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Conselho Deliberativo convoca reunião ampliada para 22 de agosto

O Conselho Deliberativo do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação convoca as entidades filiadas para participar da reunião ampliada com data em 22 de agosto de 2025. A reunião se instalará em primeira convocação com maioria simples das entidades filiadas e, em segunda chamada, 30 minutos após, com qualquer número. As decisões serão sempre tomadas por maioria simples. Em pauta: Prorrogação do mandato da Coordenação Nacional do FNDC para a realização da 26ª Plenária Nacional e 5º Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação, nos dias 8, 9 e 10 de setembro de 2025.

Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação
E-mail: [email protected]
Celular/whatsapp 11 95106-4077
CNPJ: 01.132.437/0001-41

FNDC publica convocatória e regulamento da 26ª Plenária Nacional

Assembleia Legislativa do Estado do Ceará. Foto: Marcos Moura

Evento elegerá nova Coordenação Executiva, Conselho Deliberativo e Conselho Fiscal para o mandato 2025-2027 e aprovará estratégia e plano de ação para o período

A 26ª Plenária Nacional do FNDC será realizada nos dias 9 e 10 de setembro, na Escola Superior do Parlamento Cearense – Unipace, em Fortaleza-CE. Poderão participar os delegados e observadores eleitos nas plenárias reginais, realizadas pelos comitês regionais e estaduais até 25 de agosto. Na pauta, apresentação e aprovação do balanço da atual gestão (mandato 2023-2025) e da Estratégia e Plano de Ação para o período 2025-2027. A plenária também elegerá a Coordenação Executiva, o Conselho Deliberativo e o Conselho Fiscal para o período.

O prazo para as entidades filiadas regularizarem possíveis pendências a tempo de participar da Plenária Nacional é 15 de agosto. A data também encerra o prazo para entidades ainda não filiadas se filiarem a tempo de participar do evento com direito a indicar delegados com voz e voto. A inscrição dos delegados eleitos nas plenárias regionais deverá ser feita até 31 de agosto, por meio de formulário próprio (link abaixo) e de acordo com as regras do Regulamento (link abaixo).

Os demais participantes (observadores indicados pelas plenárias regionais ou individuais), com direito a voz, também deverão fazer sua inscrição por meio do formulário disponível neste site (link abaixo). Para esse grupo, a participação estará sujeita a disponibilidade de espaço de acomodação na Plenária e, se for o caso, vaga para hospedagem e mediante o pagamento da taxa de inscrição. 

Contribuições para as teses-guia

Serão aceitas propostas de contribuições para as teses-guia do Balanço e da Estratégia e Plano de Ação, cujos textos-base serão elaborados pela Coordenação Executiva e disponibilizado no neste site, para conhecimento, a partir do dia 8 de agosto de 2025.

As contribuições deverão ser enviadas por meio do preenchimento de um formulário eletrônico próprio (link abaixo). Elas serão analisadas por uma comissão de sistematização que irá contemplar as sugestões em uma proposta final a ser submetida à Plenária no dia 10 de setembro.

Só serão aceitas contribuições ao texto base que respeitem as seguintes modalidades

  • Supressiva: que indique a necessidade de suprimir determinado trecho da tese guia
  • Aditiva: que indique texto adicional à tese guia
  • Substitutiva: que proponha alteração substitutiva do texto em uma ou mais partes de seu teor.

PROGRAMAÇÃO

Terça-feira 9/9/2025

  • 18h30 – Credenciamento
  • 18:40 – Abertura da Plenária (Coordenação Executiva)
  • 18:50 – Apresentação e aprovação do regimento interno
  • 19:15 – Ato Político em defesa do Direito à Comunicação
  • 21:30 – Encerramento

Quarta-Feira 10/9/2025

  • 14h30 – Apresentação, debate e aprovação do Balanço e emendas
  • 16h00 – Apresentação, debate e aprovação da Estratégia, Plano de Ações e emendas
  • 17h30 – Aprovação de moções
  • 18h00 – Eleição da Coordenação Executiva, Conselho Deliberativo e do Conselho Fiscal para o período 2025-2027
  • 18h30 – Posse da Direção e Encerramento

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LINKS PERTINENTES

CANAIS DE ATENDIMENTO PARA MAIS INFORMAÇÕES

  • Email: https://sistema.fndc.org.br/
  • WhasApp: 11 95106-4077 e 11 98388-9030

Comitês regionais do FNDC realizam plenárias estaduais até 30/8

Encontros elegerão delegados e observadores para a 26ª Plenária Nacional do FNDC

Os comitês regionais do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) deverão realizar as plenárias regionais até o dia 30 de agosto. As plenárias regionais indicarão os delegados e observadores que participarão da 26ª Plenária Nacional do FNDC.

