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Assembleia adia plenária nacional e prorroga mandato da atual diretoria do FNDC

Foto: FreePik

Em decisão unânime, a assembleia das entidades que compõem o FNDC, realizada na última quinta-feira (20/2), decidiu adiar a realização da 26ª Plenária Nacional do FNDC e prorrogar o mandato da Coordenação Nacional. A prorrogação se deu em razão da dificuldades de mobilização no mês do Carnaval e da agenda de atividades das entidades.


A plenária, que seria realizada em março, elegerá a próxima Coordenação Nacional da entidade. Também foi discutida a realização do 5° ENDC – Encontro Nacional pela Democratização da Comunicação, que deve ser realizado até agosto. A 26ª Plenária Nacional pode acontecer dentro programação do 5º ENDC ou antes do encontro.

CDR: Carta de apoio à tramitação do PL 2338/2023 na Câmara dos Deputados

Apesar de ainda haver espaço para melhora do texto aprovado no Senado Federal, é essencial que o PL 2.338/2023 siga como a proposta prioritária enquanto marco regulatório da IA no Brasil também na Câmara dos Deputados

Publicado originalmente em direitosnarede.org.br

Em 2025, o Projeto de Lei 2.338/2023 (PL 2338/23), voltado a regular a IA no Brasil, seguirá seu andamento na Câmara dos Deputados, após aprovação no Plenário do Senado Federal no final de 2024. O marco regulatório retorna para a Casa após 3 anos de intensas discussões, que levaram à evolução fundamental do texto do antigo Projeto de Lei 21/2020 (PL 21/20) para o novo texto em discussão, considerado muito mais adequado ao momento nacional e internacional de maturidade regulatória em torno do tema.

Ao longo do processo, foram recebidas centenas de contribuições escritas, realizadas muitas audiências públicas, um seminário internacional, a formação de uma comissão de juristas e de uma comissão específica para tratar do tema no Senado. Logo, pode-se considerar que o PL 2338/23 é uma versão evoluída do texto do PL 21/20, aprovado na Câmara dos Deputados em 2021.

Apesar de ainda haver espaço para melhora do texto aprovado no Senado Federal, é essencial que o PL 2.338/2023 siga como a proposta prioritária enquanto marco regulatório da IA no Brasil também na Câmara dos Deputados. Sua redação traz elementos importantes para o uso e desenvolvimento de uma tecnologia ética e responsável, como a escolha por uma abordagem baseada em riscos, a criação de um rol de direitos, o estabelecimento de medidas de governança proporcionais, o desenho de um arranjo institucional de regulação e governança e medidas de incentivo à inovação responsável.

O Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial (GTIA) da Coalizão Direitos na Rede (CDR) parabeniza e reconhece o trabalho realizado pela Câmara dos Deputados com a iniciativa de aprovar o PL 21/20 em 2021, mas reforça que o Brasil precisa avançar nos debates em torno da criação de um marco nacional regulatório para a IA. Por isso, explicita seu apoio para que o PL 2338/2023, aprovado no Senado Federal em dezembro de 2024, possa ser avaliado, discutido e aprovado na Câmara dos Deputados como projeto de escolha do Congresso Nacional Brasileiro para a boa regulação e governança do uso e desenvolvimento de IA no contexto brasileiro.

Nesse sentido, a recente apresentação do Projeto de Lei 4.849/2024, de autoria do Deputado Eduardo Bismarck, desperta preocupação. Ainda que seja positivo que o tema da regulação da inteligência artificial continue a ser objeto de atenção no Congresso Nacional, a tramitação de um novo PL neste momento corre o risco de desestruturar o debate regulatório, dispersando esforços acumulados ao longo dos últimos anos. Além disso, o texto do PL 4.849/2024 apresenta forte semelhança com a versão original do PL 21/2020, que já foi amplamente revisada e aprimorada no Senado justamente para corrigir falhas e garantir maior alinhamento com boas práticas internacionais.

O avanço do PL 2.338/2023 na Câmara representa uma oportunidade para consolidar uma regulação da IA que equilibre inovação, proteção de direitos e segurança jurídica. Neste momento crucial, o foco deve estar no aprimoramento do texto já aprovado pelo Senado, garantindo que o Brasil adote um marco regulatório robusto e eficaz, sem retrocessos ou fragmentação do debate.

Por isso, instamos os parlamentares da Câmara dos Deputados a priorizarem a tramitação do PL 2.338/2023, aproveitando o trabalho já realizado e respeitando o processo democrático de construção dessa legislação.

FNDC convoca assembleia geral extraordinária de filiadas

O Conselho Deliberativo do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação convoca as Entidades Filiadas ao FNDC para participarem da Assembleia Geral Extraordinária com data em 20 de fevereiro de 2025. A Assembleia se instalará em primeira convocação com maioria simples das entidades filiadas e, em segunda chamada, 30 minutos após, com qualquer número. As decisões serão sempre tomadas por maioria simples. Em pauta: Prorrogação do mandato da Coordenação Nacional do FNDC por 6 (seis) meses; e Adiamento da chamama para a 26ª Plenária Nacional.

Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação
E-mail: [email protected]
Celular/whatsapp 11 95106-4077
CNPJ: 01.132.437/0001-41

Carta aberta contra os retrocessos anunciados pela Meta e os ataques à regulação das big techs

Sede da Meta em Menlo Park, California. Foto: Ascar - stock.adobe.com

O FNDC é um dos signatários da carta aberta expressando preocupação com as medidas anunciadas pelo CEO da Meta, Mark Zuckerberg, na semana passada (7/1). A iniciativa é da Coalizão Direitos na Rede (CDF) e já tem a adesão de outras 168 organizações. O texto repudia os retrocessos consequentes do alinhamento da Meta com o governo de Donald Trump e a extrema direita dos Estados Unidos e segue aberto a novas adesões.

