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Ato no dia 27/2 pede fim do massacre em Gaza e denuncia perseguição a Breno Altman

Anote na agenda: nesta terça-feira (27), às 20h, tem evento importantíssimo para expressar solidariedade ao povo palestino e denunciar os crimes do sionismo também contra jornalistas.

O encontro acontece na sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, mas tem caráter nacional. Por isso, haverá transmissão ao vivo para todo mundo participar!

Vítima de perseguição por parte de organizações sionistas, o jornalista Breno Altman receberá solidariedade e apoio durante a atividade. O ataque à liberdade de expressão e a difamação sofrida por ele simbolizam um modus operandi sionista que precisa ser duramente rechaçado!

A mídia alternativa e independente é fundamental para fazer contraponto à cobertura da mídia hegemônica sobre o massacre em curso em Gaza. Viva o jornalismo comprometido com a verdade e a justiça ao povo palestino!

A atividade é organizada por parceria entre as seguinte entidades: Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), Intervozes, Cebrapaz, Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Nacional dos Estudantes (Une) e Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo.

Compartilhe esse chamado em suas redes, compareça ao ato presencial ou participe online através dos canais que transmitem o evento! (Fonte: Barão de Itararé)

A coragem de Lula e o vira-latismo da mídia

Foto: Ricardo Stuckert/PR

A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a similaridade entre o extermínio do povo palestino que Israel hoje tenta levar a cabo e o nazismo que perseguiu e massacrou judeus no século passado foi acertada, corajosa e precisa.

Chocante mesmo é o papel lamentável da chamada grande mídia brasileira, que corre a fazer coro ao discurso falacioso do gabinete de Benjamin Netanyahu, uma força política corrupta que tenta sequestrar o judaísmo para si enquanto sustenta um regime colonialista, fascista e racista, que nada tem a ver com tradição judaica cultural ou religiosa.

Em uníssono, os veículos da mídia comercial adotaram a versão do atual governo de Israel e de entidades abertamente sionistas que atuam no Brasil, demonstrando parcialidade diante das atrocidades cometidas em Gaza e subserviência ao país estrangeiro ao naturalizar o constrangimento imposto à diplomacia brasileira e a ofensa ao Presidente Lula, que se destaca na geopolítica internacional pelos seus esforços pela paz.

A luta pela democratização da comunicação torna-se cada vez mais urgente e necessária, inclusive diante de um cenário lamentável de cobertura jornalística submissa à propaganda dos poderosos.

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) reafirma sua solidariedade ao povo palestino, manifesta sua concordância com a política externa do governo brasileiro e saúda a coragem do Presidente Lula.

Vozes pela Democracia tem adesão de rádios públicas e privadas e de dezenas de canais alternativos

O programa Vozes pela Democracia, produzido pela Rádio e TV Atitude Popular, de Fortaleza-CE, estreou no dia 26 de janeiro. Além dos canais do próprio FNDC e TV Atitude popular, as duas primeiras edições foram reproduzidas por diversas rádios comunitárias, rádios web, emissoras públicas e privadas, e outros canais e perfis nas redes sociais Facebook, Instagram e YouTube, além de sites e portais, entre outros meios alternativos de comunicação.

Iniciativa inédita do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), o programa é exibido toda sexta-feira ao meio-dia. Na Cultura FM, é exibido segunda-feira às 20h e reprisado na quinta ao meio-dia. Na Rádio Paulo Freire, vai ao ar na segunda, 13h.

A terceira edição, que vai ao ar sexta-feira (16/2), abordará o tema “Genocídio em Gaza, cobertura da mídia e perseguição sionista”. Os convidados são Soraya Misleh, jornalista e escritora palestino-brasileira, e Thiago Ávila, militante internacionalista, comunicador e socioambientalista. A apresentação é sempre do radialista Sousa Júnior. Assista e compartilhe!

