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ANDES-SN: Documentário destaca importância da Educação e Ciência para o país

Detalhe do cartaz oficial/Divulgação

O ANDES-Sindicato Nacional de Docentes das Instituições de Ensino Superior lança, no dia 16 de setembro, o documentário “Educação e Ciência por um Brasil que dá certo”. Com produção da Cajuína Filmes e direção de André Manfrim, o filme será exibido às 17h, na Casa de Cultura Japonesa da USP (Campus Butantã), na cidade de São Paulo. Posteriormente, será lançado regionalmente em outras cinco capitais brasileiras.

A obra é uma iniciativa da Campanha “Lutar não é Crime!” do Sindicato Nacional, para combater os ataques ideológicos e orçamentários à educação superior e à ciência públicas e para reforçar o papel fundamental de ambas na transformação da realidade no país. O filme conta com a participação de lideranças estudantis e sindicais, personalidades públicas e com o depoimento de brasileiras e brasileiros, cujas vidas são impactadas, cotidianamente, pelo ensino superior e pela ciência.

“O documentário pretende ser um instrumento contra a desesperança alimentada pela extrema direita e pelo realismo cínico de quem só defende cortes. Queremos chamar a atenção da população brasileira para a esperança, para a defesa desses patrimônios nacionais tão importantes para nossa classe trabalhadora, que são as instituições de ensino e pesquisa públicas”, explicou o presidente do ANDES-SN, Cláudio Mendonça.

Dados da educação e ciência

Mais de 95% da produção científica brasileira provém das Universidades públicas. Segundo o Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (Inpi), quatro das seis maiores requisitantes de patentes no país são universidades públicas.

A presença de estudantes negros e negras nas Universidades públicas brasileiras cresceu mais de 22%, nos últimos 20 anos, chegando a 51,2% do total de matrículas. Atualmente, 64,7% dos estudantes das Universidades públicas vieram, integral ou majoritariamente, de escolas públicas; 70,1% dos estudantes pertencem a famílias com renda mensal per capita de até 1,5 salário-mínimo.

Segundo o IBGE, a taxa de emprego informal é 45% menor entre pessoas com ensino superior completo, em comparação com quem cursou apenas o ensino médio. Trabalhadoras e trabalhadores com ensino superior ganham, em média, 148% mais do que aquelas e aqueles com apenas ensino médio. Os dados demonstram o que o documentário reforça: a Educação e Ciência públicas são fundamentais para o Brasil dar certo.

Serviço:

EDUCAÇÃO E CIÊNCIA POR UM BRASIL QUE DÁ CERTO

  • Documentário, 2026. 25’ min.
  • Classificação etária: Livre.
  • Direção: André Manfrim.
  • Uma produção ANDES-SN e Cajuína Filmes

Lançamento Nacional

16 de setembro (quarta-feira), às 17h, Casa da Cultura Japonesa da USP – Campus Butantã, São Paulo/SP.

Lançamentos outras capitais

  • 17/09 – Rio de Janeiro (RJ) – Salão Nobre IFCS/UFRJ – 17h.
  • 23/09 – Brasília (DF) – Auditório da Adunb/Campus Darci Ribeiro – 17h.
  • 24/09 – Salvador (BA) – Praça das Artes UFBA – Campus Ondina – 17h.
  • 30/09 – Manaus (AM) – Largo de São Sebastião, em frente ao Teatro Amazonas – 17h.
  • 07/10 – Curitiba (PR) – Cine Passeio – 17h.

Plataforma Política atualiza agenda histórica do FNDC para a era digital

Documento construído a partir de mais de 30 anos de acúmulo do movimento pela democratização da comunicação incorpora temas como soberania digital, regulação das plataformas, fortalecimento da comunicação pública e financiamento das mídias comunitárias.

A Plataforma Política 20 Pontos para uma Comunicação Democrática, do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), é resultado de mais de três décadas de acúmulo político e mobilização social em defesa do direito à comunicação. A avaliação foi apresentada pela coordenadora-geral do FNDC, Katia Marko, durante entrevista ao programa Vozes pela Democracia 120 (exibido em 4/9).

Segundo ela, o documento reúne propostas construídas ao longo dos 30 anos de trajetória da entidade e foi atualizado a partir de debates realizados nas caravanas promovidas pelo Fórum em diferentes regiões do país.

