A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) realiza, no dia 3 de setembro, às 19h30, uma transmissão ao vivo para apresentar os resultados do levantamento “Perfil e Condições de Trabalho de Jornalistas em Entidades Sindicais”.
Inédito, o estudo foi realizado pela Diretoria Executiva da FENAJ, em conjunto com a Secretaria de Mobilização das e dos Jornalistas em Assessoria de Comunicação, com o objetivo de conhecer mais profundamente a realidade de jornalistas que atuam em sindicatos, associações, federações, confederações e centrais sindicais de todo o país.
O levantamento aborda aspectos como condições de trabalho, vínculos empregatícios, remuneração, estrutura das equipes de comunicação, carreira e situações de assédio vivenciadas no ambiente profissional. Contou com a participação de jornalistas de diferentes regiões do Brasil e teve todos os dados tratados de forma agregada e anonimizada.
A iniciativa parte da necessidade de ampliar o conhecimento sobre as condições de trabalho de uma parcela importante da categoria e, a partir desse diagnóstico, fortalecer a atuação sindical em defesa de relações de trabalho dignas, respeito aos direitos trabalhistas e valorização profissional.
Durante a live, a FENAJ apresentará os principais resultados do levantamento e discutirá os desafios identificados, além dos próximos passos para transformar o diagnóstico em ações concretas em defesa dos jornalistas que trabalham no movimento sindical.
Live de lançamento do levantamento “Perfil e Condições de Trabalho de Jornalistas em Entidades Sindicais” 📅 3 de setembro de 2026 (quinta-feira) 🕢 19h30 📺 Canal da FENAJ no YouTube
Evento virtual será realizado em 8 de setembro, às 19h30, no canal do FNDC no YouTube
O FNDC promove, no próximo dia 8 de setembro, às 19h30, o lançamento digital da Plataforma Política 20 Pontos para uma Comunicação Democrática, iniciativa que reúne propostas consideradas estratégicas para a construção de um sistema de comunicação mais plural, democrático e comprometido com os direitos da população brasileira.
A atividade será transmitida pelo Canal do FNDC no YouTube. O evento também terá a participação de convidados especiais, cujos nomes ainda serão confirmados pela organização.
A plataforma foi lançada presencialmente em São Paulo, no encerramento da 27ª Plenária Nacional (1º/8). Elaborada como uma carta de compromissos voltada a candidaturas e lideranças políticas interessadas em fortalecer políticas públicas de comunicação, já teve a adesão de mais de 50 candidaturas.
Entre os principais eixos do documento estão a atualização da legislação para combater monopólios e oligopólios nos meios de comunicação, a garantia da complementaridade entre os sistemas público, privado e estatal de radiodifusão e a ampliação da diversidade de vozes no ambiente informacional.
O texto também defende a universalização do acesso significativo à banda larga, o fortalecimento da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a proteção de dados pessoais, o apoio às mídias comunitárias e alternativas e a regulação democrática das plataformas digitais e dos sistemas de inteligência artificial.
A iniciativa busca reafirmar a comunicação como um direito humano fundamental e um elemento central para o fortalecimento da democracia, da soberania nacional e da participação social nas políticas públicas do setor. O lançamento online marcará o início de uma nova etapa de mobilização em torno das propostas da plataforma, ampliando o debate público sobre o direito à comunicação e os desafios da democratização dos meios e das plataformas digitais no Brasil.
Serviço
Lançamento da Plataforma Política 20 Pontos para uma Comunicação Democrática Data: 8 de setembro Horário: 19h30 Transmissão: Canal do FNDC no YouTube Apresentação: Igor Carvalho (Brasil de Fato)
O ANDES-SN lança, no dia 16 de setembro, o documentário “Educação e Ciência por um Brasil que dá certo”. Com direção de André Manfrim, o filme será exibido às 17h, no Anfiteatro de Geografia da FFLCH/USP (Campus Butantã). Posteriormente, será lançado regionalmente em outras cinco capitais.
A obra é uma iniciativa da Campanha “Lutar não é Crime!”, do Sindicato Nacional, para combater a avalanche de ataques da extrema direita e das políticas de austeridades dos sucessivos governos à educação superior e à ciência públicas e para reforçar o papel fundamental de ambas na transformação da realidade brasileira. O filme conta com a participação de lideranças estudantis e sindicais, personalidades públicas e com o depoimento de brasileiras e brasileiros, cujas vidas são impactadas, cotidianamente, pelo ensino superior e pela ciência.
