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Escala 6×1 evidencia oposição da mídia às demandas da classe trabalhadora

Foto: Letycia Bond/Agência Brasil

Mídia sem regulação é instrumento da classe patronal e impõe atrasos às conquistas das trabalhadoras e trabalhadores

A redução da jornada de trabalho é uma reivindicação histórica da classe trabalhadora brasileira e, como tal, sempre bateu de frente com os interesses da classe empresarial e da mídia. No episódio mais recente de oposição aos interesses da classe trabalhadora por parte da imprensa nacional, a Folha de S. Paulo afirmou, no dia 21/2/26, que “em comparação com o resto do mundo, o brasileiro não trabalha muito. Nem pode ser considerado particularmente esforçado”.

A frase que abre a matéria de Rafael Cariello, publicada no dia 21 de fevereiro, é o suprassumo do viralatismo nacional, que vez ou outra toma conta de corações e mentes desavisados e não isenta sequer um veículo de comunicação de projeção nacional. A própria Ombudsman da Folha, Alexandra Moraes, afirmou, uma semana depois (21/2/26) que o jornal “sem medir as palavras, ofendeu leitores ao falar de trabalho”.

Não deu outra, no momento em que a classe trabalhadora brasileira se mobiliza pelo fim da escala 6×1, a matéria da Folha caiu como luva para os interesses da classe patronal. Embora tenha havido reações e explicações de estudiosos e especialistas no tema, a ideia de que o “brasileiro trabalha pouco” toma conta de sites do Brasil inteiro desde então.

Em artigo publicado no site Outras Palavras, o professor Erik Chiconelli Gomes, Coordenador Acadêmico da Escola Superior de Advocacia da OAB/SP, explica que há pelo menos três pontos de confusão na forma como a imprensa divulgou o estudo: confusão entre posição relativa e recomendação de política, entre jornada legal e jornada real e entre custo bruto e custo líquido. “Esse tipo de exercício compara países com instituições, histórias e mercados de trabalho radicalmente distintos, e resume a diferença entre eles em um único número.” Ele lembra que “milhões [de brasileiros e brasileiras] cumprem 44 horas e que muitos extrapolam esse limite”.

O vereador Rick Azevedo (PSOL-RJ), criador do movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e um dos expoentes da luta pela escala 6×1 junto com a deputada Erika Hilton (PSOL-SP), também reagiu. “Bora lá no ponto de ônibus comigo, às 4 da manhã, explicar pro trabalhador que acorda antes do sol que ele trabalha menos que a média mundial, Folha de São Paulo?”, publicou em seu Instagram.

Katia Marko, coordenadora-geral do FNDC, pondera: “especialmente no momento em que a classe trabalhadora se mobiliza pelo fim da escala 6×1, esse tipo de informação não pode ser encarada como isenta. A quem interessa afirmar que o brasileiro trabalha 1,2 hora abaixo da média mundial, sem considerar a precarização das condições de trabalho e a desumanização imposta às trabalhadoras e trabalhadores brasileiros e questões como transporte precário, dupla jornada para as mulheres, entre tantas outras?”.

Para Kátia, a matéria da folha e a sequência de reproduções a partir da ideia de que “o brasileiro trabalha menos” evidencia o que o FNDC já denuncia desde o fim dos anos 80: uma mídia sem regulação democrática e participação popular, sempre vai privilegiar os interesses das elites econômicas e patronais. “Por isso que a luta pela regulação democrática dos meios de comunicação precisa do envolvimento de toda a classe trabalhadora”, ressalta.

Fim da escala 6×1

Esta semana, o governo enviou ao Congresso Nacional, com urgência constitucional, projeto de Lei que acaba com a escala 6×1 ao reduzir o limite da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, garantindo dois dias de descanso remunerado e proibindo qualquer redução salarial. O FNDC acompanha essa pauta e reforça seu apoio a essa luta de toda a classe trabalhadora.

Tadeu Porto, Secretário Adjunto Comunicação da CUT Brasil e Secretário de Comunicação do FNDC, afirma que a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 sem redução de salário é uma luta pela melhoria da qualidade de vida das trabalhadoras e trabalhadores que se amplia para toda a família. “Queremos mais tempo para conviver com nossas famílias, para estudar, para lazer, para viver! Essa luta é de todos nós!”

Tadeu esteve diretamente envolvido na organização da Marcha da Classe Trabalhadora, em Brasília. O ato, organizado pela CUT, reuniu milhares de trabalhadoras e trabalhadores em Brasília para pressionar o Congresso Nacional.