Assine aqui:
https://direitosnarede.org.br/2025/01/08/contra-o-retrocesso-na-moderacao-de-conteudo-da-meta-e-os-ataques-a-regulacao-democratica-do-espaco-digital/#assine

Contra o Retrocesso na Moderação de Conteúdo da Meta e os Ataques à Regulação Democrática do Espaço Digital

Nós, os signatários, manifestamos nosso mais veemente repúdio ao recente pronunciamento de Mark Zuckerberg, CEO da Meta, no qual ele anuncia medidas que representam um grave retrocesso na já problemática moderação de conteúdo nas plataformas Facebook, Instagram e Threads. Sob o pretexto de “restaurar a liberdade de expressão”, as propostas delineadas não apenas colocam em risco grupos vulnerabilizados que usam esses serviços, mas também enfraquecem anos de esforços globais para promover um espaço digital um pouco mais seguro, inclusivo e democrático.

Zuckerberg propõe substituir checadores de fatos por um sistema de “notas comunitárias” (seguindo o modelo problemático do X) e pretende reduzir drasticamente filtros de moderação, priorizando apenas violações “graves” (sobre terrorismo, exploração sexual infantil, drogas e fraudes). Ou seja, a empresa sinaliza que não terá mais ações de moderação de conteúdos contra desinformação, discurso de ódio e outras políticas de proteção a favor das pessoas mais vulnerabilizadas. O CEO da Meta explicitamente admite aceitar os riscos de que essas novas políticas possam filtrar menos conteúdos nocivos do que as anteriores. 

Atualmente, já é notável ao redor do mundo serem falhas as Políticas de Moderação de conteúdo das redes da Meta, dando margem à práticas de violência de gênero, afetando a proteção de crianças e adolescentes, crescimento de grupos que propagam discurso de ódio e desinformação, além de outras violações de direitos humanos. As novas medidas propostas pioram a situação ao negligenciar os impactos reais dessas práticas de violência online, além de abrir caminho para a proliferação de conteúdos prejudiciais que desestabilizam sociedades e minam processos democráticos. 

Outra mudança anunciada foi a adoção de uma abordagem caracterizada como “mais personalizada” para conteúdos políticos, ampliando a recomendação dessas mensagens. Em que pese a ausência de clareza sobre a medida, ela sinaliza a ampliação das “bolhas”, em detrimento do debate democrático aberto sobre temas de relevância pública. Estudos já mostraram como efeitos bolha potencializam a construção e reprodução de visões baseadas em desinformação, discurso de ódio e conteúdo prejudicial que limitam o debate democrático e a construção de sociedades mais justas.

O discurso da Meta se alinha com uma retórica preocupante que afronta iniciativas regulatórias legítimas e necessárias de governos e da sociedade civil em diversas partes do mundo, incluindo a América Latina, generalizando essas ações como “censura” ou “ataques a empresas estadunidenses”. Ao fazer isso, a Meta ataca de forma aberta os esforços soberanos e democráticos de nações em proteger suas populações contra os danos provocados pelas Big Techs. Com isso, prioriza, mais uma vez, os interesses estadunidenses e os lucros de sua corporação em detrimento da construção de ambientes digitais que prezam pela segurança de seus consumidores.

A proposta de “trabalhar com o presidente Trump para combater regulações ao redor do mundo” explicita uma posição alinhada a interesses que beneficiam as plataformas digitais por serem contrárias ao progresso regulatório que visa proteger direitos humanos fundamentais ao responsabilizá-las pelas externalidades negativas de seus modelos de negócios. Ou seja, ao contrário da proposta de “reduzir a tendência ao viés” (da moderação de conteúdo), essa política por si só é enviesada para uma ideologia contrária a direitos fundamentais. A Meta poderia promover a liberdade de expressão por meio de medidas de transparência e accountability, no entanto, opta por “simplificar” as medidas de moderação de conteúdo alinhado ao discurso propagado pelo recém-eleito governo de Trump. 

O anúncio de Zuckerberg é emblemático de um problema estrutural: a concentração de poder nas mãos de corporações que atuam como árbitros do espaço público digital, enquanto ignoram as consequências de suas decisões para bilhões de usuários. Esse retrocesso não pode ser visto como um mero ajuste de políticas corporativas, mas como um ataque frontal desse monopólio de plataformas digitais às conquistas de uma internet mais segura e democrática.

Reafirmamos que a liberdade de expressão não pode ser usada como escudo para legitimar práticas que promovam violência, desigualdade e desinformação. O recente pronunciamento do CEO da Meta demonstra como a autorregulação das grandes plataformas digitais tem se mostrado insuficiente, sujeitando a adoção, atualização ou suspensão de qualquer política ao arbítrio unilateral das empresas. Cabe aos Estados e à sociedade civil fortalecer mecanismos regulatórios públicos e sociais que coloquem as pessoas e os direitos humanos acima dos lucros.

Exigimos que as plataformas lideradas por Mark Zuckerberg revejam essas medidas e assumam sua responsabilidade no combate ao discurso de ódio, à desinformação e à exploração online. Também conclamamos governos e organizações ao redor do mundo a intensificar os esforços para criar um arcabouço regulatório global que proteja os direitos digitais e garanta que o espaço digital seja um ambiente seguro, justo e democrático para todos.

Este é um momento crucial. O futuro do espaço digital depende de nossa capacidade coletiva de resistir a retrocessos e avançar em direção a uma governança digital centrada nas pessoas e no planeta.

