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Clipping

25/09/2013 às 12:37

Valor: Futuro da TIM pode redefinir concorrência no celular

Escrito por: Por Daniele Madureira e Ivone Santana | De São Paulo
Fonte: Valor Econômico

Futuro da TIM pode redefinir concorrência no celular

A decisão da Telefónica de España de elevar sua participação no consórcio Telco, que controla a Telecom Italia, pode redesenhar o mapa da competição na telefonia móvel brasileira. O mercado avalia o futuro da TIM, controlada pela Telecom Italia, os candidatos à sua compra e a concentração de mercado, objetos de debates ontem. Governo, agências regulatórias, competidores, advogados e analistas tentavam indicar o que é permitido ou não na possível tomada de controle.

O futuro da TIM é o grande enigma. É quase unânime entre os especialistas ouvidos pelo Valor que a operadora terá de ser vendida integralmente ou ter seus negócios desmembrados e vendidos para Claro, Oi e até a Vivo. A ideia é que a concentração de mercado elevaria a rentabilidade das três companhias, que poderiam reverter os recursos em melhora da qualidade dos serviços.

A opção de "fatiar" a TIM foi descartada por um conselheiro da Anatel. Para ele, o aumento de rentabilidade decorrente desse processo significa que as operadoras aumentariam os preços dos serviços. O Cade, por sua vez, vai verificar o impacto do aumento de capital e, dependendo do que for apurado, poderá se manifestar a respeito de eventuais riscos à concorrência na próxima sessão de julgamentos, em 9 de outubro.

Fusão de teles na Europa põe em xeque futuro da TIM

Por Daniele Madureira e Ivone Santana | De São Paulo

A decisão da Telefónica de España de aumentar sua participação no consórcio Telco, que controla a Telecom Italia, criou uma onda de especulações e desconfiança no mercado brasileiro. O futuro da TIM, controlado pela Telecom Italia, possíveis candidatos à compra da operadora, a competição no serviço móvel e a concentração de mercado foram alvo de debates ontem. Governo, agências regulatórias, competidores, advogados e analistas tentavam indicar o que é permitido ou proibido nessa possível tomada de controle que, na visão de alguns especialistas, torna-se um problema para muitos dos elos envolvidos nessa cadeia.

Pelo modelo de negócios anunciado pela operadora espanhola, a companhia aporta recursos na Telecom Italia, garante o equilíbrio financeiro da companhia por um período, acalma os bancos sócios da Telco, que precisavam de dinheiro, e, paralelamente, impede que as ações sejam vendidas a terceiros.

Nesse meio tempo, a Telefónica procura resolver a engenharia regulatória no Brasil e Argentina, para impedir uma sobreposição de licenças e faixas de frequência que caracterize concentração de mercado por meio da TIM. No caso do Brasil, se não equacionar a questão, a Telefónica ficaria com o controle da Vivo e TIM simultaneamente, algo que os reguladores nem cogitam de aceitar. Por isso, da forma como está conduzindo o acordo, a Telefónica ganha tempo, pois vai assumir o controle da companhia italiana gradualmente; as ações com direito a voto só se tornarão conversíveis a partir de janeiro de 2014.

No caso de uma fusão entre TIM e Vivo, a nova empresa seria dona de 56% de participação no mercado de telefonia móvel, com quase 150 milhões de linhas.

O futuro da TIM é o grande enigma. É quase unânime entre os especialistas ouvidos pelo Valor que a operadora terá que ser vendida integralmente ou ter os seus negócios desmembrados e vendidos em partes para Claro, Oi e até a Vivo, que ficaria com uma fração do negócio. A ideia é que a concentração de mercado elevaria a rentabilidade das três companhias, que poderiam reverter os recursos em melhora da qualidade dos serviços.

A hipótese de a Telefónica devolver apenas os blocos de frequência para a Anatel, para não haver sobreposição de licenças entre TIM e Vivo, também não é considerada uma solução viável, pois inviabilizaria o que restasse da empresa. Nesse caso, a infraestrutura seria separada dos serviços? E os clientes, seriam transferidos para outra operadora?, questiona um executivo do setor que prefere não ser identificado.

