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FNDC será ativo na relação com Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Após quase oito meses sem funcionar, o CCS teve instalada sua sétima diretoria nesta segunda (9/2)

Nos próximos dias, a Coordenação Executiva do FNDC solicitará audiência com membros do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional (CCS) para apresentar sua pauta. Instalado nesta segunda-feira (9/2), depois de quase oito meses sem funcionar, o CCS tem entre suas atribuições a produção de estudos, pareceres, recomendações e outras solicitações que lhe forem encaminhadas pelo Congresso Nacional a respeito do tema da comunicação social no Brasil.

A relações públicas e presidenta executiva do Conselho Diretor do Instituto Palavra Aberta, Patrícia Blanco, foi eleita presidenta do CCS para o biênio 2026-2028. A vice-presidência é da advogada Ângela Cignachi, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito Eleitoral (Ibrade).

Composto por 13 membros titulares e 13 suplentes, o CCS representa diversos segmentos da sociedade, como empresas de rádio, televisão, imprensa escrita, engenheiros e cientistas da comunicação, profissionais de cinema e representantes dos trabalhadores e da sociedade civil. O mandato de conselheiro é de dois anos, sendo permitida uma recondução.

Katia Marko, coordenadora-geral do FNDC, destaca a importância do CCS como mais uma instância à qual a sociedade civil organizada pode recorrer para garantir avanços no direito à comunicação. “É uma instância qualificada e democrática que tem, inclusive, a atribuição de dar pareceres sobre temas relacionados à comunicação social aos deputados e senadores. Por isso, é fundamental que as organizações do movimento pela democratização da comunicação acompanhem suas atividades e levem suas pautas”, afirma.

Katia lembra que a própria existência do CCS é uma conquista da sociedade civil organizada em torno da democratização da comunicação durante a Assembleia Constituinte. De fato, o CCS é a primeira experiência em que a sociedade civil tem a possibilidade de participar formalmente, no âmbito do poder legislativo, das discussões sobre as políticas para o setor da comunicação no país.

Veja a composição do CSS para o mandato 2026-2028

CCS

Titulares

Suplentes

Empresas de rádio

Flávio Lara Resende

Guliver Augusto Leão

Empresas de TV

Samir Nobre Maia

Fernando Justus Fischer

Imprensa escrita

Rafael Menin Soriano

Júlio César Vinha

Comunicação Social

Valderez Donzelli

Olímpio José Franco

Jornalistas

Samira de Castro

Paulo Zocchi

Radialistas

Fernando Cabral

Ricardo Ortiz

Artistas

Ana Flávia Cabral

Débora Duboc

Cinema e vídeo

Caio Loures

Sonia Santana

Sociedade civil

Rita Freire

Ramênia Vieira

Sociedade civil

Patrícia Blanco (presidente)

Zilda Martins Barbosa

Sociedade civil

Carlos Magno

Carla Egydio

Sociedade civil

Angela Cignachi (vice-presidente)

Daniel Queiroz

Sociedade civil

Marcus Augustus Martins

Camila Leite Contri

Com informações da Agência Senado

ONG brasileira LGBTQIA+ cria IA anti-ódio e processa redes sociais em R$ 100 milhões

Bandeira da comunidade trans. Foto: Freepik

Dia da Visibilidade Trans – Código Não Binário transformou a onda de ódio do caso Boyceta de seu podcast em soluções inéditas: uma IA contra ódio anti-LGBTQIA+ e uma coalizão que busca danos morais coletivos na justiça contra Meta, Google, X e Tiktok por omissão e falha sistêmica.

São Paulo, 29 de janeiro de 2026 – Em data simbólica para a comunidade trans no Brasil – país que mais mata pessoas trans no mundo – a ONG Código Não Binário lança a TybyrIA, primeira inteligência artificial totalmente aberta para detectar discurso de ódio anti-LGBTQIA+ em português, e anuncia que protocolou Ação Civil Pública (ACP) contra as gigantes Meta (Instagram, Facebook, WhatsApp etc), Google (YouTube), X e ByteDance (TikTok). A ACP, que tem participação de IBRAT, Fonatrans e AzMina, marca uma importante virada: grupos minorizados não apenas denunciam violência digital, mas criam tecnologia de ponta e lideram processos de responsabilização das Big Techs, levando o já famoso lema da comunidade, “nada sobre nós sem nós”, para as áreas da Inteligência Artificial e Litigância Estratégica.

Do podcast à resposta tecnológica e jurídica

A ação é resultado de uma resposta inédita no Brasil e no mundo. Em maio de 2024, nos primeiros 90 dias, o podcast Entre Amigues da Código Não Binário viralizou com 3,4 milhões de visualizações – 2,1 milhões só no TikTok, onde nesse mês da reportagem o corte sobre boycetas conta com 1,6 milhão de visualizações. O conteúdo foi assunto mais falado do Brasil no X/Twitter por dois dias, contendo em grande parte discurso de ódio anti-LGBTQIA+. Primeiro o algoritmo do TikTok impulsionou para milhões e em seguida perfis de extrema-direita como um deputado com 26 milhões de seguidores amplificaram o ataque.

Buscando apoio com fundos filantrópicos nacionais e internacionais, o grupo conseguiu preservar sua saúde mental durante os ataques e respondeu com habilidade técnica: desenvolveu metodologia própria de extração de dados (plataformas não oferecem ferramentas adequadas), classificou manualmente 2 mil comentários e treinou neles um modelo de IA especializado que escalou a análise para mais de 12 mil comentários. Com isso, produziu o relatório técnico “Anatomia de uma Onda de Ódio” contendo análise robusta e trazendo conclusões importantes que agora fundamentam a Ação Civil Pública, com evidências de omissão e falha sistêmica.