ORGANIZAÇÕES SIGNATÁRIAS:

  1. ABJD – Associação Brasileira de Juristas Pela Democracia
  2. Abong – Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais
  3. Ação da Cidadania – Comitê Pará
  4. Ação Educativa – Assessoria, Pesquisa e Informação
  5. ADUR/RJ – Associação Docente da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
  6. AGC Consultoria
  7. Aláfia Lab
  8. Aliança Nacional Lgbti+
  9. AMARU – OBSERVATÓRIO LATINO AMERICANO DE COMUNICAÇÃO, MÍDIAS E DIREITOS HUMANOS/ DECOM/UFRN.
  10. AMC – Associação Mulheres na Comunicação
  11. ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais
  12. ANDI – Comunicação e Direitos
  13. APUBH – Sindicato dos professores de universidades federais de Belo Horizonte, Montes Claros e Ouro Branco.
  14. Aqualtune Lab
  15. Ass. Internacional Maylê Sara Kali – AMSK/Brasil
  16. Associação Brasileira de Comunicação Pública – ABCPública
  17. Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo (ABej)
  18. Associação Brasileira de Imprensa (ABI)
  19. Associação Brasileira de Medicina Personalizada e de Precisão/Brazilian Personalized and Precision Medicine Association
  20. Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação
  21. Associação Brasileira de Rádios Comunitárias – Abraço Brasil
  22. Associação Cultural Alquimídia
  23. Associação das Paradas do Orgulho LGBT de Salvador ASPOLGBT
  24. Associação Nacional de Política e Administração da Educação (ANPAE)
  25. Associação Namazonia
  26. Barracon Digital
  27. Bloco Não é Não – Goiânia, Goiás/Brasil
  28. Brasil de Fato RS
  29. Business and Human Rights Resource Centre
  30. Caliandra – Coletivo de Mulheres do Cerrado
  31. Casa Marielle Franco Brasil
  32. Casa Socialista
  33. Cátedra Sustentabilidade – Universidade Federal de São Paulo
  34. CC/DC – Centro de Comunicação, Democracia e Cidadania da Universidade Federal da Bahia
  35. CENARAB – Centro Nacional de Africanidade Resistência Afro Brasileiro
  36. Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé
  37. Centro de Estudos de Segurança e Cidadania – CESeC
  38. Centro de estudos e pesquisas em ciências do comportamento
  39. Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho da USP
  40. CEPAD – Centro de Estudos e Pesquisa em Análise do Discurso – UFBA
  41. Ciranda Comunicação / Associação Internacional de Comunicação Compartilhada (Compas)
  42. Coalición por el Fortalecimiento de la Libertad de Expresión Chile
  43. Código Não Binário
  44. Coding Rights
  45. Colégio Multi
  46. Coletivo Afro Acadêmico
  47. Coletivo Digital
  48. Coletivo População Negra e Saúde Digital
  49. Coletivo Soylocoporti
  50. Compolítica – Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política
  51. Comunidade Batista do Caminho (CBC)
  52. Comunidade Praxis
  53. Conectas Direitos Humanos
  54. Conexion Educativa
  55. Conjunta
  56. Cooperativa Sulá Batsú
  57. Cooperativa Tierra Común – México
  58. Coordenação Nacional dos Interesses das Pessoas com Deficiência/PSB Inclusão.
  59. CoPai – Coalizão Licença Paternidade
  60. CRIAR Brasil
  61. CUT – Central Única dos Trabalhadores
  62. Data Privacy Brasil
  63. data_labe
  64. Digital Action
  65. Dimicuida
  66. DiraCom – Direito à Comunicação e Democracia
  67. Ebaplay Ind. e Com. Ltda
  68. Educadora Menstrual
  69. ELA-IA (Estratégia Latino-Americana de Inteligência Artificial)
  70. Entrepalavras Produção de textos
  71. Escola de Educação Infantil Educar para o Futuro
  72. Estúdio RJ
  73. Fazer Educação
  74. Federação dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino no Estado do Rio de Janeiro, Feteerj
  75. Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ
  76. Federação Nacional dos Sociólogos -Brasil – FNS-B
  77. Fitt-livre
  78. FNDC – Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação
  79. FNDC – Roraima
  80. Fórum de Entidades do Campo
  81. Fórum Nacional da Sociedade Civil nos Comitês de Bacias Hidrográficas
  82. Fórum para Tecnologia Estratégica dos BRICS+
  83. Fórum Permanente de Educação Inclusiva do Espírito Santo (FPEIES)
  84. Fundación Huaira – Equador
  85. Fundación Internet Bolivia.org
  86. Fundación Karisma
  87. Fundación Taiguey – República Dominicana
  88. Futurability – Consultoria, Educação Executiva e Pesquisa
  89.   Garotas do Motion®
  90. GEPDiM/UFSC/CNPq
  91. GEPEADS/UFRRJ – Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Ambiental, Diversidade e Sustentabilidade
  92. Grupo de Pesquisa DESCOM – Insurgências Decoloniais, Comunicação, Artes e Humanidades
  93. Grupo de pesquisa Educação, Comunicação e Tecnologias – GEC/FACED/UFBA
  94. Grupo de Pesquisa em Jornalismo, Direito e Liberdade (USP)
  95. Grupo de pesquisa Mídia-Educação e Comunicação Educacional (COMUNIC) – UFSC
  96. Hiperderecho
  97. Hzen do Brasil
  98. IBIDem – Instituto Beta para a Internet & a Democracia
  99. Idec – Instituto de Defesa de Consumidores
  100. InfoCria
  101. Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial
  102. Iniciativa Educação Aberta – UnB
  103. Instituto Alana
  104. Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas – Ibase
  105. Instituto Brasileiro de Políticas Digitais – Mutirão
  106. Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife – IP.rec
  107. Instituto de Referência em Internet e Sociedade – IRIS
  108. Instituto Democracia em Xeque
  109. Instituto NUPEF
  110. Instituto Panamericano de Derecho y Tecnología – IPANDETEC
  111. Instituto Physis – Cultura & Ambiente
  112. Instituto Telecom
  113. Instituto Teofilo centro clínico-terapêutico para o desenvolvimento humano
  114. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
  115. Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social
  116. IPANDETEC
  117. Jararaca: Laboratório de Tecnopolíticas Urbanas – PUCPR
  118. Jubarte Comunica
  119. Justiça Global
  120. KOINONIA – Presença Ecumênica e Serviço
  121. Laboratório de Cultura Digital – UFPR
  122. Laboratório de Políticas de Comunicação – UnB
  123. Laboratório de Políticas Públicas e Internet – LAPIN
  124. Laboratório do Futuro – UFC
  125. Lavits – Rede Latino-americana de Estudos sobre Vigilância, Tecnologia e Sociedade
  126. Linha ECO do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina ECO/PPGE/UFSC
  127. MM&OE EDITORA
  128. Motriz Sociocultural
  129.  Movimento Desconecta
  130. Movimento FeliciLab
  131. Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH Brasil
  132. Movimento Negro Unificado (MNU)
  133. Núcleo de Comunicação e Educação da USP
  134. Núcleo de Jornalismo e Audiovisual (NJA)
  135. Núcleo de Pesquisa em Didática da História e Interculturalidade Crítica (NUPEDHIC) – Brasil
  136. Núcleo Digital – Tecnologias Democráticas
  137. Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa, Ensino e Extensão em Direitos Humanos – UFG
  138. OBSERVACOM (Observatorio Latinoamericano de Regulación, Medios y Convergencia)
  139. ONG Amaranta
  140. Open Knowledge Brasil
  141. Partido dos Trabalhadores de Anchieta – SC
  142. Peditaria Integral
  143. Pimentalab – Laboratório de Tecnologia, Política e Conhecimento da Unifesp
  144. Plataforma Conjunta
  145. ProgMaria
  146. Red Tierra Común
  147. Rede de Pesquisa Currículo e Tecnologia- REPERCUTE/UFSC
  148. Rede Inovação e Território
  149. Rede Latinoamericana de Investigadores en Comunicación Organizacinal – RedLAco
  150. Rede Nacional de Combate à Desinformação – RNCD Brasil
  151. Redes Cordiais
  152. ReLAEE – Rede Latino Americana Espaço e Economia
  153. Repórteres Sem Fronteiras (RSF)
  154. Secretaria de Inclusão e Acessibilidade da Universidade Federal do Espírito Santo
  155. Sindicato de Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SindJoRS)
  156. Sindicato dos Jornalistas Prof. do Mun. RJ
  157. Sindicato dos Sociólogos e Sociólogas do Estado do Rio de Janeiro
  158. Sindicato dos Trabalhadores rurais agricultores (as) familiares de Barreiras
  159. Sleeping Giants Brasil
  160. Sursiendo, Comunicación y Cultura Digital – México
  161. TechMOV (Coletivo de Tecnologia ligado ao Movimento Internacional de Juventudes)
  162. TEDIC
  163. Teia de Criadores
  164. The Tor Project
  165. Universidade Federal do Pará – o Programa de Pós-Graduação em Currículo e Gestão da Escola Básica (PPEB) e Programa de Pós-graduação em Educação e Cultura (PPGEDUC)
  166. Usuarios Digitales
  167. Vale Verdejante
  168. Vórtice Estúdio
  169. Wiki Movimento Brasil