“O documentário pretende ser um instrumento contra a desesperança alimentada pela extrema direita e pelo realismo cínico de quem só defende cortes. Queremos chamar a atenção da população brasileira para a esperança, para a defesa desses patrimônios nacionais tão importantes para nossa classe trabalhadora, que são as instituições de ensino e pesquisa públicas”, explicou o presidente do ANDES-SN, Cláudio Mendonça. Ele conclama todas as seções sindicais a organizarem sessões para exibição do documentário, para dar ampla divulgação ao filme.
Dados da educação e ciência públicas
Mais de 95% da produção científica brasileira provém das Universidades públicas. Segundo o Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (Inpi), quatro das seis maiores requisitantes de patentes no país são universidades públicas.
De acordo com estudos baseados no Censo da Educação Superior, a presença de estudantes negros e negras nas Universidades públicas brasileiras cresceu mais de 22%, nos últimos 20 anos, chegando a 51,2% do total de matrículas. Atualmente, 64,7% dos estudantes das Universidades públicas vieram, integral ou majoritariamente, de escolas públicas; 70,1% dos estudantes pertencem a famílias com renda mensal per capita de até 1,5 salário-mínimo.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a taxa de emprego informal é 45% menor entre pessoas com ensino superior completo, em comparação com quem cursou apenas o ensino médio. Trabalhadoras e trabalhadores com ensino superior ganham, em média, 148% mais do que aquelas e aqueles com apenas ensino médio. Os dados demonstram o que o documentário reforça: a Educação e Ciência públicas são fundamentais para o Brasil dar certo.
Serviço
EDUCAÇÃO E CIÊNCIA POR UM BRASIL QUE DÁ CERTO Documentário. 2026. Direção: André Manfrim. 25’ min. Uma produção ANDES-SN e Cajuína Filmes
Lançamento Nacional 16 de setembro (quarta-feira), às 17h, na FFLCH/USP – Anfiteatro de Geografia – Campus Butantã
Lançamentos regionais (locais e horários a serem confirmados)
Convidados do Vozes pela Democracia 119 alertaram para remoções arbitrárias de conteúdo, falta de transparência na moderação e concentração de poder nas big techs
A remoção de conteúdos sem justificativa clara, a restrição de alcance de publicações e a ausência de mecanismos transparentes de recurso nas plataformas digitais estão entre os principais desafios para a liberdade de expressão e o direito à comunicação no Brasil. O tema foi debatido na edição 119 do programa Vozes pela Democracia (28/8), que reuniu a jornalista Ramênia Vieira, coordenadora do Observatório De Olho na Censura (iniciativa do Diracom), e o especialista em direitos digitais Luã Cruz, cofundador da CTRL+Z.
Segundo os convidados, os mecanismos de moderação das plataformas digitais têm afetado especialmente grupos historicamente marginalizados, como povos indígenas, movimentos sociais, comunicadores populares e veículos independentes. Além disso, apontaram que o problema vai além das redes sociais e está relacionado a formas estruturais de censura e à concentração do poder comunicacional.
Para Ramênia Vieira, o silenciamento de vozes não começou com as plataformas digitais. Ela lembrou que comunidades inteiras convivem há décadas com restrições ao acesso à comunicação, situação vivida por rádios comunitárias e meios alternativos em diferentes regiões do país.
“A censura não nasceu agora. Ela vem de um período muito anterior, dos desertos de notícia que impedem que determinadas regiões tenham acesso à comunicação. As rádios comunitárias sabem bem como é essa luta, muitas vezes enfrentando o próprio poder político local”.
Ramênia Vieira
A coordenadora do Observatório De Olho na Censura destacou que, durante o período eleitoral, as restrições se intensificam e podem comprometer o debate democrático ao limitar a circulação de determinadas posições políticas e sociais.
Ela ressaltou ainda que as primeiras denúncias recebidas pelo observatório envolveram conteúdos relacionados aos povos indígenas e às pautas ambientais. “Temos cada vez mais situações em que movimentos, comunicadores e organizações têm seus conteúdos removidos, suspensos ou restringidos sem compreender exatamente os motivos”, explicou.
