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Cessão da Rádio Nacional do Alto Solimões a governo do AM enfraquece sistema público de comunicação

Davi Kopenawa, Xamã do povo Yanomami, em entrevista á Rádio Nacional do Alto Solimões em novembro. Foto: Kátia Lins/EBC

Protocolo anunciado no início do mês pela EBC vem sofrendo duras críticas por parte de entidades de jornalistas e outras que compõem a luta em defesa da comunicação pública

O protocolo de intenções firmado entre a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e a Fundação Encontro das Águas para gestão da Rádio Nacional do Alto Solimões tem gerado reações negativas da sociedade civil. A Frente em Defesa da EBC e da Comunicação pública, que tem entre suas organizações integrantes o FNDC, frisa que a cessão é uma grande perda para o sistema público, previsto no Artigo 223 da Constituição Federal, e uma contradição, considerando o projeto de expansão da Rede Nacional de Comunicação Pública, da EBC.

Para as entidades que defendem a comunicação pública, o momento é de fortalecer a Rádio Nacional do Alto Solimões e as parcerias com a sociedade civil, sobretudo pensando em envolver a população da Amazônia que terá os olhos do mundo sobre si nos debates da COP-30, em 2025.

Outra crítica feita pela entidade é a de que a iniciativa fortalecerá ainda mais o poder do governo do Amazonas, incentivador do garimpo e do agronegócio na região. Além disso, a Fundação Encontro das Águas não tem participação social, que é um requisito da comunicação pública, conforme a Constituição Federal.

Emissora alcança 60 milhões de pessoas

Localizada no município de Tabatinga, na Tríplice Fronteira, a Rádio Nacional do Alto Solimões foi criada em 2006, a partir da mobilização da população. A emissora integra nove municípios e atinge cerca de 60 milhões de pessoas entre Brasil, Peru e Colômbia, segundo o site da EBC. A jornalista Akemi Nitahara, membro da Frente em Defesa da EBC, considera “lamentável que a direção da EBC prefira entregar a gestão e o conteúdo da rádio a resolver os problemas”.

Akemi afirma que a emissora e seus funcionários, que são comissionados, enfrentam grandes dificuldades, como salários congelados e ausência de contratos básicos como limpeza do prédio, compra de insumos como papel higiênico e café e manutenção do ar-condicionado, mas que isso não justifica a forma como o acordo foi anunciado.

Segundo Akemi, a EBC alega que não conseguiu interessadas nas licitações abertas, então pediu à rede Encontro das Águas para assumir a gestão, no mesmo modelo da expansão da Rede Nacional de Comunicação Pública. Para ela, a situação demonstra que “a direção prefere se livrar do problema a enfrentar a situação, abrindo mão de uma emissora criada com uma função estratégica de ocupar o espectro eletromagnético em uma região de tríplice fronteira, que sofre com problemas como o garimpo ilegal”.

A jornalista também chama a atenção para o fato de que a EBC “sequer ofereceu para a sociedade civil a oportunidade de ocupar esse espaço, que foi criado justamente como uma solicitação das comunidades locais.”

EBC tem permitido o desmonte de sua própria rede

O jornalista Pedro Rafael Vilela, diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), outra entidade membro da Frente, afirma que a direção da EBC tem permitido o desmonte da sua própria rede de emissoras. Para ele, o caso da Rádio Nacional do Alto Solimões é emblemático porque envolve uma questão estratégica de política pública na Amazônia e até mesmo de segurança nacional, no qual a empresa “praticamente lava as mãos”. Mas, segundo ele, a situação é igualmente dramática no Maranhão, onde a empresa jamais deveria ter fechado a sede, a única no Nordeste.

Pedro lembra, também, que a praça de São Paulo, a maior cidade do país, sofre com ociosidade e falta de estrutura. “O cenário geral deixa claro que não há projeto de desenvolvimento da comunicação pública na atual gestão”.

Gestão da EBC desconsidera seu papel estratégico 

Em artigo publicado no site Le Monde Diplomatique Brasil, a Frente reforça as críticas feitas ao governo de Jair Bolsonaro, que aparelhou a EBC e a utilizou para defender teses estapafúrdias, como a fraude nas urnas eletrônicas e negar a gravidade da Covid-19, inclusive, sobre a população indígena, conforme denunciado em dossiês sobre censura elaborados pelos jornalistas da EBC e seus sindicatos. “Porém, os militares, cientes do papel estratégico da emissora, fortaleceram a estação. E jamais a doariam de mão beijada para um governo de oposição, como faz o PT e o preposto do ministro Paulo Pimenta, Jeansley Lima, presidente da EBC”.