“Essa plataforma é resultado desses 30 anos de luta do FNDC. São propostas que vêm sendo construídas e defendidas desde a Constituinte e que foram sendo aprimoradas nesses anos todos. Neste ano, realizamos caravanas em Recife, Belém, Porto Alegre, Santa Catarina e São Paulo, onde essas propostas foram discutidas, aperfeiçoadas e receberam novas contribuições”, afirmou.

A versão final foi aprovada durante a 27ª Plenária Nacional do FNDC e está disponível para adesão de candidaturas e lideranças políticas. Mais do que buscar assinaturas, porém, o objetivo é recolocar o tema da democratização da comunicação no centro do debate público.

Dos monopólios da mídia às big techs

Durante a entrevista, Katia ressaltou que a agenda histórica da democratização da comunicação continua atual diante da persistência da concentração dos meios de radiodifusão. Ao mesmo tempo, ela observou que novos desafios passaram a ocupar papel central no debate, especialmente o poder das plataformas digitais globais.

“A plataforma traz desde a regulamentação dos artigos da Constituição que proíbem monopólios e oligopólios de TV e rádio até a questão da soberania digital e da urgência de regulamentarmos a atuação das grandes plataformas e das big techs”.

Katia Marko

A dirigente também apontou a necessidade de fortalecer iniciativas de comunicação popular, comunitária e contra-hegemônica como forma de ampliar a pluralidade de vozes e enfrentar os impactos da desinformação.

“A gente quer colocar em pauta a importância do direito humano à comunicação, da importância de ter uma comunicação realmente democrática e de garantir que esses meios que trazem outras visões de mundo tenham financiamento e condições para existir”, afirmou.

Comunicação pública e mídia comunitária

Entre as propostas destacadas na entrevista está o fortalecimento da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e das demais estruturas públicas de comunicação.

O ponto 5 da plataforma defende orçamento adequado, autonomia editorial, realização de concursos públicos, retomada do Conselho Curador da EBC e ampliação da rede nacional pública de comunicação.

“A comunicação pública é a comunicação que traz a visão da sociedade como um todo e não a visão do capital”, argumentou Katia.

Outro eixo considerado estratégico pelo FNDC é o fortalecimento das rádios comunitárias e dos veículos populares. O documento propõe facilitar os processos de outorga, combater a criminalização das rádios comunitárias e criar mecanismos específicos de financiamento para o setor.

“O ponto sete defende o fomento às rádios e mídias comunitárias e populares, promovendo a diversidade e o direito à comunicação”, explicou.

Verba pública com distribuição mais democrática

A plataforma também propõe mudanças na distribuição dos investimentos públicos em publicidade institucional.

Entre os 20 pontos está a destinação de, no mínimo, 10% das verbas de publicidade pública para veículos locais, mídias alternativas e meios comunitários. A medida busca ampliar a sustentabilidade econômica de iniciativas que historicamente recebem poucos recursos estatais.

“Não basta ter um veículo de comunicação. É preciso ter sustentação para esse veículo, condições de pagar profissionais e de garantir que essas vozes também disputem espaço na sociedade”.

Katia Marko

Para a dirigente, a democratização da comunicação depende não apenas do acesso aos meios, mas da criação de condições materiais para sua permanência e fortalecimento.

Direito à comunicação e enfrentamento à desinformação

Outro tema recorrente na entrevista foi a relação entre comunicação, democracia e combate à desinformação. Katia citou experiências recentes, como a pandemia de Covid-19 e as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, para demonstrar os impactos concretos da circulação de informações falsas.

“Fake news mata. A gente já teve exemplos no nosso país de pessoas que perderam suas vidas por causa de uma mentira espalhada”, alertou.

Nesse contexto, a coordenadora defendeu políticas de educação midiática, fortalecimento do jornalismo profissional e ampliação dos mecanismos democráticos de controle social da comunicação.

“Quando eu defendo formação adequada para atuar como jornalista, estou dizendo que tenho um dever com a sociedade. A comunicação tem uma responsabilidade enorme porque pode transformar a sociedade para melhor ou para pior”, afirmou.