Luã Cruz apresentou resultados do Arquivo de Danos Digitais, iniciativa da CTRL+Z que reúne relatos de usuários afetados por práticas das plataformas. Segundo ele, a organização identificou centenas de casos de jornalistas e veículos de comunicação que tiveram conteúdos ou perfis removidos sem explicação adequada.
“Não acontece apenas a censura algorítmica. Há também um processo de desrespeito ao devido processo. As plataformas não explicam o que aconteceu, não garantem contraditório, defesa ou mecanismos eficazes de apelação”, afirmou.
O especialista alertou que a falta de transparência é agravada pelo descumprimento de decisões judiciais em alguns casos. “Mesmo quando há liminar favorável, identificamos situações em que as plataformas não cumprem a decisão”, disse.
Durante o debate, os participantes também chamaram atenção para a crescente influência das grandes empresas de tecnologia sobre a circulação de informações e sobre o próprio debate público, destacando que o modelo concentra poder em empresas estrangeiras e coloca desafios para a soberania digital do país.
Ramênia Vieira observou que a internet, inicialmente vista como um espaço de ampliação da pluralidade de vozes, tornou-se cada vez mais dependente de ambientes controlados por poucas corporações.
“A gente sonhava que a internet fosse esse lugar que daria voz às pessoas. Mas esse espaço foi se transformando e ficando cada vez mais limitado. Hoje estamos dentro de plataformas estrangeiras que restringem o nosso debate”, avaliou.
Na mesma linha, Luã Cruz defendeu a construção de alternativas nacionais para reduzir a dependência tecnológica e fortalecer a autonomia do país.
“Assim como temos o Pix, precisamos desenvolver nossas próprias tecnologias, nossos sistemas de e-mail, de armazenamento e de comunicação. O Brasil tem universidades, cientistas e capacidade tecnológica para isso”.
Luã Cruz
Ao final do programa, os convidados reforçaram a importância de uma regulação ampla e democrática para o setor, capaz de fortalecer a comunicação comunitária, os meios independentes e as iniciativas de monitoramento de violações à liberdade de expressão, como forma de ampliar a diversidade de vozes e garantir o direito à comunicação previsto na Constituição Federal.
Episódio evidencia a necessidade de regulação democrática das plataformas, com regras claras de moderação, transparência algorítmica, devido processo e proteção à liberdade de expressão, à diversidade informativa e ao direito à comunicação
A remoção de perfis, páginas e conteúdos por plataformas digitais sem transparência sobre critérios, procedimentos ou possibilidade efetiva de contestação é uma das situações frequentemente apontadas pelo FNDC e demais entidades e movimentos que atuam na defesa da liberdade de expressão e do direito à comunicação. Nesse contexto, chamou atenção a suspensão temporária do perfil do site Brasil Fora da Caverna (BFC) no Instagram.
O perfil foi removido pela Meta em 21 de agosto e restabelecido cerca de 24 horas depois. Segundo informações divulgadas pelo próprio veículo e reproduzidas por diferentes meios de comunicação, a suspensão ocorreu sem aviso prévio e sem justificativa pública da plataforma. À época da remoção, a página reunia mais de 1,1 milhão de seguidores.
Em nota divulgada após o episódio, a direção do BFC classificou a medida como censura e informou que buscaria esclarecimentos junto à Meta. As reportagens consultadas registram que a empresa não apresentou explicação pública para a retirada nem para a posterior reativação da conta.
Em entrevista ao Diário do Centro do Mundo, o fundador e diretor de conteúdo do BFC, Eduardo Betinardi, afirmou que o veículo já havia enfrentado situações semelhantes. “Em 2023, o BFC foi suspenso pela Meta, mas a conta foi reestabelecida judicialmente. Recentemente, ganhamos mais um processo. O problema é sempre o mesmo: a Meta derruba posts (ou até mesmo o perfil), mas não consegue justificar suas ações”.
Na mesma entrevista, Betinardi acrescentou: “No primeiro semestre de 2026, ganhamos uma ação referente à retirada de conteúdos jornalísticos e corte do nosso alcance. A justiça determinou que a Meta ‘devolvesse’ os conteúdos e aplicou uma multa diária”. A reportagem não informa o número do processo judicial mencionado.
O episódio gerou manifestações de apoio ao veículo nas redes sociais. Segundo reportagem do Diário do Centro do Mundo, houve mobilização de apoiadores e de perfis ligados ao movimento Sleeping Giants antes da reativação da conta.