A 26ª Plenária Nacional será realizada no dia 10 de setembro, na Escola Superior do Parlamento Cearense – Unipace (Fortaleza-CE), em seguida ao 5º Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação (ENDC).

Os delegados deverão ser eleitos na proporção de 1 para cada cinco entidades regionais associadas presentes na plenária regional. Será garantida a eleição de um delegado sempre que o número das entidades efetivamente presentes à plenária regional atingir uma fração igual ou superior a 2/3 das entidades necessárias para eleger um representante.

Os delegados eleitos participarão da 26ª Plenária Nacional com direito a voz e voto, desde que a documentação da inscrição enviada pelo comitê regional esteja em conformidade com o regulamento disponível neste site.

As plenárias regionais também deverão indicar observadores (representantes de entidades não filiadas, pessoas individuais e convidados) para participar da 26ª Plenária Nacional com direito a voz.

Calendário definido até a publicação desse texto

  • Rio Grande do Sul – 12/8
  • Bahia – 15/8
  • Pernambuco – 16/8
  • Mato Grosso – 16/8
  • Santa Catarina – 18/8
  • Ceará – 20/8
  • Minas Gerais – 20/8
  • Paraíba – 22/8
  • Distrito Federal – 23/8
  • Goiânia – 26/8
  • São Paulo – 30/8

5º ENDC: inscrições gratuitas estão abertas

As inscrições para o 5º Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação (5º ENDC) do FNDC estão abertas e são gratuitas. O evento será realizado em Fortaleza-CE, de 8 a 9 de setembro. Em seguida, no dia 10 de setembro, será realizada a 26ª Plenária Nacional do FNDC.

O 5º ENDC promoverá e fortalecer articulações entre movimentos, entidades e indivíduos envolvidos na luta pelo direito à comunicação. O evento também reafirmará a comunicação como direito humano, concebendo instrumentos para promovê-la e buscando sua efetivação por meio de políticas públicas próprias geridas com a participação efetiva da sociedade civil. Os participantes compartilharão saberes e poderão auxiliar a formação de grupos e indivíduos que lutam pelo direito à comunicação.

Interessados em participar devem fazer sua inscrição até 1º de setembro, na plataforma Doitydoity.com.br/5endc

Confira a programação

8 DE SETEMBRO DE 2025

8h às 8h30 – Abertura

  • Admirson Medeiros Ferro Júnior – Coordenador Geral do FNDC
  • Representante da Assembleia Legislativa do Ceará
  • Representante do Governo do Estado do Ceará
  • Representante do Banco do Nordeste do Brasil – BNB
  • Representante da Prefeitura Municipal de Fortaleza
  • Representante do Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI.br

8h40 – Painel 1 – A Luta pela Democratização da Comunicação: Qual projeto para o Brasil?

  • Representante do Governo Federal – Secretaria de Comunicação Social
  • Representante da Frente Comunicação Pública
  • Representante do Instituto Conhecimento Liberta – ICL
  • Representante da Acadêmica
  • Representante dos Povos Originários
  • Representante das Comunidades Quilombolas

10h20 às 10h40 – intervalo
10h45 – Comentários do auditório
11h45 – Réplica dos debatedores

13h – Almoço

15h às 18h – Fóruns Paralelos em Atividades Autogestionadas

  • Educação Midiátic
  • Participação Social
  • Comunicação Negra e Povos Originários
  • Liberdade de expressão
  • Desafios para a radiodifusão
  • Importância das tvs e rádios públicas e comunitárias

Noite – Show de abertura cortejo com artistas do Ceará

9 DE SETEMBRO DE 2025

8h às 8h30 – Abertura

  • Maria José Braga – Secretária Geral do FNDC

8h40 – Painel 2 – Enfrentando as grandes plataformas: regulação e soberania

  • Representante da ONU/ACNUHD
  • Representante da CDR
  • Representante do CGI
  • Representante do Ministério da Justiça
  • Representante da Comissão de Inteligência Artificial da Câmara dos Deputados
  • Representante Acadêmica
  • Ciberativistas