Ao encerrar a entrevista, Katia reforçou o convite para que a sociedade conheça e debata a Plataforma Política: 20 Pontos para uma Comunicação Democrática.

“Toda a plataforma do FNDC vem nesse sentido: garantir à população o direito a uma informação verídica e a uma comunicação que realmente contribua para transformar a sociedade para melhor.”

Katia Marko

FENAJ lança levantamento inédito sobre perfil e condições de trabalho de jornalistas em entidades sindicais

Do site da FENAJ

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) realiza, no dia 3 de setembro, às 19h30, uma transmissão ao vivo para apresentar os resultados do levantamento “Perfil e Condições de Trabalho de Jornalistas em Entidades Sindicais”.

Inédito, o estudo foi realizado pela Diretoria Executiva da FENAJ, em conjunto com a Secretaria de Mobilização das e dos Jornalistas em Assessoria de Comunicação, com o objetivo de conhecer mais profundamente a realidade de jornalistas que atuam em sindicatos, associações, federações, confederações e centrais sindicais de todo o país.

O levantamento aborda aspectos como condições de trabalho, vínculos empregatícios, remuneração, estrutura das equipes de comunicação, carreira e situações de assédio vivenciadas no ambiente profissional. Contou com a participação de jornalistas de diferentes regiões do Brasil e teve todos os dados tratados de forma agregada e anonimizada.

A iniciativa parte da necessidade de ampliar o conhecimento sobre as condições de trabalho de uma parcela importante da categoria e, a partir desse diagnóstico, fortalecer a atuação sindical em defesa de relações de trabalho dignas, respeito aos direitos trabalhistas e valorização profissional.

Durante a live, a FENAJ apresentará os principais resultados do levantamento e discutirá os desafios identificados, além dos próximos passos para transformar o diagnóstico em ações concretas em defesa dos jornalistas que trabalham no movimento sindical.

A atividade será aberta ao público e poderá ser acompanhada pelo canal da FENAJ no YouTube.

Serviço

Live de lançamento do levantamento “Perfil e Condições de Trabalho de Jornalistas em Entidades Sindicais”
📅 3 de setembro de 2026 (quinta-feira)
🕢 19h30
📺 Canal da FENAJ no YouTube

Live no YouTube lançará plataforma eleitoral do FNDC pelo direito à comunicação e soberania digital

Evento virtual será realizado em 8 de setembro, às 19h30, no canal do FNDC no YouTube

O FNDC promove, no próximo dia 8 de setembro, às 19h30, o lançamento digital da Plataforma Política 20 Pontos para uma Comunicação Democrática, iniciativa que reúne propostas consideradas estratégicas para a construção de um sistema de comunicação mais plural, democrático e comprometido com os direitos da população brasileira.

A atividade será transmitida pelo Canal do FNDC no YouTube. Confira, abaixo, a galeria de convidados confirmados.

A plataforma foi lançada presencialmente em São Paulo, no encerramento da 27ª Plenária Nacional (1º/8). Elaborada como uma carta de compromissos voltada a candidaturas e lideranças políticas interessadas em fortalecer políticas públicas de comunicação, já teve a adesão de mais de 50 candidaturas.

Entre os principais eixos do documento estão a atualização da legislação para combater monopólios e oligopólios nos meios de comunicação, a garantia da complementaridade entre os sistemas público, privado e estatal de radiodifusão e a ampliação da diversidade de vozes no ambiente informacional.

O texto também defende a universalização do acesso significativo à banda larga, o fortalecimento da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a proteção de dados pessoais, o apoio às mídias comunitárias e alternativas e a regulação democrática das plataformas digitais e dos sistemas de inteligência artificial.

A iniciativa busca reafirmar a comunicação como um direito humano fundamental e um elemento central para o fortalecimento da democracia, da soberania nacional e da participação social nas políticas públicas do setor. O lançamento online marcará o início de uma nova etapa de mobilização em torno das propostas da plataforma, ampliando o debate público sobre o direito à comunicação e os desafios da democratização dos meios e das plataformas digitais no Brasil.