Confira nossa rede de transmissão e retransmissão

  1. Portal e redes sociais do FNDC: Facebook (+34 páginas parceiras), Youtube e Instagram
  2. Portal e redes sociais da Atitude Popular: Facebook (+20 páginas parceiras), Youtube e Instagram
  3. Rádio Pública Cultura FM de Brasília, 100,9
  4. Rádio Universitária Paulo Freire da UFPE, AM 820
  5. Portal e redes sociais do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé
  6. TVT – TV dos Trabalhadores de São Paulo
  7. Redes sociais do Pão com Ovo-RS
  8. Redes sociais da Rádio Mundial News do Rio de Janeiro
  9. Rádio comunitária CPA FM 105,9, de Cuiabá-MT
  10. TV Comunitária de Brasília, canal 12, e suas redes sociais: Facebook, Youtube e Instagram
  11. Portais de rádio: radiosnet, rádios on line e mais sete portais de rádio

Secom/PR abre cadastro de rádios comunitárias para apoio cultural

Geremias dos Santos (no centro) atribui a abertura do cadastro à luta da Abraço Brasil e suas associadas. Foto: Ednilson Aguiar/O Livre

Abraço Brasil comemora a publicação da portaria, pela qual vinha se mobilizando nos últimos anos. Emissoras terão 60 dias para solicitar o cadastro.

Ótima notícia para as rádios comunitárias brasileiras. O Diário Oficial da União de hoje (7/2) trouxe a portaria Secom nº 15, de 6 de fevereiro de 2024, autorizando as emissoras a solicitar cadastro para veicular patrocínio sob a forma de apoio cultural. Com isso, as mais de 5 mil estações comunitárias regulares no país poderão firmar parcerias com negócios locais e com o próprio poder público para veicular publicidade institucional, fortalecendo-se e prestando um serviço ainda mais qualificado.

Impedidas de veicular publicidade institucional e de utilidade pública a partir do governo Temer, as rádios comunitárias enfrentaram dificuldades para se manter. No ano passado, o governo Lula abriu caminho para reverter essa situação com a Instrução Normativa nº 2, de 14 de setembro de 2023, dispondo sobre o cadastramento de emissoras comunitárias para veiculação de patrocínio sob a forma de apoio cultural, finalmente oficializado com a portaria publicada hoje.

O presidente da Associação Brasileira das Rádios Comunitárias (Abraço Brasil), Geremias dos Santos, enviou mensagem para a rede de associados comemorando a portaria. “É uma vitória da Abraço Brasil, das Abraços estaduais, das rádios comunitárias, do povo progressista, de todos que acreditam na luta política”, destacou.

“É uma vitória da Abraço Brasil, das Abraços estaduais, das rádios comunitárias, do povo progressista, de todos que acreditam na luta política”, destacou.

Geremias, que também é secretário de Políticas Públicas do FNDC, afirma que o movimento das rádios comunitárias vinha reivindicado o patrocínio sob a forma de apoio cultural desde antes da eleição do presidente Lula. “Após a eleição, levamos essa pauta à equipe de transição, e em março de 2023, durante a 1ª Plenária Nacional das Rádios Comunitárias, realizada em Brasília, tivemos audiências com vários ministros, em especial com o ministro Paulo Pimenta, da Secretaria de Comunicação Social Presidência da República (Secom/PR).”

A partir desta quarta (8/2), as emissoras terão até 60 dias contados de modo contínuo para solicitar o cadastro nos termos do formulário divulgado na página da Secom/PR. Poderão se cadastrar as emissoras devidamente licenciadas e em funcionamento regular.

Admirson Júnior (Greg), coordenador-geral do FNDC, também comemorou a publicação da portaria. Ele lembra que as emissoras comunitárias cumprem papel constitucional de complementaridade do sistema de radiodifusão brasileiro e, como tal, devem ter sua atuação facilitada e impulsionada pelo Estado. “Parabenizamos a Abraço Brasil e suas associações e todos aqueles que contribuíram para essa conquista. A democracia precisa da pluralidade e capilaridade das rádios comunitárias”, declarou.

“essa portaria e a revisão do decreto ampliando o alcance e a potência das rádios comunitárias é o mínimo que o governo precisa fazer depois de sancionar a lei 14.812/24, que concentra mais ainda a propriedade dos meios de comunicação na radiodifusão”.

Próximo passo é a luta pela ampliação da potência e área de atuação

Geremias afirma que a luta agora é pela revisão do Decreto 2.615, de 3 de junho de 1998. O texto aprova o Regulamento do Serviço de Radiodifusão Comunitária, limitando a potência das emissoras a 25 watts e a área de atuação a um raio de um quilômetro. Geremias explica que essa limitação não se justifica. “Queremos que o presidente Lula entre para a história das rádios comunitárias alterando esses dispositivos e essa serão nossa prioridade a partir de agora”.

Inclusão das rádios e tevês web no cadastro

O radialista Sousa Júnior, do Comitê pela Democratização da Comunicação do Ceará (FNDC/CE) – Região Nordeste 1 (PI, MA e CE), afirma que “essa portaria e a revisão do decreto ampliando o alcance e a potência das rádios comunitárias é o mínimo que o governo precisa fazer depois de sancionar a lei 14.812/24, que concentra mais ainda a propriedade dos meios de comunicação na radiodifusão”.

