LaUiCom reuniu 100 comunicadores de 22 países para debater estratégias contra a hegemonia midiática
Leonardo Fernandes
Brasil de Fato
Caracas (Venezuela) – Uma delegação brasileira de jornalistas e comunicadores participou do curso de Comunicação Política da Universidade Internacional das Comunicações (LaUiCom), realizado de 11 a 23 de maio de 2025, em Caracas, capital da Venezuela. O encontro reuniu 100 comunicadores de 22 países com o objetivo de articular uma frente continental contra a desinformação.
O reitor internacional da LaUiCom, Fernando Buen Abad, afirmou que o objetivo é consolidar uma frente latino-americana internacionalista de comunicação crítica. “Sabemos que temos muitas coincidências com muito diversos grupos, organizações e formações comunicacionais em todo o continente. O que está nos faltando é colocar três ou quatro pontos de acordo para a unidade, não para a uniformidade, para a unidade. E para isso organizamos este diplomado em comunicação política para gerar políticas de comunicação”, afirma o professor.
Abad avalia que as novas disputas geopolíticas e o avanço da extrema direita intensificaram a guerra midiática contra países não alinhados a interesses hegemônicos. “Acreditamos que a agressão midiática piorou, que as condições de guerra midiática pioraram muito e queremos que nossos instrumentos de análise e de contraofensiva comunicacional estejam atualizados todo o tempo”, afirmou.
A jornalista Paola Nogueira, de São Paulo, foi uma das participantes. Para ela, a realidade venezuelana contrasta com o que é retratado pela grande mídia brasileira. “É a primeira vez que eu venho para a Venezuela. Antes de vir, a gente tem uma impressão de que o clima aqui vai ser um pouco difícil, até pelo terrorismo que é pintado pela imprensa em geral. As coisas são normais, as pessoas vivem normalmente, as coisas funcionam, as pessoas são muito receptivas, são muito gentis”, relatou.
Nogueira também destacou o engajamento dos participantes. “A expectativa aqui no curso é aprender ainda mais. Eu vejo que as pessoas estão muito empenhadas e têm um desejo muito grande de construir uma comunicação libertadora de fato, que seja ainda mais comprometida com a verdade. Nesse tempo de fake news, é muito importante que a gente se engaje nisso”, pontuou.
Rafaella Coury, supervisora de edição do Brasil de Fato, falou sobre a responsabilidade de levar ao público uma visão diferente da que é difundida pela grande mídia. “A gente está por aqui mesmo, compartilhando com pessoas que moram aqui, que estudam aqui, que lecionam aqui. E a gente percebe o quanto as visões que temos são muito pré-moldadas, muito preconceituosas e ainda muito imperialistas em muitos sentidos”, disse.
Para ela, essa experiência reforça o compromisso do veículo com uma cobertura mais fiel à realidade. “Cabe a nós, ao Brasil de Fato, levar esse outro lado. Caracas é lindo, as pessoas são extremamente gentis e tudo o que se leva para fora daqui é sempre negativo. Mas não é assim que funciona”, afirmou.
Para a editora do Brasil de Fato do Rio Grande do Sul e coordenadora-geral do FNDC, Kátia Marko, o projeto popular de comunicação só tem a ganhar com a participação no curso e a formação de uma rede de comunicadores em defesa da verdade.
“Eu me sinto construindo uma história. O que o Brasil de Fato e o público do Brasil de Fato ganham, principalmente, é a possibilidade de saber a verdade sobre o que está acontecendo não só na Venezuela, mas em vários países da América Latina, porque a gente tem aqui todos os países da América Latina representados por pessoas muito qualificadas”, diz. “Todo mundo que está aqui neste curso tem uma grande caminhada na comunicação e não só na comunicação como na política e na construção de uma visão libertadora, de uma visão de uma América Latina unida e uma América Latina soberana. Me parece que saímos do discurso e estamos construindo na prática, buscando os meios para realmente termos esta América Latina”, avalia a jornalista.

Por sua vez, Ednúbia Ghisi, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), além da troca e do aprendizado, essa é uma oportunidade para se somar à tarefa de desmontar a campanha de desinformação sobre o país e contribuir com a resistência.
“Aquilo que se diz sobre a Venezuela é muito diferente do que a gente consegue ver aqui e ouvir do povo venezuelano. A gente tem uma tarefa enorme que é de conseguir fortalecer essa voz popular, essa voz do povo organizado da Venezuela, e fazer ecoar também a experiência de resistência popular que esse país tem dado, tem mostrado para todo mundo”, diz a militante sem terra.
Editado por: Thaís Ferraz