Mas, a opção de "fatiar" a operadora foi descartada ontem por um conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que prefere não ser identificado. Para ele, o aumento de rentabilidade decorrente do processo significa que as operadoras aumentariam os preços dos serviços, o que "derruba qualquer possibilidade de repartir a TIM, tanto por parte da Anatel quanto do Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica]".

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, foi taxativo ao dizer que a Anatel e o Cade podem determinar a venda da TIM pela Telefónica para outro grupo que ainda não atua no segmento. Portanto, afirmou que nem Vivo, Oi, Claro ou Nextel poderiam deter o controle da TIM. A venda da companhia, segundo o ministro, poderá ser imposta, caso se confirme a operação no prazo de um ano.

O Cade, por sua vez, vai verificar o impacto desse aumento de capital e, dependendo do que for apurado, poderá se manifestar a respeito de eventuais riscos à concorrência na próxima sessão de julgamentos do órgão antitruste, marcada para 9 de outubro, disse o procurador-geral do órgão, Gilvandro Araújo.

A opção de venda integral da TIM é vista por alguns especialistas como hipótese. De qualquer modo, se confirmada, essa saída colocará mais alguns atores nos cenários brasileiro e argentino. As companhias mais cotadas no mercado internacional para comprar a TIM são a americana AT&T e a britânica Vodafone - a primeira ainda não está presente em serviços móveis ao mercado residencial no Brasil, enquanto a Vodafone fará sua estreia por meio de uma sociedade com a Datora para serviços de comunicação entre máquinas (M2M). A Vodafone, inclusive, vendeu, no início de setembro, sua participação na joint venture Verizon Wireless para a ex-sócia Verizon Communications por US$ 130 bilhões, o que a coloca em condições financeiras para novo investimento.

Mas é bom lembrar que tanto a Vodafone quanto a Verizon tiveram várias oportunidades de investir em grandes operações no Brasil, mas não se interessaram no passado. Foram sondadas pela Anatel em várias oportunidades, em leilões de faixas de frequência, sem que isso resultasse em negócios naquelas ocasiões.

Também europeia e com forte interesse no Brasil está a Portugal Telecom. Há quem considere que seria mais interessante para a companhia portuguesa deixar a intrincadas sociedade na Oi para ter uma posição dominante na TIM. Afinal, a Portugal Telecom já saiu da sociedade da Vivo justamente para galgar uma posição de maior relevância em outra operadora, uma vez que na época estava em jogo quem teria condições de assumir a Vivo sozinha. Ganhou a Telefónica.

A Vivendi também foi citada para juntar a TIM aos ativos de sua controlada, a GVT. Endividada, a companhia francesa tem tentado se desfazer de ativos, inclusive a GVT, cuja placa de "vende-se" foi retirada há pouco tempo porque não recebeu oferta compatível com o valor desejado. Portanto, a Vivendi teria que fazer um grande esforço para chegar ao valor de mercado atual da TIM, de R$ 23 bilhões. "Qualquer competidor do Brasil que comprasse a TIM criaria uma enorme concentração de mercado, a não ser a GVT", disse Arthur Barrionuevo, economista e especialista em telecomunicações pela Fundação Getúlio Vargas. "Mas a GVT não precisa de uma empresa móvel para continuar sua estratégia de expansão."

Fontes ouvidas pelo Valor indicam outros potenciais candidatos que teriam interesse na TIM. "Basta olhar para os vizinhos", disse o consultor em telecomunicações Cláudio Dascal. Uma espiada ao redor mostra que a incorporação da TIM faria sentido para a NII Holdings, sediada na Virgínia, nos Estados Unidos, e que opera sob a marca Nextel no Brasil e em outros países da América Latina. A Nextel ainda não conseguiu deslanchar com vigor seu serviço na rede de terceira geração e poderia crescer imediatamente atrelada à TIM. A Entel, do Chile, mostrou recentemente sua disposição de crescer por meio de aquisições, ao pagar US$ 400 milhões pela Nextel do Peru. Outra candidata potencial é a Millicon, sediada em Luxemburgo e com operações em países da América e da África. (Colaboraram Juliano Basile e Rafael Bitencourt, de Brasília)