TybyrIA: inteligência artificial contra o ódio anti-LGBTQUIA+

O nome da IA, “TybyrIA”, homenageia Tybyra do Maranhão, primeira pessoa vítima oficial de LGBTfobia durante a colonização do nosso território. É rico em simbolismo já que a tecnologia é exemplo prático de combate ao colonialismo digital, que muitos cientistas do Brasil já vem denunciando há anos, principalmente pelas práticas extrativistas de dados e riquezas de países do Sul Global para grandes conglomerados de tecnologia do Norte Global, principalmente dos EUA.

TybyrIA se destaca por ser totalmente aberta – código, modelo, dataset e metodologia públicos –, gratuita e por provar que modelos de IA pequenos e especializados (SLM), que não têm o mesmo impacto ambiental do que grandes modelos (LLM) – por não precisarem de datacenters, pois rodam até mesmo em hardware comum como notebooks – podem substituir os famosos serviços de IA (como o ChatGPT) em tarefas específicas.

A nova ferramenta pode ser vista no site da organização (www.codigonaobinario.org/tybyria) ou em seus canais no Hugging Face e GitHub (plataformas voltadas a pessoas desenvolvedoras de IA e Software). Desde a publicação dos primeiros testes no fim de 2025 até hoje, o modelo já alcançou no Hugging Face 244 downloads e o dataset 438 downloads, demonstrando adoção crescente pela comunidade técnica global.

No fim de 2025 a Código Não Binário já apresentou TybyrIA em eventos especializados em tecnologia e direitos digitais e humanos como na Advocacia-Geral da União, no Mozilla Festival em Barcelona e na Conferência de Cooperativismo de IA em Istambul – nessa última a tecnologia foi premiada com o Du Bois Prize (Menção Especial).

Especialistas e organizações já estão estudando a tecnologia na Turquia, Holanda e Reino Unido, com destaque para uma aula já realizada sobre o caso da Código Não Binário na Universidade de Westminster em Londres. A organização foi também vencedora de seleção do Fundo Elas+, o que possibilitou levar a IA do estado de protótipo para produto final. A organização agora busca novos financiamentos para melhorar ainda mais a ferramenta e replicá-la internacionalmente em outras línguas.

Ação civil pública: coalizão por responsabilização e indenização

A ACP questiona o modelo e a arquitetura de lucro das plataformas e comprova, com evidências técnicas e dezenas de estudos nacionais e internacionais, que a moderação de conteúdo é seletiva e baseada em interesses comerciais. As plataformas removem violações de direitos autorais de forma prioritária e sistemática, mas falham sistematicamente em remover discurso de ódio – mesmo quando denunciado repetidamente. Pesquisas demonstram que 97% das ações de moderação da Meta eram proativas até 2024; com as mudanças anunciadas pela plataforma, esse percentual cai drasticamente, afetando potencialmente 277 milhões de conteúdos de ódio. A análise técnica demonstra que algoritmos são projetados para amplificar conteúdo que gera engajamento (70% do tempo no YouTube é determinado por recomendação algorítmica), incluindo ódio, e que as plataformas se beneficiam economicamente desse ecossistema (políticos pagaram para impulsionar 124 publicações anti-trans só em um ano), além de terem removido coordenadamente proteções específicas contra LGBTfobia de suas políticas – permitindo patologização e discriminação. Não há estrutura efetiva de combate, mas uma falha sistêmica que gera incentivos e danos contínuos.

A ação solicita Plano de Devida Diligência em Direitos Humanos específico para população LGBTQIA+, incluindo revisão de algoritmos que amplificam ódio, canais de denúncia dedicados, transparência via relatórios semestrais públicos, auditoria independente e parcerias com sociedade civil. Pede também indenização de R$ 100 milhões por danos morais coletivos, com destinação vinculada à causa LGBTQIA+, além de inversão do ônus probatório e julgamento com perspectiva de gênero.

A organização preparou por mais de um ano a ACP e escolhe lançar em momento estratégico: o STF reinterpretou o Marco Civil (2024) exigindo diligência ativa e responsabilização das plataformas, e o ECA Digital (2025) provou ser viável regular Big Techs estrangeiras no Brasil – criando cenário legal favorável para responsabilização estrutural.

Conheça a TybyrIA

Você pode experimentar a Tybyria neste link: https://huggingface.co/spaces/Veronyka/radar-social-lgbtqia-v2.1

FNDC apoia FENAJ pela revogação da lei que regulamenta a profissão de “multimídia”

O apoio do FNDC resulta do entendimento de que a lei representa uma ameaça às garantias legais e às condições de trabalho dos jornalistas, além de sua identidade profissional

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) apoia integralmente a decisão da plenária da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) de iniciar uma campanha pela revogação da Lei nº 15.325/2026, que regulamenta a chamada profissão de “multimídia”.

O apoio do FNDC resulta do entendimento de que a lei representa uma ameaça às garantias legais e às condições de trabalho dos jornalistas, além de sua identidade profissional. “Temos total concordância com a análise da Fenaj e também consideramos o texto da lei muito ruim em outros aspectos. É um retrocesso para os jornalistas e para os radialistas, entre outros profissionais da comunicação”, resume Kátia Marko, coordenadora-geral do FNDC.

Kátia destaca que a nova lei também impacta diretamente o direito à comunicação. “A sociedade civil está cada vez mais atenta à necessidade de garantir regulações democráticas capazes de minimizar os impactos negativos da ausência de moderação nas plataformas digitais, onde proliferam notícias falsas, desinformação e discursos de ódio, e essa lei piora o cenário”, comenta.