Regulação das plataformas
O FNDC acompanha com preocupação casos de remoção de conteúdos e perfis por plataformas digitais sem transparência quanto aos critérios adotados e sem garantias efetivas de contraditório e recurso. A suspensão temporária do perfil Brasil Fora da Caverna, seguida de seu restabelecimento sem explicação pública da Meta, evidencia a necessidade de regulação democrática das plataformas digitais, com regras claras de moderação, transparência algorítmica, devido processo e proteção à liberdade de expressão, à diversidade informativa e ao direito à comunicação.
Fontes: Revista Fórum, Brasil 247, Diário do Centro do Mundo e Brasil Fora da Caverna.
Em participação no Vozes pela Democraica, o presidente do INIADS Brasil destacou que empresas como Meta, Google, Amazon e Microsoft possuem interesses próprios e são capazes de influenciar o alcance de conteúdos políticos.
O uso da inteligência artificial, o poder das plataformas digitais e a necessidade de regulamentação das big techs estiveram no centro do debate da edição 118 do programa Vozes pela Democracia. O entrevistado foi José Vital, publicitário, pesquisador, comunicador estrategista, presidente do Instituto Nacional por Inteligência Artificial com Direitos Sociais (INIADS Brasil) e integrante da Coordenação Brasil da Frente por IA com Direitos Sociais.
Durante a conversa com o apresentador Sousa Jr., Vital alertou para os riscos da utilização da inteligência artificial no processo eleitoral e para a influência que as grandes plataformas digitais exercem sobre a circulação de informações e a formação da opinião pública.
O debate começou a partir do uso de uma imagem e voz geradas por inteligência artificial de Jair Bolsonaro em uma convenção eleitoral de seu filho, Flávio Bolsonaro. Para José Vital, a questão exige atenção das autoridades eleitorais, especialmente diante da capacidade da IA de produzir conteúdos que simulam pessoas reais.
“A inteligência artificial permite literalmente falsificar realidades. O grande problema é que a velocidade da evolução tecnológica é muito maior do que a velocidade das decisões sociais, políticas e institucionais”, afirmou.
Segundo ele, mesmo havendo restrições ao uso de recursos de IA em campanhas eleitorais, a demora das instituições em responder a casos concretos pode abrir espaço para uma escalada de práticas que comprometam a integridade do processo democrático.
Algoritmos e disputa política
Além do uso direto da IA em campanhas, José Vital destacou o papel dos algoritmos das plataformas digitais. Para ele, empresas como Meta, Google, Amazon e Microsoft possuem interesses próprios e são capazes de influenciar o alcance de conteúdos políticos.
“As redes sociais se tornaram um espaço central de disputa. Quando os algoritmos restringem determinadas mensagens e potencializam outras, eles entram em choque com a própria democracia, que pressupõe a livre circulação de ideias e a possibilidade de diálogo com a população”.
José Vital
Sousa Jr. ressaltou que a concentração de poder comunicacional se tornou ainda mais complexa com a ascensão das plataformas digitais. Se antes o debate sobre democratização da comunicação estava centrado na concentração da propriedade dos meios de radiodifusão, hoje soma-se a esse cenário a hegemonia de conglomerados tecnológicos globais.
Regulamentar para proteger direitos
Ao longo da entrevista, Vital defendeu a necessidade de regulação das redes sociais, da inteligência artificial e dos data centers que vêm sendo instalados em diferentes estados brasileiros.
Ele ressaltou que o debate precisa envolver o Congresso Nacional, os governos, universidades e a sociedade civil organizada, uma vez que as decisões tomadas hoje terão impacto direto sobre a soberania digital do país.
“No caso dos data centers, precisamos discutir os impactos ambientais, o consumo de água e energia, os benefícios fiscais concedidos e os retornos efetivos para as comunidades. Não podemos aceitar que projetos bilionários avancem sem regras claras e sem contrapartidas sociais”, afirmou.
O ativista avalia que as grandes empresas de tecnologia resistem a processos regulatórios porque pretendem manter liberdade total de operação. Por isso, considera fundamental eleger representantes comprometidos com o interesse público e com a construção de marcos regulatórios capazes de proteger a sociedade.
Tecnologia a serviço da redução das desigualdades
José Vital também destacou que a defesa da regulamentação não significa oposição ao desenvolvimento tecnológico. Segundo ele, a Frente por IA com Direitos Sociais defende uma tecnologia voltada para a promoção de direitos, redução das desigualdades e melhoria das condições de vida da população.