Os integrantes da Frente em Defesa da EBC ressaltam que a região da Tríplice Fronteira tem pouca cobertura de veículos de comunicação brasileira e serviço precário de internet. Por isso, a emissora é fundamental para a promoção do direito humano à comunicação e informação e no combate à desinformação.

FNDC é reconduzido para mais um mandato no CNDH

A ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, deu posse aos novos conselheiros. Foto: divulgação

Admirson Ferro Jr., coordenador-geral do FNDC, foi conduzido para mais um mandato no colegiado e destaca a luta pela democratização da comunicação como um dos eixos da sua atuação

O coordenador-geral do FNDC, Admirson Ferro Jr. (Greg), foi reconduzido para novo mandato no Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH). A cerimônia de posse foi realizada nesta terça (10/12), Dia Internacional dos Direitos Humanos. O CNDH é formado por 11 representantes da sociedade civil e 11 representantes do poder público.

Em suas redes sociais, Greg renovou seu compromisso de se manter engajado na defesa dos direitos humanos, “combatendo todas as violações, violências e discriminações em suas diversas formas”. Ele destacou como um dos eixos do seu mandato a luta pela comunicação democrática enquanto direito humano essencial. “A retomada da participação social na Empresa Brasileira de Comunicação, a nossa EBC, é um dos frutos dessa luta dentro do CNDH”, ilustrou.

Greg afirmou que seu mandato continuará ao lado das comunidades quilombolas, povos originários, mulheres, população LGBTQIA+, pessoas com deficiência, juventude, comunicadores, ativistas ambientais, comunidades em situação de rua, trabalhadores e trabalhadoras, e todos aqueles e aquelas que precisarem do apoio do CNDH. “Nossa missão é defendê-los e lutar por seus direitos”.

Cerimônia de posse

No ato público que também marcou os 76 anos da Declaração Universal dos Direitos humanos, a ministra Macaé Evaristo deu posse aos novos conselheiros e também foi empossada como uma das representantes do Poder Executivo no colegiado.

Macaé afirmou que o CNDH é essencial para a manutenção de ações preventivas, protetivas e reparadoras em relação a toda aquela parcela da população vítima de ameaças e violações de direitos – seja do ponto de vista coletivo, individual ou social.

Na ocasião, a ministra também destacou a importância da independência do CNDH na defesa da dignidade da população e da democracia brasileira. “O amanhã virá, a justiça social virá e as correntes, que outrora nos prenderam, se desacorrentarão”, disse.

O CNDH

O CNDH tem composição paritária e atua na promoção e defesa dos direitos humanos no Brasil através de ações preventivas, protetivas, reparadoras e sancionadoras das condutas e situações de ameaça ou violação de direitos, previstos na Constituição Federal e em tratados e atos internacionais ratificados pelo Brasil.

A representação da sociedade civil é definida em assembleia das próprias entidades. São eleitas nove organizações titulares para o mandato de dois anos e outras duas têm assento permanente: Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais do Ministério Público dos estados e da União (CNPG). As representações buscam assegurar a representatividade de raça e etnia, de gênero e geracional.

Já a representação do poder público contempla instituições que atuam diretamente com direitos humanos, sendo duas delas instituições autônomas (Defensoria Pública da União e Ministério Público Federal); além do Conselho Nacional de Justiça (CNJ); órgãos do Poder Executivo (Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, Ministério das Relações Exteriores, Ministério da Justiça e Polícia Federal); e do Poder Legislativo (Câmara dos Deputados e Senado Federal).