A Lei 15.325/26 é de autoria da deputada Simone Marquetto (MDB-SP). Outras categorias de profissionais da comunicação também estão denunciando a lei sancionada pelo presidente Lula no dia 6 de janeiro, como a dos radialistas e outras regulamentadas. Samira Castro, presidenta da FENAJ, destaca que a lei foi sancionada pelo presidente Lula sem nenhum diálogo com as categorias impactadas.

“Estamos diante de um ataque estrutural à profissão de jornalista. A lei do multimídia abre caminho para a precarização do trabalho, o esvaziamento da regulamentação profissional e a perda de direitos históricos da categoria [dos jornalistas]. A resposta precisa ser unitária, nacional e firme”, declarou Samira.

Plenária dos jornalistas

A decisão de se mobilizar pela revogação da nova lei foi tomada pelos jornalistas nesta terça (20/1). Reunida em plenária nacional, a categoria deliberou a criação de um grupo de trabalho jurídico composto pela assessoria da FENAJ e dos sindicatos para análise dos impactos e adoção das medidas judiciais necessárias; a realização de uma campanha nacional unificada visando a revogação total ou parcial da Lei 15.325/2026, alertando para os prejuízos para a categoria e para o exercício do jornalismo; e articulação política junto ao Governo Federal e ao Congresso, em conjunto com as representações sindicais de outras categorias afetadas pela nova norma. (Com informações da FENAJ)

FNDC seleciona consultor para incidência política no Congresso Nacional

Edificio do Congresso Nacional em Brasília. Distrito Federal.

Edital seleciona pessoa jurídica para acompanhar projetos sobre plataformas digitais, IA e radiodifusão; vaga prevê atuação em Brasília e remuneração de R$ 4 mil mensais. Inscrições devem ser feitas até 24/1/2026.

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) abriu seleção de consultoria para acompanhamento técnico e político de pautas relacionadas ao direito à comunicação no Congresso Nacional. O edital prevê a contratação de profissional com conhecimento técnico e experiência comprovada em incidência política em Brasília por um período de seis meses, com início previsto para fevereiro de 2026, e possibilidade de prorrogação.

A vaga exige dedicação de 20 horas semanais e oferece remuneração mensal fixa de R$ 4 mil. As atribuições são abrangentes e refletem a ampla agenda do FNDC, desde o acompanhamento de propostas sobre regulação de grandes plataformas de internet e uso de inteligência artificial até temas mais tradicionais, como o marco das telecomunicações, o futuro da radiodifusão e a defesa da comunicação pública e comunitária. A produção de subsídios para mobilizar a sociedade em torno de causas como a das rádios comunitárias também está entre as tarefas.

O profissional deverá mapear e monitorar projetos de lei, produzir análises técnicas, redigir documentos de posicionamento do Fórum e apoiar ações de incidência política junto a parlamentares.

Prioridade para Brasília e políticas afirmativas

Embora o trabalho possa ter componentes remotos, o edital deixa claro que a atuação demandará presença física na capital federal. Candidaturas de pessoas residentes em Brasília serão priorizadas, devido à necessidade de interlocução direta com o Congresso.

O processo seletivo também adota políticas afirmativas: candidaturas de mulheres, pessoas negras, indígenas, LGBTQIA+, pessoas com deficiência e/ou vivendo com HIV/AIDS, mediante autodeclaração no ato da inscrição, terão pontuação positiva.

Prazo e seleção

Os interessados têm até o dia 24 de janeiro de 2026 para enviar currículo e carta de motivação para o e-mail [email protected]. Após análise documental, até cinco candidatos serão classificados para entrevista online.

A contratação será feita no modelo de pessoa jurídica (com emissão de nota fiscal), com duração inicial de fevereiro a julho de 2026 e possibilidade de renovação. O consultor atuará sob supervisão da coordenação do FNDC, em um ambiente que exige sigilo sobre informações estratégicas.

>> CONFIRA O EDITAL

FNDC alerta para riscos de desidratação do PL da Inteligência Artificial

O encontro debateu a regulamentação da IA e seus impactos no mundo do trabalho, na comunicação e na democracia/Foto: Joni Oliveira

Especialistas apontam pressão de big techs, impactos no trabalho, na democracia e desafios à soberania digital

Fabiana Reinholz
Brasil de Fato

O adiamento da tramitação do Projeto de Lei (PL) 2338/2023, que trata da regulação da inteligência artificial (IA) no Brasil, reacendeu o alerta entre pesquisadores, juristas e organizações da sociedade civil sobre o risco de desidratação do texto e o avanço do lobby das grandes empresas de tecnologia no Congresso Nacional.

A avaliação foi compartilhada durante reunião para debater a regulamentação da IA e seus impactos no mundo do trabalho, na comunicação e na democracia, promovida pelo Comitê Gaúcho do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), de forma híbrida, na última quarta-feira (17/12), no Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários). O encontro contou com apoio do Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul – Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Cpers) e do Coletivo Pão com Ovo.

Para o advogado e professor universitário André Fernandes, doutorando em Direito com foco em inteligência artificial e fundador do Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife (IP.rec), o momento atual pode ser definido como uma “ressaca política”. Segundo ele, a confirmação de que o relatório do PL não será apresentado ainda em 2025 empurra o debate para 2026, ano eleitoral em que, historicamente, o Congresso apresenta menor disposição para avançar em regulações estruturantes.

Fernandes relembrou que o debate sobre a regulação da IA no Brasil teve início em 2019, com a apresentação do PL 21/2020, que tramitou na Câmara dos Deputados de forma acelerada e sem participação social efetiva. “Isso comprometeu a qualidade do texto”, avaliou. No Senado, o cenário foi distinto, com a realização de audiências públicas e a incorporação de contribuições multissetoriais, o que resultou na formulação de um novo projeto, o PL 2338/2023, posteriormente devolvido à Câmara, reiniciando o processo.