Para Sousa, da mesma forma que agora o governo permite que as rádios comunitárias tenham publicidade dos órgãos da Administração Direta e Indireta de todas as esferas de governo, nada justifica manter o impedimento de cadastro das mídias alternativas, a exemplo das rádios e tevês web e demais meios de comunicação popular que atuam através da Internet.

Clique aqui para ler a Portaria Secom nº 15/24 

FNDC repudia perseguição e tentativa de censura da Conib ao jornalista Breno Altman

O Instituto Vladimir Herzog e o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) manifestaram repúdio à perseguição da Confederação Israelita do Brasil (Conib) ao jornalista Breno Altman, fundador do site Opera Mundi.

Breno é alvo de inquérito aberto pela Polícia Federal a pedido da Conib, que acusa o jornalista de racismo e antissemitismo. O jornalista, de origem judaica, é crítico da política sionista do governo de Benjamin Netanyahu e tem denunciado os crimes perpetrados por Israel na Faixa de Gaza.

Em nota, o Instituto Vladimir Herzog afirma que “O regime democrático permite que essas manifestações sejam contrapostas e criticadas; mas não aceita, em hipótese alguma, que elas sejam alvo de tentativas de censura e criminalização. Não há democracia sem liberdade de expressão e nenhum cidadão pode ser perseguido por emitir uma opinião que em nada viola os princípios constitucionais.”

Já o CNDH “vê com muita preocupação a escalada de censura a jornalistas e comunicadores e a utilização de mecanismos jurídicos para coibir a livre manifestação de opinião. A Conib tem pleno direito de se contrapor às ideias defendidas pelo jornalista Breno Altman e por outros, mas não cabe a ela ou qualquer outra pessoa ou entidade tentar coibir a liberdade de expressão, agindo no sentido contrário à Constituição Federal brasileira”, acrescenta o documento.”

O FNDC endossa o repúdio à tentativa de cerceamento da liberdade de expressão por parte da Conib e reitera sua solidariedade ao jornalista. Também endossamos as críticas contra a política genocida do governo sionista de Israel e rechaçamos a tentativa de equiparar a crítica qualificada com antissemitismo.

A tentativa de criminalização da opinião e da liberdade de expressão não devem encontrar acolhida no Judiciário, pois afronta a Constituição Federal e não condizem com o regime democrático que tanto defendemos.

Em iniciativa inédita, FNDC estreia programa de rádio sobre cidadania e direito à comunicação

Com apresentação do radialista Sousa Junior, o Vozes pela Democracia irá ao ar toda sexta-feira, meio-dia

O primeiro episódio de Vozes pela Democracia vai ao ar ao meio-dia, na Rádio e TV Atitude Popular (web) de Fortaleza, rádios públicas e no site, Facebook e YouTube do FNDC

O primeiro programa de rádio do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) entrará no ar ao meio-dia da próxima sexta-feira (26/1). Produzido e exibido ao vivo, semanalmente, pela Rádio e TV Atitude Popular (web) de Fortaleza, a atração será retransmitida pelo site, Facebook e YouTube do FNDC e de suas entidades associadas, além de emissoras como a Mundial News do Rio de janeiro, e as rádios públicas Cultura FM de Brasília e Paulo Freire da Universidade Federal de Pernambuco.

O Vozes pela Democracia será apresentado pelo radialista José de Sousa Júnior, integrante do Conselho Deliberativo do FNDC (CE, PI, MA). Mesmo experiente, Sousa afirma que produzir um programa semanal de boa qualidade sem os recursos de uma grande emissora é um desafio. “Mas é também uma tarefa primordial para o movimento pela democratização da comunicação. Principalmente agora, com a Lei 14.812/24, que se não for derrubada ampliará ainda mais a concentração da radiodifusão nas mãos dos barões da mídia”.

Greg: lançar um programa próprio tem ainda mais significado político diante da promulgação da Lei 14.812/24.

Sousa destaca que o programa é resultado de um grande esforço da coordenação executiva do FNDC. “Não temos verbas e nem contamos com a simpatia dos grandes divulgadores, mas tomamos como urgente e indispensável essa iniciativa e contamos com o apoio da rede de rádios comunitárias de todo o país. É urgente trazer para a imensa audiência brasileira a questão da concentração na comunicação e como isso prejudica o entendimento das questões de interesse da classe trabalhadora”.

