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Abraço mobiliza parlamentares pela votação do PL 5.706/19

O projeto de lei permite a inserção de anúncios publicitários até o limite de 20% da programação e a captação de recursos meio de campanhas de funcionamento coletivo e doações

A Associação Brasileira das Rádios Comunitárias – Abraço Brasil – está mobilizando deputados e deputadas do país inteiro para que o projeto que garante manutenção financeira das rádios comunitárias vá à votação já na semana que vem. O requerimento de urgência foi protocolado pelo deputado federal Zé Neto (PT-BA) e já conta com o apoio de mais de 260 parlamentares.

Na avaliação do presidente da entidade que representa as rádios comunitárias no Brasil, Geremias dos Santos, é, talvez, a possibilidade mais concreta que se teve ao longo de duas décadas do movimento de radiodifusão comunitária avançar. “É uma das discussões mais antigas e caras da Abraço. Só vamos democratizar a comunicação se tivermos recursos para fazermos boas programações, bom jornalismo e assim por diante. Estamos diante de uma possibilidade concreta disto acontecer” .

O PL 5.706/2019, também de autoria do deputado baiano, permite a inserção de anúncios publicitários até o limite de 20% do tempo diário de programação, bem como da permissão para que as rádios comunitárias possam obter recursos por meio de campanhas de funcionamento coletivo e de doações, inclusive por meio de aplicativos de internet. O objetivo é fazer com que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lyra, acate o pedido de Neto e, já a partir de terça-feira, se tenha um encaminhamento para o assunto. “Por isso, nós precisamos que cada rádio ligue, mande e-mail, converse com o deputado ou deputada do seu Estado, da sua região. Chegou a hora de manifestarmos a nossa força e nosso poder de mobilização”, convocou.

E finaliza: “Todo o trabalho que a Abraço Brasil tem feito mostra que estamos próximos de uma grande vitória, mas é fundamental que cada um e cada uma se some e se agregue neste esforço”.

Regulação das plataformas digitais é necessária e urgente

National Congress on a sunny day in Brasília, DF, Brazil on August 14, 2008.

Fórum defende a aprovação do PL 2630, para garantir a transparência no funcionamento das plataformas e os direitos dos(as) cidadãos(ãs)

A direção do Fórum Nacional pela Democraticação da Comunicação (FNDC) oficializou seu posicionamento sobre o PL 2630/2020 no manifesto “Regulação das plataformas digitais é necessária e urgente”, divulgado nesta quarta-feira (24/5). No documento, a entidade enumera os pontos importantes da proposta e defende sua aprovação imediata.

Conhecido como “PL das Fake News”, a proposta de regulação tem enfrentado a oposição desleal das plataformas digitais, que se aliaram aos setores reacionários que mais propagam ódio, desinformação e notícias falsas na internet.  

A matéria, que seria votada no plenário da Câmara dos Deputados no início deste mês, foi retirada da pauta após pedido do deputado Orlando Silva (PCdoB), que relata a proposta na Câmara dos Deputados, e está sendo discutida nos bastidores da casa.

O manifesto também orienta os comitês regionais e entidades filiadas ao FNDC a realizarem debates sobre a importância da aprovação do PL 2630, além de provocarem audiências públicas nas câmaras municipais e assembleias legislativas e a se somarem às demais entidades da sociedade civil, blogueiros, movimentos e ativistas que lutam pela democratização da comunicação na defesa da aprovação do projeto de lei.

A seguir, o manifesto na íntegra. Para baixar o arquivo em pdf, clique aqui.

FNDC: Regulação das plataformas digitais é necessária e urgente

Fórum defende a aprovação do PL 2630, para garantir a transparência no funcionamento das plataformas e os direitos dos(as) cidadãos(ãs)

Elas estão presentes na vida em sociedade e não são ferramentas neutras para as comunicações individuais, coletivas ou de amplitude social. Elas interferem nas mensagens, impulsionando-as ou escondendo-as, censuram conteúdos e ainda extraem dados de seus usuários e os utilizam para obter lucros. As chamadas plataformas digitais agem livremente e não raramente tornam-se uma ameaça aos(às) cidadãos(ãs), aos estados nacionais e até mesmo à democracia.