Segundo o pesquisador, a etapa de participação popular já foi encerrada e, neste momento, o debate se concentra na elaboração do relatório pelo relator. Embora o acesso restrito ao texto possa dificultar uma ofensiva mais agressiva do setor privado, Fernandes ponderou que esse tipo de blindagem nem sempre se confirma. Ainda assim, avalia que o cenário pode permitir uma disputa mais equilibrada pela manutenção de dispositivos que garantam direitos.

Entre os principais pontos de preocupação, ele destacou a tentativa do governo federal de incorporar ao projeto uma política de atração de data centers, associada a incentivos fiscais, sem contrapartidas claras em termos de direitos trabalhistas, equilíbrio regional ou proteção ambiental. Também alertou para o risco de supressão do capítulo sobre direitos autorais e da retirada de garantias trabalhistas incluídas no texto do Senado, além da pressão constante de big techs e entidades empresariais, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), para esvaziar o caráter regulatório da proposta.

Outro eixo central da disputa, segundo Fernandes, é a exigência de rotulagem e identificação de conteúdos produzidos por inteligência artificial. Ele avaliou que a medida é fundamental para o enfrentamento da desinformação e dos deepfakes, especialmente em um país vulnerável à circulação de notícias falsas. Embora a aplicação integral da lei durante o período eleitoral seja limitada, afirmou que a aprovação do projeto ainda teria impacto sobre decisões judiciais e interpretações da legislação eleitoral.

Debate foi realizado de forma híbrida/Foto: Joni Oliveira

Concentração de poder e soberania digital

Na avaliação de Alexandre Gonzales, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e integrante do coletivo DiraCom (Direito à Comunicação e Democracia) e da Coalizão Direitos na Rede, o debate sobre inteligência artificial está inserido em uma agenda mais ampla e adversa, marcada pela concentração de poder das grandes plataformas digitais e por um modelo de desenvolvimento tecnológico orientado pelos interesses do capitalismo de plataforma.

Gonzales criticou a naturalização de modelos privados de IA, desenvolvidos majoritariamente por empresas dos Estados Unidos e da China, como se fossem um destino inevitável para o Brasil. Para ele, é fundamental ampliar a leitura crítica da sociedade sobre essas tecnologias, compreendendo as relações sociais que sustentam sua produção, incluindo o trabalho humano invisibilizado e precarizado que alimenta esses sistemas.

O pesquisador também ressaltou os impactos socioambientais da infraestrutura necessária ao funcionamento da IA, como os data centers, e defendeu que soberania digital significa a capacidade do país de decidir como produzir, tratar e utilizar seus próprios dados em favor do bem-estar social, da justiça e da igualdade.

Ao relembrar a experiência recente da regulação de plataformas digitais, Gonzales argumentou que os avanços só foram possíveis graças à combinação entre mobilização social, articulação política e disposição do governo para enfrentar pressões internas e externas, inclusive do governo dos Estados Unidos. Para ele, esse aprendizado deve orientar a atuação da sociedade civil na disputa em torno do PL da IA e de outras agendas, como a regulação da concorrência no mercado digital.

Direitos humanos, informação e trabalho

O advogado Guilherme Duarte, mestre em Direitos Humanos pela Universidade de Brasília (UnB) e assessor de incidência da Repórteres Sem Fronteiras para a América Latina, destacou que a resistência à regulação da inteligência artificial é intensa tanto no plano internacional quanto no doméstico. Segundo ele, o adiamento do debate para um ano eleitoral exige ainda mais organização e pressão social para evitar retrocessos.

Duarte ressaltou o papel do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), que instituiu uma relatoria específica sobre inteligência artificial para analisar seus impactos sob a perspectiva da proteção de direitos fundamentais. No âmbito dessa atuação, relatou a realização de debates, atividades no G20 Social e ações de incidência política.

Entre os pontos centrais, ele destacou a proteção aos direitos autorais e a integridade da informação. No caso da IA generativa, defendeu o reconhecimento e a remuneração adequada do uso de conteúdos produzidos por jornalistas, artistas e outros criadores, tanto no treinamento dos sistemas quanto na exploração comercial. Segundo Duarte, apesar de propostas mais robustas apresentadas recentemente pelo governo, ainda não há garantias de que elas serão incorporadas ao relatório final.

Sobre a integridade da informação, alertou para o papel dos sistemas de recomendação na amplificação de conteúdos desinformativos e nocivos à democracia. Para ele, a regulação deve estabelecer obrigações claras de governança e transparência, fortalecendo a pluralidade informativa e a liberdade de expressão.

Data centers, vigilância e software livre

O ex-coordenador-geral do FNDC e representante do Fórum no Conselho Nacional de Direitos Humanos, Admirson Medeiros Ferro Júnior (Greg), destacou que o debate sobre data centers tem sido acompanhado de perto pelo CNDH, a partir de provocações do deputado estadual Matheus Gomes (Psol-RS). Segundo ele, o parlamentar realizou diagnósticos e articulações junto a ministérios e levou o tema ao Conselho, especialmente em relação a projetos envolvendo data centers previstos para municípios como Eldorado do Sul e Charqueadas, no Rio Grande do Sul.

A partir dessa mobilização, o CNDH passou a promover atividades, emitir recomendações e dialogar com o poder público, o Legislativo e instâncias internacionais, como o G20, os Brics e a COP30. “É uma construção permanente, que envolve incidência política, produção de materiais e articulação com parlamentares”, afirmou.

Greg, que também coordena a relatoria sobre a IA no CNDH, alertou para os riscos associados ao uso de tecnologias de vigilância, como o reconhecimento facial, e citou a recente resolução do CNDH sobre o tema. Ele mencionou casos de manipulação de imagens e vozes por meio de IA, utilizados para desinformação e violação de direitos. “As plataformas seguem sem regulação e sem responsabilização. É uma batalha desigual”, avaliou, defendendo maior mobilização social diante de um Congresso que classificou como um dos mais conservadores da história recente.