Serviço

Lançamento da Plataforma Política 20 Pontos para uma Comunicação Democrática
Data: 8 de setembro
Horário: 19h30
Transmissão: Canal do FNDC no YouTube
Apresentação: Igor Carvalho (Brasil de Fato)

ANDES-SN lança documentário sobre a importância da Educação e Ciência para o país

O ANDES-SN lança, no dia 16 de setembro, o documentário “Educação e Ciência por um Brasil que dá certo”. Com direção de André Manfrim, o filme será exibido às 17h, no Anfiteatro de Geografia da FFLCH/USP (Campus Butantã). Posteriormente, será lançado regionalmente em outras cinco capitais.

A obra é uma iniciativa da Campanha “Lutar não é Crime!”, do Sindicato Nacional, para combater a avalanche de ataques da extrema direita e das políticas de austeridades dos sucessivos governos à educação superior e à ciência públicas e para reforçar o papel fundamental de ambas na transformação da realidade brasileira. O filme conta com a participação de lideranças estudantis e sindicais, personalidades públicas e com o depoimento de brasileiras e brasileiros, cujas vidas são impactadas, cotidianamente, pelo ensino superior e pela ciência.

“O documentário pretende ser um instrumento contra a desesperança alimentada pela extrema direita e pelo realismo cínico de quem só defende cortes. Queremos chamar a atenção da população brasileira para a esperança, para a defesa desses patrimônios nacionais tão importantes para nossa classe trabalhadora, que são as instituições de ensino e pesquisa públicas”, explicou o presidente do ANDES-SN, Cláudio Mendonça. Ele conclama todas as seções sindicais a organizarem sessões para exibição do documentário, para dar ampla divulgação ao filme.

Dados da educação e ciência públicas

Mais de 95% da produção científica brasileira provém das Universidades públicas. Segundo o Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (Inpi), quatro das seis maiores requisitantes de patentes no país são universidades públicas.

De acordo com estudos baseados no Censo da Educação Superior, a presença de estudantes negros e negras nas Universidades públicas brasileiras cresceu mais de 22%, nos últimos 20 anos, chegando a 51,2% do total de matrículas. Atualmente, 64,7% dos estudantes das Universidades públicas vieram, integral ou majoritariamente, de escolas públicas; 70,1% dos estudantes pertencem a famílias com renda mensal per capita de até 1,5 salário-mínimo.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a taxa de emprego informal é 45% menor entre pessoas com ensino superior completo, em comparação com quem cursou apenas o ensino médio. Trabalhadoras e trabalhadores com ensino superior ganham, em média, 148% mais do que aquelas e aqueles com apenas ensino médio. Os dados demonstram o que o documentário reforça: a Educação e Ciência públicas são fundamentais para o Brasil dar certo.

Serviço

EDUCAÇÃO E CIÊNCIA POR UM BRASIL QUE DÁ CERTO
Documentário. 2026. Direção: André Manfrim. 25’ min.
Uma produção ANDES-SN e Cajuína Filmes

Lançamento Nacional
16 de setembro (quarta-feira), às 17h, na FFLCH/USP – Anfiteatro de Geografia – Campus Butantã

Lançamentos regionais (locais e horários a serem confirmados)

  • 17/09 – Rio de Janeiro (RJ)
  • 23/09 – Brasília (DF)
  • 24/09 – Salvador (BA)
  • 30/09 – Manaus (AM)
  • 07/10 – Curitiba (PR)

Do Pix às redes sociais: por que o Brasil precisa construir sua soberania digital

Convidados do Vozes pela Democracia 119 alertaram para remoções arbitrárias de conteúdo, falta de transparência na moderação e concentração de poder nas big techs

A remoção de conteúdos sem justificativa clara, a restrição de alcance de publicações e a ausência de mecanismos transparentes de recurso nas plataformas digitais estão entre os principais desafios para a liberdade de expressão e o direito à comunicação no Brasil. O tema foi debatido na edição 119 do programa Vozes pela Democracia (28/8), que reuniu a jornalista Ramênia Vieira, coordenadora do Observatório De Olho na Censura (iniciativa do Diracom), e o especialista em direitos digitais Luã Cruz, cofundador da CTRL+Z.

Segundo os convidados, os mecanismos de moderação das plataformas digitais têm afetado especialmente grupos historicamente marginalizados, como povos indígenas, movimentos sociais, comunicadores populares e veículos independentes. Além disso, apontaram que o problema vai além das redes sociais e está relacionado a formas estruturais de censura e à concentração do poder comunicacional.