Com informações do MDH

Ato de posse também marcou os 76 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Foto: Clarice Castro/MDH

Inteligência Artificial: pressão popular será decisiva para aprovação do PL 2.338/23 no Senado

Na reta final da tramitação do projeto no Senado, campanha “Na Pressão” disponibiliza plataforma para contato direto com senadores (link no fim da matéria)

A votação do PL 2.338/23 no plenário do Senado Federal está prevista para a próxima terça (10/12). Mesmo rebaixado a um patamar mínimo de garantias, o texto deve ser votado para que o país possa ter uma regulação mínima para os usos da inteligência artificial (IA). Nesse cenário, a pressão popular é fundamental para que o PL siga em frente. Essa foi a principal mensagem dos convidados do programa Vozes pela Democracia desta sexta (6/12), Ramênia Vieira (Intervozes Brasil) e André Fernandes (IP.rec).

A jornalista Ramênia Vieira, diretora de Incidência do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, lembra que mesmo em sua maioria conservadores, os parlamentares são eleitos pelo voto popular, portanto, são permeáveis à pressão popular. Ela ressalta que toda regulação é necessária, ainda mais quando um setor como esse impacta tão profundamente a vida em sociedade; e que o parlamento deve se atentar para isso, pois a não regulação acarretará inúmeros problemas num futuro próximo.

Ramênia observa que a tendência dos usuários é consumir as tecnologias sem questionar seus processos. “Mas é preciso nos questionar sobre qual é o comportamento dessas plataformas com o que estamos entregando a elas. Como, para quê e para quem estão usando nossos dados? São questões que o legislativo, que nos representa, deve considerar”.

O advogado André Fernandes, diretor no Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife (IP.rec), afirma que a pressão popular é fundamental para garantir que o projeto não seja retirado da pauta do Congresso Nacional, como aconteceu com o PL 2.630/20, que institui a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet. “Por mais que o PL 2.338/23 tenha perdido substância desde o início de sua tramitação, o texto ainda é o minimamente aceitável”, reforça.

Fernandes afirma que o ideal é a aprovação sem novas emendas, ou com emendas que apenas resgatem os níveis de proteção e garantia de direitos originais do texto. “Por isso, neste momento, precisamos direcionar a mobilização popular com carga total sobre o parlamento”.

Sousa Júnior, apresentador do Vozes pela Democracia, lembrou que a aprovação do PL pelo Senado é apenas o primeiro passo, pois haverá nova luta da sociedade civil quando o texto passar a tramitar na Câmara dos Deputados.

Pressione com um clique

Por uma IA responsável e protetiva de direitos. Clique na imagem para acessar e pressionar os senadores a votar pela aprovação da regulação de IA.
Clique na imagem para acessar e pressionar!

A campanha por uma inteligência artificial responsável e protetiva, da Coalizão Direitos na Rede (CDR), disponibiliza, por meio da plataforma “Na Pressão”, uma página onde qualquer usuário pode pressionar os senadores (CLIQUE NA IMAGEM PARA ACESSAR). A ferramenta mostra os parlamentares contrários à regulação da IA, os favoráveis e os que estão em dúvida. Para cada parlamentar, a ferramenta disponibiliza um link para contato direto por meio do WhatsApp, e-mail e redes sociais Facebook e X, com um texto pré-definido pedindo o voto favorável à matéria. Basta apenas clicar nos ícones e o usuário pode enviar a mensagem aos parlamentares e compartilhar a ferramenta em suas próprias redes sociais, fortalecendo a mobilização por uma IA responsável.

A ferramenta “Na Pressão” foi desenvolvida pela Central Única dos Trabalhadores (CUT Brasil) e está disponível para todos os sindicatos, entidades e movimentos sociais parceiros, podendo ser usado em campanhas específicas dirigidas a instâncias regionais ou locais dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

>> Leia também a nota da CDR sobre o PL 2.338/23

Inteligência artificial: sociedade civil pressiona Senado por regulação com garantia de direitos

Foto: Agência Senado

Após retrocessos na versão final do relatório da Comissão de IA do Senado, o PL 3.328/23 está previso para votação final do colegiado nesta terça. Movimentos sociais mobilizam sociedade civil para tentar reverter os pontos negativos do texto

O PL 2.338/23 será votado pela Comissão Temporária Interna sobre Inteligência Artificial (CTIA) do Senado Federal nesta terça-feira (3/12). Essa é a última etapa da tramitação do texto antes de ir ao plenário da casa. A proposta vinha sendo considerada razoavelmente eficiente pelos movimentos sociais organizados em torno do tema até a semana passada, quando o relator, senador Eduardo Gomes (PL-TO), apresentou novo relatório com inúmeros retrocessos. A situação gerou a reação das entidades organizadas na Coalizão Direitos na Rede (CDR), que o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) integra.