O coordenador-geral do Fórum, Admirson Junior (Greg), enfatiza que o programa é um marco na história do Fórum. “Este ano, completamos 34 anos de luta. Uma luta que começou antes da Constituição Federal e que se mantém viva porque defender democracia nas comunicações é defender a própria democracia”. Para Greg, lançar um programa próprio tem ainda mais significado político diante da promulgação da Lei 14.812/24. “Sem discutir com a sociedade e atendendo unicamente aos seus interesses, os empresários da comunicação e a bancada evangélica se articularam para ampliar seu poder de formar e manipular a opinião pública, então a nossa luta precisa se fortalecer e se ampliar mais do que nunca, portanto, esse nosso programa de rádio já nasce com essa missão arrojada de disputar espaço”.

Iniciativa precisa da adesão das entidades filiadas

Rita: “Nosso objetivo é trazer conhecimento e debates qualificados sobre a luta pela democratização da comunicação para uma audiência cada vez maior”.

A secretária de Comunicação do FNDC, Rita Casaro, também comemora o Vozes pela Democracia. “Estamos em plena articulação junto às nossas entidades filiadas para amplificar o conteúdo que o programa trará semanalmente. Nosso objetivo é trazer conhecimento e debates qualificados sobre a luta pela democratização da comunicação para uma audiência cada vez maior”.

Para ela, a iniciativa soma-se ao esforço de mobilizar todos os setores para esse tema que precisa ganhar adesão e participação. “Mais pluralidade e menos concentração na mídia são questões essenciais para que tenhamos avanços sociais no País. Portanto, essa luta é do interesse da população em geral, e não apenas dos estudiosos, especialistas e militantes dessa área”, completa.

Para manter e fortalecer o programa no ar, o FNDC disponibilizou um formulário para que os interessados possam formalizar sua adesão voluntária à iniciativa. “Em menos de um minuto os responsáveis pelas entidades interessadas informam se podem retransmitir o programa e contribuir financeiramente”, explica Rita.

Acesse o formulário clicando aqui

Leandro Demori: Lei 14.812/24 piora concentração na radiodifusão e ameaça democracia

No programa “Desperta ICL”, jornalista repercutiu posicionamento do FNDC sobre a nova lei, oriunda do PL 7/2023

Sancionada na última segunda-feira (15/1) pelo presidente Lula, a Lei 14.812/24 deverá aprofundar a concentração no setor de radiodifusão no país. A decisão de não contrariar a bancada evangélica e os barões da mídia representa um retrocesso histórico para a democracia no país. Esse alerta foi dado pelo FNDC, que atuou pelo veto presidencial. “Vai melhorar o ecossistema de comunicação no Brasil? Vai diluir poder? Vai dar mais poder para as rádios comunitárias? Não vai! O FNDC desmente isso”, comentou o jornalista Leandro Demori no programa “Desperta ICL” desta quarta-feira (17/1).

O jornalista destacou o fato de a nova lei ter sido patrocinada pela Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e pela bancada evangélica. Ele afirma que rádio e televisão são “primordiais para o projeto dos que querem implantar uma teocracia no Brasil, e isso não é segredo para ninguém”.

Demori ainda deixa claro que a lei tornará os empresários da comunicação ainda mais poderosos. “Até há pouco, a Globo, por exemplo, não poderia ter mais que seis canais de televisão, mas agora poderá ter até vinte”, ilustrou Demori. “Onde isso é bom, presidente?”, questionou. Outro ponto comentado foi o fato de o governo ter ignorado a recomendação do Conselho de Participação Social de vetar o projeto.

Governo favorece concentração midiática ao sancionar PL 7/2023 (Lei 14.812/24)

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva e o Ministro das Comunicações, Juscelino Filho, durante a assinatura de sanção do PL 7/2023, no Palácio do Planalto. Brasília - DF. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Sanção presidencial ignorou recomendação do Conselho de Participação Social da Presidência da República, que orientou veto ao projeto

A sanção do Projeto de Lei 7/2023 (Lei 14.812/24) pelo presidente Lula, nesta segunda-feira (15/1), é mais um ponto no placar da concentração da mídia no Brasil. A lei ampliou os limites de concessões de rádio e TV por grupo econômico ou empresa de seis para 20, no caso das rádios, independente da modalidade de frequência (ondas médias, curtas ou tropicais), e de dez para 20 no caso das emissoras de TV.