Link da nota no site da CDR: https://direitosnarede.org.br/2025/01/08/contra-o-retrocesso-na-moderacao-de-conteudo-da-meta-e-os-ataques-a-regulacao-democratica-do-espaco-digital/#assine

Candidatos do FNDC terão mandato de três anos no Comitê de Participação Social, Diversidade e Inclusão da EBC

A imagem mostra, ao fundo, a fachada do edifício Venâncio Shopping, onde fica localizada a sede da Empresa Brasil de Comunicação, a EBC. Do lado esquerdo, em primeiro plano, uma placa vertical instalada na calçada com o logotipo da EBC sobre um fundo azul escuro. O logotipo é verde claro sobre um fundo azul escuro. Abaixo do logotipo, está escrito em letras brancas Agência Brasil, Rádio MEC, Radio Nacional e TV Brasil. Na legenda da foto, está o crédito do fotógrafo: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil.
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Portaria com a nomeação dos membros do Cpadi foi publicada pela EBC nesta segunda-feira.

A imagem mostra a foto de Isaias Dias, que está sentado em uma cadeira de rodas motorizada, usando uma camiseta preta e tênis vermelhos. Ele está em um ambiente externo, possivelmente em um evento ou manifestação, com pessoas ao fundo
Isaias Dias foi eleito membro titular

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) publicou, nesta segunda-feira (16/12/24), a Portaria-Presidente nº 634. O documento oficializa a nomeação dos representantes titulares e suplentes do Comitê de Participação Social, Diversidade e Inclusão (Cpadi).

Isaias Dias e Karem Resende, respectivamente titular e suplente, estão entre os nomeados. Eles compuseram a chapa indicada pelo FNDC para a eleição direta realizada no mês de novembro. O mandato é de três anos sem possibilidade de recondução. Outras entidades que compõem o FNDC, como a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e o Intervozes também elegeram representantes para o colegiado.

O Cpadi é composto por 27 membros e 27 suplentes, sendo 11 da sociedade civil (um deles de entidade sindical de jornalistas), 11 membros do Comep e mais cinco representantes de emissoras da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), sendo um de cada região do país.

Para suprir os critérios de diversidade e representatividade, o comitê tem em sua composição 40% de mulheres, 40% de representações negras ou indígenas, uma pessoa com deficiência, um representante LGBTQUIA+, um representante de trabalhadores e um representante de cada macrorregião.

A imagem mostra a foto de Karem, uma mulher sorridente ao lado de um cão preto. Ela tem cabelo castanho escuro e usa um colar colorido
Karem Resende foi eleita membro suplente

Entre as funções do Cpadi está o acompanhamento das diretrizes da programação veiculada pelas emissoras de comunicação pública operadas pela EBC no que tange à participação social, diversidade social, cultural, regional e étnica.

O comitê observará a pluralidade de ideias na abordagem dos fatos, na perspectiva da observância dos princípios de promoção da cultura nacional, pluralidade de fontes de conteúdo, estímulo à produção regional e à produção independente, além de suas finalidades educativas, artísticas, cultural, científica, informativa e promotora da cidadania.

>> Clique aqui para ver a composição do Cpadi

Comitê de Participação Social

Até o fechamento desta edição, a Presidência da República não havia definido data para a publicação da portaria que nomeará os componentes do Comitê de Participação Social (Comep). Os candidatos do FNDC, Pedro Rafael Vilela e Ivana Leal, foram os mais votados, ficando em primeiro lugar entre todos os segmentos e encabeçando a lista tríplice no segmento Entidades da Sociedade Civil de Defesa do Direito à Comunicação.