Para Ramênia Vieira, o silenciamento de vozes não começou com as plataformas digitais. Ela lembrou que comunidades inteiras convivem há décadas com restrições ao acesso à comunicação, situação vivida por rádios comunitárias e meios alternativos em diferentes regiões do país.

“A censura não nasceu agora. Ela vem de um período muito anterior, dos desertos de notícia que impedem que determinadas regiões tenham acesso à comunicação. As rádios comunitárias sabem bem como é essa luta, muitas vezes enfrentando o próprio poder político local”.

Ramênia Vieira

A coordenadora do Observatório De Olho na Censura destacou que, durante o período eleitoral, as restrições se intensificam e podem comprometer o debate democrático ao limitar a circulação de determinadas posições políticas e sociais.

Ela ressaltou ainda que as primeiras denúncias recebidas pelo observatório envolveram conteúdos relacionados aos povos indígenas e às pautas ambientais. “Temos cada vez mais situações em que movimentos, comunicadores e organizações têm seus conteúdos removidos, suspensos ou restringidos sem compreender exatamente os motivos”, explicou.

Luã Cruz apresentou resultados do Arquivo de Danos Digitais, iniciativa da CTRL+Z que reúne relatos de usuários afetados por práticas das plataformas. Segundo ele, a organização identificou centenas de casos de jornalistas e veículos de comunicação que tiveram conteúdos ou perfis removidos sem explicação adequada.

“Não acontece apenas a censura algorítmica. Há também um processo de desrespeito ao devido processo. As plataformas não explicam o que aconteceu, não garantem contraditório, defesa ou mecanismos eficazes de apelação”, afirmou.

O especialista alertou que a falta de transparência é agravada pelo descumprimento de decisões judiciais em alguns casos. “Mesmo quando há liminar favorável, identificamos situações em que as plataformas não cumprem a decisão”, disse.

Durante o debate, os participantes também chamaram atenção para a crescente influência das grandes empresas de tecnologia sobre a circulação de informações e sobre o próprio debate público, destacando que o modelo concentra poder em empresas estrangeiras e coloca desafios para a soberania digital do país.

Ramênia Vieira observou que a internet, inicialmente vista como um espaço de ampliação da pluralidade de vozes, tornou-se cada vez mais dependente de ambientes controlados por poucas corporações.

“A gente sonhava que a internet fosse esse lugar que daria voz às pessoas. Mas esse espaço foi se transformando e ficando cada vez mais limitado. Hoje estamos dentro de plataformas estrangeiras que restringem o nosso debate”, avaliou.

Na mesma linha, Luã Cruz defendeu a construção de alternativas nacionais para reduzir a dependência tecnológica e fortalecer a autonomia do país.

“Assim como temos o Pix, precisamos desenvolver nossas próprias tecnologias, nossos sistemas de e-mail, de armazenamento e de comunicação. O Brasil tem universidades, cientistas e capacidade tecnológica para isso”.

Luã Cruz

Ao final do programa, os convidados reforçaram a importância de uma regulação ampla e democrática para o setor, capaz de fortalecer a comunicação comunitária, os meios independentes e as iniciativas de monitoramento de violações à liberdade de expressão, como forma de ampliar a diversidade de vozes e garantir o direito à comunicação previsto na Constituição Federal.

Remoção do Brasil Fora da Caverna pelo Instagram evidencia necessidade de regulação das plataformas digitais

Foto: Magnific

Episódio evidencia a necessidade de regulação democrática das plataformas, com regras claras de moderação, transparência algorítmica, devido processo e proteção à liberdade de expressão, à diversidade informativa e ao direito à comunicação

A remoção de perfis, páginas e conteúdos por plataformas digitais sem transparência sobre critérios, procedimentos ou possibilidade efetiva de contestação é uma das situações frequentemente apontadas pelo FNDC e demais entidades e movimentos que atuam na defesa da liberdade de expressão e do direito à comunicação. Nesse contexto, chamou atenção a suspensão temporária do perfil do site Brasil Fora da Caverna (BFC) no Instagram.