“Nós queremos a tecnologia. Mas queremos uma tecnologia que ajude a reduzir desigualdades sociais, melhorar as condições de trabalho e ampliar a qualidade de vida das pessoas”.
José Vital
Nesse sentido, ele informou que a Frente por IA com Direitos Sociais vem ampliando sua articulação nacional e já possui coordenações organizadas em estados como Ceará, Rio de Janeiro, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Distrito Federal. A próxima plenária estadual, anunciou, será realizada em Minas Gerais.
Eleições e soberania digital
Na avaliação dos participantes do programa, as eleições deste ano terão papel decisivo na definição de políticas relacionadas à regulação das plataformas digitais, da inteligência artificial e da infraestrutura tecnológica do país.
Para José Vital, a sociedade precisa acompanhar atentamente as posições dos candidatos e candidatas aos cargos legislativos e executivos, já que o futuro das políticas públicas ligadas à comunicação, à tecnologia e aos direitos digitais dependerá das decisões tomadas pelos próximos representantes eleitos.
“O futuro está em jogo. Precisamos de representantes que tenham coragem de enfrentar os interesses das grandes corporações e defender uma visão de sociedade comprometida com a democracia, os direitos sociais e a soberania nacional”, concluiu.
O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) convida e incentiva as entidades da sociedade civil a participarem do processo eleitoral do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) para o biênio 2026-2028.
O FNDC integra atualmente o CNDH por meio da Comissão Permanente Direito à Comunicação e à Liberdade de Expressão e considera fundamental ampliar a participação das organizações comprometidas com a defesa dos direitos humanos neste importante espaço de controle social e incidência política.
O edital de convocação das eleições foi lançado pelo CNDH e prevê inscrições até as 23h59 do dia 28 de agosto de 2026 (horário de Brasília). As entidades interessadas podem optar por duas modalidades de participação:
Habilitação para compor o Colégio Eleitoral; e/ou
Candidatura a uma vaga no CNDH para o biênio 2026-2028.
Em ambas as modalidades é obrigatória a apresentação da documentação exigida pelo edital. Para as entidades que desejarem concorrer a uma vaga no Conselho, será necessário também indicar formalmente a pessoa representante da organização habilitada no Colégio Eleitoral.
Documentação obrigatória
Três anexos obrigatórios previstos no edital;
Ata de posse da atual diretoria registrada em cartório;
Estatuto da entidade registrado em cartório, comprovando sua existência há pelo menos dois anos;
Relatório de atividades e ações desenvolvidas em defesa dos direitos humanos nos últimos dois anos.
O FNDC está dialogando com as entidades que atualmente participam das comissões do CNDH para conhecer suas intenções de candidatura e fortalecer a construção de representações comprometidas com as pautas dos movimentos sociais. Nesse sentido, é fundamental que as organizações se apropriem deste debate e considerem sua participação no processo eleitoral.
O edital completo pode ser consultado no portal Gov.br: Edital de Convocação nº 01, de 07 de agosto de 2026.
Precisa de apoio?
Entidades interessadas em se habilitar para o Colégio Eleitoral ou que tenham dúvidas sobre o processo podem entrar em contato com o FNDC:
Lançada pelo FNDC, iniciativa reúne compromissos públicos de candidaturas com propostas para combater a concentração midiática, fortalecer a comunicação pública e regulamentar plataformas digitais.
Dezenas de candidatos aderiram à Plataforma Política 20 Pontos para uma Comunicação Democrática nas últimas duas semanas. Lançada pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) no dia 1º de agosto, a iniciativa reúne compromissos públicos de candidatas e candidatos aos cargos do Executivo e do Legislativo federal e estadual em defesa de um sistema de comunicação mais democrático, plural e comprometido com os direitos da população brasileira.
Para formalizar a adesão, as candidaturas devem assinar a Carta-Compromisso em Defesa da Democracia e por uma Comunicação Democrática e Soberana no Brasil.
O documento foi aprovado durante a 27ª Plenária Nacional do FNDC e reúne 20 pontos considerados prioritários pela entidade para o fortalecimento da democracia e da garantia do direito à comunicação no país.