Cessão da Rádio Nacional do Alto Solimões a governo do AM enfraquece sistema público de comunicação

Davi Kopenawa, Xamã do povo Yanomami, em entrevista á Rádio Nacional do Alto Solimões em novembro. Foto: Kátia Lins/EBC

Protocolo anunciado no início do mês pela EBC vem sofrendo duras críticas por parte de entidades de jornalistas e outras que compõem a luta em defesa da comunicação pública

O protocolo de intenções firmado entre a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e a Fundação Encontro das Águas para gestão da Rádio Nacional do Alto Solimões tem gerado reações negativas da sociedade civil. A Frente em Defesa da EBC e da Comunicação pública, que tem entre suas organizações integrantes o FNDC, frisa que a cessão é uma grande perda para o sistema público, previsto no Artigo 223 da Constituição Federal, e uma contradição, considerando o projeto de expansão da Rede Nacional de Comunicação Pública, da EBC.

Para as entidades que defendem a comunicação pública, o momento é de fortalecer a Rádio Nacional do Alto Solimões e as parcerias com a sociedade civil, sobretudo pensando em envolver a população da Amazônia que terá os olhos do mundo sobre si nos debates da COP-30, em 2025.

Outra crítica feita pela entidade é a de que a iniciativa fortalecerá ainda mais o poder do governo do Amazonas, incentivador do garimpo e do agronegócio na região. Além disso, a Fundação Encontro das Águas não tem participação social, que é um requisito da comunicação pública, conforme a Constituição Federal.

Emissora alcança 60 milhões de pessoas

Localizada no município de Tabatinga, na Tríplice Fronteira, a Rádio Nacional do Alto Solimões foi criada em 2006, a partir da mobilização da população. A emissora integra nove municípios e atinge cerca de 60 milhões de pessoas entre Brasil, Peru e Colômbia, segundo o site da EBC. A jornalista Akemi Nitahara, membro da Frente em Defesa da EBC, considera “lamentável que a direção da EBC prefira entregar a gestão e o conteúdo da rádio a resolver os problemas”.

Akemi afirma que a emissora e seus funcionários, que são comissionados, enfrentam grandes dificuldades, como salários congelados e ausência de contratos básicos como limpeza do prédio, compra de insumos como papel higiênico e café e manutenção do ar-condicionado, mas que isso não justifica a forma como o acordo foi anunciado.

Segundo Akemi, a EBC alega que não conseguiu interessadas nas licitações abertas, então pediu à rede Encontro das Águas para assumir a gestão, no mesmo modelo da expansão da Rede Nacional de Comunicação Pública. Para ela, a situação demonstra que “a direção prefere se livrar do problema a enfrentar a situação, abrindo mão de uma emissora criada com uma função estratégica de ocupar o espectro eletromagnético em uma região de tríplice fronteira, que sofre com problemas como o garimpo ilegal”.

A jornalista também chama a atenção para o fato de que a EBC “sequer ofereceu para a sociedade civil a oportunidade de ocupar esse espaço, que foi criado justamente como uma solicitação das comunidades locais.”

EBC tem permitido o desmonte de sua própria rede

O jornalista Pedro Rafael Vilela, diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), outra entidade membro da Frente, afirma que a direção da EBC tem permitido o desmonte da sua própria rede de emissoras. Para ele, o caso da Rádio Nacional do Alto Solimões é emblemático porque envolve uma questão estratégica de política pública na Amazônia e até mesmo de segurança nacional, no qual a empresa “praticamente lava as mãos”. Mas, segundo ele, a situação é igualmente dramática no Maranhão, onde a empresa jamais deveria ter fechado a sede, a única no Nordeste.

Pedro lembra, também, que a praça de São Paulo, a maior cidade do país, sofre com ociosidade e falta de estrutura. “O cenário geral deixa claro que não há projeto de desenvolvimento da comunicação pública na atual gestão”.

Gestão da EBC desconsidera seu papel estratégico 

Em artigo publicado no site Le Monde Diplomatique Brasil, a Frente reforça as críticas feitas ao governo de Jair Bolsonaro, que aparelhou a EBC e a utilizou para defender teses estapafúrdias, como a fraude nas urnas eletrônicas e negar a gravidade da Covid-19, inclusive, sobre a população indígena, conforme denunciado em dossiês sobre censura elaborados pelos jornalistas da EBC e seus sindicatos. “Porém, os militares, cientes do papel estratégico da emissora, fortaleceram a estação. E jamais a doariam de mão beijada para um governo de oposição, como faz o PT e o preposto do ministro Paulo Pimenta, Jeansley Lima, presidente da EBC”.

Os integrantes da Frente em Defesa da EBC ressaltam que a região da Tríplice Fronteira tem pouca cobertura de veículos de comunicação brasileira e serviço precário de internet. Por isso, a emissora é fundamental para a promoção do direito humano à comunicação e informação e no combate à desinformação.

FNDC é reconduzido para mais um mandato no CNDH

A ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, deu posse aos novos conselheiros. Foto: divulgação

Admirson Ferro Jr., coordenador-geral do FNDC, foi conduzido para mais um mandato no colegiado e destaca a luta pela democratização da comunicação como um dos eixos da sua atuação

O coordenador-geral do FNDC, Admirson Ferro Jr. (Greg), foi reconduzido para novo mandato no Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH). A cerimônia de posse foi realizada nesta terça (10/12), Dia Internacional dos Direitos Humanos. O CNDH é formado por 11 representantes da sociedade civil e 11 representantes do poder público.

Em suas redes sociais, Greg renovou seu compromisso de se manter engajado na defesa dos direitos humanos, “combatendo todas as violações, violências e discriminações em suas diversas formas”. Ele destacou como um dos eixos do seu mandato a luta pela comunicação democrática enquanto direito humano essencial. “A retomada da participação social na Empresa Brasileira de Comunicação, a nossa EBC, é um dos frutos dessa luta dentro do CNDH”, ilustrou.

Greg afirmou que seu mandato continuará ao lado das comunidades quilombolas, povos originários, mulheres, população LGBTQIA+, pessoas com deficiência, juventude, comunicadores, ativistas ambientais, comunidades em situação de rua, trabalhadores e trabalhadoras, e todos aqueles e aquelas que precisarem do apoio do CNDH. “Nossa missão é defendê-los e lutar por seus direitos”.