A CDR lançou carta aberta manifestando apoio ao avanço da matéria no Legislativo e pontuando melhorias em sete pontos específicos listados a seguir. O documento já tem a adesão de 63 organizações da sociedade civil.

  1. Alteração do artigo 13, I, para excluir a expressão “com o propósito de” para os usos proibidos, para abranger todas as tecnologias prejudiciais e seus efeitos, independentemente da verificação da intenção dos agentes de IA em serem propositalmente prejudiciais ou não;
  2. Alteração do Artigo 13, I (a) e (b) para excluir o nexo causal de “de maneira que cause danos à saúde, segurança ou outros direitos fundamentais próprios ou de terceiros” para as proibições de uso de técnicas que induzam comportamentos e de exploração de vulnerabilidades;
  3. Alteração do Artigo 13, VII para excluir as exceções ao uso de dados biométricos de identificação por sistemas remotamente, em tempo real e em espaços acessíveis ao público, portanto proibindo o uso destes sistemas para a segurança pública e a persecução penal. Ou, no mínimo, pedimos um moratória que autorize usos nas exceções listadas somente após aprovação de lei federal que especifique as finalidades de uso e garanta o cumprimento de medidas de salvaguarda suficientes (pelo menos aquelas garantidas para sistemas de IA de alto risco);
  4. Retorno do pontuação de crédito ou outros sistemas de IA destinados a serem usados ​​para avaliar a qualidade de crédito de pessoas físicas para o alto risco listada no artigo 14.º, com a possibilidade de criar uma exceção para sistemas de IA utilizados para detectar fraudes financeiras;
  5. A mudança de classificações dos sistemas mencionados no Artigo 14, IX, X e XI para a categoria de riscos inaceitáveis;
  6. Garantir a participação da sociedade civil no Sistema Nacional de Governança e Regulação de Inteligência Artificial (SIA), por meio da composição do Conselho de Cooperação Regulatória de Inteligência Artificial (CRIA), é eficaz e significativo;
  7. A volta dos artigos 6º, 8º e 17 da versão do projeto de lei publicada no dia 18 de junho de 2024.

Influência das big techs

O texto é considerado o marco zero da inteligência artificial no Brasil e tem o objetivo de definir limites e permissões para o uso dessa tecnologia. Como resume o coordenador-geral do FNDC, Admirson Ferro Jr. (Greg), não se trata de parar ou desestimular as tecnologias que usam IA, mas definir os parâmetros mínimos legais para sua aplicação. Ele reconhece que os desafios são muitos e diversos, mas que é fundamental garantir que o Brasil também invista em pesquisa e desenvolvimento de IA própria. “Em resumo, não se trata de ser contra o uso da IA, mas de assegurar seu uso para atender ao interesse público nacional. E essa é a nossa disputa em torno do relatório da CTIA, que inclui fazer o enfrentamento às poderosas big techs norte-americanas, que não medem esforços para influenciar o parlamento e a sociedade”.

Greg afirma que a carta da Coalização Direitos na Rede expressa sua defesa crítica do PL 2.338/23, que vinha sendo razoavelmente coerente com a necessidade regulatória do Brasil, “mas que, no último minuto antes de sua votação decisiva na CTIA, perde substância e retrocede em questões importantíssimas como a retirada da classificação de “alto risco” dos sistemas de IA que fundamentam o modelo de negócio das big techs.”

Atuando (quase sempre) discretamente, as big techs ainda podem influenciar ainda mais a proposta, como admitiu o presidente da CTIA, senador Carlos Viana (Podemos-MG) em entrevista à Agência Pública na última sexta-feira (29/12). Greg lembra que a disputa em torno da regulação não se encerra com a votação final na CTIA e que ainda há espaço para a pressão da sociedade civil enquanto houver discussão no Congresso Nacional, mas que o enfrentamento à influência das big techs precisa ser cada vez mais contundente.

Tema tem mobilizado o FNDC

Na semana passada, o FNDC discutiu os usos, impactos e necessidade de regulação da IA no seu programa semanal Vozes pela Democracia e na live “Qual regulação de IA queremos?”, transmitida na terça (26/11). Ambos estão disponíveis no Canal do FNDC no YouTube e abaixo. O tema do Vozes pela Democracia foi o racismo algorítmico, amplamente denunciado e debatido pela sociedade civil, principalmente nas questões de segurança pública com o reconhecimento facial. 