Empresas como  Meta (Facebook,  Instagram e WhatsApp), Alphabet (Google e Youtube), Byte Dance (TikTok) e Telegram monopolizam o fluxo de informações no mundo e não querem ter nenhuma regra a seguir. Para que a tecnologia em seus muitos aspectos positivos esteja a serviço da humanidade faz-se necessária a regulação. Assim tem sido ao longo dos tempos e assim também deve ser na atualidade, com as plataformas digitais.

Vários países do mundo avançaram no debate democrático sobre regulação e já adotaram medidas para frear o poder desmedido que essas empresas se autoconcederam e do qual não querem abrir mão. O Brasil também precisa avançar.

Por isso, o FNDC, em sua longa tradição em defesa da democratização dos meios de comunicação por meio da regulação, defende a imediata aprovação do Projeto de Lei  2630/2020, conhecido como “PL das Fake News”, que visa implementar a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet. O relatório apresentado pelo deputado Orlando Silva (PCdoB/SP), em essência, estabelece obrigações para as plataformas digitais e protege os direitos dos(as) cidadãos(ãs).

O PL fixa exigências de transparência no funcionamento das plataformas digitais, inclusive no que diz respeito à publicidade. Também coíbe a censura privada (cometida amplamente pelas plataformas), estabelecendo que elas ficam obrigadas a notificar o autor, quando tomarem alguma medida em relação a um conteúdo publicado/divulgado. Elas devem ainda apresentar uma justificativa para a medida e os procedimentos para que o autor possa recorrer.

O PL 2630 não vem para estabelecer a censura, como levianamente tem sido afirmado pelos que não querem a regulação. Vem para acabar com a censura privada das plataformas e, ao mesmo tempo responsabilizá-las por sua atuação. Elas ficam obrigadas a avaliar riscos à saúde pública, à democracia e à integridade física das pessoas, por exemplo. Mas somente podem agir em casos específicos, nos quais o risco seja grave e iminente.

Portanto, os avanços são muitos, ainda que não se esgote num único projeto de lei todo o arcabouço regulatório para que tenhamos democracia nas comunicações e soberania informacional.

Regular é democratizar; é garantir o direito à liberdade de expressão e, ao mesmo tempo, coibir a disseminação indiscriminada de mentiras, de discursos de ódio e de apologia à violência. Regular é garantir direitos e proteção para todos(as).

Em reunião do Pleno da Direção, realizada em 17 de maio, com a participação do Conselho Deliberativo e Conselho Fiscal, o FNDC aprovou este documento a ser amplamente divulgado à sociedade, assim como a orientação a seus comitês regionais e entidades filiadas para realizarem debates sobre a importância da aprovação do PL 2630/2020, além de provocarem audiências públicas nas Câmaras Municipais e Assembleias Legislativas. Ainda, que se somem às demais entidades da sociedade civil, blogueiros, movimentos e ativistas que lutam pela democratização da comunicação na defesa da aprovação do projeto de lei.

Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação

Senadora proporá audiência pública sobre comunicação pública

Em reunião com o coordenador-geral do FNDC, Teresa Leitão (PT-PE) afirmou que irá propor a audiência à Comissão de Ciência e Tecnologia

O coordenador-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Admirson Ferro (Greg), teve a agenda desta quinta (11/5), focada na comunicação pública.

Em reunião com a Senadora Teresa Leitão (PT-PE), Greg falou sobre as dificuldades da comunicação pública, inclusive na Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A conversa foi produtiva e a parlamentar se comprometeu a propor a realização de uma audiência pública ao presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, Carlos Viana (Podemos-MG), para discutir a comunicação pública. 

A ideia é convidar representantes da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom/PR), da própria EBC, de tevês comunitárias e universitárias, da TV Senado e do FNDC. 

Greg afirma que a realização de uma audiência no Senado Federal é um espaço importante para dar visibilidade às dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores da comunicação pública. “O desmantelamento promovido pelo governo anterior foi profundo. Precisamos de toda a articulação que pudermos para reverter o cenário nefasto deixado pela gestão Bolsonaro na estatal”

Ainda com relação à EBC, Greg conversou novamente com o presidente da empresa, Hélio Doyle, de quem cobrou a participação da sociedade civil na construção dos rumos da estatal e falou sobre o recente caso de assédio moral que aconteceu dentro da empresa.

