Pesquisadores e militantes enfatizaram que a discussão sobre inteligência artificial, plataformas e comunicação não pode ser dissociada do modelo de sociedade em que essas tecnologias operam.

A mesa “Soberania Digital e Democratização da Comunicação”, realizada neste sábado (20/6), encerrou a programação da Caravana do FNDC pelo Direito à Comunicação e, São Paulo. A atividade reuniu diferentes perspectivas sobre os impactos políticos, econômicos e sociais das tecnologias digitais, com um ponto em comum: a crítica à concentração de poder nas grandes plataformas.

Ao longo do debate, jornalistas, pesquisadores e militantes enfatizaram que a discussão sobre inteligência artificial, plataformas e comunicação não pode ser dissociada do modelo de sociedade em que essas tecnologias operam. A mesa foi mediada pelo secretário de Comunicação do FNDC, Tadeu Porto.

O jornalista Altamiro Borges destacou o caráter estratégico das pautas de soberania digital e democratização da comunicação, defendendo que ambas estão em disputa direta no cenário político. Para ele, o Brasil ainda convive com alta concentração midiática e com o avanço das Big Techs, que ampliam esse poder em escala global.

Na mesma direção, o coordenador do núcleo de tecnologia do MTST, Felipe Magalhães Bonel, apresentou o conceito de “soberania digital popular”, defendendo que a tecnologia deve ser apropriada pelos movimentos sociais e pela organização de base. Segundo ele, disputar tecnologia é disputar poder — e essa disputa precisa partir das periferias e da classe trabalhadora.

A antropóloga Letícia Cesarino, por sua vez, ampliou o debate ao caracterizar a soberania digital como uma questão “existencial”. Com base em suas pesquisas sobre tecnopolítica, alertou para o papel do medo como força mobilizadora e criticou o controle das tecnologias por grandes corporações, defendendo a construção de alternativas concretas diante do domínio das plataformas.

Apesar das diferentes abordagens, as falas convergiram na avaliação de que o atual modelo digital está marcado pela concentração econômica, pela disputa geopolítica e por riscos à democracia. Também apontaram a necessidade de articular regulação, organização social e desenvolvimento tecnológico como caminhos para enfrentar esse cenário.

Além de São Paulo, a Caravana do FNDC já percorreu três outras capitais: Porto Alegre-RS, Belém-PA e Recife-PA.

Confira a cobertura de cada uma das palestras