Além do racismo, outros grupos também têm debatido e se apropriado do tema para alertar sobre os riscos potenciais a outros grupos sociais, como mulheres, população LGBTQUIAP+ e indígenas, por exemplo. Outro ponto urgente nesse debate é a transição das atuais para as novas tecnologias e seus impactos para a classe trabalhadora. No setor da comunicação, está a preocupação em garantir a liberdade de expressão preservando a integridade da informação. O meio ambiente também é outro setor impactado pelo uso da IA.

Adesões à carta

O texto da carta pode ser acessado e assinado neste link.

Participação social na EBC: conheça os candidatos do FNDC

A imagem mostra, ao fundo, a fachada do edifício Venâncio Shopping, onde fica localizada a sede da Empresa Brasil de Comunicação, a EBC. Do lado esquerdo, em primeiro plano, uma placa vertical instalada na calçada com o logotipo da EBC sobre um fundo azul escuro. O logotipo é verde claro sobre um fundo azul escuro. Abaixo do logotipo, está escrito em letras brancas Agência Brasil, Rádio MEC, Radio Nacional e TV Brasil. Na legenda da foto, está o crédito do fotógrafo: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil.
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O FNDC é uma das entidades habilitadas a participar do processo eleitoral dos comitês que visam a restaurar a participação social na comunicação pública. Você pode votar até o dia 28 de novembro

A eleição dos membros dos Comitês de Participação Social, Diversidade e Inclusão (Cpadi) e de Participação Social (Comep), da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), está aberta a partir desta quinta-feira 21/11. Até o dia 28 de novembro, qualquer cidadão registrado no Gov.br pode votar. O FNDC, que é uma das entidades habilitadas a participar do processo indicando candidatos, sugere o voto em Isaias Dias e Karem Resende para o Cpadi, e Pedro Rafael Vilela e Ivana Cláudia Leal de Sousa para o Comep.

Junto com a Ouvidoria e a Assessoria de Participação Social e Diversidade, Cpadi e Comep constituem o Sistema Nacional de Participação Social (Sinpas), uma conquista dos movimentos sociais que defendem a comunicação pública nos parâmetros estabelecidos pela Constituição Federal. O Sinpas registrou 54 candidaturas, sendo 22 candidatos inscritos para o Cpadi e 32 para o Comep. O FNDC está habilitado nos segmentos “entidades da sociedade civil de defesa do direito à comunicação” e pessoa com deficiência (PCD).

Comep

A finalidade do Comep é promover a participação da sociedade civil no acompanhamento da aplicação dos princípios do sistema público de radiodifusão, observada a pluralidade da sociedade brasileira, conforme Decreto nº 12.005, de 23 de abril de 2024. Esse comitê será formado por 11 membros e 11 suplentes, que representarão 11 segmentos: 1) emissoras públicas de rádio e televisão; 2) cursos superiores de Comunicação Social; 3) setor audiovisual independente; 4) veículos legislativos de comunicação; 5) comunidade cultural; 6) comunidade científica e tecnológica; 7) entidades de defesa dos direitos das crianças e adolescentes; 8) entidades de defesa dos direitos humanos e das minorias; 9) entidades da sociedade civil de defesa do direito à Comunicação; 10) cursos superiores de Educação e 11) um empregado da EBC).

Cpadi

Entre as funções do Cpadi está o acompanhamento das diretrizes da programação veiculada pelas emissoras de comunicação pública operadas pela EBC no que tange à participação social, diversidade social, cultural, regional e étnica. O comitê observará a pluralidade de ideias na abordagem dos fatos, na perspectiva da observância dos princípios de promoção da cultura nacional, pluralidade de fontes de conteúdo, estímulo à produção regional e à produção independente, além de suas finalidades educativas, artísticas, cultural, científica, informativa e promotora da cidadania.

