Atividades em Belém compõem a “segunda parada” da Caravana, que ainda deve visitar outros oito estados durante este ano de 2026
O movimento brasileiro pela democratização da comunicação está ainda mais desafiado neste ano eleitoral em que o debate público está contaminado pela manipulação das empresas estadunidenses de tecnologia e comunicação aliadas à extrema direita. “Sabemos do poder das big techs e de como ela está articulada com a extrema direita organizada internacionalmente”, afirmou a coordenadora-geral do FNDC, Katia Marko, na abertura da Caravana do FNDC pelo Direito à Comunicação em Belém-PA, nesta terça-feira (28/4/26).
Katia chamou atenção para a necessidade de união dos movimentos sociais e de trabalhadores, entre outros, na defesa das pautas da comunicação, principalmente na regulação das big techs, da inteligência artificial e dos data centers. “Se, no início da década de 90, nosso grande debate era a regulação dos meios tradicionais, hoje nossa grande questão é o poder das big techs e a sua regulamentação necessária e urgente, junto com a regulação dos data centers”.
A coordenadora-geral do FNDC destacou o projeto Scala AI City, anunciado pelo governo do Rio Grande do Sul, em 2024, junto com a empresa Scala Data Center (pertencente ao fundo estadunidense Digital Colony), para ilustrar como a ausência de uma regulação para o setor está impactando negativamente comunidades inteiras, o meio ambiente e a soberania digital brasileira.
Previsto para ser implementado em Eldorado do Sul, o empreendimento tem diversos problemas apontados no relatório que o Conselho Nacional dos Direitos Humanos divulgou na última sexta-feira (24/4), motivando uma série de recomendações ao governo federal, ao Congresso Nacional, órgãos reguladores e outras instâncias governamentais federais e estaduais. A principal recomendação é a instituição de uma regulação transversal para os data centers, considerando, inclusive, a proteção aos direitos humanos.
Katia explicou que o objetivo da Caravana do FNDC é construir uma plataforma para o setor da comunicação e ter um documento mobilizador durante as campanhas eleitorais. “Queremos entregar essa plataforma aos candidatos a presidente da República, governador e a parlamentares estaduais e federais, contendo essas e outras questões relacionadas à pauta do direito à comunicação”.

A coordenadora-geral do FNDC encerrou a fala destacando que “a unidade vencerá o fascismo” e reafirmando que a Caravana é um “espaço de ação, para trabalhar juntos e produzir conteúdos e ações que tragam a pauta da democratização da comunicação para o centro do debate”.
Gilmar José dos Santos, secretário de Comunicação do Sindicato dos Bancários do Estado do Pará, destacou a luta da classe trabalhadora para ter acesso aos meios tradicionais se ampliou. “Hoje, temos mais de 270 milhões de aparelhos celulares habilitados no país e mais de metade da população usa as redes sociais”.
O sindicalista lembrou que mesmo no governo Lula os empresários da comunicação foram privilegiados nas concessões públicas em detrimento das rádios comunitárias, por exemplo.
Para Gilmar, “não é possível democratizar nenhum setor nas bases do sistema capitalista”, por isso, para ele, democratizar a comunicação ou qualquer espaço nesse país passa por fortalecer a luta contra o capitalismo e o neoliberalismo. Para ele, a classe trabalhadora tem como grande tarefa reeleger o presidente Lula e “varrer do Congresso Nacional toda essa corja capitalista, golpista, fascistas, racista e misógina, para avançar nas pautas da classe trabalhadora, inclusive a democratização da comunicação”.

Debate
Após o encerramento das falas de abertura a programação seguiu com o debate “A luta pela democratização da comunicação na atualidade – A velha mídia a serviço da extrema direita no Brasil e as big-techs a serviço do fascismo”, com Ergon Cugler (pesquisador e conselheiro da Presidência da República), Altamiro Borges (presidente do Centro de Estudos da Mídia Independente Barão de Itararé) e Elaide Martins (professora e pesquisadora da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal do Pará).
Amanhã (29/4), as atividades prosseguirão com o Grupo de Trabalho Redes sociais para o campo popular – Armar a militância nas redes e nas ruas por uma comunicação democrática e popular para enfrentar o fascismo.
As atividades estão sendo realizadas no Sindicato dos Bancários do Estado do Pará, com transmissão ao vivo pelo Canal do FNDC no YouTube.