O perfil foi removido pela Meta em 21 de agosto e restabelecido cerca de 24 horas depois. Segundo informações divulgadas pelo próprio veículo e reproduzidas por diferentes meios de comunicação, a suspensão ocorreu sem aviso prévio e sem justificativa pública da plataforma. À época da remoção, a página reunia mais de 1,1 milhão de seguidores.

Em nota divulgada após o episódio, a direção do BFC classificou a medida como censura e informou que buscaria esclarecimentos junto à Meta. As reportagens consultadas registram que a empresa não apresentou explicação pública para a retirada nem para a posterior reativação da conta.

Em entrevista ao Diário do Centro do Mundo, o fundador e diretor de conteúdo do BFC, Eduardo Betinardi, afirmou que o veículo já havia enfrentado situações semelhantes. “Em 2023, o BFC foi suspenso pela Meta, mas a conta foi reestabelecida judicialmente. Recentemente, ganhamos mais um processo. O problema é sempre o mesmo: a Meta derruba posts (ou até mesmo o perfil), mas não consegue justificar suas ações”.

Na mesma entrevista, Betinardi acrescentou: “No primeiro semestre de 2026, ganhamos uma ação referente à retirada de conteúdos jornalísticos e corte do nosso alcance. A justiça determinou que a Meta ‘devolvesse’ os conteúdos e aplicou uma multa diária”. A reportagem não informa o número do processo judicial mencionado.

O episódio gerou manifestações de apoio ao veículo nas redes sociais. Segundo reportagem do Diário do Centro do Mundo, houve mobilização de apoiadores e de perfis ligados ao movimento Sleeping Giants antes da reativação da conta.

Regulação das plataformas

O FNDC acompanha com preocupação casos de remoção de conteúdos e perfis por plataformas digitais sem transparência quanto aos critérios adotados e sem garantias efetivas de contraditório e recurso. A suspensão temporária do perfil Brasil Fora da Caverna, seguida de seu restabelecimento sem explicação pública da Meta, evidencia a necessidade de regulação democrática das plataformas digitais, com regras claras de moderação, transparência algorítmica, devido processo e proteção à liberdade de expressão, à diversidade informativa e ao direito à comunicação.

Fontes: Revista Fórum, Brasil 247, Diário do Centro do Mundo e Brasil Fora da Caverna.

IA, algoritmos e eleições: a democracia em disputa

Em participação no Vozes pela Democraica, o presidente do INIADS Brasil destacou que empresas como Meta, Google, Amazon e Microsoft possuem interesses próprios e são capazes de influenciar o alcance de conteúdos políticos.

O uso da inteligência artificial, o poder das plataformas digitais e a necessidade de regulamentação das big techs estiveram no centro do debate da edição 118 do programa Vozes pela Democracia. O entrevistado foi José Vital, publicitário, pesquisador, comunicador estrategista, presidente do Instituto Nacional por Inteligência Artificial com Direitos Sociais (INIADS Brasil) e integrante da Coordenação Brasil da Frente por IA com Direitos Sociais.

Durante a conversa com o apresentador Sousa Jr., Vital alertou para os riscos da utilização da inteligência artificial no processo eleitoral e para a influência que as grandes plataformas digitais exercem sobre a circulação de informações e a formação da opinião pública.

O debate começou a partir do uso de uma imagem e voz geradas por inteligência artificial de Jair Bolsonaro em uma convenção eleitoral de seu filho, Flávio Bolsonaro. Para José Vital, a questão exige atenção das autoridades eleitorais, especialmente diante da capacidade da IA de produzir conteúdos que simulam pessoas reais.

“A inteligência artificial permite literalmente falsificar realidades. O grande problema é que a velocidade da evolução tecnológica é muito maior do que a velocidade das decisões sociais, políticas e institucionais”, afirmou.

Segundo ele, mesmo havendo restrições ao uso de recursos de IA em campanhas eleitorais, a demora das instituições em responder a casos concretos pode abrir espaço para uma escalada de práticas que comprometam a integridade do processo democrático.

Algoritmos e disputa política

Além do uso direto da IA em campanhas, José Vital destacou o papel dos algoritmos das plataformas digitais. Para ele, empresas como Meta, Google, Amazon e Microsoft possuem interesses próprios e são capazes de influenciar o alcance de conteúdos políticos.

