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Caravana do FNDC desembarca em São Paulo no dia 20 de junho. Inscrições estão abertas

A Caravana do FNDC pelo Direito à Comunicação vai desembarcar em São Paulo, capital, no sábado 20 de junho! Será um momento de mobilização, articulações, debates e a Plenária do Comitê pela Democratização da Comunicação. Essa será a quarta parada da Caravana, que já passou por Porto Alegre-RS, Belém-PA e Recife-PE. O tema da Caravana será Jornalismo e Inteligência Artificial: Um avanço à soberania ou da precarização do trabalho? Os palestrantes convidados serão divulgados em breve.

Garanta sua participação! As inscrições são gratuitas, mas limitadas, e devem ser feitas neste link: https://tinyurl.com/vewpaum2. Os participantes receberão certificado de horas complementares.

PROGRAMAÇÃO

17h – Acolhimento/Credenciamento.

17h30

  • Saudação inicial
  • Roda de diálogo: “Jornalismo e Inteligência Artificial: Um avanço à soberania ou da precarização do trabalho?”

18h30

  • Plenária do FNDC – Frentex São Paulo – Plataforma Eleitoral e Calendário de Lutas.

📍 Local: PUC Campus Consolação (Rua Marquês de Paranaguá, 111 – Consolação, São Paulo)

Do IHU: Palantir anuncia um futuro distópico. Entrevista especial com Letícia Cesarino

Peter Thiel e Alex Karp, fundadores da Palantir Technologies, querem substituir a democracia por enclaves de soberania privada misturada a elementos monárquicos, diz cientista social

Por: Guilherme Tenher Rodrigues e Patricia Fachin
Instituto Humanitas Unisinos
2 Junho 2026

O manifesto publicado recentemente da Palantir, empresa de análise de dados do Vale do Silício, resume em 22 pontos a visão de mundo da instituição. No quarto, são mencionadas “as limitações do poder brando” e se defende que a “capacidade das sociedades livres e democráticas de se afirmarem exige mais do que um apelo moral. Exige poder coercitivo, e o poder coercitivo neste século será baseado em software”. Essa e as demais propostas apresentadas, segundo Letícia Cesarino, evidenciam a “visão de mundo neorreacionária” dos fundadores da gigante norte-americana de software e Inteligência Artificial (IA) fundada em 2004 por Peter Thiel e Alex Karp.

De acordo com a pesquisadora, os magnatas da tecnologia veem na crise da democracia a possibilidade de substituí-la. A proposta, contudo, “não tem a intenção de ocupar o Estado Democrático de Direito para reformá-lo dentro de uma visão de direita ou conservadora. Eles não acreditam em reformar o atual sistema político-institucional. Eles veem o colapso como oportunidade para mudar o próprio princípio da soberania, sobre o qual os atuais Estados-nação foram construídos nos últimos quatro séculos, para uma soberania de base privada”, afirma.

Na entrevista a seguir, concedida ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU por WhatsApp, Letícia Cesarino comenta sobre os possíveis interesses de Peter Thiel na Argentina, menciona as obras que fundamentam a criação de novos estados governados por uma “elite cognitiva” e diz que os criadores de realidades paralelas querem transpô-las para o mundo real. “Estes não seriam, obviamente, democracias, mas estados menores geridos como empresas. Os cidadãos não teriam voto nem voz, mas seriam clientes que, se insatisfeitos, poderiam se mudar para outro lugar. Esse modelo combina elementos gerenciais com autocráticos, que é a forma como muitos desses CEOs gerenciam suas empresas. Seria uma revolução na forma de conceber a soberania, do mesmo nível ou até mais profundo do que foi a Paz de Westfália no século XVII, que instituiu o modelo de Estado-nação territorial que temos hoje”, adverte.

Letícia Cesarino. Foto: Divulgação

Letícia Cesarino é professora adjunta no Departamento de Antropologia e no PPG em Antropologia Social (PPGAS) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (2004), mestrado em Antropologia pela Universidade de Brasília (2006) e doutorado em Antropologia pela Universidade da Califórnia em Berkeley (2013). É autora, entre outros livros, de Mundo ao avesso: verdade e política na era digital (UBU, 2022).

Confira a entrevista.


IHU – O que o manifesto da Palantir representa com relação aos projetos das big techs e à figura sociopolítica de seus CEOs? Eles buscam se tornar autores de novos contratos sociais e missões civilizatórias?

Letícia Cesarino – Sim, o manifesto, que ficou conhecido como manifesto técnico-fascista, segue ponto a ponto essa configuração de visão de mundo neorreacionária que as big techs – não diria todas, mas certamente a Palantir, de Peter Thiel e Alex Karp – já adotam. Essas ideias parecem estar se expandindo no Vale do Silício, o que podemos entrever em figuras icônicas com Elon Musk, Mark Zuckerberg e Jeff Bezos.

A Palantir, enquanto empresa que agrega vários níveis de vigilância e inteligência voltada para a guerra, contempla mais de perto uma premissa dos neorreacionários, segundo a qual os dias da democracia estão contados. Para eles, existe um horizonte de colapso institucional e social que poderá, eventualmente, reverberar em guerras e em escassez generalizada. Nesse contexto, as big techs e governos de extrema-direita, em especial, o segundo governo Trump, têm se aproximado na medida em que seus destinos estão cada vez mais entrelaçados, inclusive pela ameaça colocada por um inimigo comum que é a China. Por isso toda essa fala sobre guerra e nova dissuasão centrada na IA.

De forma relativamente explícita, o manifesto faz transparecer a dimensão eugenista desse cenário, ou seja, o fato de que muitas populações, principalmente do Sul Global, terão que ser deixadas para trás numa eventual conjuntura de colapso e de guerra. Nesse sentido, os EUA e demais nações ocidentais precisam se precaver, reforçar seus aparatos bélicos e de defesa. O manifesto cita como exemplo os perdedores da Segunda Guerra, a Alemanha e o Japão, que é um aliado do Ocidente.

Então, vejo esse manifesto como expressão sincera de uma visão de mundo neorreacionária. Por mais que possa haver elementos de “hype” no texto, como alguns comentaram, ou que a Palantir tenha vindo a público se justificar por conta do envolvimento com Israel e o ICE, ou ainda outras motivações, o conteúdo do manifesto é condizente com a visão de mundo de Thiel e Karp, assim como dos neorreacionários em geral.

Vejo esse manifesto [da Palantir] como expressão de uma visão de mundo neorreacionária

Letícia Cesarino

IHU – Como o projeto messiânico tecnológico está se relacionando com o campo da extrema-direita? Dos EUA aos demais governos neofascistas do mundo, o que isso desvela sobre a gramática contemporânea do autoritarismo?

Letícia Cesarino – Do ponto de vista neorreacionário, é um messianismo que anuncia um futuro distópico onde a democracia social e suas políticas universalistas e inclusivas entraram em colapso, abrindo uma oportunidade, do seu ponto de vista, para substituir essas infraestruturas.

