Receba no seu e-mail

Voltar

E-Fórum / Notícias

19/10/2019 às 19:41

Informação no combate às notícias falsas

Escrito por: Monic Lindoso/Cobertura Colaborativa 4ENDC

A expressão fake news se popularizou, mas será que ela dá conta da complexidade do fenômeno da desinformação?

A expressão fake news se popularizou mundialmente ao longo da disputa pela presidência dos Estados Unidos em 2016 e tem cada vez mais gerado impacto na política e na vida social das pessoas, o que tem mobilizado esforços para combatê-las. No entanto, o problema parece ser maior do que o simples julgamento sobre a verdade ou falsidade de um conteúdo. E foi esse o centro da discussão da mesa “Fake news: a desinformação como tática política” que aconteceu na última sexta-feira (18.10) dentro da programação da quarta edição do Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação (ENDC), evento promovido pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).

Segundo Iara Moura do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação existe uma imprecisão política no entendimento do que é fake News e que devemos compreender este cenário como um fenômeno de desinformação estrategicamente pensado. “A prática de produção de desinformação e fake News atua como rede orquestrada. Conta com uma ação automatizada e redes pagas e financiadas por determinados grupos para espalhar conteúdo. São cadeias de transmissão. Não se trata de uma transmissão orgânica, mas robotizada”, enfatizou Iara Moura, do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação. 

Essa é uma das características da produção de desinformação em tempos de internet: a velocidade do compartilhamento da informação. E junto com a automatização de processos e do direcionamento disseminam verdades a partir de uma perspectiva de quem domina o espaço de produção de conteúdos. “A manipulação da informação gera um curto circuito da razão nas pessoas fomentado pela descontextualização, conteúdos desconexos, com pouca ou nenhuma investigação jornalística, conteúdos impostores, quando textos circulam com autorias equivocadas e da própria produção de conteúdos falsos”, afirmou Maria José Braga, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

Essa pouca qualidade do atual debate político brasileiro em relação à desinformação está também relacionada aos discursos de ódio e promoção do punitivismo que ganham espaço dentro dos espaços de poder. De acordo com Iara Moura, há dezenas de projetos de lei tramitando no Congresso Nacional propondo, por exemplo, a criação de um novo tipo penal para quem produz e compartilha fake News, o que pode facilitar a coerção de vozes dissonantes. “Preservar direitos sem retirar direitos é o grande desafio no debate sobre fake news nessa sociabilidade da internet e a busca por ineditismo sem investigação. A liberdade de expressão não pode ser confundida com liberdade de esculhambação”, defendeu Márcio Jerry, jornalista e deputado federal pelo PCdoB.

Durante a mesa também foi lançada pelo Intervozes a cartilha “Desinformação: ameaça ao direito à comunicação muito além das fake news” que traz à reflexão alguns desafios importantes nesta luta e isso inclui estar bem informado e informar através de uma internet acessível e de qualidade, abrangendo a promoção de políticas de comunicação que garantam a pluralidade e diversidades de vozes, uma educação crítica da mídia, além do emprego de instrumentos legais já existentes no país relacionados a limites à liberdade de expressão.

Edição: Supervisão dos GTs

Foto: Roberto Parizotti