Cerimônia de posse

No ato público que também marcou os 76 anos da Declaração Universal dos Direitos humanos, a ministra Macaé Evaristo deu posse aos novos conselheiros e também foi empossada como uma das representantes do Poder Executivo no colegiado.

Macaé afirmou que o CNDH é essencial para a manutenção de ações preventivas, protetivas e reparadoras em relação a toda aquela parcela da população vítima de ameaças e violações de direitos – seja do ponto de vista coletivo, individual ou social.

Na ocasião, a ministra também destacou a importância da independência do CNDH na defesa da dignidade da população e da democracia brasileira. “O amanhã virá, a justiça social virá e as correntes, que outrora nos prenderam, se desacorrentarão”, disse.

O CNDH

O CNDH tem composição paritária e atua na promoção e defesa dos direitos humanos no Brasil através de ações preventivas, protetivas, reparadoras e sancionadoras das condutas e situações de ameaça ou violação de direitos, previstos na Constituição Federal e em tratados e atos internacionais ratificados pelo Brasil.

A representação da sociedade civil é definida em assembleia das próprias entidades. São eleitas nove organizações titulares para o mandato de dois anos e outras duas têm assento permanente: Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais do Ministério Público dos estados e da União (CNPG). As representações buscam assegurar a representatividade de raça e etnia, de gênero e geracional.

Já a representação do poder público contempla instituições que atuam diretamente com direitos humanos, sendo duas delas instituições autônomas (Defensoria Pública da União e Ministério Público Federal); além do Conselho Nacional de Justiça (CNJ); órgãos do Poder Executivo (Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, Ministério das Relações Exteriores, Ministério da Justiça e Polícia Federal); e do Poder Legislativo (Câmara dos Deputados e Senado Federal).

Com informações do MDH

Ato de posse também marcou os 76 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Foto: Clarice Castro/MDH

Inteligência Artificial: pressão popular será decisiva para aprovação do PL 2.338/23 no Senado

Na reta final da tramitação do projeto no Senado, campanha “Na Pressão” disponibiliza plataforma para contato direto com senadores (link no fim da matéria)

A votação do PL 2.338/23 no plenário do Senado Federal está prevista para a próxima terça (10/12). Mesmo rebaixado a um patamar mínimo de garantias, o texto deve ser votado para que o país possa ter uma regulação mínima para os usos da inteligência artificial (IA). Nesse cenário, a pressão popular é fundamental para que o PL siga em frente. Essa foi a principal mensagem dos convidados do programa Vozes pela Democracia desta sexta (6/12), Ramênia Vieira (Intervozes Brasil) e André Fernandes (IP.rec).

A jornalista Ramênia Vieira, diretora de Incidência do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, lembra que mesmo em sua maioria conservadores, os parlamentares são eleitos pelo voto popular, portanto, são permeáveis à pressão popular. Ela ressalta que toda regulação é necessária, ainda mais quando um setor como esse impacta tão profundamente a vida em sociedade; e que o parlamento deve se atentar para isso, pois a não regulação acarretará inúmeros problemas num futuro próximo.

Ramênia observa que a tendência dos usuários é consumir as tecnologias sem questionar seus processos. “Mas é preciso nos questionar sobre qual é o comportamento dessas plataformas com o que estamos entregando a elas. Como, para quê e para quem estão usando nossos dados? São questões que o legislativo, que nos representa, deve considerar”.

O advogado André Fernandes, diretor no Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife (IP.rec), afirma que a pressão popular é fundamental para garantir que o projeto não seja retirado da pauta do Congresso Nacional, como aconteceu com o PL 2.630/20, que institui a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet. “Por mais que o PL 2.338/23 tenha perdido substância desde o início de sua tramitação, o texto ainda é o minimamente aceitável”, reforça.

Fernandes afirma que o ideal é a aprovação sem novas emendas, ou com emendas que apenas resgatem os níveis de proteção e garantia de direitos originais do texto. “Por isso, neste momento, precisamos direcionar a mobilização popular com carga total sobre o parlamento”.

Sousa Júnior, apresentador do Vozes pela Democracia, lembrou que a aprovação do PL pelo Senado é apenas o primeiro passo, pois haverá nova luta da sociedade civil quando o texto passar a tramitar na Câmara dos Deputados.

Pressione com um clique

Por uma IA responsável e protetiva de direitos. Clique na imagem para acessar e pressionar os senadores a votar pela aprovação da regulação de IA.
Clique na imagem para acessar e pressionar!

A campanha por uma inteligência artificial responsável e protetiva, da Coalizão Direitos na Rede (CDR), disponibiliza, por meio da plataforma “Na Pressão”, uma página onde qualquer usuário pode pressionar os senadores (CLIQUE NA IMAGEM PARA ACESSAR). A ferramenta mostra os parlamentares contrários à regulação da IA, os favoráveis e os que estão em dúvida. Para cada parlamentar, a ferramenta disponibiliza um link para contato direto por meio do WhatsApp, e-mail e redes sociais Facebook e X, com um texto pré-definido pedindo o voto favorável à matéria. Basta apenas clicar nos ícones e o usuário pode enviar a mensagem aos parlamentares e compartilhar a ferramenta em suas próprias redes sociais, fortalecendo a mobilização por uma IA responsável.

A ferramenta “Na Pressão” foi desenvolvida pela Central Única dos Trabalhadores (CUT Brasil) e está disponível para todos os sindicatos, entidades e movimentos sociais parceiros, podendo ser usado em campanhas específicas dirigidas a instâncias regionais ou locais dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

>> Leia também a nota da CDR sobre o PL 2.338/23

Inteligência artificial: sociedade civil pressiona Senado por regulação com garantia de direitos

Foto: Agência Senado

Após retrocessos na versão final do relatório da Comissão de IA do Senado, o PL 3.328/23 está previso para votação final do colegiado nesta terça. Movimentos sociais mobilizam sociedade civil para tentar reverter os pontos negativos do texto

O PL 2.338/23 será votado pela Comissão Temporária Interna sobre Inteligência Artificial (CTIA) do Senado Federal nesta terça-feira (3/12). Essa é a última etapa da tramitação do texto antes de ir ao plenário da casa. A proposta vinha sendo considerada razoavelmente eficiente pelos movimentos sociais organizados em torno do tema até a semana passada, quando o relator, senador Eduardo Gomes (PL-TO), apresentou novo relatório com inúmeros retrocessos. A situação gerou a reação das entidades organizadas na Coalizão Direitos na Rede (CDR), que o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) integra.

