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E-Fórum / Notícias

22/10/2019 às 13:18

Violência dirigida aos comunicadores preocupa organizações da área e defensores de direitos humanos

Escrito por: Daniel Campelo/Cobertura Colaborativa do 4º ENDC

Debate destaca casos e contextos de ameaça à atuação dos profissionais de comunicação no Brasil

 

A foto da posse do atual presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), acompanhado do apresentador Silvio Santos e sua esposa Iris Abravanel, exemplo trazido pelo jornalista e coordenador de comunicação do escritório para a América Latina das Repórteres Sem Fronteira (RSF), Artur Romeo, foi o ponto de partida do debate realizado nesta sexta-feira (18), durante o 4º Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação, agenda na capital maranhense entre os dias 18 a 20 de outubro.  

Logo na sequência, a também jornalista e ex-presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Angelina Nunes, apresentou o Projeto Tim Lopes, uma iniciativa da Associação em resposta à violência sofrida por profissionais de comunicação, em especial no interior do país. Entre os casos de profissionais assassinados, Angelina destaca o radialista Jeferson Pureza, de 39 anos, que foi morto em 2018, no município de Endealina, interior de Goiás. O profissional era conhecido por fazer críticas à administração pública da cidade. A jornalista ainda citou, durante sua exposição, a adoção de protocolos de segurança, como o contato com autoridades e a realização de entrevistas com fontes fora da cidade.

O projeto também inclui a formação de uma rede colaborativa de jornalistas de diferentes veículos para atuar diante de casos de ameaças graves, sequestros e homicídios de jornalistas. Para isso uma rede de parceiros colabora com a iniciativa, tanto de empresas tradicionais de mídia como as independentes, entre elas o Grupo Globo, Poder 360, TV Aratu, Veja, #Colabora, entre outras. De acordo com Angelina, a proposta é de que profissionais investiguem e divulguem informações sobre o contexto de violência sofrida pelos profissionais.Desta forma, reportagens, vídeos e documentários casos simbólicos de agressões à jornalistas no Brasil são publicadas no sote do projeto. A jornalista ainda citou, durante sua exposição, a adoção de protocolos de segurança, como o contato com autoridades e a realização de entrevistas com fontes fora da cidade.

De acordo com a base de dados de 2018 da organização Artigo 19, são as cidades de pequeno aporte que concentram a maior parte dos casos de ameaças aos profissionais de comunicação, aponta o coordenador do Programa de Proteção e Segurança da organização, Thiago Firbida.

O advogado da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos, Diogo Cabrau, relata que as ameaças contra os profissionais da comunicação são acompanhadas da impunidade e não a responsabilização dos envolvidos, como os executores e mandantes. Mesmo cenário presente nas violências dirigidas aos defensores de direitos humanos no Brasil. De acordo com o monitoramento de violência no campo realizado anualmente pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), as violações são acompanhadas de impunidade. Ele cita, por exemplo, o estado do Pará, que contabiliza 724 mortes deste o início do levantamento e apenas 22 julgamentos de envolvidos nos casos. Cabrau ainda relata a morosidade do sistema de justiça, por exemplo, em manter preso o fazendeiro Reginaldo Pereira Galvão, mandante do assassinato missionária Dorothy Stang, em 2005,

*Edição: Supervisão dos GTs

Foto: Roberto Parizotti