagner. É um privilégio. Nem sempre se tem a chance de ouvir por aqui, de pertinho, cantores no auge de suas carreiras. Da mesma forma, é preciso ficar de olho no jovem tenor canadense Stephen Gould que canta a partir do ano que vem em Bayreuth, a meca wagneriana, o mesmo Siegmund que vai interpretar em São Paulo. Hunding será o mais do que eficiente baixo americano Stephen Bronk, radicado no Brasil. E mais: Ira Levin, wagneriano de mão cheia, rege o espetáculo, para o qual programou também a Penthesilea, de Hugo Wolf, nunca antes ouvida no País. Tem tudo para ser um dos concertos do ano.

Violeta Urmana conversou com o Estado na manhã de terça-feira. Comentou que visitar o Brasil é como realizar um sonho de infância. "Na casa de meus pais, em Marijampole, que fica a uns 100 quilômetros da capital Vilnius, conseguíamos pegar a transmissão da televisão polonesa. Cresci assistindo às telenovelas de vocês. Adorava", conta ela. Bem-humorada, Violeta relembrou a angústia que viveu na época em que resolveu trocar de registro vocal. Diz estar em um bom momento da carreira e já faz planos para o futuro. E falou também do convite "improvável" recebido em 2004 para concorrer à presidência da Lituânia, quando denúncias ligavam o presidente Paksas ao crime organizado.