A visão neorreacionária é, nesse sentido, uma visão sobrevivencialista, de preparação para o fim do mundo. Vemos isso em várias atitudes e ações do próprio Thiel. Ou seja, essa aproximação com políticos populistas de extrema-direita, como Trump e, mais recentemente, Milei, não tem a intenção de ocupar o Estado Democrático de Direito para reformá-lo dentro de uma visão de direita ou conservadora. Eles não acreditam em reformar o atual sistema político-institucional. Eles veem o colapso como oportunidade para mudar o próprio princípio da soberania, sobre o qual os atuais Estados-nação foram construídos nos últimos quatro séculos, para uma soberania de base privada.

Fundamento das ideias neorreacionárias

Essa visão está exposta de forma explícita não só no livro de Karp e Zamiska que embasa o manifesto, The Technological Republic: Hard Power, Soft Belief, and the Future of the West (“A república tecnológica: tecnologia, política e o futuro do ocidente”, Intrínseca, 2025), mas, principalmente, num livro dos anos 1990 que impactou muito Thiel quando ele estava fundando o PayPal: The Sovereign Individual: How to Survive and Thrive During the Collapse of the Welfare State. Este livro traz esse diagnóstico de colapso da democracia social e do próprio modelo moderno de Estado-nação, apontando formas de “saída” (como dizem, exit) de base tecnológica lideradas por uma “elite cognitiva” que fundará os novos estados.

Muito disso já vem sendo feito, como criptomoedas e outros meios financeiros paralelos ao sistema bancário. As próprias redes sociais podem ser vistas como uma estrutura paralela à da deliberação democrática. Inclusive, o “investimento anjo” de Thiel no Facebook, quando ainda era uma empresa pequena, sugere que ele já tinha essa intenção metapolítica colocada ali. Ou seja, a intenção desses fundadores e CEOs era de controlarem o novo espaço – os ambientes digitais – para o qual o debate público seria transferido. Eles já conseguiram e têm controle quase ilimitado sobre a esfera pública em países como o Brasil. Daí, também, sua atual aliança entre os segmentos mais radicais da extrema-direita, que também dependem das plataformas para sua força política.

As próprias redes sociais podem ser vistas como uma estrutura paralela à da deliberação democrática

Letícia Cesarino

Existe esse movimento que ecoa o que o filósofo neorreacionário Nick Land chamou de hiperstição, de construir realidades paralelas pela tecnologia e ir transpondo-as para o mundo real. O objetivo é fazer isso, em última instância, com os próprios Estados-nação.

É nesse sentido também que devemos entender todo esse movimento, que já vinha ocorrendo e que se acentua agora, de compra de terras, experimentos com “cidades livres”, soberania paralela como prospera em Honduras, inspirados também em cidades-Estados como Singapura e Dubai. Este é o modelo: enclaves de soberania privada misturada com elementos de soberania monárquica.

Estes não seriam, obviamente, democracias, mas estados menores geridos como empresas. Os cidadãos não teriam voto nem voz, mas seriam clientes que, se insatisfeitos, poderiam se mudar para outro lugar. Esse modelo combina elementos gerenciais com autocráticos, que é a forma como muitos desses CEOs gerenciam suas empresas. Seria uma revolução na forma de conceber a soberania, do mesmo nível ou até mais profundo do que foi a Paz de Westfália no século XVII, que instituiu o modelo de Estado-nação territorial que temos hoje.

Existe esse movimento que ecoa o que o filósofo neorreacionário Nick Land chamou de hiperstição, de construir realidades paralelas pela tecnologia e ir transpondo-as para o mundo real. O objetivo é fazer isso, em última instância, com os próprios Estados-nação

Letícia Cesarino


IHU – ⁠O que significa a viagem de um mês que Peter Thiel realizou à Argentina e como a América Latina se torna um laboratório social distinto das zonas de guerra no Oriente Médio?

Letícia Cesarino – Parece que a temporada irá se prolongar. Ele comprou uma casa milionária em Buenos Aires. Uma apuração recente afirma que Thiel já matriculou seus filhos em uma escola local. Comenta-se que ele tem demonstrado interesse no agro e na mineração no país, ou seja, em terras e recursos. Tudo indica que o interesse dele na Argentina não tem só a ver com a convergência ideológica com o Milei, que é um anarcocapitalista. Thiel, aliás, é mais do que um anarcocapitalista; é um neorreacionário que tem ressonância com a visão de Milei, mas tem planos bem mais ambiciosos.

O interesse na Argentina parece ter a ver com o avanço de um projeto desse tipo, de ir construindo seus pequenos enclaves soberanos paralelos. O livro The Sovereign Individual [O indivíduo soberano] discorre sobre que tipo de lugar seria interessante para construir esse novo mundo, e ele menciona regiões com populações esparsas, de clima temperado e que tenham bastante terra produtiva para produção agrícola. Os dois exemplos citados no livro são, justamente, Nova Zelândia e Argentina.

Tudo indica que o interesse de Thiel na Argentina não tem só a ver com a convergência ideológica com o Milei; Thiel é um neorreacionário que tem ressonância com a visão de Milei, mas que tem planos bem mais ambiciosos

Letícia Cesarino

Anos atrás, Thiel chegou a comprar terras na Nova Zelândia. Obteve cidadania e pretendia construir um grande bunker de luxo por lá. Encontrou dificuldades e, ao que parece, desistiu do projeto, buscando outros “planos B” para sua atual base nos EUA.

Algo importante de notar é que a Nova Zelândia e a Argentina estão exatamente nas duas pontas meridionais do globo, ou seja, estão numa distância máxima de regiões com arsenal nuclear, como China, Índia, EUA e Europa. A escolha desses países tem a ver com essa geografia também. É assustador que pessoas influentes como Thiel estejam considerando seriamente essa possibilidade e agindo nesse sentido.

IHU – ⁠Como as terras raras entram no campo de interesse dessas grandes empresas e são exploradas, em alguns casos, com a autorização de governos locais?

Letícia Cesarino – De fato, está em andamento uma corrida pelas IAs que redunda na construção de data centers e na garantia de fontes de minerais raros, mas não vejo isso tanto como sendo a linha principal de neorreacionários como o Thiel. Eles sempre fazem seu hedge, ou seja, apostam em vários cenários possíveis e buscam ativos diferentes.

Um desses cenários, a meu ver improvável, é que as IAs, em especial as generativas, se consolidem nesse modelo que está inflando a atual bolha. Nesse caso, de fato, serão necessários inúmeros data centers, extração de minerais raros etc. Thiel parece estar apostando mais no cenário de um mundo pós-colapso, que deve incluir IA mas não necessariamente essa IA de uso geral como ChatGPT. Talvez seja algo mais territorializado, ao estilo Palantir, voltado para defesa e vigilância, além da gestão de futuros Estados-rede, como na proposta de Balaji Srinivasan em The Network State.

Thiel parece estar apostando mais no cenário de um mundo pós-colapso, que deve incluir IA. Talvez seja algo mais territorializado, ao estilo Palantir, voltado para defesa e vigilância, além da gestão de futuros Estados-rede

Letícia Cesarino

IHU – ⁠Que análise faz com relação à intervenção internacional nas eleições brasileiras deste ano?