Entre as principais propostas estão a atualização da legislação para combater monopólios e oligopólios da mídia, a garantia da complementaridade entre os sistemas público, privado e estatal de comunicação e a reserva equilibrada do espectro de radiodifusão.
A plataforma também defende a universalização do acesso à internet banda larga, a regulação democrática das plataformas digitais e da inteligência artificial, além do fortalecimento da comunicação pública e da soberania tecnológica nacional, com destaque para a EBC.
O documento ainda reivindica maior participação social na formulação das políticas de comunicação, apoio às rádios comunitárias e mídias alternativas, combate à desinformação, proteção de dados pessoais e promoção da diversidade nos meios de comunicação.
As propostas buscam enfrentar a concentração da mídia e o poder das grandes plataformas digitais, ampliando direitos, transparência, diversidade e pluralidade informativa no país.
Quinta matéria da série “O Trabalho de Jornalistas no Brasil” mostra que, quando mais alto o cargo, maior o diferença de remuneração média entre homens e mulheres
As mulheres já representam metade dos profissionais do jornalismo com carteira assinada no Brasil. Em 2025, eram 25.184 mulheres entre os 50.330 vínculos formais registrados em funções do jornalismo, o equivalente a 50% da categoria. A igualdade numérica, entretanto, não se traduz completamente em igualdade salarial.
A remuneração média dos homens empregados formalmente em funções do jornalismo foi de R$ 7.005,37 em 2025, enquanto a das mulheres ficou em R$ 6.934,11. A diferença é de R$ 71,26 por mês, ou aproximadamente 1%. A remuneração média geral da categoria foi de R$ 6.969,71.
Os dados são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), e fazem parte do estudo que traça o perfil dos jornalistas no mercado formal brasileiro, realizado para a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ).
A participação feminina não é recente nem pontual. Segundo o levantamento, a presença das mulheres no jornalismo formal permanece relativamente estável há anos, oscilando entre 49% e 51% dos vínculos desde 2006. Em 2025, portanto, mulheres e homens praticamente dividiam igualmente os postos formais da categoria.
Embora a diferença salarial média entre gêneros seja relativamente pequena quando considerados todos os vínculos, a análise por função revela desigualdades muito mais expressivas — especialmente nas posições de maior responsabilidade.
Diferença chega a 40% na direção de redação
O caso mais significativo identificado pelo Dieese está justamente em uma função de chefia: diretor(a) de redação. Em 2025, os homens que ocupavam essa função recebiam, em média, R$ 13.767,68, enquanto as mulheres tinham remuneração média de R$ 8.288,92. Na prática, as mulheres recebiam cerca de 60% do valor pago aos homens, uma diferença de aproximadamente 40%.
O contraste chama atenção porque ocorre justamente em uma posição de comando dentro das estruturas jornalísticas. O dado indica que a presença feminina na categoria não significa, necessariamente, igualdade no acesso às posições de maior remuneração e poder.
Na ocupação de jornalista, que reunia 10.438 vínculos, as mulheres eram maioria: 5.956, contra 4.482 homens. Apesar disso, a remuneração média delas ficou ligeiramente abaixo da masculina: R$ 10.110,81, contra R$ 10.187,61.
O mesmo ocorre entre os revisores de texto, outra função majoritariamente feminina. Eram 2.279 mulheres e 858 homens, mas a remuneração média feminina era de R$ 4.657,37, inferior aos R$ 5.253,15 recebidos pelos homens.
No Vozes pela Democracia, representantes da FENAJ e da Repórteres Sem Fronteiras alertam para os riscos da desinformação impulsionada por inteligência artificial e defendem o fortalecimento do jornalismo nas eleições de 2026.
O avanço da desinformação impulsionada por inteligência artificial (IA), a fragilidade das respostas institucionais e o aumento dos ataques contra jornalistas foram apontados como alguns dos principais desafios para as eleições de 2026 no Brasil. Os temas foram debatidos por Samira Castro, presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), e Bia Barbosa, coordenadora de Advocacy para a América Latina da Repórteres Sem Fronteiras (RSF), durante o programa Vozes pela Democracia da última sexta-feira (14).
Para Samira Castro, o contexto eleitoral reforça a centralidade do jornalismo profissional como instrumento de enfrentamento à desinformação. Segundo ela, em um ambiente dominado por plataformas digitais sem regulação adequada e marcado pela circulação de conteúdos manipulados, a atividade jornalística se diferencia pelo compromisso com a apuração, a checagem, a contextualização e a correção de erros.