O Cpadi será composto por 27 membros e 27 suplentes, sendo 11 da sociedade civil (um deles de entidade sindical de jornalistas), 11 membros do Comep e mais cinco representantes de emissoras da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), sendo um de cada região do país. Ainda segundo a Portaria-Presidente n° 459, de 8/10/24, a composição deve ser de no mínimo, 40% de mulheres, 40% de representações negras ou indígenas, uma pessoa com deficiência, um representante LGBTQUIA+, um representante de trabalhadores e um representante de cada macrorregião.

Nossas candidaturas ao Comep

Acesse o site ou aplicativo Gov.br e faça seu login. Agora, clique aqui para votar nos candidatos abaixo.

A imagem é uma foto de Pedro Rafael Vilela. Ele tem cabelo encaracolado e usa óculos redondosPedro Rafael Viela (TITULAR)

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG, 2009), mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília (UnB, 2016). É repórter da Agência Brasil, veículo da EBC, onde trabalha como concursado desde 2014.

Integra o DiraCom – Direito à Comunicação e Democracia, entidade que atua em defesa do direito à comunicação. É coordenador-geral do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal e estudante de graduação em Ciências Sociais na UnB. Foi secretário-executivo do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) por 8 anos (2014 a 2022).

A imagem mostra a foto de Ivana, uma mulher negra sorridente, com cabelo curto e encaracolado, usando um vestido com estampa colorida. Ivana Cláudia Leal de Souza (SUPLENTE)

Graduada em Comunicação Social – Jornalismo e Radialismo pela Universidade Federal de Goiás, além de estar cursando Direito na PUC Goiás. Mulher negra, jornalista, militante do Movimento Negro  e de Movimento de Mulheres Negras.

É Coordenadora Nacional da Mulher do Movimento Negro Unificado (MNU). É também diretora Centro de Referência Negra Lélia Gonzalez e Integrante do Comitê Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030 – ONU Mulheres.  Integrou a delegação brasileira na III Conferência Mundial Contra o Racismo da ONU, reforçando sua contribuição na luta antirracista em âmbito nacional e internacional.

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Nossas candidaturas ao Cpadi

Acesse o site ou aplicativo Gov.br e faça seu login. Agora, clique aqui para votar nos candidatos abaixo.

A imagem mostra a foto de Isaias Dias, que está sentado em uma cadeira de rodas motorizada, usando uma camiseta preta e tênis vermelhos. Ele está em um ambiente externo, possivelmente em um evento ou manifestação, com pessoas ao fundoIsaias Dias (TITULAR)

Pessoa com deficiência devido a sequela de pólio. Ex-membro do Conselho Curador da EBC cassado em 2016 e vice-presidente do CONADE na gestão 2010/2011.

Estava no processo inicial da discussão da acessibilidade da Comunicação pública, bem como conteúdo da TV pública nos temas que envolviam as pessoas com deficiência quando houve a cassação do Conselho Curador pelo então governo de Michel Temer.

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A imagem mostra a foto de Karem, uma mulher sorridente ao lado de um cão preto. Ela tem cabelo castanho escuro e usa um colar coloridoKarem Resende (SUPLENTE)

Pedagoga, mestre em Educação Profissional e Tecnológica, professora aposentada da Rede municipal de Educação de Blumenau, representante dos trabalhadores e trabalhadoras com deficiência da CUT Estadual SC e da ISP (Sintraseb), mulher Cega usuária de cão-guia.

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FNDC PB E CUT PB mobilizam candidaturas a prefeito e vereador com propostas dos trabalhadores para a comunicação e demais setores

Eventos realizados em João Pessoa e Campina Grande tiveram adesão de candidaturas do PT, PC do B, PSOL, UP, Rede, PCO, PSTU, PDT e Podemos

O Comitê pela Democratização da Comunicação na Paraíba – FNDC/PB mobilizou candidatos a prefeito e vereador na capital João Pessoa e na segunda maior cidade do estado, Campina Grande, em torno da plataforma “Eleições 2024: a comunicação que queremos para os municípios”.

Em João Pessoa, a entrega do documento aos candidatos, com assinatura do termo de compromisso, foi realizada no dia 17 de setembro, no auditório do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação do Estado da Paraíba (SINTEP PB). Em Campina Grande, no dia 20, no Sesc Centro.

As atividades foram organizadas junto com a CUT PB, que também entregou sua “Plataforma da CUT para as Eleições 2024” e colheu assinaturas de compromisso com suas propostas. Participaram, candidatos do PT, PC do B, PSOL, UP, Rede, PCO, PSTU, PDT e Podemos.