Letícia Cesarino – Isso ainda está em aberto. Vemos que os eventos relevantes para as eleições deste ano estão acontecendo numa temporalidade cada vez mais curta do tempo real, que é a das plataformas. Não penso que há um plano específico já consolidado por parte do Trump, de Steve Bannon, do Thiel, mesmo porque eles não atuam por uma lógica de planejamento, mas por testes, apostas e abordagem indireta. O mais importante não é se e quando eles tomarão uma decisão de interferir, mas, sim, o fato de que eles podem fazê-lo se e quando quiserem. Eles já possuem os meios, e não há muito que podemos fazer sobre isso a essa altura.

Os eventos relevantes para as eleições deste ano estão acontecendo numa temporalidade cada vez mais curta do tempo real, que é a das plataformas

Letícia Cesarino

Vemos o governo brasileiro tentando se movimentar nesse sentido com os decretos atualizando previsões do Marco Civil da Internet e a proteção das mulheres, tentando compensar, até certo ponto, uma norma regulatória que o Congresso foi incapaz de produzir. Mas nada indica que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob a presidência do ministro Nunes Marques, vai se dedicar muito a isso em 2026. A banalização das IAs generativas e os disparos automatizados vão deixar tudo mais caótico.

Portanto, a depender da conjuntura em outubro, se Trump e as big techs se sentirem ameaçadas, não tenho dúvida de que farão o que for preciso para interferir nas nossas eleições ou quaisquer outras. A forma mais fácil e óbvia seria o impulsionamento discreto, quando o algoritmo impulsiona um perfil ou uma postagem mais que outros, inserindo um viés discreto para beneficiar um candidato mais do que outros, e não os meios para identificar ou auditar algo assim.

Em termos mais específicos, eu olharia com cuidado para o Instagram neste ano. Não conheço estudos comprovando isso – mesmo porque é muito difícil fazer esse tipo de pesquisa pelo problema da acessibilidade aos dados. Mas a minha impressão, a partir de evidências anedóticas ou indiretas, é que o Instagram se tornou, desde a última eleição de Trump, uma plataforma de impulsionamento da radicalização. Não só de radicalização política, mas também de radicalização misógina – que hoje estão, inclusive, interligadas, talvez de forma proposital.

O Instagram se tornou, desde a última eleição de Trump, uma plataforma de impulsionamento da radicalização

Letícia Cesarino

Mark Zuckerberg é alguém que já se colocou dentro desse arco, junto com Trump. No Brasil, essa é a rede social mais influente hoje em termos de tudo, inclusive, eleições. Então, eu apostaria que, se tiver uma interferência, ela viria pelo impulsionamento discreto do Instagram.


Acesse a publicação original: https://ihu.unisinos.br/categorias/159-entrevistas/666749-palantir-anuncia-um-futuro-distopico-entrevista-especial-com-leticia-cesarino

Plenária conjunta debate estrutura dos comitês do FNDC em Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte

Plenária encerrou a Caravana do FNDC pelo Direito à Comunicação em Recife

Execução das ações locais depende da rearticulação das organizações que compõem o Fórum nos estados

Fortalecer a comunicação pública nos estados, inclusive com melhores condições de trabalho para seus profissionais, e buscar a construção de editais para comunicação comunitária, são os dois principais pontos de consenso da plenária conjunta dos Comitês pela Democratização da Comunicação de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte (Região Nordeste 2) para a plataforma eleitoral do FNDC. A plenária encerrou a Caravana do FNDC pelo Direito à Comunicação em Recife, no último sábado (30/5).

A plataforma eleitoral está sendo construída coletivamente nos estados, durante as Caravanas do FNDC, para ser um instrumento de mobilização durante a campanha eleitoral deste ano. Como nas eleições gerais anteriores, o Fórum entregará a plataforma aos candidatos a Presidente da República, governador e deputado federal e estadual. O documento elencará uma série de pontos fundamentais para garantir o direito à comunicação, inclusive de políticas públicas capazes de reduzir a dependência tecnológica do Brasil a partir dos territórios.

Rearticulação

A necessidade de rearticular as organizações que compõem o FNDC nos três estados foi levantada pela jornalista Lucinha Figueiredo, membro do Conselho Deliberativo do FNDC e coordenadora da Região Nordeste 2, como fundamental para que o movimento execute sua agenda local de lutas. “Temos muitas organizações, como associações, sindicatos, partidos e mandatos que podem contribuir para fortalecer nossas ações”. Lucinha sugeriu a realização de um encontro regional para avançar na articulação, que deverá acontecer no primeiro semestre de 2027.

Alex Pontes, secretário de Comunicação da CUT-RN, também reforçou a necessidade de os comitês começarem a atuar em rede. Ele relatou dificuldades para a retomada dos encontros do FNDC no Rio Grande do Norte nos últimos anos. Segundo Alex, a CUT tem sido um apoio importante na retomada, mas é indispensável reunir as demais organizações que compõem os comitês e que estão distantes no momento.

Ivan Moraes, integrante do coletivo Diracom – Direito à Comunicação, organização que compõe o Conselho Deliberativo do FNDC, resgatou as dificuldades enfrentadas pela luta em Pernambuco desde o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff. “Durante muito tempo tivemos que parar nossas lutas pelo fim do monopólios e oligopólios de comunicação porque centramos esforços na luta “Fora Bolsonaro”. Agora, nos vemos diante de um cenário oligopolizado pelas big techs com alto potencial de impactar negativamente nosso processo eleitoral deste ano”.

Marcelo Dantas, coordenador do Programa Direito à Comunicação, do Centro de Cultura Luiz Freire, um dos organizadores da Caravana, avaliou positivamente os debates e destacou a proposta de interiorização das caravanas como um destaque importante da discussão. A conclusão geral é de que há uma série de movimentos sociais e organizações de vários setores com agendas afins que podem se somar ao FNDC, fortalecendo e ampliando a luta, e que organizar essa rede é a tarefa primordial deste momento.

Caravana do FNDC em Recife: resgatar a utopia e a ousadia é tarefa urgente!

Roda de conversa abriu a programação com diálogo sobre territórios, soberania e direito à comunicação

A luta pelo direito à comunicação deve resgatar a utopia e a ousadia além das redes sociais. Esse é o resumo dos debates da Caravana do FNDC pelo Direito à Comunicação, neste sábado (30/5), em Recife-PE. A programação reuniu gente de várias regiões de Pernambuco e dos estados da Paraíba e Rio Grande do Norte para debater territórios, soberania digital e direito à comunicação no Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações de Pernambuco – Sinttel.

Jornalistas, comunicadores populares, acadêmicos, sindicalistas e lideranças de diversos movimentos sociais conversaram sobre os desafios locais impostos pela concentração da mídia tradicional e pelo modelo de negócios das big techs. Iniciativas territoriais bem-sucedidas de comunicação popular também foram apresentadas.

Katia Marko, coordenadora-geral do FNDC, participou remotamente, com a mensagem de que é preciso enfrentar a guerra cognitiva pela disputa de sentidos para transformar o cenário de estagnação e de retrocessos.