10h20 às 10h40 – intervalo
10h45 – Comentários do auditório
11h45 – Réplica dos debatedores

13h – Almoço

15h às 18h – Fóruns Paralelos em Atividades Autogestionadas

  • Fake News
  • Proteção de dados
  • Deepnudes
  • Violência nas redes
  • Uso da internet por crianças e adolescentes
  • Eleições 2026 e a influência das redes

Noite – Apresentação cultural: Artistas do Ceará

10 DE SETEMBRO DE 2025

8h às 8h30 – Abertura

  • Luiz Carlos Vieira – Secretária de Organização do FNDC

8h40 – Painel 3 – A Luta das Trabalhadoras e dos Trabalhadores em tempos de IA

  • Representante da Comissão de Inteligência Artificial da Câmara dos Deputados (a definir)
  • Representante da Federação Nacional dos Jornalistas – Fenaj (a definir)
  • Representante da União Nacional dos Artistas Digitais, Fórum IA com direitos – CE (a definir)
  • Diretor Cinematográfico (a definir)
  • Representante do Conselho Nacional de Direitos Humanos – CNDH (a definir)
  • Representante do Fórum das Centrais Sindicais (a definir)
  • Pesquisador (a definir)

10h20 às 10h40 – intervalo
10h45 – Comentários do auditório
11h45 – Réplica dos debatedores

13h – Almoço

15h às 18h – Auditório: 26ª Plenária do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação

  • Aprovação dos textos elaborados nas mesas temáticas
  • Eleição da nova Coordenação Geral do FNDC
  • Fóruns Paralelos em Atividades Autogestionadas
  • As IA´s e o mundo do trabalho
  • IA e Direitos Humanos
  • A IA na saúde Plataformização do trabalho
  • IA Generativa (aprendizado de máquina)
  • Vigilância eletrônica e reconhecimento facial

Noite – Show de encerramento – Apresentações a partir da proposição de participantes

Interesse dos EUA em barrar Lei de Proteção de Dados é ameaça à democracia do Brasil

Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Secretário de Economia Solidária da CUT e coordenador do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, Admirson Medeiros, o Greg, diz que Big Techs aceleram a desinformação por interesses econômicos

Rosely Rocha, Portal da CUT

Atacar a democracia e a soberania nacional tem como meta atender aos interesses econômicos por parte das grandes corporações e plataformas, as chamadas Big Techs, e por isso que o governo dos Estados Unidos colocou como parte dos argumentos para impor a taxação de 50% sobre as exportações brasileiras, o fato do Brasil ter criado a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Para o governo de Donald Trump, a LGPD impõe restrições excessivas à transferência de dados para fora do país, o que dificultaria o processamento de informações, especialmente as financeiras e de saúde dos brasileiros.

Um grande grupo de lobby financiado pelas Big Techs dos Estados Unidos (EUA) – que tem como membros Google, Meta, Microsoft, Amazon, Uber, Apple, Pinterest e E-Bay – está ligado à ameaça de Donald Trump de investigar práticas comerciais do Brasil. A CCIA, sigla em inglês para Associação da Indústria de Computadores e Comunicações (Computer & Communications Industry Association), elaborou um mapeamento de todas as ações que o Executivo e o Legislativo brasileiro tomaram e iriam contra os interesses das Big Techs. A entidade aplaudiu a taxação sobre o Brasil minutos após Trump anunciar as sanções. A informação é da Agência Pública.

“Tudo que está acontecendo, está dialogando com algo que é fundamental, que é a questão da democracia e da nossa soberania. Principalmente a questão da soberania digital, que estamos desde o ano passado brigando pela regulação das plataformas, do reconhecimento facial, as Deepfake [técnica de síntese inteligência artificial que usa vídeo de pessoas com falas falsas, dando a impressão de serem reais]. Não podemos simplesmente deixar que aumente ainda mais o discurso e ódio dessas redes por meio de algoritmos que a gente não sabe como funciona, por não ter transparência. Vivemos um momento muito delicado”, diz Admirson Medeiros Ferro Júnior (Greg), secretário de Economia Solidária da CUT Nacional e coordenador do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).