A CDR lançou carta aberta manifestando apoio ao avanço da matéria no Legislativo e pontuando melhorias em sete pontos específicos listados a seguir. O documento já tem a adesão de 63 organizações da sociedade civil.

  1. Alteração do artigo 13, I, para excluir a expressão “com o propósito de” para os usos proibidos, para abranger todas as tecnologias prejudiciais e seus efeitos, independentemente da verificação da intenção dos agentes de IA em serem propositalmente prejudiciais ou não;
  2. Alteração do Artigo 13, I (a) e (b) para excluir o nexo causal de “de maneira que cause danos à saúde, segurança ou outros direitos fundamentais próprios ou de terceiros” para as proibições de uso de técnicas que induzam comportamentos e de exploração de vulnerabilidades;
  3. Alteração do Artigo 13, VII para excluir as exceções ao uso de dados biométricos de identificação por sistemas remotamente, em tempo real e em espaços acessíveis ao público, portanto proibindo o uso destes sistemas para a segurança pública e a persecução penal. Ou, no mínimo, pedimos um moratória que autorize usos nas exceções listadas somente após aprovação de lei federal que especifique as finalidades de uso e garanta o cumprimento de medidas de salvaguarda suficientes (pelo menos aquelas garantidas para sistemas de IA de alto risco);
  4. Retorno do pontuação de crédito ou outros sistemas de IA destinados a serem usados ​​para avaliar a qualidade de crédito de pessoas físicas para o alto risco listada no artigo 14.º, com a possibilidade de criar uma exceção para sistemas de IA utilizados para detectar fraudes financeiras;
  5. A mudança de classificações dos sistemas mencionados no Artigo 14, IX, X e XI para a categoria de riscos inaceitáveis;
  6. Garantir a participação da sociedade civil no Sistema Nacional de Governança e Regulação de Inteligência Artificial (SIA), por meio da composição do Conselho de Cooperação Regulatória de Inteligência Artificial (CRIA), é eficaz e significativo;
  7. A volta dos artigos 6º, 8º e 17 da versão do projeto de lei publicada no dia 18 de junho de 2024.

Influência das big techs

O texto é considerado o marco zero da inteligência artificial no Brasil e tem o objetivo de definir limites e permissões para o uso dessa tecnologia. Como resume o coordenador-geral do FNDC, Admirson Ferro Jr. (Greg), não se trata de parar ou desestimular as tecnologias que usam IA, mas definir os parâmetros mínimos legais para sua aplicação. Ele reconhece que os desafios são muitos e diversos, mas que é fundamental garantir que o Brasil também invista em pesquisa e desenvolvimento de IA própria. “Em resumo, não se trata de ser contra o uso da IA, mas de assegurar seu uso para atender ao interesse público nacional. E essa é a nossa disputa em torno do relatório da CTIA, que inclui fazer o enfrentamento às poderosas big techs norte-americanas, que não medem esforços para influenciar o parlamento e a sociedade”.

Greg afirma que a carta da Coalização Direitos na Rede expressa sua defesa crítica do PL 2.338/23, que vinha sendo razoavelmente coerente com a necessidade regulatória do Brasil, “mas que, no último minuto antes de sua votação decisiva na CTIA, perde substância e retrocede em questões importantíssimas como a retirada da classificação de “alto risco” dos sistemas de IA que fundamentam o modelo de negócio das big techs.”

Atuando (quase sempre) discretamente, as big techs ainda podem influenciar ainda mais a proposta, como admitiu o presidente da CTIA, senador Carlos Viana (Podemos-MG) em entrevista à Agência Pública na última sexta-feira (29/12). Greg lembra que a disputa em torno da regulação não se encerra com a votação final na CTIA e que ainda há espaço para a pressão da sociedade civil enquanto houver discussão no Congresso Nacional, mas que o enfrentamento à influência das big techs precisa ser cada vez mais contundente.

Tema tem mobilizado o FNDC

Na semana passada, o FNDC discutiu os usos, impactos e necessidade de regulação da IA no seu programa semanal Vozes pela Democracia e na live “Qual regulação de IA queremos?”, transmitida na terça (26/11). Ambos estão disponíveis no Canal do FNDC no YouTube e abaixo. O tema do Vozes pela Democracia foi o racismo algorítmico, amplamente denunciado e debatido pela sociedade civil, principalmente nas questões de segurança pública com o reconhecimento facial. 

Além do racismo, outros grupos também têm debatido e se apropriado do tema para alertar sobre os riscos potenciais a outros grupos sociais, como mulheres, população LGBTQUIAP+ e indígenas, por exemplo. Outro ponto urgente nesse debate é a transição das atuais para as novas tecnologias e seus impactos para a classe trabalhadora. No setor da comunicação, está a preocupação em garantir a liberdade de expressão preservando a integridade da informação. O meio ambiente também é outro setor impactado pelo uso da IA.

Adesões à carta

O texto da carta pode ser acessado e assinado neste link.