Na avaliação do dirigente, enfrentar esse cenário exige pressão popular, articulação territorial e retomada de políticas estratégicas, como o incentivo ao software livre. “O Brasil precisa voltar a ter uma política pública de software livre. Isso dialoga com data centers, soberania digital, infraestrutura e direitos”, afirmou.

“O Brasil precisa voltar a ter uma política pública de software livre. Isso dialoga com data centers, soberania digital, infraestrutura e direitos”, ressaltou Greg/Foto: Joni Oliveira

Mobilização social e disputa geopolítica

A coordenadora-geral do FNDC, Katia Marko, destacou a necessidade de reorganizar os comitês estaduais do Fórum, especialmente no Rio Grande do Sul, e fortalecer a atuação de base. Segundo ela, apesar da forte participação do FNDC em articulações nacionais, como a Coalizão Direitos na Rede e a campanha Internet Legal, ainda há dificuldades em capilarizar o debate nos estados.

Como estratégia para 2026, Marko anunciou a realização de uma série de caravanas nacionais pela democratização da comunicação, com atividades previstas em dez estados. A programação inclui debates, oficinas e ações culturais, com início em março, em Porto Alegre, passando por Belém, São Paulo, Recife, Brasília, Rio de Janeiro, Salvador, Curitiba, Fortaleza e Belo Horizonte. “A ação concreta ajuda a organizar, mobilizar e trazer mais gente do que apenas o debate abstrato”, afirmou.

O pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP Atahualpa Blanchet trouxe uma perspectiva internacional sobre a regulação da inteligência artificial, citando experiências na América Latina e o acompanhamento da implementação da recomendação da Unesco sobre ética em IA.

Segundo ele, há um “dilema regulatório”: a ausência de normas pode levar a danos irreversíveis, enquanto regulações mal formuladas podem não dar conta da complexidade do fenômeno. Blanchet alertou para impactos no mundo do trabalho, como a intensificação da automação, a subordinação algorítmica e o enfraquecimento de direitos trabalhistas, defendendo a negociação coletiva como ferramenta central de proteção.

Já o técnico em computação na Companhia de Processamento de Dados do Estado do RS Sady Jacques, militante do movimento de software livre e dos Pontos de Cultura, alertou para a dependência do Brasil em relação às grandes empresas de tecnologia. Ele criticou a transferência massiva de dados públicos para plataformas de big techs estrangeiras, que operam sob legislações de outros países. “Nossos dados estão submetidos a interesses que não são os da sociedade brasileira”, denunciou.

Para ele, a defesa da soberania digital passa pela Constituição, pela valorização da informática pública e pela mobilização social. Jacques defendeu a retomada do Fórum Internacional de Software Livre em um novo formato, com maior alcance popular e presença nas redes. “Sem povo na rua e nas redes, não haverá avanço. Hoje, a realidade é mediada por algoritmos, e é isso que precisamos enfrentar”, concluiu.

Geopolítica da IA expõe limites do Brasil e disputa entre EUA e China

Ao final do debate, André Fernandes afirmou que o avanço da inteligência artificial tem tornado insuficientes leituras maniqueístas da geopolítica global, baseadas na oposição entre “bons e maus”. Para ele, a disputa entre Estados Unidos e China envolve múltiplos interesses e práticas problemáticas, o que coloca o Brasil em uma posição especialmente delicada.

Segundo o pesquisador, a economia global da tecnologia foi estruturada para inviabilizar a inserção competitiva de países como o Brasil. Ele lembrou que os Estados Unidos só alcançaram seu atual patamar tecnológico a partir de um projeto de Estado de longo prazo, iniciado ainda no período entre as duas guerras mundiais. “O Vale do Silício não surge nos anos 1980, mas nos anos 1930”, destacou, observando que esse processo também envolveu práticas violentas de expropriação.

Para Fernandes, há limites objetivos de tempo e de recursos que impedem o Brasil de disputar esse mesmo modelo de desenvolvimento. Ao mesmo tempo, alertou que a China não deve ser vista como uma alternativa benéfica de subordinação. “Não necessariamente a China é um bom player para que nós estejamos subservientes a ela”, afirmou, defendendo a construção de uma estratégia própria voltada à proteção da população brasileira.

No campo ambiental, avaliou que o Brasil poderia ocupar um papel estratégico de liderança global, mas apontou uma contradição entre o discurso diplomático e as políticas internas. Ele relatou que, na COP30, em Belém, o país foi visto como um “campeão ambiental” no plano internacional, mas acusado de hipocrisia diante da fragilidade das políticas internas. “Esse campeão ambiental desaparece quando se olha para a política de Estado”, disse.

Com base nas pesquisas do IPVEC, Fernandes defendeu que a inovação brasileira pode seguir um caminho independente ao articular tecnologia, natureza e inteligência social, sem reproduzir modelos estadunidenses ou chineses. Ainda assim, alertou para a ambivalência da política externa brasileira, que mantém fortes relações comerciais com a China enquanto adota diretrizes tecnológicas alinhadas ao Vale do Silício. “Você não pode prestar servidão a dois reis ao mesmo tempo”, sintetizou.

Ele também criticou a falta de coerência e de planejamento de longo prazo nas políticas públicas, citando como exemplo o “mapa do caminho” anunciado pelo governo Lula, que, segundo ele, acaba esvaziado por disputas internas e pela conjuntura eleitoral permanente. Para Fernandes, o país precisa ocupar todos os espaços possíveis para conter danos no atual cenário geopolítico.

Software livre, participação social e modelos alternativos

Alexandre Gonzales destacou a importância da reativação dos comitês regionais do FNDC e da caravana nacional promovida pelo Fórum, apontando o fortalecimento da mobilização social em diferentes regiões do país.