O interesse dos Estados Unidos, na avaliação de Greg, é uma briga mundial porque o Brasil está assumindo a coordenação dos BRICS – um bloco que cresce a cada dia e que ameaça o domínio norte-americano no mundo.

“Os avanços tecnológicos vão dominar as formas de produção e a plataformização do trabalho. Hoje o mundo digital está afetando todas as áreas do conhecimento, todas as áreas econômicas e políticas do mundo inteiro”, diz.

A gente vai ter problemas na nossa democracia, em nossas contas, em nosso dinheiro, em nosso emprego, em nosso salário
Admirson Medeiros (Greg)

A atuação do lobby das Big Techs se estende ao Congresso Nacional que até o momento não colocou em votação a Lei nº2338/23 sobre o uso da Inteligência Artificial, denuncia Greg.

“As Big Techs estão investindo pesado em lobbies, diariamente, lá dentro do Congresso e dentro do governo brasileiro para não ter regulação. Ninguém fala mais do assunto e a gente precisa que o projeto volte a andar, que as plataformas sejam regularizadas e responsáveis pelo que é publicado em suas redes”, defende.

Por enquanto estão sendo realizadas audiências públicas sobre o tema com a participação de sindicatos, federações e confederações dos trabalhadores, mas Greg entende que para avançar é preciso mais apoio dos movimentos sindicais.

O dirigente explica os três pilares da regulação das Big Techs

O combate à desinformação e aos crimes digitais passam pela questão da transparência do algoritmo, as falhas no processo de moderação que a plataforma tem, que lá entra todo mundo publicando fake news e Deepfakes que só crescem.

O segundo pilar é a questão é limitar essa exploração predatória dos atos pessoais, inclusive com regulação do reconhecimento facial.

O último pilar diz respeito à questão da governança ética e da inteligência artificial.

“A gente precisa fazer nossas próprias regras no ambiente digital, proteger os cidadãos desse abuso tecnológico e, assumir essa questão da liderança. O governo brasileiro tem que estar atento à soberania digital no Brasil e a hora é agora, não dá para esperar”, conclui.

Greg também faz parte da coordenação de uma comissão com respeito à Comissão de Direito à Comunicação que trata de direito, comunicação e liberdade de expressão e coordena uma relatoria que trata da questão da inteligência artificial e direitos humanos.

Soberania Já! Encontro em Brasília discutirá soberania digital em julho

Encontro nacional acontece em Brasília nos dias 8 e 9 de julho com parlamentares, movimentos sociais e ativistas da cultura digital

A capital federal recebe, nos dias 8 e 9 de julho, o Encontro Nacional “Soberania Já!”, que reunirá parlamentares, ativistas, pesquisadores, coletivos hackers, organizações sociais e representantes do poder público para debater os caminhos da soberania digital no Brasil. O evento será realizado em diferentes locais do Plano Piloto, com atividades públicas e reuniões de articulação, e contará com a presença de nomes como Orlando Silva, Ideli Salvati, Nina da Hora, Beatriz Tibiriçá, Uirá Porã, Sérgio Amadeu e Jader Gama.

A programação inclui aulas públicas, articulação de uma Frente Parlamentar, plenárias estratégicas e grupos de trabalho para elaboração de um Plano Nacional de Soberania Digital. O evento é promovido por uma coalizão de entidades da sociedade civil articuladas na Rede pela Soberania Digital, com apoio da Campanha Internet Legal e de diversos mandatos parlamentares.

📚 Aula Pública abre o Encontro na Câmara dos Deputados

A abertura oficial do evento será marcada pela Aula Pública “Como funciona a internet e como deveriam funcionar as redes sociais”, no dia 8 de julho, às 9h, no Auditório Freitas Nobre da Câmara dos Deputados. A atividade será aberta ao público e reunirá especialistas em tecnologia, direito digital, comunicação e ativismo para debater os fundamentos da internet, os impactos das plataformas comerciais e alternativas baseadas em redes sociais livres, federadas e colaborativas.

A aula será também um momento de escuta e formação política, conectando o debate tecnopolítico com a luta por direitos, democracia e soberania no ambiente digital.

