Convidados do Vozes pela Democracia 116, Fran Silva e Rennan Peixe discutiram o papel dos meios de comunicação na construção das representações sociais, a importância de fotógrafos negros na disputa de narrativas e a fotografia como instrumento de memória, resistência e transformação social.
Os meios de comunicação têm papel central na construção das representações sociais e na forma como diferentes grupos são percebidos pela sociedade. Esse foi um dos pontos centrais do programa Vozes pela Democracia 116, que debateu o tema “A pessoa negra na fotografia” em alusão ao Dia Mundial da Fotografia, celebrado no dia 19 de agosto.
Participaram da edição a fotógrafa documental Fran Silva e o pesquisador, educador e fotógrafo Rennan Peixe, que refletiram sobre fotografia, representatividade, memória e democratização da comunicação.
Para Fran Silva, a discussão começa por quem está atrás das câmeras. “Antes da gente ver essa imagem, quem é essa pessoa por trás que está contando essas histórias?”, questionou. Segundo ela, a fotografia se tornou uma ferramenta para “contar outras histórias, outros olhares”, registrando movimentos sociais, manifestações culturais e trajetórias frequentemente invisibilizadas pela mídia tradicional.
A fotógrafa destacou ainda que a experiência de vida de quem fotografa influencia diretamente a construção da imagem. “O que a gente enxerga diz muito sobre nós. Quem é que está contando essa história? Porque ali carrega a nossa trajetória”, afirmou. Para ela, a presença de fotógrafos negros amplia a sensibilidade e o cuidado na forma de retratar pessoas e comunidades negras.
Rennan Peixe reforçou que a fotografia é um campo de disputa de narrativas. “A imagem do negro feliz sempre existiu. Ela só foi silenciada pelos meios de comunicação”, disse. Na sua avaliação, durante muito tempo a população negra foi representada como associada à subalternidade, enquanto outras experiências permaneceram invisíveis.
O fotógrafo também chamou a atenção para os impactos dessa ausência de referências positivas. “Se eu não vi esses personagens, como é que eu poderia desejar ser essas pessoas?”, questionou, ao comentar a baixa presença de pessoas negras em papéis de destaque na televisão, na publicidade e no cinema.
“A imagem do negro feliz sempre existiu. Ela só foi silenciada pelos meios de comunicação”
Rennan Peixe
Para Rennan, a popularização das tecnologias digitais permitiu que mais pessoas negras passassem a produzir imagens e apresentar outras perspectivas da realidade. “Pessoas de culturas diferentes, que viveram experiências diferentes, vão representar esse mesmo objeto de uma maneira totalmente distinta”, observou.
Ao abordar a responsabilidade da mídia, o pesquisador destacou que a diversidade de representações contribui para combater estereótipos históricos. “Quando a gente tem uma recorrência de imagens nesses meios de comunicação aparecendo o tempo inteiro para a sociedade, a sociedade vai entender que a nossa imagem é uma imagem normal”, afirmou.
Fran relacionou essa discussão à luta pela democratização da comunicação e ao fortalecimento das mídias independentes. “É por isso também que a gente luta pela democratização da mídia”, declarou. Segundo ela, comunicadores populares, fotógrafos e coletivos negros têm papel fundamental na construção de narrativas mais plurais e conectadas aos seus territórios.
“Tudo que a gente aprende, a gente passa o bastão também para que os nossos que vão vir depois possam ter essa continuidade”, destacou.
Ao longo do programa, os convidados defenderam a fotografia como instrumento de memória, resistência e transformação social. Em comum, apontaram a importância de ampliar a presença de pessoas negras não apenas diante das câmeras, mas também nos espaços de produção e circulação das imagens, como parte da construção de uma comunicação mais democrática e representativa.
Vozes pela Democracia
Apresentado pelo radialista Sousa Júnior, o Vozes pela Democracia é transmitido ao vivo pela rádio e TV web Atitude Popular, pelo portal radios.com.br e seu aplicativo Radiosnet e dezenas de emissoras comunitárias no país. Você também acompanha pelo canal do FNDC no YouTube e aqui no nosso site.