Rádio MEC AM será tema de audiência pública no Congresso Nacional

Marcada para o dia 12 de abril, mês em que a rádio completa 100 anos, a reunião é uma iniciativa da Frente em Defesa da EBC e do gabinete da deputada Benedita da Silva

Prestes a completar cem anos de atividade e ameaçada de extinção, a Rádio MEC será tema da audiência pública “Cem anos da Rádio MEC e o papel da rádio pública na democracia”, convocada pelo gabinete da deputada Benedita da Silva para o dia 12 de abril, às 16h. Administrada pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a MEC quase fechou nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, mas continua resistindo como rádio digital e operando na frequência 800 AM, de baixíssima potência.

A audiência pública debaterá a relevância da emissora e apresentará as reivindicações da Frente em Defesa da EBC, da qual o FNDC faz parte. Estão previstas as participações, ainda não confirmadas, de Paulo Pimenta, ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República; Marcelo Kischinhevsky, professor do Núcleo de Rádio e TV da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e representante da Frente em Defesa da EBC; Thiago Regotto, Gerente-executivo de rádios EBC; Alvaro Bufarah Júnior, professor, representante da GP Rádio e Mídia Sonora (Intercom); Helena Theodoro, professora e filósofa; Lalo Leal Filho, Professor da Universidade de São Paulo e membro da Coordenação do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé; e dos jornalistas Carolina Gaspar Barreto e Leonel Quirino, representantes dos sindicatos municipal e estadual de jornalistas do Rio de Janeiro

A Rádio MEC tem uma história marcada pela divulgação da cultura brasileira, notadamente da música clássica, que foi o carro-chefe de sua programação desde o início (foi primeira emissora da América do Sul a difundir uma ópera completa – Rigoletto, de Verdi). A emissora chegou a ter um estúdio amplo o suficiente para abrigar uma orquestra sinfônica, que atualmente se encontra fechado pela Defesa Civil.

Para que continue prestando o serviço de excelência, a emissora deve ser repensada não apenas no aspecto técnico, mas também no contexto da defesa da democracia e do combate à desinformação, podendo desempenhar um papel estratégico de promoção da reflexão crítica dos acontecimentos e no combate às fake news. Nesse contexto, o seu fortalecimento precisa da participação da sociedade civil, que só será possível por meio da recriação do Conselho Curador da EBC, da recomposição da equipe e mais investimento na programação e na difusão, entre outras medidas de natureza técnica.

>> Confira o requerimento de convocação da audiência

FNDC e entidades entregam propostas à equipe de transição

Carta por uma comunicação democrática reúne propostas para o setor; documento foi entregue a integrantes do grupo temático que trata de Comunicações no novo governo

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e diversas outras entidades e organizações do setor entregaram a carta “Comunicação democrática é vital para democracia – uma agenda para o novo governo Lula” aos representantes do GT Comunicações do Governo de Transição, na última sexta-feira (25), no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília.

O documento apresenta 8 medidas que o próximo governo do Brasil deve atender para garantir o direito à comunicação de forma igualitária aos brasileiros e brasileiras do campo e da cidade. 

“O FNDC e todas as organizações que assinam a Carta esperam que o governo Lula desenvolva no nosso país, políticas capazes de assegurar a expressão midiática dos vários sujeitos do campo e da cidade, como afirmamos na agenda proposta no documento que apresentamos ao GT Comunicações do Governo de Transição”, pontua o jornalista Barack Fernandes, integrande da Coordenação Executiva do FNDC. 

Leia na íntegra as 8 medidas apresentadas:

– Garantia da diversidade e pluralidade comunicativas, com a adoção de políticas capazes de assegurar a expressão midiática de uma multiplicidade de sujeitos sociais e correntes de pensamento, evitando o controle que poucos grupos exercem hoje sobre o debate público, e a regulamentação dos dispositivos da Constituição de 1988, como a complementaridade entre os sistemas público, privado e estatal, a vedação ao monopólio, o fomento à produção regional e independente, entre outros. Tal esforço passa por medidas de fomento à produção de conteúdos por segmentos historicamente marginalizados no país, como mulheres, negros, trabalhadores, pessoas com deficiência e população LGBTQIA+.

– Universalização do acesso à internet, via o desenvolvimento de políticas públicas para garantir o acesso universal, significativo e de qualidade para todos, com preços acessíveis e sem limitação de franquia de dados móveis. A se dar tanto pela ação direta do Estado no provimento de conexão a partir de redes públicas, como pela definição da modicidade tarifária, de metas de conectividade para as empresas privadas, de políticas de fomento aos pequenos e médios provedores e iniciativas de acesso à internet comunitária.