“É urgente, não temos mais tempo, não podemos mais ficar distraídos, apenas rolando feed nas redes sociais e achando que pelas redes vamos fazer a transformação, porque transformação é nas ruas, ela é muito mais profunda. A transformação tem que impregnar, entrar nas mentes e, principalmente, nos corações. E é isso que a gente quer, impregnar dessa vontade, desse desejo, dessa urgência que precisamos ter.

Soberania

O dirigente Cutista e membro do Conselho Nacional de Direitos Humanos, Admirson Júnior (Greg), chamou a atenção para o tema da soberania. “Estamos muito aquém na construção da nossa soberania digital. Se o Brasil tivesse entendido antes a importância desse tema já teríamos nossas próprias plataformas e nossos próprios datacenters”, destacou. Para Greg, os movimentos sociais reunidos na luta pela democratização da comunicação devem voltar a ser utópicos e ousados.

Territórios

Lorena Bezerra, Junior Cardeal, Victor Moura e Andrea Trigueiro falaram sobre suas realidades. Para Lorena, jovem comunicadora quilombola da comunidade Conceição das Crioulas, no Sertão de Pernambuco, a comunicação é uma forma ancestral de resguardar a história de um povo. “Não tem como separar comunicação, ancestralidade e identidade”, afirmou. A partir desse entendimento, a comunidade deixou de contar suas histórias a quem vinha de fora para produzir seus próprios relatos.

O professor da rede estadual de ensino e jornalista popular Junior Cardeal, falou sobre como a disputa pela audiência é desigual nas redes sociais. “A gente tenta utilizar a internet como ferramenta de luta, mas precisa confrontar os algoritmos o tempo todo. Eles não entregam conteúdos que se relacionam com a nossa realidade e que vão nos fazer avançar na luta. Dar mais alcance à nossa produção é um desafio”.

Outro ponto importante da fala de Junior é a percepção de que as crianças estão perdendo a capacidade de prestar atenção. “O audiovisual é uma ferramenta para tentar disputar essa atenção, mas os mais jovens estão cada vez mais com dificuldade de concentração. Fica a pergunta: como essas crianças vão conseguir lidar com a enxurrada de fake news e desinformação.”

Victor Moura, fundador do coletivo de comunicação Redes do Beberibe, também falou sobre sua experiência de jornalista e comunicador popular. Para ele, foi fundamental para as comunidades onde atua levar pautas que dialoguem diretamente com seus desafios diários, como mobilidade urbana e segurança, por exemplo. “O desafio é levar para o cidadão o entendimento sobre seus direitos”.

A jornalista Andrea Trigueiro, professora e pesquisadora na Universidade Católica de Pernambuco, falou sobre as ausências e lacunas na mídia tradicional. “Melhoramos, mas ainda temos muitas comunidades e povos tendo seus direitos violados, estigmatizados, vivendo à margem, sem serem vistos ou terem sua voz ouvida”.

Oficinas

A programação prosseguiu à tarde com a oficina “Soberania digital nas Eleições 2026”, ministrada por Nátaly Guilmo, educadora da Escola Sindical Nordeste CUT.

Mensagem da coordenadora-geral do FNDC, Katia Marko

Daniel Herz, 20 anos depois

https://outraspalavras.net/historia-e-memoria/daniel-herz-20-anos-depois/

Nos deixava, em 2006, o jornalista e militante das lutas democráticas pela comunicação. Autor de “A História Secreta da Rede Globo”, arquitetou a regulação da TV por assinatura e a criação do Conselho de Comunicação. Nas trincheiras contra as big techs, sua caixa de ferramentas continua útil

Do site Outras Palavras

Por Celso Schröder, Elisabeth Costa, James Görgen, Juliano Carvalho, Maria José Braga, Pedro Luiz S. Osório, Sergio Murillo de Andrade e Valci Zucolotto.

Pouco tempo antes da sua morte pelo agravamento de um mieloma múltiplo contra o qual lutou por seis anos e o acabou vitimando em 2006, Daniel Herz perdeu seu pai. Já em fase terminal e em tratamento no exterior, o jornalista gaúcho não foi à cremação do corpo. Gravou uma mensagem para os familiares e amigos que definia seu pai (e a si mesmo): “ele gostava de gente”. Daniel gostava de gente. E gostava que suas batalhas fossem travadas coletivamente e à luz do sol. A maior parte de suas contribuições nas diversas arenas em que atuou, desde os anos 1970, não eram assinadas por ele, mas pelas instituições das quais participou ou ajudou a criar.

Jornalista, professor, sindicalista, militante das lutas democráticas pela comunicação, empresário, gestor público, Daniel era tudo isso e mais o que coubesse em sua definição de ser humano. Há vinte anos, no dia 30 de maio, o perdemos. Esta homenagem de um grupo de amigas e amigos é para honrar sua memória, mas também para imaginar como ele estaria enxergando o mundo atual da comunicação, ao qual dedicou quase 30 anos de sua curta vida.

Um anti-líder carismático

Quem o conheceu lembra da imagem. A expressão sisuda, o olhar arguto, a escuta atenta, o caderno aberto, a voz baixa e firme amarrando uma proposta a outra até nos convencer de que aquela disputa, naquele momento, era a estratégica. Daniel comandava desde a retaguarda — com humildade, paciência e uma capacidade rara de encontrar pontos de convergência onde só havia antagonismos. Contundente com adversários, nunca desleal. Obstinado, nunca grosseiro.

Gaúcho de Porto Alegre, onde nasceu em dezembro de 1954, ele se formou em jornalismo na Unisinos em 1977, com trabalho de conclusão sobre a história da radiodifusão no Brasil entre 1919 e 1960. O tema, que então podia parecer apenas histórico, traçou o roteiro de uma vida pois tudo o que Daniel faria a seguir partia da convicção de que o sistema brasileiro de comunicação nascera de um pecado original e de que reconstruí-lo era tarefa coletiva.

O investigador

Há quem só lembre de Daniel pelo livro que o tornou nacionalmente conhecido: A História Secreta da Rede Globo, lançado em 1987, com o subtítulo Eu sou o poder, frase atribuída ao empresário Roberto Marinho. Foi sua dissertação de mestrado na UnB, orientada por Luiz Gonzaga Motta e depois por Murilo César Ramos, transformada em livro pela editora Tchê. Teve 14 edições, atravessou duas editoras, inspirou o documentário Muito Além do Cidadão Kane, de Simon Hartog, e estarreceu um país que ensaiava a redemocratização sobre as manobras fiscais e legais que o grupo Globo criou para montar sua televisão nos anos 60.

Mas quem conviveu com ele sabe que aquele livro não foi rompante de denúncia — foi método. A pesquisa que documentou os procedimentos ilegais que estruturaram a Globo e suas relações com o poder político nacional era, no fundo, o reverso construtivo de outra obsessão de Daniel: a de propor e fazer aprovar instituições democráticas que evitassem novas Globos. Investigar e legislar, para ele, eram dois movimentos do mesmo gesto.