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação atuou intensamente com campanha nas redes sociais e junto ao governo pelo veto presidencial, tentando alertar o governo sobre a contrariedade do texto à Constituição Federal, que estabelece em seu Art. 220 que “os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”.

O presidente da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço Brasil), Geremias dos Santos, faz duras críticas à sanção da lei. Representante do FNDC no Conselho de Participação Social do governo Federal, ele relata que o órgão havia recomendado ao presidente Lula que vetasse a matéria. “Infelizmente, o presidente não atendeu a essa que foi também a primeira recomendação do Conselho e preferiu ficar com os coronéis da mídia”.

“O texto dessa lei tramitou em caráter de urgência e em tempo recorde no Congresso Nacional, sem nenhum diálogo com a sociedade, e o resultado será um sistema de mídia ainda mais concentrado e verticalizado. O Brasil deve caminhar para coibir a concentração nas comunicações e não a favorecer”.

Geremias enfatiza que a lei, articulada pela Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV (Abert) e a bancada evangélica, com apoio da imensa maioria dos deputados e senadores, potencializa “um futuro golpe” na democracia brasileira. Santos, que é secretário de Políticas do FNDC, lembra que projetos importantes de alteração da lei de rádios comunitárias (são mais de 30 projetos) dormitam na comissão de comunicação da Câmara dos Deputados nas mãos da bancada evangélica e da Abert.

“Para se ter uma ideia da vergonhosa situação, o primeiro projeto de alteração da lei de rádios comunitárias foi protocolado no dia 4 de dezembro de 1998 pelo deputado de direita Arnaldo de Sá, que era um fervoroso defensor das rádios comunitárias. Pois bem, esse deputado já faleceu e esse projeto nunca foi apreciado e apresentado um relatório na antiga Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, hoje apenas Comissão de Comunicação.

Admirson Junior (Greg), coordenador-geral do FNDC, também critica a sanção da lei. Ele lembra que o FNDC tem uma luta histórica contra a concentração no setor das comunicações e, por isso, a entidade lamenta profundamente que o governo não tenha atendido aos apelos da sociedade civil organizada. “O texto dessa lei tramitou em caráter de urgência e em tempo recorde no Congresso Nacional, sem nenhum diálogo com a sociedade, e o resultado será um sistema de mídia ainda mais concentrado e verticalizado. O Brasil deve caminhar para coibir a concentração nas comunicações e não a favorecer”.

A Coordenação Executiva reafirma a disposição e empenho da entidade para a continuidade da luta pela democracia nas comunicações.

Veto ao PL 7/2023 depende de pressão social

Elizângela Araújo

FNDC convoca movimentos sociais a fortalecerem mobilização que pede o veto presidencial à proposta que amplia e aprofunda a concentração de rádio e TV no país

Neste momento, o FNDC e os movimentos sociais que lutam pela democratização da comunicação têm uma tarefa difícil, mas indispensável, que é pressionar o presidente Lula a vetar o PL 7/2023. Em entrevista ao programa Abraço Entrevista, da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço Brasil), a jornalista Maria José Braga (Zequinha), secretária-geral do FNDC, reconhece o desgaste político que o veto presidencial acarreta para o Executivo Federal junto ao Congresso Nacional, mas afirma que cabe aos setores organizados da sociedade reforçar o Executivo para evitar mais esse ponto de fragilização da democracia brasileira.

A proposta altera o Decreto-Lei 236/1967 (Código Brasileiro de Telecomunicações) e foi aprovada no Senado na última segunda-feira (11/12). O texto fortalece os monopólios e oligopólios de radiodifusão no país ao permitir a propriedade de emissoras a sociedades unipessoais (ou seja, apenas um sócio) e piora a concentração ao alargar o limite de concessões de rádio e TV para uma mesma empresa ou grupo econômico: de seis para 20 emissoras de rádio (sem diferenciar as modalidades AM, FM, OM, ondas curtas ou ondas tropicais) e de dez para 20 emissoras de tv.

A secretária-geral do FNDC afirmou que a entidade tentou pressionar o Senado a não aprovar a matéria. “Agora, a mobilização segue para reforçar a necessidade do veto pela Presidência da República”. Alcançado o objetivo do veto presidencial, afirma Zequinha, a mobilização precisa ser ainda mais forte para convencer os parlamentarem a mantê-lo. “Teremos que ir a campo para tentar convencer os parlamentares de que democracia nas comunicações é essencial para a democracia.”


A entrevista completa está disponível no YouTube da Abraço Brasil, aqui.