A plataforma do FNDC contém 75 propostas voltadas para a defesa da democracia, transparência na gestão pública e participação popular, com foco no fortalecimento da comunicação nas cidades. Entre as sugestões estão a constituição dos conselhos municipais de comunicação social, a realização da segunda Conferência Nacional de Comunicação, fortalecimento da comunicação pública e comunitária e regulamentação do uso de tecnologias de reconhecimento facial com rigorosos padrões éticos.

A plataforma da CUT contém 13 pontos centrais que visam à defesa do bem-estar da população brasileira e dos trabalhadores e trabalhadoras de todo o país, sendo uma contribuição importante para a construção de políticas públicas mais inclusivas e voltadas à classe trabalhadora.

O sindicalista Alex Albino Lopes, coordenador do FNDC PB, considerou a mobilização promissora. “Divulgamos e discutimos nossas propostas para os candidatos e candidatas, dando nossa contribuição ao debate público tão importante numa campanha eleitoral. É necessário que partidos e candidatos saibam que a sociedade civil está organizada em torno de propostas para amplos setores e que um desses setores é o da comunicação”.

FNDC PB lança plataforma para as eleições 2024 na terça (17/9), em João Pessoa

O Comitê Estadual do FNDC na Paraíba lançará a plataforma “Eleições 2024: A Comunicação que Queremos para os Municípios” na próxima terça (17/9). A atividade reunirá militantes, candidatos e lideranças locais no Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação do Estado da Paraíba (SINTEP-PB), no centro de João Pessoa, às 15h. Na ocasião, também será lançada a “Plataforma da CUT para as Eleições 2024”.

A plataforma do FNDC contém 75 propostas voltadas para a defesa da democracia, transparência na gestão pública e participação popular, com foco no fortalecimento da comunicação nas cidades. Durante o lançamento, o documento será entregue a candidatos e candidatas a prefeito(a) e vereador(a) de João Pessoa–PB. Na mesma semana, no dia 19/9, será a vez de mobilizar candidatos e candidatas em Campina Grande, segunda maior cidade do estado.

A plataforma da CUT contém 13 pontos centrais que visam à defesa do bem-estar da população brasileira e dos trabalhadores e trabalhadoras de todo o país, sendo uma contribuição importante para a construção de políticas públicas mais inclusivas e voltadas à classe trabalhadora.

>> Mais informações: “Eleições 2024: a comunicação que queremos para os municípios”

TVT traz reportagem sobre as propostas do FNDC para a comunicação nos municípios

Propostas contemplam mais de 70 medidas centradas no interesse público que podem ser adotadas pelas prefeituras para o setor da comunicação 

A plataforma eleitoral do FNDC contendo propostas para a comunicação em âmbito municipal foi tema da reportagem da TVT. Mais do que um documento, as mais de 70 propostas elaboradas pela entidade são um instrumento de mobilização do movimento pela democratização da comunicação durante as eleições municipais. Até o momento, a plataforma havia sido entregue a dois candidatos a prefeito: Lúdio Cabral, de Cuiabá-MT, e Evando Leitão, de Fortaleza-CE.

>> Eleições 2024: A comunicação que queremos para os municípios

No geral, as propostas do FNDC para as administrações municipais têm o objetivo de provocar as prefeituras a adotarem políticas públicas de promoção da comunicação de interesse público. A reportagem da TVT destacou as propostas de combate à desinformação, que sugerem às administrações municipais eleitas o desenvolvimento de programas de educação midiática nas escolas, movimentos populares e associações de moradores; e campanhas de conscientização sobre as “fake news”.

O programa entrevistou o coordenador-geral do FNDC, Admirson Ferro Júnior, o secretário de Formação, Geremias dos Santos, e a diretora de comunicação, Rita Casaro. Greg ressaltou que o objetivo do FNDC é direcionar o setor da comunicação para o interesse público, “dentro de valores democráticos”. Geremias dos Santos destacou a necessidade de ampliação da comunicação comunitária como instrumento de formação, visando, inclusive, o combate à desinformação. “Vivemos expostos a informação de todo tipo nas redes sociais, então a educação midiática se faz ainda mais necessária”.