O tecelão

Por isso, talvez, ele tenha sido — antes de tudo — um tecelão. Daniel foi sindicalista tardio: só virou diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul em 1992, aos 37 anos, e no mesmo ano assumiu a Direção de Relações Institucionais da Federação Nacional dos Jornalistas, cargo que manteria até 2004. Mas o trabalho de costura já vinha de antes, do Curso de Jornalismo da UFSC, do qual participou desde os primórdios em 1981 e onde foi professor por anos ao lado de seu primo e mentor intelectual, Adelmo Genro Filho. Na verdade, sua missão começou ainda na década de 1970 quando, ao lado do engenheiro Homero Simon, ajudou a impedir a entrada da TV a cabo no País por meio de grupos estrangeiros, vedado pela Constituição Federal.

A grande costura veio na esteira do processo de redemocratização do País. Antevendo o jogo de pressões que se daria em torno do Capítulo da Comunicação na Assembleia Nacional Constituinte, entre 1987 e 88, Daniel e outros dirigentes sindicais e intelectuais perceberam que sozinhos não dariam conta. Em 1984, articularam-se na Frente Nacional por Políticas Democráticas de Comunicação, que reunia jornalistas, radialistas, artistas, profissionais do cinema, universidades e partidos de esquerda recém-saídos dos anos de ditadura militar. Na Fenaj, Daniel ajudou a forjar o documento Propostas dos Jornalistas à Sociedade Civil, aprovado em Congresso em 1991, que se tornaria base programática para um salto. Em 1997, ajudou a redigir e tirar do papel o Programa de Qualidade do Ensino do Jornalismo, proposta surgida de um Congresso Extraordiário da entidade dos jornalistas.

Anos antes, a costura mais importante foi o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), constituído como associação civil em agosto de 1995. Daniel foi seu primeiro coordenador nacional. Para ele, o FNDC era o resgate, em escala ampliada, da agenda de TV a cabo que perseguia como objeto de pesquisa e de política desde a dissertação de mestrado defendida uma década antes. Antes de profissional, dizia, o jornalista era cidadão — e o cidadão-jornalista tinha o dever de empurrar a sociedade civil para dentro do debate sobre comunicação.

O arquiteto

A pauta do Fórum, sob sua coordenação, era cirúrgica: regulamentação da TV por assinatura, instalação do Conselho de Comunicação Social (CCS) previsto pela Constituição de 1988, regionalização da programação no rádio e na TV de acordo com o artigo 221 da Carta. Cada uma dessas frentes ele geriu com paciência, pragmatismo e objetividade.

A Lei do Cabo (Lei 8.977/95), da qual foi um dos principais mentores desde a fase de projeto em 1991, obrigou as operadoras a destinar canais a TVs públicas, universitárias, legislativas e comunitárias. Foi por causa daquela lei que dezenas de comunidades brasileiras hoje têm voz na tela. Daniel, observou o executivo Alexandre Annenberg, introduziu naquela legislação conceitos que seguem como paradigmas para qualquer modelo de inclusão digital. Anos antes, em 1989, ele havia coordenado a Comunicação Social da Prefeitura de Porto Alegre na primeira gestão do Partido dos Trabalhadores, liderada por Olívio Dutra. Filiado ao partido, Daniel implantou, de forma revolucionária, uma política e um plano de comunicação que dialogavam diretamente com a formulação das políticas de governo e atendiam às especificidades de cada secretaria, ao mesmo tempo em que centralizava os recursos administrativos, técnicos, financeiros e humanos. Tanto no Executivo municipal quanto na formulação legal, ele testava o mesmo princípio: comunicação é a base do serviço público.

A batalha pelo Conselho de Comunicação Social durou 15 anos. Proposto na Constituinte, aprovado na Constituição de 1988, regulamentado em 1991 e instalado apenas em 2002, o CCS ganhou em Daniel um de seus arquitetos mais pacientes. Em sua primeira fala no plenário do Conselho — onde tomou posse como representante da Fenaj —, ele cravou: o CCS era “uma instituição mediadora” que cumpriria sua função “quando conseguir gerar consenso”, colocando o interesse público acima dos interesses particulares. Era assim que ele lia o poder — não como guerra de aniquilação, mas como engenharia paciente de equilíbrios.

À mesma família de causas pertencem o Epcom — Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação, que ele fundou em Porto Alegre em 1998 —, o Canal Comunitário da capital gaúcha e a presidência do Conselho Deliberativo da Fundação Cultural Piratini (TVE e FM Cultura do Rio Grande do Sul). Não eram cargos; eram laboratórios da mesma ideia. A ideia de colocar toda e qualquer comunicação institucional a serviço de um estatuto público. No Epcom, por exemplo, ele hospedou o projeto Donos da Mídia, que mapeou a propriedade dos meios de comunicação no Brasil, e o AcessoCom, resumo diário de notícias sobre mídia e telecomunicações.

A peleja inacabada

Em 2004, Daniel tomou posse no Comitê Consultivo do Sistema Brasileiro de Televisão Digital, representando a Fenaj. Foi sua última grande peleja. A cada reunião — contou depois o professor Alexandre Kieling — ele insistia no objetivo original daquela empreitada: um modelo de TV digital aberta, interativa, pública e voltada à inclusão social, e não uma simples troca de equipamentos com lucro garantido para concessionários.

A TV Digital chegou, sim, mas, como observou a produtora Tereza Trautman, sem o operador de rede que ele defendia. Faltou Daniel naquela mesa no momento em que o desenho final foi pactuado em junho de 2006, um mês após sua morte. O modelo ficou como a Globo quis, mas com a previsão dos canais públicos que Daniel ajudou a formular.

E o mundo hoje?

Daniel morreu antes de o iPhone existir, antes de o Facebook chegar ao Brasil, antes de o Google se tornar infraestrutura do cotidiano. E ainda assim é instigante perceber como sua caixa de ferramentas continua útil. Quando ele falava em coronelismo eletrônico, usando a definição dos pesquisadores Suzy Santos e Sérgio Capparelli para denominar as famílias regionais que controlavam emissoras de rádio e TV, apontava para um problema que hoje se globalizou. No lugar das famílias que dominavam a comunicação brasileira, hoje temos um punhado ainda menor de corporações decidindo o que circula, em que ordem, para quem e por qual preço. Agora não mais barões locais de outorgas de comunicação social eletrônica, mas plataformas transnacionais que controlam atenção, dados e publicidade.

Estamos certos de que Daniel olharia para esse cenário com aquela combinação que era sua – uma mescla de indignação contida e método. Cobraria das gerações de hoje o que cobrava de nós — pesquisa séria sobre estruturas de propriedade, articulação paciente entre academia, sindicatos, sociedade civil e Parlamento, políticas públicas que não fossem cópias mal traduzidas de modelos estrangeiros. Defenderia um Conselho com unhas e dentes, regulação democrática de algoritmos, transparência sobre moderação de conteúdo, proteção do jornalismo profissional, financiamento público para plataformas digitais comunitárias e independentes, e — sobretudo — a noção de que comunicação, seja digital ou analógica, é serviço público, não apenas mercadoria.