– Regulação das plataformas digitais, a exemplo do que começa a ser feito em todo o mundo, com destaque para a União Europeia, com o estabelecimento de regras que impeçam os gigantes tecnológicos de estabelecer oligopólios, que garantam transparência e devido processo na moderação de conteúdos, que combatam abusos no discurso online (como campanhas de desinformação, discurso de ódio, violência política a atentados ao Estado Democrático de Direito), e que estimulem o surgimento de alternativas produzidas nacionalmente e baseadas na perspectiva do bem comum e das necessidades locais. Tal agenda deve considerar o estabelecimento de uma estrutura regulatória moderna e convergente, a exemplo do modelo adotado em democracias consolidadas.

– Fortalecimento das mídias alternativas, independentes, comunitárias, populares e periféricas, de todo um grupo de veículos e iniciativas que nasceram fora dos grandes oligopólios privados da comunicação no país e que requerem políticas públicas de incentivo para sua consolidação e ampliação.

– Enfrentamento à violência contra jornalistas e comunicadores, por meio da adoção de um discurso público de valorização e reconhecimento ao trabalho da imprensa, do fortalecimento do Programa de Proteção a Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas, e do enfrentamento à impunidade nos crimes contra jornalistas. A valorização do trabalho jornalístico também requer a adoção de mecanismos contra a precarização e o assédio, principalmente contra as mulheres jornalistas e comunicadoras.

– Recuperação da autonomia e do caráter público e fortalecimento da EBC e do sistema de emissoras e agências públicas ligadas a ela. Por sua estrutura e capilaridade, a EBC pode converter-se em espaço para difusão dos conteúdos produzidos pela multiplicidade de sujeitos comunicativos que queremos estimular, com autonomia e sob governança da sociedade brasileira, através da reinstalação do Conselho Curador.

– Estímulo à apropriação tecnológica e educação midiática, com políticas de formação para uso de novas mídias, através do letramento midiático crítico, e autogestão de infraestruturas de telecomunicações comunitárias, que permitam a produção de conteúdos em linguagens escrita e audiovisual e preparem os cidadãos para uma relação crítica e autônoma com conteúdos midiáticos.

– Desenvolvimento, em interlocução com a pasta de ciência e tecnologia, de um programa de soberania digital para o Brasil, com medidas como o incentivo e criação de datacenters que envolvam governos estaduais, municípios, universidades públicas e organizações não-governamentais, que permitam manter dados em nosso território e aplicar soluções de Inteligência Artificial que estimulem e beneficiem a inteligência coletiva local e regional. Tal programa deve ainda prospectar tecnologias e experimentos que reforcem a tecnodiversidade e avanços em áreas estratégicas ao desenvolvimento, além de capacitar recursos humanos e sua permanência no setor público para criação de soluções que nos afastem do panorama de dependência das grandes corporações.

Leia a Carta na íntegra AQUI.

Campanha Calar Jamais! 

Para fortalecer a construção da Carta, o FNDC apresentou o segundo relatório da Campanha Calar Jamais!, que registou 110 denúncias de violações à liberdade de expressão ocorridas no Brasil entre junho de 2019 e fevereiro de 2022, organizadas em 8 categorias: Violações contra jornalistas, comunicadores sociais, veículos e meios de comunicação; Censura a manifestações artísticas; Cerceamento a servidores públicos; Repressão a protestos, manifestações sociais e organizações políticas; Repressão e censura a instituições de ensino; Desmonte da Comunicação Pública; Discriminação contra Grupos oprimidos; e Crimes contra a Saúde Pública.

“Todas essas violações à liberdade de expressão apresentadas no nosso último relatório foram institucionalizadas pelo atual presidente da República, Jair Bolsonaro, que ao longo dos seus 4 anos de gestão, vem atacando profissionais, incluindo jornalistas, comunicadores, artistas, professores, veículos de comunicação, grupos culturais, instituições educacionais, dentre outras pessoas e organizações que fazem comunicação e luta por liberdade de expressão em diversas áreas. Para que essas violências não continuem no Brasil reafirmamos a importância do que apresentamos na Carta entregue ao GT Comunicações do Governo de Transição”, lembra a coordenadora Geral do FNDC, Beth Costa.