“As redes sociais se tornaram um espaço central de disputa. Quando os algoritmos restringem determinadas mensagens e potencializam outras, eles entram em choque com a própria democracia, que pressupõe a livre circulação de ideias e a possibilidade de diálogo com a população”.

José Vital

Sousa Jr. ressaltou que a concentração de poder comunicacional se tornou ainda mais complexa com a ascensão das plataformas digitais. Se antes o debate sobre democratização da comunicação estava centrado na concentração da propriedade dos meios de radiodifusão, hoje soma-se a esse cenário a hegemonia de conglomerados tecnológicos globais.

Regulamentar para proteger direitos

Ao longo da entrevista, Vital defendeu a necessidade de regulação das redes sociais, da inteligência artificial e dos data centers que vêm sendo instalados em diferentes estados brasileiros.

Ele ressaltou que o debate precisa envolver o Congresso Nacional, os governos, universidades e a sociedade civil organizada, uma vez que as decisões tomadas hoje terão impacto direto sobre a soberania digital do país.

“No caso dos data centers, precisamos discutir os impactos ambientais, o consumo de água e energia, os benefícios fiscais concedidos e os retornos efetivos para as comunidades. Não podemos aceitar que projetos bilionários avancem sem regras claras e sem contrapartidas sociais”, afirmou.

O ativista avalia que as grandes empresas de tecnologia resistem a processos regulatórios porque pretendem manter liberdade total de operação. Por isso, considera fundamental eleger representantes comprometidos com o interesse público e com a construção de marcos regulatórios capazes de proteger a sociedade.

Tecnologia a serviço da redução das desigualdades

José Vital também destacou que a defesa da regulamentação não significa oposição ao desenvolvimento tecnológico. Segundo ele, a Frente por IA com Direitos Sociais defende uma tecnologia voltada para a promoção de direitos, redução das desigualdades e melhoria das condições de vida da população.

“Nós queremos a tecnologia. Mas queremos uma tecnologia que ajude a reduzir desigualdades sociais, melhorar as condições de trabalho e ampliar a qualidade de vida das pessoas”.

José Vital

Nesse sentido, ele informou que a Frente por IA com Direitos Sociais vem ampliando sua articulação nacional e já possui coordenações organizadas em estados como Ceará, Rio de Janeiro, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Distrito Federal. A próxima plenária estadual, anunciou, será realizada em Minas Gerais.

Eleições e soberania digital

Na avaliação dos participantes do programa, as eleições deste ano terão papel decisivo na definição de políticas relacionadas à regulação das plataformas digitais, da inteligência artificial e da infraestrutura tecnológica do país.

Para José Vital, a sociedade precisa acompanhar atentamente as posições dos candidatos e candidatas aos cargos legislativos e executivos, já que o futuro das políticas públicas ligadas à comunicação, à tecnologia e aos direitos digitais dependerá das decisões tomadas pelos próximos representantes eleitos.

“O futuro está em jogo. Precisamos de representantes que tenham coragem de enfrentar os interesses das grandes corporações e defender uma visão de sociedade comprometida com a democracia, os direitos sociais e a soberania nacional”, concluiu.

Assista o programa na íntegra

FNDC incentiva entidades a participarem das eleições do CNDH

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) convida e incentiva as entidades da sociedade civil a participarem do processo eleitoral do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) para o biênio 2026-2028.

O FNDC integra atualmente o CNDH por meio da Comissão Permanente Direito à Comunicação e à Liberdade de Expressão e considera fundamental ampliar a participação das organizações comprometidas com a defesa dos direitos humanos neste importante espaço de controle social e incidência política.

O edital de convocação das eleições foi lançado pelo CNDH e prevê inscrições até as 23h59 do dia 28 de agosto de 2026 (horário de Brasília). As entidades interessadas podem optar por duas modalidades de participação:

  • Habilitação para compor o Colégio Eleitoral; e/ou
  • Candidatura a uma vaga no CNDH para o biênio 2026-2028.

Em ambas as modalidades é obrigatória a apresentação da documentação exigida pelo edital. Para as entidades que desejarem concorrer a uma vaga no Conselho, será necessário também indicar formalmente a pessoa representante da organização habilitada no Colégio Eleitoral.