A jornalista afirma que essa luta não pode ser só do FNDC e da Abraço Brasil. “A democratização da comunicação tem que ser uma pauta incorporada por amplos movimentos da sociedade brasileira. Não digo nem que seja prioridade, mas já imaginou se cada setor organizado da sociedade procurar os parlamentares para alertar sobre esse projeto, o reforço que seria?”.

De autoria do deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), o PL 7/2023 foi apresentado à Mesa Diretora da Câmara no dia 2 de fevereiro último. No dia 29 de setembro, o projeto estava aprovado e pronto para ir ao Senado. “Nunca vi um projeto ser aprovado tão rapidamente”, ponderou Geremias dos Santos, presidente da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias – Abraço Brasil e que secretário de Políticas Públicas do FNDC.

Com as comissões de Comunicação da Câmara e do Senado atuando alinhadas aos interesses das empresas privadas de radiodifusão, o desafio se torna ainda maior para o movimento pela democratização das comunicações. “É trabalho de formiguinha. Atuamos nessa pauta há mais de 30 anos com pequenas vitórias, mas sem avanços quando se trata de uma revisão ampla da regulação do setor. Então, é uma luta eminentemente política. E é uma luta grade, mas temos capacidade organizativa para isso”, afirma Zequinha.

Para a jornalista, a criação das comissões de Comunicação da Câmara e do Senado foi recebida, mas o problema é que essas comissões estão hegemonizadas pelos partidos de direita e de extrema direita e estão a serviço dos grupos de comunicação hegemônicos do país. “O Congresso Nacional está nas mãos dos partidos de direita, o Centrão, e isso tem provocado muitos problemas para a democracia brasileira, com falta de discussão de termas importantes, e neste caso específico, a interdição do debate é justamente para impedir uma mobilização da sociedade contra o aprofundamento da concentração da mídia”.

Zequinha lembra que a comunicação é um dos pilares da democracia. “Sem democracia nas comunicações não há democracia real, porque é por meio da comunicação que o debate ganha a sociedade, que cada cidadã e cada cidadão pode se apropriar do que está em disputa e pode se apropriar. Então temos que levar esse argumento para o Congresso Nacional no corpo a corpo com os parlamentares. Mas neste momento, temos que nos concentrar no veto presidencial, que nos permitirá continuar lutando para derrubar mais esse retrocesso”, conclui a jornalista.

Reação do FNDC ao projeto de lei

Na semana passada, o FNDC lançou duas notas dirigidas ao Congresso Nacional. Na primeira, publicada em 12/12, pedia a retirada do PL 7/2023 da pauta do Senado. Na quinta-feira (14/12), dirigiu-se diretamente ao presidente Lula para pedir o veto presidencial à matéria. O texto pode e deve ser usado para mobilizar a sociedade contra o PL. Abaixo, os documentos.

FNDC pede veto presidencial ao PL 7/2023

O FNDC publicou, nesta quinta (14/12), nota direcionada ao presidente da República reivindicando veto ao PL 7/2023.

Veja a íntegra da nota. Baixe a versão impressa aqui.

Impedir que a radiodifusão se torne ainda menos democrática no Brasil está nas mãos do presidente Luís Inácio Lula da Silva, que precisa vetar o Projeto de Lei nº 7, de 2023, cujo objetivo é afrouxar os poucos limites à concentração da propriedade existentes na legislação brasileira (Decreto-Lei 236 de 1967).

Aprovada no Congresso e agora dependendo da sanção presidencial, a proposição amplia o limite de concessões de rádio, de seis para 20 emissoras, podendo ser nas modalidades frequência modulada (FM), ondas médias, curtas ou tropicais. A proposta eleva também de dez para 20 o número de concessões de TV para uma mesma empresa ou grupo econômico.

Tal mudança vai na contramão do comando da Constituição Federal em seu Art. 220, que estabelece que “os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”. Historicamente marcado por um sistema de mídia concentrado e verticalizado, o Brasil deve caminhar para coibir a concentração nas comunicações e não a favorecer.

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) reafirma sua posição contrária ao PL 7/2023 e, após o absurdo de sua aprovação pela Câmara e pelo Senado, apela ao Executivo para que impeça tamanho retrocesso. Ressalta ainda a urgência de uma ampla discussão visando a atualização da já bastante ultrapassada legislação da radiodifusão no Brasil. O objetivo deve ser promover a pluralidade e a diversidade no rádio e na TV, contribuindo para o fortalecimento da democracia e para as mais diversas expressões da cultura nacional.