Diria também, com aquela serenidade que era a sua, que nada disso se faz em uma legislatura. A Lei do Cabo demorou quase uma década; o CCS levou quinze anos para sair do papel. Disso ele tirava paciência, não desânimo.

Pistas para quem chega

Em vinte anos de ausência, testemunhamos avanços e recuos. Vimos a Globo deixar de ser o único front. Vimos o Brasil aprender sobre desinformação da pior maneira possível. Vimos jovens jornalistas erguerem veículos independentes onde antes só havia silêncio. Vimos o CCS hibernar — coincidentemente, a partir da morte de Daniel — e ressurgir com menos protagonismo dentro de um Congresso que se embriaga no lobby das big techs. Ele olharia para esse mosaico e diria, como sempre dizia, que o jogo não acabou.

A boa notícia, escrevemos juntos hoje, é que ele deixou migalhas de pão no chão. Estão no FNDC, na Fenaj, em cada canal aberto pela Lei do Cabo, em cada rádio comunitária, em cada estudante de comunicação que aprende, em sala de aula, que a mídia é matéria de cidadania. E nas digitais éticas que ele deixou em quem conviveu com ele. Obstinação sem grosseria, rigor sem soberba, coragem sem alarde, ironia sem escárnio, capacidade de defender com paixão o consenso que ele mesmo, paciente, ajudou a construir.

Aos que chegam agora ao ofício, aos que vão enfrentar IAs, plataformas e algoritmos que ainda nem têm nome, fica o recado coletivo desta turma que aprendeu com ele. Leiam Daniel, organizem-se como Daniel, dialoguem como Daniel. E lembrem-se de que ele enfrentou sua doença terminal por seis anos ainda formulando propostas para um país que insiste em não perceber a falta que ele nos faz.

Saudades, Daniel. Seguimos. E, como você ensinou, seguimos juntos.

Para conhecer melhor a vida e a obra de Daniel Herz, visite http://danielherz.com.br

Abraço Brasil questiona demora na publicação do PNO para Sul e Sudeste e cobra resposta da Casa Civil

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Do site da Abraço Brasil

A indefinição sobre a publicação do Plano Nacional de Outorgas (PNO) destinado às regiões Sul e Sudeste tem provocado preocupação e cobrança entre representantes da radiodifusão comunitária brasileira. Desde setembro do ano passado, a proposta aguarda análise na Casa Civil da Presidência da República, sem qualquer encaminhamento oficial, o que tem gerado insatisfação entre entidades e comunicadores que aguardam a abertura de novos processos para concessão de rádios comunitárias.

A Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço Brasil) acompanha o tema e cobra maior transparência do governo federal sobre os motivos da paralisação. A avaliação da entidade é de que a demora amplia a insegurança de centenas de associações comunitárias, especialmente nos estados do Sul e Sudeste, onde há uma demanda histórica pela abertura de novos editais e pela ampliação do acesso à comunicação comunitária.

Geremias dos Santos, presidente da Abraço Brasil, criticou a lentidão no andamento do processo e afirmou que a radiodifusão comunitária não pode continuar sendo tratada como pauta secundária pelo poder público. “Estamos falando de um processo que está parado desde setembro do ano passado, sem explicação concreta e sem qualquer previsão oficial. As comunidades têm esperado, as entidades têm dialogado e apresentado suas demandas, mas até agora seguimos sem resposta. Isso gera frustração e demonstra que a comunicação comunitária ainda não está sendo tratada com a prioridade que merece dentro do governo”.

Santos também destacou que o Plano Nacional de Outorgas representa uma ferramenta estratégica para ampliar o acesso à radiodifusão comunitária e fortalecer o direito à comunicação em diferentes territórios do país. “O Plano Nacional de Outorgas é fundamental para que novas rádios comunitárias possam surgir e cumprir seu papel social nas cidades, nas periferias, no interior, nas comunidades tradicionais e onde muitas vezes os grandes veículos não chegam. Principalmente, quando o novo PNO vai beneficiar cerca de mais de 1.200 municípios. Quando esse processo fica engavetado, quem perde é a população, que segue sem acesso a meios de comunicação comprometidos com a realidade local e com o interesse público”, declarou.

A Abraço Brasil reforça que a publicação do PNO vai além de um procedimento administrativo. A entidade lembra que a abertura de novas outorgas está diretamente ligada à democratização da comunicação, à diversidade de vozes e ao fortalecimento da cidadania. A expectativa do movimento era de que, com a retomada do debate sobre políticas públicas de comunicação no atual governo, houvesse avanços mais concretos também para o setor comunitário. No entanto, passados meses sem definição, a avaliação é de que o impasse precisa ser enfrentado com urgência.

A Abraço Brasil informou que seguirá acompanhando o tema e cobrando posicionamento do Executivo Federal. Para a entidade, a publicação do Plano Nacional de Outorgas para Sul e Sudeste é uma medida necessária e urgente para garantir que a comunicação comunitária continue crescendo como instrumento de participação popular e fortalecimento da democracia brasileira.

Fim da escala 6×1: contra as elites e os algoritmos, classe trabalhadora conquista vitória histórica na Câmara

Agora, a pressão deve continuar para garantir a aprovação em dois turnos no Senado, onde serão necessários pelo menos 49 votos em dois turnos (com intervalo mínimo de cinco dias entre um turno e outro).

A classe trabalhadora obteve uma vitória histórica na primeira batalha pela redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) aprovada na Câmara dos Deputados nesta quarta (27/5) põe fim à escala 6×1 em 60 dias após a publicação da emenda. Agora, a próxima batalha se dará no Senado Federal.

A pressão popular fez o texto do relator passar com folga nos dois turnos de votação (472 votos no primeiro e 461 no segundo) e mostra que a mobilização da classe trabalhadora surtiu efeito. “Um parlamento composto em sua maioria por representantes do capital e da classe patronal teve que se render à pressão das trabalhadoras e trabalhadores”, comenta o petroleiro Tadeu Porto, secretário de Comunicação do FNDC e secretário adjunto de comunicação da CUT. 

Agora, a pressão deve continuar para garantir a aprovação em dois turnos no Senado, onde serão necessários pelo menos 49 votos em dois turnos (com intervalo mínimo de cinco dias entre um turno e outro).

A discussão da PEC pelos senadores vai depender da disposição do presidente da casa, Davi Alcolumbre (União-AP), para pautar o tema, e começa com a leitura do texto em Plenário e seu encaminhamento à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A CCJ tem até 30 dias para apresentar seu parecer. Depois disso, são necessárias cinco sessões deliberativas para discutir o tema. Depois das discussões, é que haverá votação em primeiro turno.

Ou seja, a mobilização pela votação e aprovação da redução da jornada de trabalho continua nas ruas e na internet. “E mais uma vez, vamos ter que descobrir quem está ao lado da classe trabalhadora”, observa Tadeu Porto.

Apesar da mídia tradicional e dos algoritmos

A aprovação na Câmara tem um sabor ainda mais especial porque o interesse da classe trabalhadora prevaleceu sobre os discursos alarmistas dos especialistas ouvidos pela mídia tradicional e dos grandes influenciadores de direita, que durante meses tentaram convencer trabalhadoras e trabalhadores de que a redução da jornada é negativa.