🗓️ Programação oficial

Terça-feira, 8 de julho

  • 09h às 12h – Aula Pública: Como funciona a internet e como deveriam funcionar as redes sociais
    Auditório Freitas Nobre – Câmara dos Deputados (subsolo Anexo IV)
  • 12h às 13h – Anúncio da Frente Parlamentar Mista pela Soberania Digital
  • 15h às 16h – Caminhada e Ato Político na Praça dos Três Poderes
  • 17h às 19h – Encontros com representantes do Executivo e do STF (a confirmar)
  • 20h às 23h – Encontro e confraternização no Mercado Sul Vive (a confirmar)

Quarta-feira, 9 de julho

  • 09h às 11h – Plenária de avaliação e pactuação de agendas
  • 11h às 13h – Criação dos Grupos de Trabalho para o Plano Nacional de Soberania Digital
  • 14h30 às 16h30 – Primeiras reuniões dos Grupos Temáticos
  • 16h30 às 18h – Plenária Final com definições estratégicas e calendário
  • 18h às 23h – Celebração e articulações de encerramento

✅ Inscrições abertas

As inscrições estão abertas para todas as pessoas interessadas em participar do processo. A organização convida movimentos sociais, coletivos, universidades, gestoras públicas e pessoas comprometidas com um projeto digital popular, soberano e democrático para se somarem.

📌 Inscreva-se em: https://plantaformas.org/conferences/Soberania
📲 Mais informações e atualizações em breve em: www.soberania.digital

🤝 Articulações e presenças confirmadas

A mobilização em torno do Encontro Nacional Soberania Já! tem crescido a cada dia, consolidando uma ampla frente de articulação entre sociedade civil, movimentos sociais, parlamentares, ativistas, pesquisadores, coletivos culturais e comunidades tecnológicas. Até o momento, 53 pessoas de diferentes regiões do país já confirmaram presença no evento por meio da plataforma Plantaformas.org, refletindo o engajamento e a diversidade das redes envolvidas.

Entre as presenças já confirmadas estão nomes de referência na luta pela soberania digital, como o professor e ativista Sérgio Amadeu, a ex-ministra e ex-senadora Ideli Salvati, o deputado federal Orlando Silva, a coordenadora da Rede pela Soberania Digital Beatriz Tibiriçá, o articulador hacker Uirá Porã, e a cientista da computação e pesquisadora Nina da Hora.

A expectativa é de que o evento consolide o nascimento de uma agenda pública colaborativa para o desenvolvimento de um plano nacional de soberania digital, articulando ações em diversas frentes — da formulação legislativa à criação de tecnologias livres e à formação cidadã. 

🔗 Processo de construção

O Encontro Nacional Soberania Já! é fruto de uma construção coletiva que teve início em julho de 2023, quando, por articulação de Beatriz Tibiriçá, foi realizada uma reunião na sede do Coletivo Digital, em São Paulo, logo após o Encontro de Consulta Pública do CGI.br. Estavam presentes coletivos de hackers, cultura digital, software livre, inclusão digital, cultura viva e movimentos sociais – dando origem à proposta de criação da Frente pela Soberania Digital.

No primeiro semestre de 2025, a Frente também participou e apoiou ativamente a Campanha Internet Legal, uma articulação nacional em defesa da regulação democrática das plataformas digitais e da proteção de direitos digitais, mobilizando organizações como a Coalizão Direitos na Rede, FNDC, Diracom, MST, MTST e outras redes de ativismo digital e popular.

O processo se intensificou em maio de 2025 com a realização da CryptoRave, em São Paulo, onde o Mestre TC Silva e a Casa de Cultura Tainã foram homenageados como referências históricas em tecnologia popular e inclusão digital. Na mesma ocasião, foi realizada a primeira reunião presencial da Onda.Social, uma iniciativa voltada ao desenvolvimento de redes sociais federadas, livres e solidárias no Brasil.

Na sequência, entre os dias 21 e 23 de maio, aconteceu o 1º Encontro Nacional da Rede Sacix, no Centro Universitário Maria Antonia (USP), em São Paulo. A Sacix, articulada pelo Pontão de Cultura Digital e Mídias Livres do Coletivo Digital e pelo portal Outras Palavras, reuniu coletivos de mídia livre, desenvolvedores, pesquisadores e representantes de Pontos de Cultura de todo o país para três dias de debates, oficinas e trocas. Um dos momentos centrais do evento foi a mesa “Soberania, Regulação de Plataformas e Cultura Viva”, que reuniu o deputado Orlando Silva, o articulador hacker Uirá Porã, o historiador Célio Turino, a pesquisadora e ativista Helena Martins e o jornalista Antonio Martins (editor do Outras Palavras). O debate simbolizou a conexão entre cultura, política, comunicação e tecnologia, com forte presença da Frente pela Soberania Digital. O próprio Orlando celebrou em suas redes: “A construção começou no Encontro da Rede Sacix” — reconhecendo a força da mobilização hacker e cultural na formulação de uma agenda nacional.