“O papel do jornalismo é qualificar o debate público e fazer com que a população tenha condições de escolher entre projetos. Isso só é possível com um jornalismo sério, comprometido com seu papel social”, afirmou.
Samira Castro
A dirigente da FENAJ destacou que a comunicação sempre foi um campo de disputa política e ideológica, mas que essa disputa se torna mais evidente nos períodos eleitorais. Nesse cenário, observou, cresce a responsabilidade dos profissionais de imprensa diante da influência das plataformas digitais sobre a formação da opinião pública.
Bia Barbosa ressaltou que a defesa do jornalismo está diretamente ligada à garantia do direito da sociedade à informação. Segundo ela, em períodos eleitorais, esse direito torna-se ainda mais fundamental para que eleitoras e eleitores possam formar opiniões de maneira consciente e informada.
A representante da RSF chamou atenção para os impactos da inteligência artificial no ambiente informacional. Além de facilitar a produção em larga escala de imagens, vídeos e áudios sintéticos, a tecnologia também está presente nos sistemas algorítmicos que definem quais conteúdos chegam ao público por meio das redes sociais.
“A inteligência artificial não está apenas produzindo desinformação. Ela também influencia a forma como recebemos informação”, observou.
Bia Barbosa
Desinformação em escala industrial
Durante o debate, Samira relatou ter encontrado, ao acessar a rede social X, uma grande quantidade de conteúdos falsos em respostas às publicações de uma candidata. Para ela, o problema ultrapassa iniciativas isoladas e ocorre de forma organizada.
“Isso tem objetivo, tem método e tem financiamento para desinformação”, afirmou.
A presidenta da FENAJ avaliou que a velocidade e a escala da produção de conteúdos enganosos dificultam a atuação dos órgãos de fiscalização. Na sua avaliação, tanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quanto os Ministérios Públicos atuam de forma reativa diante de um fenômeno que se expande continuamente pelas plataformas digitais.
Ela também defendeu a atualização da legislação eleitoral para enfrentar os desafios impostos pela comunicação digital. Segundo Samira, as normas atuais ainda estão estruturadas para coibir práticas tradicionais de propaganda irregular, sem considerar plenamente a dinâmica das redes sociais.
Papel dos eleitores e das instituições
Para Bia Barbosa, o enfrentamento à desinformação exige não apenas ações institucionais, mas também maior responsabilidade dos próprios cidadãos. Ela criticou a lentidão de decisões da Justiça Eleitoral em casos envolvendo o uso de inteligência artificial durante a pré-campanha e alertou para os riscos da falta de respostas rápidas diante de violações já previstas nas normas eleitorais.
A jornalista lembrou que a legislação prevê responsabilização para quem produz e compartilha conteúdos gerados por inteligência artificial sem a devida identificação, inclusive no contexto eleitoral.
“Temos que checar as informações cada vez mais. Buscar fontes confiáveis e verificar se aquele conteúdo foi publicado por veículos de credibilidade antes de compartilhá-lo”, afirmou.
Segundo ela, fortalecer o jornalismo profissional e combater campanhas de descrédito contra a imprensa são medidas essenciais para preservar a qualidade do debate público. “Quando a sociedade não sabe mais em quem acreditar, as decisões deixam de ser baseadas em fatos e passam a ser tomadas a partir de opiniões e achismos”, alertou.
Monitoramento de ataques a jornalistas
Ao final do programa, Bia Barbosa anunciou uma iniciativa conjunta da RSF, da FENAJ e de outras organizações integrantes da Coalizão em Defesa do Jornalismo para monitorar ataques digitais e presenciais contra jornalistas e comunicadores durante todo o período eleitoral.
Os dados serão divulgados ao longo da campanha pelas entidades participantes, com o objetivo de dar visibilidade às agressões e pressionar por medidas mais efetivas de proteção aos profissionais da comunicação.
Samira Castro reforçou que a defesa do direito à informação passa também pela valorização da categoria. “Não existe um jornalismo capaz de dar conta das necessidades de informação da população se os jornalistas não forem bem remunerados e respeitados em seus direitos”, afirmou.
Para as duas convidadas, a defesa da democracia nas eleições passa necessariamente pelo fortalecimento do jornalismo profissional, pela proteção de comunicadores e pelo enfrentamento à desinformação em todas as suas formas.