“Nós, que estamos na luta pelo direito à comunicação, comemoramos duplamente. Primeiro, porque somos trabalhadoras e trabalhadores. Segundo, porque conseguimos fazer uma Câmara composta por deputados e deputadas em sua maioria contrários à classe trabalhadora sentirem o peso da nossa união e mobilização”, comenta Kátia Marko, coordenadora-geral do FNDC.

Kátia lembra que mídia sem regulação é instrumento da classe patronal, por isso, o FNDC se mantém ativo há mais de 30 anos. “A luta pela democratização do direito à comunicação também é uma luta da classe trabalhadora e isso fica mais evidente a cada novo avanço.”

Veja o que foi aprovado na Câmara e será discutido no Senado

Em 60 dias da publicação da PEC

  • Início da escala de cinco dias de trabalho com dois dias de descanso remunerado, sem redução de salário.
  • Redução da jornada de 44 horas semanais para 42 horas.

Em 14 meses

  • Redução da jornada de 42 para 40 horas semanais, mantida a escala 5×2, com dois dias de descanso, sendo um deles preferencialmente aos domingos.

Exceções

O texto aprovado na Câmara exclui os trabalhadores celetistas com diploma de nível superior com remuneração mensal igual ou superior a duas vezes e meia o limite máximo dos benefícios do Regime Geral da Previdência Social (R$ 21,1 mil), exceto empregados públicos.

Com presença de brasileiros, curso em Caracas articula rede latino-americana de comunicação

Curso reúne cerca de 100 comunicadores de 22 países em Caracas | Crédito: LaUiCom

LaUiCom reuniu 100 comunicadores de 22 países para debater estratégias contra a hegemonia midiática

Leonardo Fernandes
Brasil de Fato

Caracas (Venezuela) – Uma delegação brasileira de jornalistas e comunicadores participou do curso de Comunicação Política da Universidade Internacional das Comunicações (LaUiCom), realizado de 11 a 23 de maio de 2025, em Caracas, capital da Venezuela. O encontro reuniu 100 comunicadores de 22 países com o objetivo de articular uma frente continental contra a desinformação.

O reitor internacional da LaUiCom, Fernando Buen Abad, afirmou que o objetivo é consolidar uma frente latino-americana internacionalista de comunicação crítica. “Sabemos que temos muitas coincidências com muito diversos grupos, organizações e formações comunicacionais em todo o continente. O que está nos faltando é colocar três ou quatro pontos de acordo para a unidade, não para a uniformidade, para a unidade. E para isso organizamos este diplomado em comunicação política para gerar políticas de comunicação”, afirma o professor.

Abad avalia que as novas disputas geopolíticas e o avanço da extrema direita intensificaram a guerra midiática contra países não alinhados a interesses hegemônicos. “Acreditamos que a agressão midiática piorou, que as condições de guerra midiática pioraram muito e queremos que nossos instrumentos de análise e de contraofensiva comunicacional estejam atualizados todo o tempo”, afirmou.

A jornalista Paola Nogueira, de São Paulo, foi uma das participantes. Para ela, a realidade venezuelana contrasta com o que é retratado pela grande mídia brasileira. “É a primeira vez que eu venho para a Venezuela. Antes de vir, a gente tem uma impressão de que o clima aqui vai ser um pouco difícil, até pelo terrorismo que é pintado pela imprensa em geral. As coisas são normais, as pessoas vivem normalmente, as coisas funcionam, as pessoas são muito receptivas, são muito gentis”, relatou.

Nogueira também destacou o engajamento dos participantes. “A expectativa aqui no curso é aprender ainda mais. Eu vejo que as pessoas estão muito empenhadas e têm um desejo muito grande de construir uma comunicação libertadora de fato, que seja ainda mais comprometida com a verdade. Nesse tempo de fake news, é muito importante que a gente se engaje nisso”, pontuou.

Rafaella Coury, supervisora de edição do Brasil de Fato, falou sobre a responsabilidade de levar ao público uma visão diferente da que é difundida pela grande mídia. “A gente está por aqui mesmo, compartilhando com pessoas que moram aqui, que estudam aqui, que lecionam aqui. E a gente percebe o quanto as visões que temos são muito pré-moldadas, muito preconceituosas e ainda muito imperialistas em muitos sentidos”, disse.

Para ela, essa experiência reforça o compromisso do veículo com uma cobertura mais fiel à realidade. “Cabe a nós, ao Brasil de Fato, levar esse outro lado. Caracas é lindo, as pessoas são extremamente gentis e tudo o que se leva para fora daqui é sempre negativo. Mas não é assim que funciona”, afirmou.

Para a editora do Brasil de Fato do Rio Grande do Sul e coordenadora-geral do FNDC, Kátia Marko, o projeto popular de comunicação só tem a ganhar com a participação no curso e a formação de uma rede de comunicadores em defesa da verdade.

“Eu me sinto construindo uma história. O que o Brasil de Fato e o público do Brasil de Fato ganham, principalmente, é a possibilidade de saber a verdade sobre o que está acontecendo não só na Venezuela, mas em vários países da América Latina, porque a gente tem aqui todos os países da América Latina representados por pessoas muito qualificadas”, diz. “Todo mundo que está aqui neste curso tem uma grande caminhada na comunicação e não só na comunicação como na política e na construção de uma visão libertadora, de uma visão de uma América Latina unida e uma América Latina soberana. Me parece que saímos do discurso e estamos construindo na prática, buscando os meios para realmente termos esta América Latina”, avalia a jornalista.

Delegação brasileira presente no curso de Comunicação Política da Universidade Internacional das Comunicações, em Caracas | Divulgação/LaUiCom | Crédito: LaUiCom

Por sua vez, Ednúbia Ghisi, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), além da troca e do aprendizado, essa é uma oportunidade para se somar à tarefa de desmontar a campanha de desinformação sobre o país e contribuir com a resistência.

“Aquilo que se diz sobre a Venezuela é muito diferente do que a gente consegue ver aqui e ouvir do povo venezuelano. A gente tem uma tarefa enorme que é de conseguir fortalecer essa voz popular, essa voz do povo organizado da Venezuela, e fazer ecoar também a experiência de resistência popular que esse país tem dado, tem mostrado para todo mundo”, diz a militante sem terra.

Editado por: Thaís Ferraz

Caravana do FNDC pelo Direito à Comunicação chega ao Recife neste sábado (30/05)

Evento reúne ativistas, pesquisadores e lideranças sociais em torno da defesa da soberania digital e da democracia

Territórios, Soberania Digital e Defesa da Democracia. Esse é o tema escolhido pela Caravana do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) em sua passagem pelo  Recife (PE). O evento vai acontecer no próximo sábado (30/05), na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações de Pernambuco – Sinttel (Rua Afonso Pena, 333, Santo Amaro) e está com inscrições gratuitas abertas. Contudo, as vagas são limitadas.