Desse encontro surgiu a fagulha que levaria à convocação do evento nacional. Nos dias seguintes, uma série de reuniões bilaterais consolidou a proposta. O momento decisivo se deu em 29 de maio, quando o deputado Orlando Silva reuniu-se com Bruna, Uirá Porã, Beatriz Tibiriçá, Nina da Hora, Josiane Ribeiro e Jader Gama para alinhar uma estratégia comum. Nessa reunião, foi acordado que a sociedade civil apresentaria um plano de ação para a realização do evento presencial e a reativação política da Frente. A proposta de construção de um Plano Nacional de Soberania Digital de longo prazo foi defendida por Josi e acolhida por todas as lideranças presentes como eixo estruturante do processo.

O chamado nacional se confirmou no dia 23 de junho, com a realização do 1º Ato Online Nacional, reunindo mais de 60 participantes de todas as regiões do país. Foi nesse encontro virtual que se validou a proposta política e se definiu a programação oficial do evento Soberania Já!.

Seminário Audiovisual e Territórios Populares encerra com síntese coletiva e reafirma o cinema como espaço de resistência e criação

Após três semanas de intensas atividades, o Seminário Audiovisual e Territórios Populares da América Latina – Desafios e Perspectivas do Audiovisual encerrou suas ações reafirmando o poder transformador do cinema como linguagem de escuta, pertencimento e emancipação. Realizado entre 17 de maio e 7 de junho, no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, o evento foi promovido pelo Instituto Alvorada Brasil (IAB) em parceria com o coletivo Com.Unidades, reunindo cineastas, pesquisadores, educadores e 40 jovens bolsistas das periferias paulistanas em um processo formativo e colaborativo. O patrocínio foi do Ministério da Cultura com recursos de emenda parlamentar federal.

O seminário foi concebido como uma experiência de formação crítica e partilha coletiva, estruturada em três oficinas principais:  Narrativas do Audiovisual nos Territórios Populares da América Latina, Dificuldades e Caminhos para uma Educação Midiática, e Desafios do Presente e do Futuro na Produção Audiovisual.

O percurso combinou exibição de filmes, debates e metodologias colaborativas, que estimularam a escuta, o diálogo e a construção coletiva de conhecimento. Inspirado na pedagogia freireana, a iniciativa buscou valorizar o audiovisual como instrumento político, pedagógico e estético, capaz de unir arte, tecnologia e transformação social.

O último dia foi descrito como “síntese e recomeço”, unindo os palestrantes e os participantes em um grande encontro de devolutiva. A tarde começou com uma ciranda, gesto que recuperou o corpo e a coletividade como princípios metodológicos.

Durante o seminário, os jovens rejeitaram o discurso de que são impotentes por serem pobres e afirmaram sua capacidade criativa. “Não somos pobres, somos ricos de conhecimento”, declarou Jonas (nome fictício)*, de  22 anos, da Brasilândia. “A força criadora nasce justamente da escassez”, completou, sob aplausos de seus colegas.

O tema da inteligência artificial também gerou reflexões intensas. “Precisamos aprender a usá-la a nosso favor; a IA foi criada para nos dominar, mas quem tem que dominar ela somos nós”, disse Tainá*, 21 anos, estagiária de audiovisual numa produtora de São Paulo.

Entre os convidados, o produtor audiovisual Lincoln Pires, da Monomito Filmes, destacou o valor da criação coletiva nas periferias, onde a empresa atua. “Aprendemos fazendo, errando, improvisando, criando em rede. É assim que a gente vira o jogo”, afirmou. Já o filósofo Rogério da Costa, professor da PUC-SP, ressaltou o papel político das narrativas latino-americanas. “São expressões legítimas de culturas e povos historicamente colocados à margem pela indústria global”, avaliou.