Ele também celebrou a retomada do Fórum Internacional de Software Livre, lembrando o protagonismo brasileiro nos anos 2000, quando o movimento contribuiu para barrar agendas de securitização da internet e para a construção do Marco Civil da Internet, em um contexto marcado pelas denúncias de vigilância reveladas por Edward Snowden. Segundo Gonzales, o golpe de 2016 interrompeu esse papel, hoje deslocado para os debates sobre inteligência artificial e economia de dados.

Ao criticar a polarização entre os modelos estadunidense e chinês, observou que ambos se baseiam em grandes estruturas empresariais e enormes centros de dados, verdadeiros “latifúndios de computadores”. Diante disso, propôs a reflexão sobre alternativas descentralizadas, como centros comunitários de dados voltados a políticas públicas e demandas sociais.

Gonzales também questionou o modelo de publicidade digital baseado na vigilância, apontando seus impactos sobre a saúde mental de toda a população. Para ele, apesar do cenário político desfavorável, é fundamental manter o debate e investir na mobilização social. Ao final, reforçou que iniciativas como a caravana do FNDC são passos importantes para ampliar o diálogo e construir respostas coletivas aos desafios da inteligência artificial, da governança da internet e da democracia no Brasil.

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Editado por Kátia Marko

13ª ConDH aprova proposta do FNDC para o direito à comunicação

Grupo de Trabalho Memória, Verdade e Democracia

Proposta abrange regulação democrática das big techs e dos meios tradicionais, fortalecimento da mídia alternativa e da participação social no campo das comunicações, além da realização da 2ª Conferência Nacional de Comunicação

A proposta do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) apresentada à 13ª Conferência Nacional pelos Direitos Humanos (ConDH) para setor da comunicação foi aprovada e estará entre as cinco prioritárias do Grupo de Trabalho Memória, Verdade e Democracia.

A propositura contém três eixos: construir um marco regulatório democrático que abranja os meios tradicionais, internet, big techs e plataformas digitais; promover regulação democrática capaz de assegurar soberania digital, direitos trabalhistas e fortalecimento da mídia alternativa e da participação social e o controle democrático no campo das comunicações.

O texto é resultado da Conferência Livre Direito Humano à Comunicação, Pluralidade e Soberania digital, realizada no mês de outubro pelo FNDC. A jornalista Kátia Marko, coordenadora-geral do FNDC, avalia a aprovação da proposta como uma vitória da mobilização dos movimentos aglutinados no FNDC e que têm a comunicação como eixo de suas lutas.

“Enquanto não realizamos a segunda conferência nacional de comunicação, precisamos ocupar todos os espaços possíveis de inserir as propostas da sociedade organizada para o setor da comunicação”, diz Kátia, que representou o FNDC junto com a secretária de Finanças do FNDC, Larissa Gould. Ex-coordenador-geral e representante do FNDC no Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), Admirson Greg também defendeu a proposta da entidade.

Kátia destaca que a proposta unificada apresentada na 13ª ConDH determina o reconhecimento da comunicação como direito transversal e dimensão essencial do Sistema Nacional de Direitos Humanos.

A proposta ponto a ponto

  1. Regulação das plataformas digitais e big techs para combater crimes digitais, violência online e a disseminação de notícias falsas, assegurando:
  • Mecanismos de denúncia de conteúdos ilícitos, abusos e práticas predatórias, incluindo apostas online.
  • Responsabilização das empresas por algoritmos e modelos de negócio que violam direitos, induzem vício, reforçam desigualdades ou afetam grupos vulnerabilizados.
  • Transparência nos processos de moderação de conteúdo, nos critérios de impulsionamento e na publicidade.
  • diretrizes claras para a publicidade de apostas e responsabilização de influenciadores que promovam atividades de risco.
  1. Regulação democrática da comunicação, garantindo:
  • Soberania digital e acesso universal à internet e aos meios tradicionais de comunicação.
  • Reconhecimento dos direitos trabalhistas e remuneração adequada de comunicadores e criadores de conteúdo em plataformas digitais.
  • Fomento, financiamento e políticas de formação para comunicadores, priorizando populações historicamente invisibilizadas.
  • Democratização das comunicações, combate à concentração econômica no setor e fortalecimento da EBC.
  • Proibição da visibilidade condicionada exclusivamente ao pagamento, de modo a evitar privilégios de alcance.
  • Destinação de 10% da verba de publicidade estatal para a mídia independente.
  • aplicação de recursos e políticas que assegurem pluralidade, diversidade étnica, racial, de gênero, cultural, social e linguística nos meios de comunicação.
  1. Fortalecer a participação social e o controle democrático no campo das comunicações por meio de:
  • Fortalecimento do Conselho Nacional de Comunicação como órgão de controle social e participação cidadã.
  • Criação de um Observatório de Direitos Humanos Digitais, com políticas de proteção a grupos vulnerabilizados, canais de denúncia e acolhimento a vítimas de violência digital e registro das violências e violações de Direitos Humanos no ambiente digital.
  • Realização da 2ª Conferência Nacional de Comunicação (CONFECOM), em formato híbrido, garantindo o protagonismo de comunicadores populares e a articulação com políticas de educação midiática e informacional.

A 13ª ConDH

A 13ª Conferência Nacional dos Direitos Humanos foi realizada em Brasília-DF, entre os dias 10 e 12 de dezembro. De acordo com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), cerca de 1.400 pessoas participaram do evento, que também teve a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último dia. Segundo o MDHC, a conferência tem o objetivo de “promover um espaço de diálogo plural, democrático e participativo para a formulação de diretrizes que subsidiem a construção e implementação de um Sistema Nacional de Direitos Humanos robusto e eficaz”. A última edição da conferência havia sido realizada em 2016.

