Execução das ações locais depende da rearticulação das organizações que compõem o Fórum nos estados

Fortalecer a comunicação pública nos estados, inclusive com melhores condições de trabalho para seus profissionais, e buscar a construção de editais para comunicação comunitária, são os dois principais pontos de consenso da plenária conjunta dos Comitês pela Democratização da Comunicação de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte (Região Nordeste 2) para a plataforma eleitoral do FNDC. A plenária encerrou a Caravana do FNDC pelo Direito à Comunicação em Recife, no último sábado (30/5).

A plataforma eleitoral está sendo construída coletivamente nos estados, durante as Caravanas do FNDC, para ser um instrumento de mobilização durante a campanha eleitoral deste ano. Como nas eleições gerais anteriores, o Fórum entregará a plataforma aos candidatos a Presidente da República, governador e deputado federal e estadual. O documento elencará uma série de pontos fundamentais para garantir o direito à comunicação, inclusive de políticas públicas capazes de reduzir a dependência tecnológica do Brasil a partir dos territórios.

Rearticulação

A necessidade de rearticular as organizações que compõem o FNDC nos três estados foi levantada pela jornalista Lucinha Figueiredo, membro do Conselho Deliberativo do FNDC e coordenadora da Região Nordeste 2, como fundamental para que o movimento execute sua agenda local de lutas. “Temos muitas organizações, como associações, sindicatos, partidos e mandatos que podem contribuir para fortalecer nossas ações”. Lucina sugeriu a realização de um encontro regional para avançar na articulação, que deverá acontecer no primeiro semestre de 2027.

Alex Pontes, secretário de Comunicação da CUT-RN, também reforçou a necessidade de os comitês começarem a atuar em rede. Ele relatou dificuldades para a retomada dos encontros do FNDC no Rio Grande do Norte nos últimos anos. Segundo Alex, a CUT tem sido um apoio importante na retomada, mas é indispensável reunir as demais organizações que compõem os comitês e que estão distantes no momento.

Ivan Moraes, integrante do coletivo Diracom – Direito à Comunicação, organização que compõe o Conselho Deliberativo do FNDC, resgatou as dificuldades enfrentadas pela luta em Pernambuco desde o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff. “Durante muito tempo tivemos que parar nossas lutas pelo fim do monopólios e oligopólios de comunicação porque centramos esforços na luta “Fora Bolsonaro”. Agora, nos vemos diante de um cenário oligopolizado pelas big techs com alto potencial de impactar negativamente nosso processo eleitoral deste ano”.

Marcelo Dantas, coordenador do Programa Direito à Comunicação, do Centro de Cultura Luiz Freire, um dos organizadores da Caravana, avaliou positivamente os debates e destacou a proposta de interiorização das caravanas como um destaque importante da discussão. A conclusão geral é de que há uma série de movimentos sociais e organizações de vários setores com agendas afins que podem se somar ao FNDC, fortalecendo e ampliando a luta, e que organizar essa rede é a tarefa primordial deste momento.