O encerramento foi marcado por um tom de mobilização e pertencimento. “Tudo é política, né? Tudo é política, saúde é política e falar é política. Somos seres políticos. Bora?”, provocou Léo*, 23 anos, morador de Guaianases.

Ao final, o seminário consolidou uma visão de que o audiovisual pode ser uma ferramenta de vínculo, escuta e emancipação. Para tanto, ele precisa ser genuinamente de brasileiros e brasileiras de todos os territórios do país.

Mais do que uma formação técnica, o evento se tornou um rito coletivo de consciência e pertencimento, deixando como legado uma rede de jovens criadores e pensadores do cinema popular latino-americano prontos para ocupar as telas e reinventar as formas de ver e contar o mundo. Como disse Pablo, jovem trans de 27 anos, “o seminário veio para decolonizar e essa decolonização não se esgota nesse evento, é um processo que envolve as relações, parcerias e futuras produções coletivas”.

* Por se tratar de pessoas em situação de vulnerabilidade social, os nomes dos participantes foram alterados para preservar suas identidades.

Participação social volta à EBC após nove anos

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Diário Oficial da União desta sexta (6/6/25) traz a nomeação dos membros do Comitê Editorial e de Programação. Na semana passada, a empresa anunciou a instalação do Comitê de Participação Social, Diversidade e Inclusão para a próxima semana

Depois de nove longos anos sem qualquer representação da sociedade civil, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) finalmente começa a retomar esse dispositivo indispensável à comunicação pública. O governo federal nomeou, nesta sexta (6/6/25), os representantes do Comitê Editorial e de Programação (Comep) eleitos em 2024.

O Comep é formado por 16 membros, que terão mandato de dois anos e representam oito segmentos: emissoras públicas de rádio e televisão; audiovisual independente; veículos legislativos de comunicação; comunidade científica e tecnológica; entidades de defesa dos direitos de crianças e adolescentes; entidades da sociedade civil de defesa do direito à comunicação, cursos superiores de educação e empregados da EBC.

Pedro Rafael Vilela e Ivana Cláudia Leal de Souza, representantes das entidades da defesa do direito à comunicação, tiveram suas candidaturas apresentadas e apoiados pelo FNDC. “Parabenizamos nossos colegas e desejamos um ótimo mandato. O povo brasileiro merece uma comunicação pública plural, democrática e representativa, e nossa expectativa é de que o Comep contribua para isso significativamente”, afirma Rita Casaro, secretária de Comunicação do FNDC.

Outra boa notícia é o anúncio da instalação do Comitê de Participação Social, Diversidade e Inclusão (CPADI), marcada pela empresa para a próxima semana (11/6). O CPADI também tem representantes cuja candidatura foi apresentada pelo FNDC: Karem Resende e Isaías Dias, do segmento de pessoas com deficiência.

O coordenador-geral do FNDC, Admirson Ferro (Greg), também comemora o início do processo de retomada da participação social na EBC. “Desejamos que esses mandatos contribuam para o fortalecimento da comunicação pública. Resgatar o caráter público estabelecido na Constituição Brasileira para a estatal é o principal objetivo da mobilização iniciada ainda em 2023”.

Pedro Rafael Vilela
Ivana Cláudia Leal
Karem Resente
Isaías Dias

CNDH alerta para retrocessos propostos pelo PL 4557/24, que desmonta o CGI.br

O Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) divulgou nota pública alertando sobre os malefícios do PL 4557/24. O texto desfigura o modelo multissetorial e democrático de governança da internet ao propor, sem discussão com a sociedade, mudanças profundas no Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).

A nota pontua três pontos críticos da proposta: silenciamento de vozes da sociedade civil, da academia e de técnicos independentes; instrumentalização politica, censura e vigilância arbitrária; e, por último, retrocessos nos direitos digitais de populações vulneráveis, como, por exemplo, comunidades periféricas, povos indígenas e pessoas com deficiência.

O alerta tem como base os posicionamentos públicos da Coalizão Direitos na Rede, do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e do Centro de Estudos da Mídia Independente Barão de Itararé.

O órgão também contextualiza a iniciativa do deputado Silas Câmara (Republicanos/AM) no âmbito internacional, ao lembrar que “em muitas partes do mundo, projetos autoritários buscam restringir direitos sob o pretexto de “segurança nacional”, ignorando lições de países onde o controle estatal da internet facilitou perseguições a minorias e vozes críticas, como jornalistas”.