Além de Katia Marko e Larissa Gould, o ex-coordenador-geral do FNDC e representante da entidade no CNDH, Admirson Greg, também defendeu a proposta na 31ª ConDH

FNDC assina pedido de investigação da Meta ao Ministério Público Federal

Foto: Antonio Augusto/MPF

Notícia de Fato, protocolada no MPF nesta quarta (10/11), é assinada pelo FNDC, pelas deputadas federais Sâmia Bomfim (PSOL/SP) e Fernanda Melchionna (PSOL/RS) e pelas organizações Diracom, Fenaj e Coletivo Digital Associação Para Democratização do Acesso à Sociedade da Informação

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), as deputadas federais Sâmia Bomfim (PSOL/SP) e Fernanda Melchionna (PSOL/RS), em conjunto com as organizações Diracom – Direito à Comunicação e Democracia, a Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ) e o Coletivo Digital protocolaram uma Notícia de Fato no Ministério Público Federal (MPF) para que sejam apuradas suspeitas de bloqueio e ocultação de perfis políticos, jornalísticos e institucionais na plataforma Instagram, pertencente à empresa Meta.

O pedido ocorre após inúmeros relatos de usuários indicando que, nos dias 9 e 10 de dezembro de 2025, perfis de parlamentares de figuras públicas de esquerda e páginas jornalísticas deixaram de aparecer na ferramenta de busca da plataforma Instagram, o que foi avaliado como uma forma de censura, em um momento de intenso debate político. A situação ganhou ainda mais gravidade quando o próprio perfil do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, também foi temporariamente ocultado das buscas.

As entidades afirmam que esse banimento configura um risco à transparência pública e ao livre fluxo de informações, afetando o direito da sociedade de acompanhar fatos políticos relevantes. Segundo o documento, ao ocultar perfis de parlamentares, jornalistas e do próprio chefe do Executivo — sem transparência, justificativa ou aviso aos usuários — a Meta praticou censura indireta, interferindo no debate público e no funcionamento regular da democracia brasileira.

Pedidos de esclarecimento à Meta

As deputadas e entidades solicitam que o MPF determine à Meta a prestação de informações como:

  • se houve moderação ou bloqueio de perfis nos dias 9 e 10 de dezembro;
  • quais perfis foram afetados e quais critérios foram usados;
  • quantos usuários sofreram restrições;
  • qual política interna fundamentou a medida;
  • se haverá notificação e reparação aos perfis prejudicados;
  • quais canais a plataforma oferece para contestação de restrições;
  • e se há protocolos especiais previstos para as eleições de 2026.

Ao final, pedem que, após a investigação, o MPF proponha Ação Civil Pública para resguardar direitos coletivos violados e evitar novos episódios semelhantes.

Leia o documento na íntegra

FNDC: Datena na EBC é retrocesso para o direito à comunicação

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) divulgou nota manifestando “profunda preocupação e veemente discordância” com o convite da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) ao apresentador José Luiz Datena para comandar programas na Rádio Nacional e na TV Brasil”. A nota, divulgada nesta quarta-feira (3/12), destaca que a contratação representa “um grave retrocesso para as lutas históricas em defesa do direito à comunicação e da construção de um sistema público comprometido com a promoção de direitos, com a pluralidade informativa e com a democracia”.

De acordo com notícias veiculadas na imprensa nesta quarta, Datena teria aceitado o convite. O apresentador declarou, em entrevistas, que continuará sendo “independente”. O FNDC lembra que o comunicador, associado ao chavão “bandido bom é bandido morto”, tem uma trajetória profissional marcada por uma postura sensacionalista, criminalizadora da pobreza e por um discurso de legitimação da violência.

A nota do FNDC também manifesta preocupação pela forma como a decisão sobre a programação da emissora não foi consultada no âmbito do Comitê Editorial e de Programação (Comep) da estatal. A entidade repudia a indicação e reivindica abertura de diálogo, pela empresa, com os movimentos sociais que há décadas lutam pela democratização da comunicação no país.

Leia na íntegra (e baixe em pdf)

Nota do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC)

Em defesa da comunicação pública, da participação social e do direito à comunicação

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), organização que reúne centenas de organizações em todo o Brasil, manifesta profunda preocupação e veemente discordância diante da informação, divulgada pela imprensa, de que o apresentador José Luiz Datena teria sido convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comandar programas na Rádio Nacional e na TV Brasil, veículos públicos administrados pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

A possível indicação de Datena representa um grave retrocesso para as lutas históricas em defesa do direito à comunicação e da construção de um sistema público comprometido com a promoção de direitos, com a pluralidade informativa e com a democracia. A trajetória do apresentador é amplamente conhecida por sua postura sensacionalista, por práticas que reforçam estigmas sociais, por narrativas que criminalizam a pobreza e por um discurso que legitima a violência, elementos absolutamente incompatíveis com a missão de qualquer emissora pública.

Não é possível conceber que, em pleno 2025, um comunicador associado à difusão de ideias como “bandido bom é bandido morto” possa ocupar espaço privilegiado em canais que pertencem à sociedade brasileira. Esse tipo de narrativa, repetido à exaustão por programas policialescos, contribui para a naturalização da violência letal, especialmente contra jovens negros das periferias.

Além disso, causa preocupação a forma como uma decisão importante sobre a programação de emissoras públicas foi tomada. O sistema público deve ser protegido contra interferências políticas e garantir diversidade de vozes, por isso há mecanismos de participação social. No entanto, essa decisão foi tomada sem qualquer consulta ao recém-eleito Comitê de Programação — instância conquistada por trabalhadores, trabalhadoras e movimentos sociais —, o que configura claro desrespeito ao princípio da gestão democrática e da participação popular que devem orientar os meios públicos.