A mobilização do FNDC durante campanhas eleitorais não é uma iniciativa nova. Em todas as eleições, a entidade se mobiliza para obter dos candidatos a prefeito, governador e presidente da República o compromisso de adotar políticas públicas para o setor da comunicação que dialoguem com o interesse público e possam contrapor o hegemonismo das grandes redes comerciais de rádio e TV, e, nos últimos, o estabelecimento de regulação para as plataformas digitais.

Assista à reportagem na íntegra

Candidato a prefeito de Cuiabá recebe propostas do FNDC para a comunicação

O candidato a prefeito de Cuiabá-MT Lúdio Cabral recebeu de representantes do FNDC a plataforma “Eleições 2024: a comunicação que queremos para os municípios”.

O documento contém as propostas do movimento pela democratização da comunicação para o setor no âmbito municipal.
Lúdio Cabral concorre pela coligação “Coragem e Força pra Mudar” formada pelos partidos PT/PSD/ PCdoB/PV/PSOL/REDE.

O documento, aprovado na 25ª Plenária Nacional do FNDC, contém cerca de 75 propostas que contemplam diversas medidas no campo da comunicação e tem como princípios básicos a defesa da democracia, a transparência na gestão pública e a participação popular.

Entre as propostas estão a constituição dos conselhos municipais de comunicação social com vistas à realização da segunda Conferência Nacional de Comunicação, fortalecimento da comunicação pública e comunitária e regulamentação do uso de tecnologias de reconhecimento facial com rigorosos padrões éticos.

Na foto com o candidato, Geremias dos Santos, secretário de Formação do FNDC e presidente da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço Brasil) e o jornalista Enock Cavalcanti (Sindicato dos Jornalistas do Mato Grosso).

FNDC convida entidades a participarem da eleição do CNDH

Foto: Marcus Rocha/CNDH

Conselho tem 18 vagas, sendo nove titulares e nove suplentes. Inscrições se encerram nesta sexta (16/8)

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) convida todas as entidades nacionais com atuação na área de direitos humanos a participarem do processo eleitoral que definirá a composição do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) para o biênio 2024-2026. As organizações interessadas que ainda não estão participando do processo têm até esta sexta (16/8), para se inscrever.

Podem participar da eleição e se candidatar a uma das 18 vagas as organizações da sociedade civil e os movimentos sociais de abrangência nacional que desempenhem relevantes atividades relacionadas à defesa dos direitos humanos. De acordo com o Regimento Interno (art. 9º, V), as nove mais votadas serão indicadas para a titularidade e as nove subsequentes para a suplência.

As inscrições devem ser realizadas exclusivamente pela internet, até as 23h59 (horário de Brasília) do dia 16/8/24, pela url www.gov.br/participamaisbrasil/eleicoes1.

FNDC pleiteia recondução

Nos últimos anos, o Fórum tem participado do CNDH como entidade titular e também participará do processo eleitoral em curso, pleiteando sua permanência no colegiado.

Documentos exigidos para a habilitação

  1. cópia do Estatuto Social, em sua mais recente versão, assinado e registrado em cartório;

  2. cópia da mais recente Ata de Eleição da Diretoria assinada e registrada em cartório;

  3. relatório de atividades desenvolvidas em território nacional que comprove relevantes ações relacionadas à defesa dos direitos humanos nos dois anos anteriores à data da inscrição para a eleição, acompanhado de documentos comprobatórios, como publicações elaboradas pela instituição (livros, folders, jornais, vídeos, matérias jornalísticas, fotos etc.);

  4. declaração de membro da diretoria, do secretariado ou da coordenação da organização da sociedade civil firmando a autenticidade do teor e forma dos documentos apresentados (Anexo I – Declaração de Veracidade);

  5. documento assinado por membro da diretoria, do secretariado, da coordenação ou da representação geral da organização da sociedade civil com indicação de representante da entidade para participar como votante da eleição no Encontro Nacional (Anexo II – Representante da organização da sociedade civil ou do movimento social para participar como votante no Encontro Nacional);

  6. documento assinado por membro da diretoria, do secretariado, da coordenação ou da representação geral da organização da sociedade civil indicando a pessoa que será a representante da entidade para o exercício de eventual mandato no biênio (Anexo III – Representante da organização da sociedade civil ou do movimento social para o exercício do mandato no biênio 2024-2026).