O PL 4557/24 aguarda análise das Comissões de Comunicação; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara. Na Comissão de Comunicação, foi designado relator o deputado David Soares (UNIÂO-SP).

O FNDC já se posicionou totalmente contra a proposta e mobilizará as forças políticas aliadas no Congresso Nacional para que se oponham ao desmonte da governança da internet no Brasil.

Seminário sobre Audiovisual e territórios populares abre com debates e mobiliza jovens das periferias paulistanas

O primeiro dia do Seminário Audiovisual e Territórios Populares da América Latina – Desafios e Perspectivas do Audiovisual foi marcado ontem por debates sobre cinema, educação e tecnologia e pela presença de jovens das periferias de São Paulo. O objetivo é oferecer uma ampla visão do esforço criativo de inúmeros roteiristas e cineastas latino-americanos, que buscam construir narrativas que possam ser a legítima expressão de culturas e povos que sempre ocuparam um lugar subalterno na grande indústria cinematográfica.

 O evento, realizado no auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, é promovido pelo Instituto Alvorada Brasil (IAB) em parceria com o coletivo Com.Unidades, com financiamento público via emenda parlamentar federal e patrocínio do Ministério da Cultura. Serão quatro encontros semanais, por três semanas, até 7 de junho.

A iniciativa concedeu 40 bolsas de incentivo a jovens de 18 a 30 anos, moradores de diferentes regiões periféricas da capital, que formaram um grupo diverso em origem, gênero, orientação sexual, cor e etnias. O público reflete a pluralidade cultural e social da cidade: estudantes, artistas, educadores e comunicadores em início de trajetória, que veem no audiovisual uma ferramenta de expressão e emancipação coletiva.

Já no primeiro dia o seminário provocou reflexões sobre a identidade brasileira. “Tínhamos um olhar estereotipado da nossa cultura e isso a gente não pode deixar acontecer”, afirmou a participante Jéssica (nome fictício)*, 21 anos.

O seminário foi aberto com a mediação do cineasta Max Alvim, que conduziu mesas temáticas reunindo profissionais do cinema, acadêmicos e participantes do coletivo Com.Unidades. Na primeira mesa, Narrativas do Audiovisual nos Territórios Populares da América Latina, o filósofo Rogério da Costa, o cineasta Lincoln Pires (Monomito Filmes) e a diretora Tatiana Lohmann discutiram o papel das periferias e dos povos latino-americanos na criação de novas linguagens e na desconstrução de estereótipos sobre a América Latina herdados do olhar colonial.

Na segunda mesa, Dificuldades e Caminhos para uma Educação Midiática,o professor Luiz Augusto de Paula Souza, o Tuto, da Faculdade de Ciências Humanas da PUC-SP, a jornalista Rosane Borges, também professora da PUC-SP, e a cineasta Lilian Solá Santiago abordaram o poder das imagens na formação crítica da juventude e o potencial do audiovisual como instrumento de escuta e transformação social. Santiago, pioneira entre mulheres negras no documentário brasileiro, emocionou o público ao defender o cinema como “ferramenta de cura coletiva”.

Encerrando o primeiro dia, a mesa Desafios do Presente e do Futuro na Produção Audiovisual trouxe: Admirson Medeiros, o Greg, secretário nacional de economia Solidária da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e ex-coordenador do FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação); Lucas Bambozzi, artista e pesquisador em mídias digitais; e Marcos Bastos, professor vinculado ao departamento de artes e ao programa de pós-graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital da PUC-SP. O trio discutiu os impactos da inteligência artificial e do ciberativismo no mundo do trabalho criativo.

Nos próximos dias, o seminário seguirá com oficinas formativas e dinâmicas colaborativas, que convidarão os jovens participantes a refletir coletivamente e formular percepções objetivas sobre os conteúdos de cada oficina, consolidando um processo de escuta, análise e síntese crítica das experiências vividas.

É mais um evento que consolida São Paulo como um polo de reflexão sobre o audiovisual do Sul Global – um cinema feito por e para quem historicamente esteve fora das telas –, mas agora com participantes que reivindicam o direito de narrar suas próprias histórias.

*Os nomes dos participantes foram alterados para garantir o caráter incógnito dos depoimentos por se tratar de pessoas em situação de vulnerabilidade social