Helena Martins aponta centralidade da comunicação na reorganização do capitalismo contemporâneo, enquanto Tadeu Porto destaca desafios e oportunidades para sindicatos dialogarem com a classe trabalhadora.
A comunicação como campo estratégico das disputas sociais e políticas esteve no centro das análises apresentadas por Helena Martins, secretária-geral do FNDC, e Tadeu Porto, secretário de Comunicação da entidade, durante a 27ª Plenária Nacional do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), realizada neste sábado (1º/8). A mesa foi mediada pela secretária de Formação do Fórum, Iêda Leal de Souza.
Ao abordar as transformações da comunicação nas últimas décadas, Helena defendeu que é impossível compreender a sociedade contemporânea sem considerar o papel estruturante das tecnologias da informação e da internet. Segundo ela, as mudanças ocorridas desde os anos setenta estão diretamente relacionadas à reestruturação do capitalismo, à expansão das políticas neoliberais e ao fortalecimento de grandes corporações globais de tecnologia.
A dirigente destacou que a internet, inicialmente apresentada como instrumento de democratização e ampliação de vozes, passou a ser organizada em torno de interesses econômicos ligados à captura de dados e à publicidade direcionada. Ela relembrou o processo de concentração do setor após o estouro da bolha das empresas de tecnologia no final dos anos noventa e a consolidação de plataformas transnacionais como atores dominantes da economia digital.
Para Helena, a vigilância e o tratamento massivo de dados se tornaram elementos centrais desse modelo de negócios, com impactos que ultrapassam a esfera econômica e atingem a política, a cultura e as relações sociais. A secretária-geral do FNDC avaliou que a ascensão da extrema direita e a intensificação das disputas geopolíticas também precisam ser analisadas à luz desse cenário de concentração do poder comunicacional.
Ela ainda chamou atenção para a dificuldade dos setores progressistas em compreender a comunicação como uma pauta estratégica. Segundo a dirigente, enquanto grupos conservadores investem fortemente na chamada “batalha cultural”, movimentos populares e organizações de esquerda ainda enfrentam obstáculos para incorporar a comunicação como dimensão central de suas lutas.

Trabalhadores reconhecem importância da organização
Já Tadeu Porto apresentou resultados de uma pesquisa realizada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) por meio do Instituto Voz Populi, com cerca de quatro mil entrevistados, voltada a compreender percepções sobre trabalho, empreendedorismo e organização sindical.
Os dados indicam níveis elevados de satisfação entre trabalhadores que se identificam como empreendedores ou autônomos. No entanto, o levantamento também revela que parte significativa desse público demonstra interesse por formas de organização coletiva e reconhece a importância de sindicatos e associações na defesa de direitos.
Segundo Tadeu, a pesquisa mostra ainda que trabalhadores valorizam a carteira assinada e associam direitos trabalhistas a melhores condições de trabalho. Entre as principais demandas dirigidas aos sindicatos aparecem maior presença nos locais de trabalho e o fortalecimento dos canais de comunicação com a base.
Para Tadeu, os resultados revelam que existe espaço para o diálogo com segmentos impactados pelo discurso do empreendedorismo e pelas novas formas de trabalho. Ele destacou que experiências recentes, como a mobilização pelo fim da escala 6×1, demonstram a importância de estratégias de comunicação capazes de transformar reivindicações em campanhas de amplo alcance social.
Apesar dos desafios apontados nas duas falas, o tom predominante foi de defesa da organização social e da disputa de narrativas. Tanto para Helena quanto para Tadeu, fortalecer a comunicação democrática segue sendo uma condição fundamental para ampliar direitos, enfrentar desigualdades e fortalecer a participação popular na vida política brasileira.