Quem perde com essa decisão é a sociedade brasileira, que, em um ano eleitoral, corre o risco de ver reforçadas narrativas distorcidas que pouco contribuem para compreender a realidade do país e menos ainda para transformá-la. A comunicação pública não pode ser moeda de troca nem espaço para aprofundar a lógica sensacionalista que viola direitos. Deve, ao contrário, ser instrumento de promoção da democracia e dos direitos humanos.

O FNDC repudia a indicação e reivindica a abertura de diálogo com os movimentos que há décadas lutam pela democratização da comunicação sobre a agenda das comunicações do país. O fórum seguirá vigilante e mobilizado em defesa do direito à comunicação e da comunicação pública como patrimônio da sociedade brasileira.

Em defesa da comunicação pública, da participação social e do direito à comunicação (FNDC)

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), organização que reúne centenas de organizações em todo o Brasil, manifesta profunda preocupação e veemente discordância diante da informação, divulgada pela imprensa, de que o apresentador José Luiz Datena teria sido convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comandar programas na Rádio Nacional e na TV Brasil, veículos públicos administrados pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

A possível indicação de Datena representa um grave retrocesso para as lutas históricas em defesa do direito à comunicação e da construção de um sistema público comprometido com a promoção de direitos, com a pluralidade informativa e com a democracia. A trajetória do apresentador é amplamente conhecida por sua postura sensacionalista, por práticas que reforçam estigmas sociais, por narrativas que criminalizam a pobreza e por um discurso que legitima a violência, elementos absolutamente incompatíveis com a missão de qualquer emissora pública.

Não é possível conceber que, em pleno 2025, um comunicador associado à difusão de ideias como “bandido bom é bandido morto” possa ocupar espaço privilegiado em canais que pertencem à sociedade brasileira. Esse tipo de narrativa, repetido à exaustão por programas policialescos, contribui para a naturalização da violência letal, especialmente contra jovens negros das periferias.

Além disso, causa preocupação a forma como uma decisão importante sobre a programação de emissoras públicas foi tomada. O sistema público deve ser protegido contra interferências políticas e garantir diversidade de vozes, por isso há mecanismos de participação social. No entanto, essa decisão foi tomada sem qualquer consulta ao recém-eleito Comitê de Programação — instância conquistada por trabalhadores, trabalhadoras e movimentos sociais —, o que configura claro desrespeito ao princípio da gestão democrática e da participação popular que devem orientar os meios públicos.

Quem perde com essa decisão é a sociedade brasileira, que, em um ano eleitoral, corre o risco de ver reforçadas narrativas distorcidas que pouco contribuem para compreender a realidade do país e menos ainda para transformá-la. A comunicação pública não pode ser moeda de troca nem espaço para aprofundar a lógica sensacionalista que viola direitos. Deve, ao contrário, ser instrumento de promoção da democracia e dos direitos humanos.

O FNDC repudia a indicação e reivindica a abertura de diálogo com os movimentos que há décadas lutam pela democratização da comunicação sobre a agenda das comunicações do país. O fórum seguirá vigilante e mobilizado em defesa do direito à comunicação e da comunicação pública como patrimônio da sociedade brasileira.

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FNDC participa de programa da Rádio Câmara

Em entrevista ao programa 15 Minutos de Cidadania desta segunda (17/11), da Rádio Câmara, a coordenadora-geral do FNDC, Katia Marko, ressaltou a relevância da adequação da linguagem pelos meios de comunicação oficiais da Câmara dos Deputados. Para ela, o uso da linguagem coloquial e até regional “é a própria essência da democratização da comunicação”.

O programa abordou a Política de Comunicação da Câmara dos Deputados, que traz diretrizes para os canais institucionais do legislativo federal (Rádio, TV, Agência de Notícias e redes sociais). “A gente sabe que linguagem é poder e que pode ser usada para dominar a população”, por isso, é fundamental estebelecer critérios que promovam o direito humano à informação da população.

O programa também ouviu o Jorge Duarte, presidente da Associação Brasileira de Comunicação Pública; Cláudio Roberto Araújo, diretor-executivo de Comunicação e Mídias Digitais da Câmara e o deputado Marx Beltrão (PP-AL), secretário de Comunicação da Câmara.

Sinopse do Programa

Política de Comunicação da Câmara dos Deputados traz diretrizes para os canais institucionais do legislativo federal, como a Rádio, a TV, a Agência de Notícias e os perfis nas redes sociais, que devem prezar pelo equilíbrio, pelo respeito à diversidade de opiniões e pela transparência. O 15 Minutos de Cidadania detalha os princípios dessa política, lembrando que a comunicação pública também deve priorizar uma perspectiva de diálogo, com abertura à participação da sociedade.

Entrevistados na edição:
Deputado Marx Beltrão (PP-AL), secretário de Comunicação da Câmara
Cláudio Roberto Araújo, diretor-executivo de Comunicação e Mídias Digitais da Câmara
Jorge Duarte, presidente da Associação Brasileira de Comunicação Pública
Katia Marko, coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação

Ficha técnica:
Produção – Cristiane Baker
Reportagem – Cibelle Colmanetti
Trabalhos técnicos – Heverson Urani e Edmilson Farias
Apresentação – Cibelle Colmanetti e José Carlos Oliveira 
Edição – Cláudio Ferreira
Foto-montagem – Isadora Marinho e Cibelle Colmanetti

Músicas utilizadas:
Quem não se comunica se trumbica, Chacrinha (Umberto Silva, Silva Santos, Abelardo Barbosa “Chacrinha”)
Discussão, Cláudia Telles (Antonio Carlos Jobim, Newton Mendonça)
Você não entende nada, Gal Gosta (Caetano Veloso)