Documentação obrigatória

  • Três anexos obrigatórios previstos no edital;
  • Ata de posse da atual diretoria registrada em cartório;
  • Estatuto da entidade registrado em cartório, comprovando sua existência há pelo menos dois anos;
  • Relatório de atividades e ações desenvolvidas em defesa dos direitos humanos nos últimos dois anos.

O FNDC está dialogando com as entidades que atualmente participam das comissões do CNDH para conhecer suas intenções de candidatura e fortalecer a construção de representações comprometidas com as pautas dos movimentos sociais. Nesse sentido, é fundamental que as organizações se apropriem deste debate e considerem sua participação no processo eleitoral.

O edital completo pode ser consultado no portal Gov.br: Edital de Convocação nº 01, de 07 de agosto de 2026.

Precisa de apoio?

Entidades interessadas em se habilitar para o Colégio Eleitoral ou que tenham dúvidas sobre o processo podem entrar em contato com o FNDC:

E-mail: [email protected]

WhatsApp:

  • (11) 95106-4077
  • (11) 98388-9030

Falar com Dascanio, secretário-executivo do FNDC.

>> Ou acesse o site Brasil Participativo AQUI

Cresce adesão à Plataforma 20 Pontos por uma Comunicação Democrática

Foto: Magnific

Lançada pelo FNDC, iniciativa reúne compromissos públicos de candidaturas com propostas para combater a concentração midiática, fortalecer a comunicação pública e regulamentar plataformas digitais.

Dezenas de candidatos aderiram à Plataforma Política 20 Pontos para uma Comunicação Democrática nas últimas duas semanas. Lançada pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) no dia 1º de agosto, a iniciativa reúne compromissos públicos de candidatas e candidatos aos cargos do Executivo e do Legislativo federal e estadual em defesa de um sistema de comunicação mais democrático, plural e comprometido com os direitos da população brasileira.

Para formalizar a adesão, as candidaturas devem assinar a Carta-Compromisso em Defesa da Democracia e por uma Comunicação Democrática e Soberana no Brasil.

>> Clique aqui para assinar a carta-compromisso

O documento foi aprovado durante a 27ª Plenária Nacional do FNDC e reúne 20 pontos considerados prioritários pela entidade para o fortalecimento da democracia e da garantia do direito à comunicação no país.

Entre as principais propostas estão a atualização da legislação para combater monopólios e oligopólios da mídia, a garantia da complementaridade entre os sistemas público, privado e estatal de comunicação e a reserva equilibrada do espectro de radiodifusão.

A plataforma também defende a universalização do acesso à internet banda larga, a regulação democrática das plataformas digitais e da inteligência artificial, além do fortalecimento da comunicação pública e da soberania tecnológica nacional, com destaque para a EBC.

O documento ainda reivindica maior participação social na formulação das políticas de comunicação, apoio às rádios comunitárias e mídias alternativas, combate à desinformação, proteção de dados pessoais e promoção da diversidade nos meios de comunicação.

As propostas buscam enfrentar a concentração da mídia e o poder das grandes plataformas digitais, ampliando direitos, transparência, diversidade e pluralidade informativa no país.

Veja quem assinou

  • Ailton Lopes
  • Andrew Costa
  • Angela Abuk Shakar
  • Anna Karina Vozes da Educação
  • Carol Caldeira
  • Daiana Santos
  • Donato
  • Edinho Mendes
  • Edinho Silva
  • Elmano de Freitas
  • Gustavo Petta
  • Ivan Moraes
  • Jerônimo Gonçalves
  • Jilmar Tatto
  • Juliana Cardoso
  • Jurandir Silva
  • Keka Bagno
  • Leci Brandão
  • Luciana Gatti
  • Luna Zarattini
  • Manuella Mirella
  • Moara Saboia
  • Nailton Luís Gama
  • Orlando Silva
  • Patrick Campos
  • Paula Coutinho
  • Paulo Pimenta
  • Professora Zuleide
  • Renato Roseno
  • Rodrigo Noel
  • Rosane Nascimento
  • Rosilene Corrêa
  • Salmito Filho
  • Sandro Pimentel
  • Simão Pedro
  • Taty Valéria
  • Vicentinho