O jornalista lembrou que um eventual avanço da extrema direita comprometeria diretamente essas agendas. “Não vai ter soberania digital, vai ser o reinado das big techs”.
O jornalista Altamiro Borges, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, afirmou que as agendas de soberania digital e democratização da comunicação estão sob ameaça no Brasil e devem ser tratadas como centrais na disputa política em curso.
Durante participação na mesa “Soberania Digital e Democratização da Comunicação”, que integrou a Caravana do FNDC pelo Direito à Comunicação em São Paulo, neste sábado (20/6), Miro defendeu que as duas pautas são “bandeiras de esperança” para o país, mas ressaltou que correm riscos concretos.
O jornalista lembrou que um eventual avanço da extrema direita comprometeria diretamente essas agendas. “Não vai ter soberania digital, vai ser o reinado das big techs”, afirmou, ao relacionar o tema à atuação internacional dessas empresas e à influência dos Estados Unidos. Na mesma linha, destacou que também não haveria avanço na democratização da comunicação, pois a extrema direita é autoritária e contrária à liberdade de expressão.
Para Miro, soberania digital e democratização da comunicação precisam estar bo debate eleitoral como elementos centrais de um projeto político.
Concentração midiática e alinhamentos políticos
Miro avaliou que o Brasil avançou pouco na democratização da comunicação desde a redemocratização. Segundo ele, os problemas estruturais identificados desde a criação do FNDC, ainda nos anos 1980, seguem vigentes.
Ele destacou a continuidade da concentração da mídia, afirmando que, se antes o controle era associado a poucas famílias, hoje há maior presença de bancos na estrutura dessas empresas. Para o jornalista, esses grupos mantêm posições políticas e econômicas claras e influenciam o debate público.
Como exemplo, citou a cobertura da política externa do governo Lula, afirmando que esses veículos atacam a atuação internacional do país ao associá-la a regimes considerados autoritários, sem aplicar o mesmo critério a outras nações. Também mencionou abordagens críticas a políticas públicas, apontando que parte da mídia adota discursos semelhantes aos do apresentador Luciano Huck sobre o Bolsa Família, relacionando o programa à ideia de desestímulo ao trabalho.
Da velha mídia às plataformas digitais
Além da velha mídia, lembrou Miro, nos últimos anos o desafio da luta pela democratização da comunicação passou a incluir o poder das big techs. A internet deixou de representar um espaço aberto e se transformou em um ambiente concentrado e controlado. “Não é mais o reino da liberdade, é um reino murado pelas plataformas”, afirmou. Ele ressaltou que essas empresas desempenham papel crescente na disputa políti





