Roda de conversa abriu a programação com diálogo sobre territórios, soberania e direito à comunicação
A luta pelo direito à comunicação deve resgatar a utopia e a ousadia além das redes sociais. Esse é o resumo dos debates da Caravana do FNDC pelo Direito à Comunicação, neste sábado (30/5), em Recife-PE. A programação reuniu mais de cem participantes para debater territórios, soberania digital e direito à comunicação no Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações de Pernambuco – Sinttel.
Jornalistas, comunicadores populares, acadêmicos, sindicalistas e lideranças de diversos movimentos sociais conversaram sobre os desafios locais impostos pela concentração da mídia tradicional e pelo modelo de negócios das big techs. Iniciativas territoriais bem-sucedidas de comunicação popular também foram apresentadas.
Kátia Marco, coordenadora-geral do FNDC, participou remotamente, com a mensagem de que é preciso enfrentar a guerra cognitiva pela disputa de sentidos para transformar o cenário de estagnação e de retrocessos.
“É urgente, não temos mais tempo, não podemos mais ficar distraídos, apenas rolando feed nas redes sociais e achando que pelas redes vamos fazer a transformação, porque transformação é nas ruas, ela é muito mais profunda. A transformação tem que impregnar, entrar nas mentes e, principalmente, nos corações. E é isso que a gente quer, impregnar dessa vontade, desse desejo, dessa urgência que precisamos ter.
Soberania
O dirigente Cutista e membro do Conselho Nacional de Direitos Humanos, Admirson Júnior (Greg), chamou a atenção para o tema da soberania. “Estamos muito aquém na construção da nossa soberania digital. Se o Brasil tivesse entendido antes a importância desse tema já teríamos nossas próprias plataformas e nossos próprios datacenters”, destacou. Para Greg, os movimentos sociais reunidos na luta pela democratização da comunicação devem voltar a ser utópicos e ousados.
Territórios
Lorena Bezerra, Junior Cardeal, Victor Moura e Andrea Trigueiro falaram sobre suas realidades. Para Lorena, jovem comunicadora quilombola da comunidade Conceição das Crioulas, no Sertão de Pernambuco, a comunicação é uma forma ancestral de resguardar a história de um povo. “Não tem como separar comunicação, ancestralidade e identidade”, afirmou. A partir desse entendimento, a comunidade deixou de contar suas histórias a quem vinha de fora para produzir seus próprios relatos.
O professor da rede estadual de ensino e jornalista popular Junior Cardeal, falou sobre como a disputa pela audiência é desigual nas redes sociais. “A gente tenta utilizar a internet como ferramenta de luta, mas precisa confrontar os algoritmos o tempo todo. Eles não entregam conteúdos que se relacionam com a nossa realidade e que vão nos fazer avançar na luta. Dar mais alcance à nossa produção é um desafio”.
Outro ponto importante da fala de Junior é a percepção de que as crianças estão perdendo a capacidade de prestar atenção. “O audiovisual é uma ferramenta para tentar disputar essa atenção, mas os mais jovens estão cada vez mais com dificuldade de concentração. Fica a pergunta: como essas crianças vão conseguir lidar com a enxurrada de fake news e desinformação.”
Victor Moura, fundador do coletivo de comunicação Redes do Beberibe, também falou sobre sua experiência de jornalista e comunicador popular. Para ele, foi fundamental para as comunidades onde atua levar pautas que dialoguem diretamente com seus desafios diários, como mobilidade urbana e segurança, por exemplo. “O desafio é levar para o cidadão o entendimento sobre seus direitos”.
A jornalista Andrea Trigueiro, professora e pesquisadora na Universidade Católica de Pernambuco, falou sobre as ausências e lacunas na mídia tradicional. “Melhoramos, mas ainda temos muitas comunidades e povos tendo seus direitos violados, estigmatizados, vivendo à margem, sem serem vistos ou terem sua voz ouvida”.
Oficinas
A programação prosseguiu à tarde com a oficina “Soberania digital nas Eleições 2026”, ministrada por Manuella Mirella, Diretora Nacional de Mulheres da UJS (União da Juventude Socialista) e ex-presidenta da UNE (União Nacional dos Estudantes).



