A programação tem início às 8h30, com o credenciamento das pessoas participantes. Às 9h, o encontro abre com o debate “Soberania digital, territórios e defesa da democracia”, uma reflexão urgente sobre o controle das plataformas tecnológicas e seu impacto na soberania nacional e nos direitos humanos. A mesa contará com a experiência de Helena Dias (FNDC Pernambuco), a articulação política de Carol Beraldo (FNDC Nacional) e Admirson Greg (CNDH), além do olhar territorial de Victor Moura (Redes do Beberibe), Lorena Bezerra (Casa das Juventudes Girlene Rosa) e Junior Cardeal (jornalista, professor e produtor cultural). O aporte teórico e educomunicativo ficará a cargo do pesquisador Cláudio Paiva (UFPB) e da professora Andrea Trigueiro (Unicap), fundamentais para conectar os marcos da soberania digital à realidade das periferias e comunidades tradicionais.

Na sequência, às 10h30, o evento promove uma plenária conjunta entre Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Este momento visa fortalecer a integração regional e consolidar diretrizes para os eixos de atuação do FNDC. O debate será conduzido por Carol Beraldo (FNDC), Marcelo Dantas (CCLF), Ivan Moraes (DiraCom), Lucinha Figueiredo (FNDC/Regional Nordeste II) e Alex Pontes (FETRAF-RN/CUT-RN). A diversidade de trajetórias — que vai do jornalismo à agricultura familiar — será o motor para a construção de agendas coletivas e para a aprovação das propostas que integrarão a plataforma eleitoral do FNDC, visando pautar candidaturas aos cargos de presidência, governos e legislativos estaduais e federais no pleito de 2026.

A tarde será marcada pelo eixo formativo, às 13h30, com a oficina “Soberania digital nas Eleições 2026”. O espaço será voltado ao desenvolvimento de estratégias práticas de combate à desinformação e ao uso ético das ferramentas digitais no período eleitoral. A mediação será realizada por um time de especialistas e lideranças políticas, incluindo Manuella Mirella (UJS), Nátaly Guilmo e Manú Castro.

O encerramento, às 17h, contará com um ato político-cultural. O momento será dedicado a celebrar a integração da militância e reafirmar o compromisso coletivo com a democratização da comunicação como um direito humano inegociável e base indispensável para a justiça social e a soberania digital no Brasil.

Serviço

Programação

8h – Credenciamento

8h30 – Saudação inicial e Leitura do Cordel pela Democratização da Comunicação
Kátia Marko – Jornalista. Coordenadora-geral do FNDC. Editora do Brasil de Fato RS. Integra o Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC)
Edilson Santana – Diretor de Políticas Institucionais do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações de Pernambuco (Sinttel-PE).

9h – Roda de diálogo “Soberania digital, territórios e defesa da democracia”
Helena Dias (Comitê da Caravana FNDC PE) – Jornalista recifense, formada pela Unicap. Atua há mais de dez anos com comunicação de causas. É militante do Mãos Solidárias Pernambuco.
Carol Beraldo – Jornalista. Social media. Secretária de Juventude do PCdoB-SP e de Organização do FNDC.
Admirson Greg – Secretário Nacional de Economia Solidária da CUT, membro do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), onde coordena a Relatoria sobre IA e Direitos Humanos, e do Conselho Nacional de Economia Solidária (CNES). Pós-graduado em Gestão Pública
Victor Moura – Jornalista e pesquisador. Fundador do coletivo de comunicação Redes do Beberibe.
Lorena Bezerra – Psicóloga. Integra o movimento quilombola de Pernambuco/coordenação da Casa das Juventudes Girlene Rosa.
Júnior Cardeal – Professor de Educação Física da rede pública de ensino, jornalista periférico, ator, graffiteiro, produtor cultural e cineasta.
✅ Claudio Paiva – Professor de Comunicação (DECOM-CCTA-UFPB) e Pós-Graduação – Mestrado Profissional em Jornalismo (CCTA/UFPB), graduação em Comunicação, bacharelado em Jornalismo – UFPB (1984).
Andrea Trigueiro – Jornalista, pesquisadora e professora na Escola de Tecnologia e Comunicação da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). Idealizadora e coordenadora do projeto de extensão EducomDH (Educomunicação e Direitos Humanos na Mídia).

10h30 – Plenária conjunta Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte
Carol Beraldo – Jornalista. Social media. Secretária de
Juventude do PCdoB-SP e de Organização do FNDC.
Marcelo Dantas – Jornalista, historiador e educomunicador. Coordena o Programa Direito à Comunicação do Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF). Apresentador do TV Direitos Humanos (TVDH) e colunista do podcast Expressão Livre DH. Membro do Conselho Deliberativo do FNDC.
Ivan Moraes – Jornalista, escritor, defensor de direitos humanos, mestre em comunicação pelo PPGCOM/UFPE, conselheiro do Centro de Cultura Luiz Freire e integrante do DiraCom – Direito à Comunicação e Democracia.
Lucinha Figueiredo – Jornalista e assistente social, secretária-geral do Sintac, da coordenação do Comitê da Paraíba e do Conselho Deliberatvo do FNDC, representando a
regional Nordeste II.
Alex Pontes – Agricultor familiar. Coordenador Estadual da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Rio Grande do Norte (FETRAFRN) e Secretário de Comunicação na CUT/RN.

12h às 13h30h – Almoço

13h30 – Oficinas “Soberania digital nas Eleições 2026”
Manuella Mirella – Diretora Nacional de Mulheres da UJS (União da Juventude Socialista) e ex-presidenta da UNE (União Nacional dos Estudantes).
Nátaly Guilmo
Manú Castro

17h – Ato político cultural

Solidariedade ao povo cubano e sua revolução. Fora, Trump!

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) vem a público manifestar sua profunda preocupação com o recrudescimento da guerra cognitiva promovida pelos Estados Unidos contra Cuba e prestar solidariedade ao povo cubano e ao seu ex-presidente Raúl Castro Ruz diante da ameaça de invasão iminente ao seu país.

O povo cubano resiste heroicamente há mais de seis décadas de bloqueio ilegal promovido pelos Estados Unidos e vive um dos momentos mais tensos de sua história com a possibilidade real de ter seu território violado pelo governo de Donald Trump (nos moldes do que foi feito na Venezuela, contra Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores, ou de outra forma qualquer).

O indiciamento de Raúl Castro por alegada responsabilidade na queda de duas aeronaves da organização Irmãos ao Resgate, em 1996, é apenas um pretexto para tentar legitimar o que não tem legitimidade alguma.

Estamos do lado do povo cubano, da sua revolução e do seu modo de vida! Nos unimos a todas as vozes que, neste momento, exigem ainda mais o fim dos embargos econômicos, políticos e financeiros impostos pelo imperialismo estadunidense a Cuba.

Denunciamos a falsa defesa da liberdade de expressão usadas como pretexto pelas agências governamentais estadunidenses e as big techs contra Cuba. O objetivo é claro: saturar o ecossistema informacional com narrativas de desespero, hiperinflacionar crises legítimas agravadas pelo próprio bloqueio econômico criminoso e sufocar as vozes que defendem a soberania cubana.