Participação social na EBC: conheça os candidatos do FNDC

A imagem mostra, ao fundo, a fachada do edifício Venâncio Shopping, onde fica localizada a sede da Empresa Brasil de Comunicação, a EBC. Do lado esquerdo, em primeiro plano, uma placa vertical instalada na calçada com o logotipo da EBC sobre um fundo azul escuro. O logotipo é verde claro sobre um fundo azul escuro. Abaixo do logotipo, está escrito em letras brancas Agência Brasil, Rádio MEC, Radio Nacional e TV Brasil. Na legenda da foto, está o crédito do fotógrafo: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil.
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O FNDC é uma das entidades habilitadas a participar do processo eleitoral dos comitês que visam a restaurar a participação social na comunicação pública. Você pode votar até o dia 28 de novembro

A eleição dos membros dos Comitês de Participação Social, Diversidade e Inclusão (Cpadi) e de Participação Social (Comep), da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), está aberta a partir desta quinta-feira 21/11. Até o dia 28 de novembro, qualquer cidadão registrado no Gov.br pode votar. O FNDC, que é uma das entidades habilitadas a participar do processo indicando candidatos, sugere o voto em Isaias Dias e Karem Resende para o Cpadi, e Pedro Rafael Vilela e Ivana Cláudia Leal de Sousa para o Comep.

Junto com a Ouvidoria e a Assessoria de Participação Social e Diversidade, Cpadi e Comep constituem o Sistema Nacional de Participação Social (Sinpas), uma conquista dos movimentos sociais que defendem a comunicação pública nos parâmetros estabelecidos pela Constituição Federal. O Sinpas registrou 54 candidaturas, sendo 22 candidatos inscritos para o Cpadi e 32 para o Comep. O FNDC está habilitado nos segmentos “entidades da sociedade civil de defesa do direito à comunicação” e pessoa com deficiência (PCD).

Comep

A finalidade do Comep é promover a participação da sociedade civil no acompanhamento da aplicação dos princípios do sistema público de radiodifusão, observada a pluralidade da sociedade brasileira, conforme Decreto nº 12.005, de 23 de abril de 2024. Esse comitê será formado por 11 membros e 11 suplentes, que representarão 11 segmentos: 1) emissoras públicas de rádio e televisão; 2) cursos superiores de Comunicação Social; 3) setor audiovisual independente; 4) veículos legislativos de comunicação; 5) comunidade cultural; 6) comunidade científica e tecnológica; 7) entidades de defesa dos direitos das crianças e adolescentes; 8) entidades de defesa dos direitos humanos e das minorias; 9) entidades da sociedade civil de defesa do direito à Comunicação; 10) cursos superiores de Educação e 11) um empregado da EBC).

Cpadi

Entre as funções do Cpadi está o acompanhamento das diretrizes da programação veiculada pelas emissoras de comunicação pública operadas pela EBC no que tange à participação social, diversidade social, cultural, regional e étnica. O comitê observará a pluralidade de ideias na abordagem dos fatos, na perspectiva da observância dos princípios de promoção da cultura nacional, pluralidade de fontes de conteúdo, estímulo à produção regional e à produção independente, além de suas finalidades educativas, artísticas, cultural, científica, informativa e promotora da cidadania.

O Cpadi será composto por 27 membros e 27 suplentes, sendo 11 da sociedade civil (um deles de entidade sindical de jornalistas), 11 membros do Comep e mais cinco representantes de emissoras da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), sendo um de cada região do país. Ainda segundo a Portaria-Presidente n° 459, de 8/10/24, a composição deve ser de no mínimo, 40% de mulheres, 40% de representações negras ou indígenas, uma pessoa com deficiência, um representante LGBTQUIA+, um representante de trabalhadores e um representante de cada macrorregião.

Nossas candidaturas ao Comep

Acesse o site ou aplicativo Gov.br e faça seu login. Agora, clique aqui para votar nos candidatos abaixo.

A imagem é uma foto de Pedro Rafael Vilela. Ele tem cabelo encaracolado e usa óculos redondosPedro Rafael Viela (TITULAR)

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG, 2009), mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília (UnB, 2016). É repórter da Agência Brasil, veículo da EBC, onde trabalha como concursado desde 2014.

Integra o DiraCom – Direito à Comunicação e Democracia, entidade que atua em defesa do direito à comunicação. É coordenador-geral do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal e estudante de graduação em Ciências Sociais na UnB. Foi secretário-executivo do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) por 8 anos (2014 a 2022).

A imagem mostra a foto de Ivana, uma mulher negra sorridente, com cabelo curto e encaracolado, usando um vestido com estampa colorida. Ivana Cláudia Leal de Souza (SUPLENTE)

Graduada em Comunicação Social – Jornalismo e Radialismo pela Universidade Federal de Goiás, além de estar cursando Direito na PUC Goiás. Mulher negra, jornalista, militante do Movimento Negro  e de Movimento de Mulheres Negras.

É Coordenadora Nacional da Mulher do Movimento Negro Unificado (MNU). É também diretora Centro de Referência Negra Lélia Gonzalez e Integrante do Comitê Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030 – ONU Mulheres.  Integrou a delegação brasileira na III Conferência Mundial Contra o Racismo da ONU, reforçando sua contribuição na luta antirracista em âmbito nacional e internacional.

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Nossas candidaturas ao Cpadi

Acesse o site ou aplicativo Gov.br e faça seu login. Agora, clique aqui para votar nos candidatos abaixo.

A imagem mostra a foto de Isaias Dias, que está sentado em uma cadeira de rodas motorizada, usando uma camiseta preta e tênis vermelhos. Ele está em um ambiente externo, possivelmente em um evento ou manifestação, com pessoas ao fundoIsaias Dias (TITULAR)

Pessoa com deficiência devido a sequela de pólio. Ex-membro do Conselho Curador da EBC cassado em 2016 e vice-presidente do CONADE na gestão 2010/2011.

Estava no processo inicial da discussão da acessibilidade da Comunicação pública, bem como conteúdo da TV pública nos temas que envolviam as pessoas com deficiência quando houve a cassação do Conselho Curador pelo então governo de Michel Temer.

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A imagem mostra a foto de Karem, uma mulher sorridente ao lado de um cão preto. Ela tem cabelo castanho escuro e usa um colar coloridoKarem Resende (SUPLENTE)

Pedagoga, mestre em Educação Profissional e Tecnológica, professora aposentada da Rede municipal de Educação de Blumenau, representante dos trabalhadores e trabalhadoras com deficiência da CUT Estadual SC e da ISP (Sintraseb), mulher Cega usuária de cão-guia.

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